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domingo, 5 de novembro de 2017

Reabilitação urbana: juntar a identidade à modernidade

Há pouco mais de um ano, abordei o caso da reabilitação de um edifício histórico em Ansião, no âmbito do tema da reabilitação urbana. Hoje volto à carga com mais um exemplo de reabilitação de um edifício na Vila de Ansião, desta vez uma reabilitação diferente, que implicou obras diferenciadas. Compreendo que em alguns casos tem de se seguir outro caminho, já que alguns dos edifícios são bastante limitados em termos de espaço, não sendo por isso prático nem racional promover obras só para inglês ver. Por isso mesmo há que inovar e integrar o melhor de dois mundos, a identidade pré existente e o prático do dia-a-dia. Neste caso, e tendo eu já visto algumas imagens do interior, num site de arquitectura, penso que se conseguiu algo interessante, que não desvirtuou o que já existia e que criou algo de prático e muito útil.





Vivemos demasiado num tempo onde as empresas de construção civil estavam apenas interessadas e preparadas para fazer de raíz, esquecendo a importante reabilitação urbana. As empresas que apostaram na reabilitação urbana, ainda antes da crise, foram as que melhor se safaram, já que abriram uma escapatória à crise e criaram uma nova frente no que concerne a esta actividade económica. As que não quiseram evoluir foram as que tiveram mais problemas, diria eu que ainda bem pois assim até se fez uma escolha no que concerne aos melhores. Havia uma grande falta de qualidade na construção e agora  as coisas estão a mudar, esperando eu que continuem a mudar para melhor, com mais e melhores empresas e com profissionais que inovem, seja no que de novo se construa, seja no que de velho se reabilite. Daqui a mais uns tempos voltarei a esta questão, pois já tenho mais para mostrar...

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Reabilitar um edifício histórico e dar-lhe alma, é isto que Sicó necessita!


 

A reabilitação urbana é um dos temas que, de forma regular, costumo abordar aqui no azinheiragate. A gastronomia é um tema igualmente abordado, contudo hoje venho associar dois temas num só. O ponto de partida é a reabilitação urbana, mais precisamente um exemplo do que de bom se pode fazer na região de Sicó. Segue-se a associação ao primeiro tema, incluindo eu agora uma primeira achega a uma rubrica que vou denominar simplesmente como roteiro gastronómico da região de Sicó, onde irei destacar o que de melhor temos nesta região, ou seja restaurantes, tascas ou afins, que se afigurem como embaixadores da região de Sicó. São espaços que irei recomendar a quem nos visita, pois os visitantes merecem o que de melhor a região tem para oferecer.
Esta rubrica já estava idealizada, contudo sem data para iniciar. Este último fim-de-semana tive a sorte de me convidarem para um almoço de gente amiga e o convite foi mesmo no espaço que podem encontrar no edifício das fotografias.
Mas em primeiro lugar, o edifício em causa, situado na Vila de Ansião, é um local histórico, o qual foi recuperado há poucos meses, com a ajuda de fundos comunitários. Além da recuperação, que manteve a traça original, o edifício ganhou um restaurante e bar que, diga-se, me surpreendeu muito positivamente. Quem esteve comigo ficou igualmente surpreendido, independentemente de ser ou não de Ansião, pois as opiniões foram unânimes.
A componente da reabilitação exterior já a tinha observado, contudo nunca tinha tido a oportunidade de entrar naquele espaço, facto agora consumado.
Fiquei apenas desiludido com o facto de, sendo este um edifício com história e intimamente ligado à temática patrimonial, no seu interior se utilizem textos de acordo com o (des)acordo ortográfico, algo que mexe bastante comigo, e com a maioria dos portugueses, dado o valor identitário da língua portuguesa e a perversão cultural que "acordo" ortográfico representa.
Prosseguindo, gostei bastante do interior do espaço e do respeito pela traça do edifício. Tem algumas fotografias e textos que mostram e descrevem estes aspectos e que são uma curiosidade que importa referir. A disposição do espaço é bastante apelativa e digna de um espaço histórico. A ementa é representativa do que de melhor a gastronomia de Sicó tem e os preços são ajustados. Gostei de sobremaneira da alusão ao património da região de Sicó, com as referências, no primeiro andar, a Penela, Pombal, Condeixa, Soure, Alvaiázere, Ansião. Este espaço dignifica a região de Sicó e o seu património.
Resumindo, este é um dos espaços que irei recomendar vivamente a quem visita a região de Sicó e mais especificamente Ansião.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Quintas de Sicó: verbo recuperar...


Cerca de 6 meses depois da última crónica das Quintas de Sicó, volto à carga com esta importante questão. Da última vez fiquei algo perplexo, pois não sendo um tema muito popular, a crónica de então entrou para o ranking dos comentários mais vistos de sempre no azinheiragate. Actualmente está em 4º lugar, com 418 visualizações.
Mais uma vez não irei referir onde é a quinta em causa, de modo a precaver possíveis actos de vandalismo ou mesmo de roubo. Quem conhece sabe onde é e isso chega.
Este é mais um dos extraordinários edifícios com valor patrimonial que, contudo, está no estado em que a foto mostra. Por dentro não faço ideia como estará, mas é de imaginar.
Temos o mau hábito de dizer que somos uma região "coitadinha", que só os pobrezinhos cá vem (dito por um autarca...) e ainda somos campeões a queixarmo-nos do mal em que a região e o país está. Os outros é que são melhores. Viajar faz falta para abrir os horizontes...
Contudo somos uma região que encerra em si mesma património natural (bio e geodiversidade), património cultural e património construído de grande valor. Temos um enorme potencial enquanto região, no entanto continuamos a insistir numa receita que já deu provas de não resultar. 
Em vez de apostar numa estratégia baseada nos recursos regionais, de entre os quais todo este património, continua a apostar-se na conversa das zonas industriais como base fundamental para estratégias de desenvolvimento territorial. Chapa 5 e projectos chave na mão é o que mais há. E quem não concorda, cuidado, é do contra. Enquanto isso acontece, edifícios como este vão-se degradando cada vez mais. Por vezes é culpa de privados, por vezes é culpa de entidades públicas, por vezes é culpa de ambos, já que cada caso é um caso e há situações em que a resolução para o problema é quase que impossível.
Daqui a uns meses trarei mais novidades sobre esta temática...

sábado, 18 de abril de 2015

Um artigo de opinião muito interessante, embora não original...



A beleza do tempo resume-se a dois pontos fundamentais. Ou nos dá razão, e mostra que aquela ideia (ou acção) era mesmo uma boa ideia, ou simplesmente não nos dá razão e mostra que temos que aprender e/ou ver a ideia de uma outra forma ou com uma nova abordagem. Sublinho que não é vergonha nenhuma errar, pois é fundamentalmente com os erros que aprendemos as melhores lições na vida. A nossa vida e as nossas acções são como um livro e isso é especialmente fantástico quando queremos voltar atrás no tempo para falar sobre o que também nos diz respeito.
Há poucos dias, enquanto estava a trabalhar numas coisas, um amigo alertou-me para um artigo bem interessante e presente no Jornal Terras de Sicó. Dado o "aviso" percebi que era algo que me interessava, daí ter ido logo à edição do Jornal Terras de Sicó. Ao que me parece, este Jornal não utiliza o aborto ortográfico, algo que aplaudo (só leio e compro os que não utilizam o "acordo" ortográfico).
Se ainda não leram o artigo em causa, peço-vos que leiam antes de prosseguir a leitura deste comentário.
Agora que já leram, podem pensar que é uma boa ideia termos aldeias do carso (e não aldeias do calcário...). E de facto é! No entanto começa aqui a parte em que volto atrás no tal livro, onde se pode voltar atrás e perceber coisas importantes.
Em 2006, altura em que trabalhava na Câmara Municipal de Alvaiázere, e aproveitando o trabalho de investigação que estava a efectuar no âmbito do mestrado, decidi propor ao edil a realização de um colóquio. Foi-me dada carta verde, na condição de me desenrascar na organização do mesmo. A intenção era a de apresentar algumas ideias inovadoras e sensibilizar para o facto de, naquela, altura, ser a altura ideal para lançar as bases de um projecto de desenvolvimento territorial que envolvesse a criação de um eventual geoparque de Sicó e projectos satélite, caso de aldeias do carso, à semelhança das aldeias do xisto. Ideal porque estávamos na fase de candidatura a projectos do QREN 2007-2013. Fico contente, ao ler o recente texto do Eng. Paulo Júlio, e ao vê-lo falar do Portugal 2020, constatar que na altura eu já estava uma década à frente de muitos autarcas. E não, não estou a falar deste último, já que, reconheço, foi talvez o melhor autarca do seu tempo, na região de Sicó, facto que tem actualmente reflexos no desenvolvimento de Penela.
Voltando ao colóquio, deu muito trabalho e foi um desafio, mas no final fiquei bastante contente com o resultado. Tinha conseguido fazer algo que ninguém tinha até então feito e tinha conseguido levar a Alvaiázere os principais actores de uma estratégia deste género, com o apoio das principais entidades relacionadas, regionais e nacionais (universidades incluídas...). Tudo isto com poucos meses de trabalho e muita atenção aos pormenores. Os únicos pontos negativos foram o facto de que apenas uma das várias Câmaras Municipais (das "Terras de Sicó") convidadas para o evento (Pombal - mais Alvaiázere enquanto organizadora) esteve representada, num universo de quase uma dúzia (vieram também Figueiró dos Vinhos, Alcobaça e Marinha Grande). Por que é que Penela não foi? Se o Eng. Paulo Júlio tivesse ido, ou pelo menos se tivesse enviado alguém em representação, se calhar o seu recente texto pudesse ter tido outro título... O segundo ponto negativo foi um bocado diferente, ou seja um episódio ocorrido durante este colóquio. Durante o encerramento daquele colóquio, e estando nós na mesa, em frente a uma plateia de algumas dezenas de pessoas (40 ou 50), um vereador, que na altura até estimava bastante, em vez de valorizar as ideias que ali fiz questão de propor, tratou de  afirmar que eu era muito jovem e um bocado inocente, daí a ideia ser um bocado "absurda". Este facto chocou-me duplamente, já que a realização daquele colóquio foi um marco no panorama regional e nacional, do qual muito me orgulho. Duplamente porque o vereador em causa já tinha estado ligado a uma associação de desenvolvimento local, portanto deveria ter sensibilidade para o tema e perceber que ali havia algo a explorar. Ironicamente são pessoas como aquele vereador, de Alvaiázere, que anos depois surgem a afirmar que a ideias como aquelas são "revolucionárias" para a região.
Lembro também que estiveram presentes naquele colóquio 4 elementos da Terras de Sicó, bem como elementos da Escola Superior Agrária de Coimbra, PNSAC - ICN, Grupo Protecção Sicó, INETI, ISEP, empresas várias e particulares, facto a não esquecer. 
Voltando ao texto do Eng. Paulo Júlio, constato que apesar de, no geral, concordar com a ideia que ele desenvolve, e que, muito bem, diz no final, não é original, este não está bem informado sobre a realidade dos "conjuntos de autarcas nacionais", pois apesar de serem jovens, são ainda, de certo  modo, e genericamente falando, reféns de uma rede de interesses económicos e políticos que desvirtuam gravemente o nosso território, as suas características e especificidades e o seu dinamismo. Penso que anos após a sua experiência autárquica, já terá percebido que a política portuguesa existe na base da aparência. A sua noção da intermunicipalidade é claramente dúbia, prova disso são as políticas das capelinhas ainda existentes. Lembro apenas aquele episódio que envolveu uma feira de queijos em Penela e que criou atritos (municipal Vs intermunicipal...). 
Claramente tais autarcas não percebem a importância do marketing e escala territorial e imaginam apenas que a valorização do território passa pelo seu património e pelas suas tradições e recursos. Prova disso é que sempre tivemos tudo isto e muito deste foi esquecido, desprezado e ignorado durante décadas, quando as vacas eram gordas. Mas agora que veio a crise, e as vacas emagreceram, o património já é rei. Pode dizer-se que é chique falar sobre património.
Liderança política nunca houve nem haverá no curto prazo, esse é um problema fundamental da região de Sicó. O interesse pessoal sobrepõe-se ao interesse comum, facto.
Sobre o "agente provocador", esse já nasceu há muitos anos, só tenho pena esta questão não ter sido abordada pelo Eng. Paulo Júlio, pois, de facto, já existe toda uma série de pessoas que poderiam fazer nascer finalmente as aldeias do carso. O problema é que são pessoas que não se dão bem com politiquices e, por isso mesmo, têm o rótulo do "persona non grata".
Sobre a tal conferência, essa já foi feita em... 2007, e com os principais actores de desenvolvimento local. Pena é alguns não terem ido... Já lá vão uns anos, é certo, mas a memória não pode ser assim tão curta.
Agora um verdadeiro desafio ao Eng. Paulo Júlio: que tal passarmos das palavras à acção? 
Nota: estou disponível para uma reunião...

sexta-feira, 13 de março de 2015

A estratégia do cai cai...


Já andava a pensar neste caso em particular e, depois de uma conversa casual, onde surgiu a casa em causa, decidi que era hora de, utilizando a casa como motivo, abordar uma questão que muito me perturba enquanto geógrafo e enquanto cidadão.
A imagem que a fotografia ilustra faz parte de uma paisagem urbana que me acompanha há muitos anos, representando também património a preservar. Esta paisagem urbana tem-se caracterizado por dois factos principais, (1) a descaracterização urbana que, sob o propósito de uma espécie de requalificação urbana, se assistiu na Vila de Ansião e (2) a ruína consentida de vários edifícios com história. Esta casa catita é um dos exemplos da ruína consentida, a qual ganhou força nos últimos anos, desde que o telhado caiu. Felizmente que, na parte das paredes mestras, concretamente na fachada, o telhado tem-se aguentado, o que garante que a parede vai aguentar mais uns anos. Para o dono isto será eventualmente uma má notícia, pelo menos fico claramente com essa impressão depois de ver o desprezo a que este belo edifício tem sido votado na última década.
Estou curioso para ver se de alguma forma no novo PDM de Ansião irá incluir algumas medidas que impeçam de alguma forma a ruína consentida deste tipo de edifícios e que dificultem a vida de quem prefere deixar cair a recuperar. Aproveito para informar quem ainda não sabe, que o PDM de Ansião está em discussão pública, portanto toca a participar, pois a cidadania passa também por aí!
O eventual interesse no "cai cai" poderá dever-se a um facto muito simples, o de que esta área é bastante apetecível em termos de promoção imobiliária. Depois desta casa ir completamente abaixo fica o caminho livre para eventual construção de duas ou três moradias, o que em termos económicos é altamente vantajoso para o proprietário. Isto acontece um pouco por todo o lado, sendo infelizmente uma realidade bem presente neste país. O ordenamento do território é um faz de conta.
Eu vejo a coisa de um outro prisma, pois para mim o interesse da comunidade está acima do interesse individual, daí defender a reabilitação deste edifício, bem como de muitos outros por ali e não só. Não deve ser o lucro a guiar a questão urbanística, o lucro deve ser um meio para e não um fim.
Apesar de serem várias as pessoas que partilham a minha opinião, reparei que são nenhumas as que fazem questão em debater abertamente este assunto. Não lhes perguntei porquê, mas imagino...

terça-feira, 8 de julho de 2014

Quintinhas de Sicó: small is beautiful!


Regresso então para o segundo episódio do "Quintinhas de Sicó", as afilhadas das "Quintas de Sicó, pois afinal, e parafraseando uma conhecida expressão, small is beatiful. Ou seja, não é preciso ser uma grande quinta, em termos de dimensão, para ser algo de mágico, bonito ou simplesmente um belo edifício para habitar.
A grande maioria das vezes o que acontece a casas como esta é pura e simplesmente a sua destruição, perdendo-se a mística do edifício. Em vez de se acrescentar valor à coisa, reabilitando-a, deixa-se ficar apenas parte das paredes mestras e faz-se por cima das mesmas, desvirtuando "a coisa". Resumindo, perde-se a identidade regional. Para mim a identidade é tudo!
Na região de Sicó temos muito edificado como o que a fotografia ilustra, daí eu mais uma vez alertar para a importância da reabilitação deste edificado, sem perturbar a traça, claro. A casa é pequena? Sim, não é muito grande, mas será que precisamos de casas tão grandes? E não poderemos nós aproveitar melhor os espaços interiores? Imaginem o fabuloso que será aquele espaço, escondido atrás daquela janela lá em cima!
Não fará mais sentido recuperar o bom que temos, usufruir deste espaço e fazer a ponte com o espaço em redor? Ou seja, usufruir dos espaços interiores e exteriores? Para quê uma sala gigante se temos a sala Natureza? Porquê passar tanto tempo fechado em casa, quando afinal temos tanto para visitar e usufruir em vez de estar em casa sem nada fazer, muitas vezes à frente da tv a ver lixo televisivo?!
Precisamos de reabilitar/recuperar este edificado. Precisamos de casas como esta, com quintais grandes em vez de casas grandes e quintais pequenos. Precisamos de pensar por nós próprios e menos pela cabeça dos outros, as quais trazem muitas vezes ideias estereotipadas. Em vez de gastarem 100 000 euros num apartamento ou 120 000 euros numa casa nova, comprem uma destas e reabilitem-na. Ainda vão ficar com dinheiro no bolso e um imenso potencial de alegria e paz interior!
No próximo vosso passeio, estejam atentos...

sábado, 21 de dezembro de 2013

Reabilita-me sff!


Há alguns dias atrás, quando falava com um amigo acerca do abandono a que muitas casas são votadas, surgiu o inevitável argumento do preço deste tipo de casas.
Esta questão é muito subjectiva e leva-nos a longas conversas, que passam pelas questões históricas, culturais, geográficas e outras mais.
Passo então a espicaçar as mentalidades, de forma a promover o debate. Em primeiro lugar, o preço destas casas é muito relativo, já que se ela estiver esquecida no tempo e nos olhares, quem a descobrir e perguntar quanto ela custa, muitas vezes custa dois tostões, isto se o dono for uma pessoa de idade e pouco esclarecida. Ou então se a casa em causa não estiver condenada à ruína total pelo facto de estar em partilhas intermináveis. Se a pessoa a conseguir comprar por dois tostões, facilmente a vai vender por um valor despropositado. Lembro-me de um caso, em que um amigo meu comprou uma casa em ruínas por 14000 euros e passado pouco tempo já tinha uma inglesa a oferecer 40000 pela mesma casa. Surpreendidos?! 
Assim sendo, e desmistificado um estereótipo, vamos lá então ao segundo ponto, ou seja o preço da reabilitação das mesmas. Obviamente que havendo poucas empresas dedicadas à reabilitação destas casas, os preços não são os melhores, mas mesmo assim é algo de natural, pois se não há muitas empresas no ramo, os preços inflacionam. Depois há uma outra questão, o de querer tudo feito, de poucos serem aqueles que sabem fazer algumas coisas no domínio da reabilitação, ou seja, poucos são os que sabem ou querem meter a mão na massa, preferindo comprar tudo feito. Há quem não saiba pegar num martelo.
Surge então o estereótipo das divisões, onde ficamos muitas vezes reféns do que os outros pensam e não do que gostamos, preferindo nós sermos levados pela opinião dos outros e não pela nossa. Divisões a mais, nada de open spaces e por aí adiante. Curiosamente, ou não, as pessoas mais satisfeitas são aquelas que recuperam estas casas ao seu gosto e não a gostos impingidos.
Poucos são os que imaginam que, ao mesmo preço de uma casa ou apartamento feito de raiz, conseguem ter uma casa destas recuperada. Essa é a realidade de hoje em dia. Há uns anos era diferente, eu sei, mas estou a falar da realidade actual. Os tempos são outros, os materiais e tecnologias são outras.
Não há nada que se compare a uma casa destas recuperada, nem mesmo uma casa feita de raiz. Estas casas antigas têm alma e história. Além disso muitas vêm com terrenos agricultáveis, com uma paisagem viciante, com rebanhos por perto, com árvores de fruto e com muito mais. Convencidos?!
É tudo uma questão de opção perante a vida, de não nos deixarmos subjugar a interesses económicos que querem que nós fiquemos entre 4 paredes, bem pertinho de outras 4 paredes, de forma a estarmos mais expostos a um sistema que vive apenas do consumismo bacoco.
Lembrem-se que muitas vezes os preços absurdos que algumas destas casas se devem a nós mesmo, pois numa primeira fase desprezámos estas casas (a cidade ou vila é que é...), não lhe reconhecendo valor e depreciando-as e depois, numa fase de revivalismo, começamos a dizer que estas casas é que valem a pena (vamos voltar para o campo que é que é...).
Naturalmente que nem sempre estão reunidas as condições para algumas pessoas reabilitarem estas casas, mas há muitas outras que poderiam. Dá que pensar, ou não?!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A chave do Imposto Municipal sobre Imóveis - IMI


Nas últimas semanas têm saído várias notícias acerca da descida do IMI que incide sobre o edificado nas zonas históricas dos vários concelhos da região de Sicó. O objectivo é simples, o de "piscar o olho" a quem tem edifícios antigos, de forma a que eles acabem por ser recuperados. Será a descida do IMI a chave para o futuro?
É uma iniciativa louvável, no entanto, pergunto eu, porque é que não fizeram isto mesmo à coisa de 15 ou 20 anos, aquando dos PDM´s de primeira geração?
A resposta é simples, é que foi muito mais fácil e apelativo promover novas construções, disseminadas um pouco por todo o lado. A prioridade era apenas uma, construir de raiz. Eram tempos de vacas gordas e nessa altura não era sequer prioridade baixar o IMI sobre os edifícios devolutos das zonas históricas. O resultado foi o que está à vista em vilas como a de Ansião, Alvaiázere ou na cidade de Pombal, entre outros.
Importa referir que parte significativa das receitas que entraram nos cofres das respectivas autarquias, provêm do IMI, daí que as autarquias não estivessem propriamente interessadas em baixar o IMI. Agora que o tempo é de vacas esqueléticas é que surge uma iniciativa que apesar de louvável, peca por demasiado tardia e desesperada, pois isso deveria ter sido feito à muito, mas muito tempo, com tudo o que isso poderia ter significado em termos de desenvolvimento territorial.
Promoveu-se a especulação imobiliária, através da reclassificação de solos, feita nos PDM´s, o que resultou em enormes lucros para as empresas de construção civil, algumas delas abertamente apoiantes dos autarcas no poder (já que participam recorrentemente com camiões da empresa nos respectivas caravanas em tempo de campanha...). 
Extensas áreas de terrenos com aptidão agrícola, foram reconvertidos, em sede de PDM (na década de 90) em áreas urbanizáveis, o que além de grave, é muito preocupante do ponto de vista do desenvolvimento territorial. 
Vejo com alguma relutância esta medida, não porque seja má (é boa), mas sim pelo facto de ser tardia e, daí, os efeitos esperados me parecerem escassos no curto e médio prazo. Deveriam ter sido tomadas medidas há mais tempo e não apenas a descida do IMI. Deveriam ter sido esboçadas estratégias nos primeiros PDM´s para que não se chegasse a este ponto. Mesmo nos PDM´s de segunda geração, em preparação, continua ausente uma estratégia séria e descomprometida com o sector da construção civil. Não se pensa uma estratégia a médio e longo prazo, vai-se sempre pelo mais fácil, o curto prazo, o que acaba por ter consequências muito negativas e, aliás, à vista de todos.
Bons profissionais, de áreas como a minha, sempre alertaram que era fundamental apostar na reabilitação do edificado, fosse ou não das zonas históricas, mas ninguém da política quis saber. Havia que alegrar o sector da construção civil, o qual dependia exclusivamente da construção de raiz. Este sector nunca quis verdadeiramente saber da reabilitação, e nos últimos anos pagou bem caro essa desatenção. Agora este mesmo sector diz que a reabilitação é o futuro, imagine-se terem descoberto a pólvora...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Longe de nada, perto de tudo



Como já disse mais do que uma vez, um dos defeitos que temos é andar sempre do local X para o local Y, sem que, contudo, passemos pelo lugar Z. Apenas quem domina a linguagem geográfica poderá perceber bem o que quis dizer com isto do X, Y e do Z.
Indo então à questão, eu gosto muito do Z, pois ali há uma coisa importante, a dimensão dos lugares. Estive para colocar um título diferente a este comentário, seria "O lugar dos lugares", no entanto, e à última da hora, decidi não ir pelo mais óbvio, mas sim colocar dimensão no título.
Estas duas fotografias são do lugar do Zambujal, em Condeixa-a-Nova. Apesar deste ser muito próximo a Condeixa e, mesmo de Coimbra, é um lugar que, aparentemente está longe de tudo e perto de nada. Muito poucos são aqueles que, no seu trajecto normal, por aqueles lados, fazem o desvio para visitar este lugar, algo de muito comum na região de Sicó. O óbvio acaba por passar despercebido, já que estamos formatados para ir do lugar X ao lugar Y sem pensar muito.
Lugares como este há muitos por toda a região, e o cenário de vazio é comum na grande maioria deles. As políticas desenvolvidas nas últimas décadas favoreceram apenas uma coisa, o esvaziamento destes lugares a favor das cidades, mesmo que boa parte das pessoas esteja "enjaulada" em apartamentos sem alma, sem história e sem sentimentos. Alma, história e sentimentos é um recurso que lugares como o Zambujal têm para dar e vender, no entanto há cada vez menos compradores. Os velhotes vão morrendo e os novos desaparecendo destes lugares, fazendo com que muitos destes estejam literalmente  condenados a desaparecer em poucas décadas. Falo, claro, de lugares como este, não daqueles onde a última pessoa já foi para outras paragens.
Agora pergunto eu, porque não aproveitamos estes lugares, voltando a ocupá-los, voltando a dar-lhe sentido e voltando a cultivar todos aqueles terrenos em redor dos mesmos?
As políticas actuais atentam contra isto mesmo, por mais estranho que pareça. Tudo está feito para que seja mais fácil fazer o mais difícil, ou seja mais fácil construir de novo, muitas vezes em terrenos dantes agrícolas, do que reabilitar o velho.
Mais revoltado fico quando vejo os nossos políticos a vitimizarem-se, dizendo que a culpa não é deles. Então a as políticas de reclassificação de solos, que também ajudaram a este sangrar de pessoas destes lugares? Então as oportunidades alicerçadas nesta riqueza fenomenal? Será que é melhor "empurrar" o pessoal para as cidades, onde as coisas já não são como eram, onde se vive em total dependência de um ordenado?
A balança devia estar equilibrada, de um lado as cidades, do outro o campo, no entanto a balança está cada vez mais perigosamente a pender para o lado das cidades. Imaginem agora como será a esmagadora maioria de nós na mão de interesses económicos, numa qualquer cidade, vivendo numa total dependência de modas. Nós podemos viver independentemente de modas, e até as podemos criar a partir destes lugares catitas. Há que regressar ao campo, não ao campo de antigamente, mas ao campo actual, o qual está longe de nada e perto de tudo!


quinta-feira, 16 de maio de 2013

As "tretas" da reabilitação urbana na região de Sicó


Não, não são tretas, este título é apenas uma ironia que utilizo para dar a "roupagem" a um comentário que pretende esclarecer factos pertinentes. Há semanas atrás, fiquei algo perplexo quando li uma resposta a um comentário meu, o qual tinha elaborado após ler uma notícia que me surpreendeu pela negativa.
Começando pelo início, a notícia que comentei, no fórum de um Jornal on-line, tinha a ver com o facto da Associação Empresarial de Ansião (AEDA) querer empresas a investir em Marrocos. Apesar da AEDA estar no seu pleno direito, obviamente que, estando nós num estado democrático, fiz questão em comentar tal notícia, comentário este que nem sequer foi incisivo. Podem ler este meu comentário no link acima, mas no final verão que até nem teve nada de especial. Pretendi apenas alertar para o estado de muito do edificado, não só no concelho de Ansião, bem como na própria região de Sicó. Apesar de eu já defender a reabilitação urbana há muitos anos, as empresas do ramo apenas nos últimos meses é que admitiram que este era uma "tábua de salvação", sendo uma forte possibilidade de reconversão para várias destas empresas. A reabilitação urbana é aliás um vector de desenvolvimento reconhecido por vários governos da europa, daí eu estranhar que a AEDA, em vez de rebater de alguma forma o meu comentário, viesse apenas, que nem virgem ofendida, a atacar-me pessoalmente, na base do factos nicles.
Supondo que será mesmo a AEDA, já que no comentário assim se identifica, é de lamentar esta postura de alguém que pensa que é imune a críticas.
No meu segundo comentário, onde respondo à AEDA, aí já tive de ser incisivo, defendendo-me de um ataque muito pouco elegante. É engraçado alguém que nunca terá trabalhado nas obras venha tentar dar lições de moral a quem já tendo trabalhado no ramo, é já há alguns anos um técnico com valências também nesta área, já que o ordenamento do território assim o obriga. Isto tudo fugindo ao debate, indo apenas pelo ataque directo e baseado apenas em argumentação sem factualidade, o que é de lamentar dadas as responsabilidades da AEDA.
Ficarei agora atento ao dia em que a AEDA proponha um plano que vise a reabilitação urbana no concelho e da própria região, pois de conversa da treta e de lirismos estou eu farto. Há que ser-se sério na hora de criticar, sem patetices.
Se a AEDA não gosta de críticas, está no seu direito, agora pensar que está imune às mesmas é que é um engano sério. Em vez de me atacar em termos pessoais, ataque os factos sobre os quais me centro, estarei disponível para os rebater ponto a ponto. Não sei se a pessoa que escreveu tal comentário sofre de algum complexo de inferioridade, já que a forma como se expressou assim o faz parecer. Não compreendo porquê, já que quem me conhece sabe que sou uma pessoa simples e descomplicada, mas cada um sabe da sua vida. 
Volto a dizer que em primeiro lugar está a nossa região. Se é difícil, é, mas o mérito vê-se nas alturas difíceis...
E, para finalizar, a imagem inicial é de um das muitas centenas de edifícios devolutos que preenchem a paisagem urbana do concelho de Ansião (esta é em pleno centro da Vila de Ansião). Estas centenas de edifícios representam oportunidades ligadas à reabilitação urbana. O papel da AEDA é também, entre outros, o de inovar e criar programas que visem a reabilitação destes edifícios, promovendo-os de forma própria e/ou com entidades várias, caso por exemplo da Câmara Municipal de Ansião. Todos agradecem, empresas e jovens que querem investir na aquisição de casas reabilitadas, as quais têm uma alma própria e são bem mais interessantes do que aquelas casas novas, sem alma, que muitas vezes se constroem. O QREN também serve para isto, agora sugiro que façam o vosso trabalho de casa, mas só se quiserem, pois este é apenas um conselho de quem privilegia a nossa região...