sábado, 27 de janeiro de 2018

Onde pára a história da Ponte da Cal?


O projecto da Villa Sicó é bastante interessante, contudo tem tido falhas que eu considero inaceitáveis. Ontem andava a matar saudades da minha terra, que nem turista, quando me deparei com esta placa sobre a Ponte da Cal, na Vila de Ansião. A minha primeira reacção foi positiva, contudo só até ter lido os conteúdos. Ou seja, temos ali uma placa aparentemente alusiva à Ponte da Cal, mas que, no concreto, falha os seus objectivos, já que fala de muita coisa menos da história da Ponte da Cal. É, claramente, uma placa que não só confunde, como não contribui para esclarecer e informar quem por ali passa, algo de inaceitável numa estratégia de divulgação turística e histórica.
Há duas histórias sobre esta ponte, a que desde miúdo me contaram e a história descrita por quem de direito, os historiadores, contudo nenhuma delas consta naquela placa informativa.
Fica a sugestão para uma necessária reflexão sobre uma questão que não pode ser menorizada. Falo, claro de uma reflexão por parte da Terras de Sicó, entidade com responsabilidades nesta matéria. 
Fica também o convite para que cada um de vós, ansianense ou turista, passe por este local e veja por si próprio. Podem também observar a outra ponte, a qual perturba gravemente a visualização da Ponte da Cal. Foi mais um de vários erros crassos do anterior executivo da Câmara Municipal de Ansião, que falhou redondamente na projecção de uma ponte que se compreende, mas cujo posicionamento é simplesmente absurdo, dada a proximidade à Ponte de Cal. Uns metros para o lado e a coisa seria bem diferente...


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Santa ignorância...


Foi apenas em Dezembro último que reparei neste pequeno pormenor num passeio na Vila de Ansião, muito embora, e pelo aspecto, já esteja assim há muito tempo. Onde seria normal encontrar terra e umas ervas, encontrei uma mistura de alcatrão com areão. E não, não estou a falar da estrada, mas sim do pequeno canteiro que deveria dar algum conforto aquela árvore. Alguma ave rara teve a ideia de encher aquele canteiro com alcatrão, sabe-se lá porquê. A árvore, essa já está doente e não será por acaso...
Não sei se foi aquando de uma obra de pavimentação de um caminho público, alegadamente açambarcado por um imigrante chinês, ali mesmo ao lado, ou se terá sido o anterior executivo da Junta de Freguesia ou então o anterior executivo da Câmara Municipal. Nenhum destes dois últimos ficou conhecido pela sua  competência em matéria de espaços verdes e este é apenas um exemplo do porquê. 
Já solicitei ao novo executivo que corrija este acto de iliteracia ambiental.


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Uma ponte simplesmente parva!




Fiquei a saber do facto através do Grupo Protecção Sicó, mas apenas agora tive tempo para me debruçar sobre a questão e fazer o trabalho de casa de forma a perceber, de facto, o que se passa e o que está em causa. Fui ao site da Câmara Municipal de Pombal e comecei a ver os ficheiros relativos às Grandes Opções do Plano 2018-2021. No ponto 2.3., na página 19, constava algo que me deixou indignado e perplexo. Há, de facto, ideia de construir uma ponte sobre o Vale dos Poios nos próximos 4 anos, já com 420 000 euros consignados nos orçamentos municipais de 2018, 2019 e 2020.
Mas antes de ir ao cerne da questão, porque constam, no GOP uns reles 3000 euros para a rede de aldeias do calcário (deveriam ser do carso, mas nem vou por aí)? Brevemente irei voltar a dissertar sobre as aldeias do carso...
Mas vamos então à questão da ideia da ponte suspensa para o Vale dos Poios, de quem terá sido esta ideia, peregrina, que eu considero absurda e parola? Sim, absurda porque não faz sentido algum. Parola porque irá degradar aquela área e não valorizar a mesma. Ideias de génese circense costumam ser assim parolas por natureza. O Vale dos Poios não é um circo meus caros!
Já não chegava o desastre que tem sido a gestão do dossier do CIMU, e agora aparece esta ideia peregrina. Santa paciência... Sobre o CIMU, parece que agora foi baptizado de Explora Sicó, mas brevemente irei voltar a falar do tema, agora que as obras estão a recomeçar.
Nos últimos anos viajei bastante para um destino onde a pedra calcária reina ainda mais do que em Sicó, a Eslovénia, de forma a conhecer e a aprender mais e melhor sobre formas de gestão do carso, sobre o ordenamento do território em meio cársico e muito mais. Não vi por lá parolices como a projectada ponte suspensa para o Vale dos Poios e não é por acaso...
Nunca vi o projecto da ponte suspensa, nunca vi o Estudo de Impacto Ambiental, Estudo de Incidências Ambientais ou mesmo discussão pública sobre o projecto. Alguém teve esta ideia parola, na base do acho que, e siga a festa, é a ideia que fica no ar. Ainda nem sequer vi um esboço de um plano de gestão do Vale dos Poios, de forma a acautelar a sua integridade e impedir a sua degradação por uma utilização sem regras. E a obrigatória classificação como local de interesse geológico?
Muito gostam estes executivos municipais de começar a casa pelo telhado, juntando ainda por cima características daquelas que os emigrantes juntaram às suas casas nas últimas décadas, um folclore abismal.
Já por uma vez disse e volto agora a repetir aqui, no azinheiragate, autarcas como Diogo Mateus têm de descer à terra, falar com quem sabe e visitar países como a Eslovénia, falando com quem é de lá e sabe, de forma a, de uma vez por todas, deixarem de pensar nestas ideias parolas e aprenderem as boas práticas associadas à gestão territorial em meio cársico. E se precisarem de contactos por lá digam, pois não tenho problemas em estabelecer pontes, daquelas que fazem sentido e fazem, de facto, falta!
A (i)lógica de muitos dos autarcas da região de Sicó no que concerne à dinamização territorial tem sido a de transformar este belo território num circo. Não queremos Sicó transformada num circo! Queremos sim um território devidamente valorizado, sem ideias parvas à mistura.
Já só falta meter uns bungalows nas paredes verticais do Canhão Fluviocársico para ser o circo total (não é uma ideia, só para que não fiquem confusos, é mesmo uma sátira).

domingo, 14 de janeiro de 2018

O que faz falta é ler, malta!


Ano novo, livros novos, sempre livres de desacordo ortográfico! Volto então à temática dos livros, começando pela "Volta a Portugal", de Álvaro Domingues, ilustre geógrafo que, mais uma vez, nos traz mais uma bela obra. Demorei apenas 3 dias a absorver este livro. Simplesmente genial!
Há muitas fotografias e muito texto que vale a pena ler, destacando eu um breve parágrafo que espero que vos suscite o interesse neste livro em especial:
"para os mais distraídos (que são uma maioria em expansão), basta uma largueza de vistas, alguma espectacularidade, uma boa dose de clorofila e, sobretudo, um espaço que seja ocupado pelo tempo do não-trabalho e da fuga às coisas e lugares de todos os dias... e está feita a paisagem. A ruralidade ou a natureza não são mais do que lugares para passar férias, escapadelas de fim-de-semana, programas de televisão e publicidade de excelência dos produtos nacionais (mesmo que superintensivos em biotecnologia, mecânica, química e electrónica)".


Foi uma descoberta quase acidental numa das livrarias que regularmente visito. Mas é nas descobertas acidentais que tenho tido sorte. Agora resta-me encontrar o volume II desta obra importante para investigadores e não só.


Íris científica representa algo de muito importante, o saber comunicar ciência de forma acessível. Por isso e por muito mais, esta foi uma aquisição importante. Se Portugal tivesse mais comunicadores nato como António Piedade, de certeza que a nossa literacia científica seria outra...


É o primeiro livro deste autor que entra na minha biblioteca, mais se seguirão. O nome dispensa apresentações. Urge ler para melhorar as capacidades cognitivas e discernimento. Depois de pegar no livro e desfolhar, não havia volta a dar...


Esta foi outra descoberta quase acidental. Depois de constatar que havia uma versão traduzida tristemente através do desacordo ortográfico, já tinha posto de parte este livro, contudo, e poucas semanas depois descobri a versão original, daí, e tendo em conta o autor e a temática, não houve dúvidas.


Não é um livro, mas mesmo assim acho importante destacar esta agenda, que adquiri aos Amigos Picudos. Se podemos comprar agendas que além de nos guiarem durante um ano, porque não comprar agendas que além disso ajudem a causas importantes como a dos Amigos Picudos? Fica a dica...

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

É um grave problema que nos afecta todos, mas que só interessa a alguns, porquê?!



Fotografias: Facebook do Grupo Protecção Sicó

Não sei se é o destino, mas o certo é que, infelizmente, volto a ter de falar sobre uma questão importantíssima. E isto mesmo que esta mesma questão passe, no essencial, ao lado da maioria da população desta região (Maciço de Sicó) e do pessoal de Pombal, Redinha e não só.
Nas últimas semanas tenho acompanhado o caso da poluição das nascentes do Ourão e dos Anços, na Redinha, Pombal. O Grupo Protecção Sicó tem conseguido trazer esta questão à praça pública, seja através das redes sociais seja através da imprensa regional e nacional (televisão).
Nos últimos dias, e no que me toca, fui convidado para mandar umas farpas sobre esta questão. 
Durante todo este tempo estive com alguma atenção à postura dos autarcas, nomeadamente Diogo Mateus. Não é que esperasse nada de novo, mas mesmo assim é preocupante constatar que as coisas estão iguais quando toca à defesa intransigente de um dos recursos naturais mais importantes de todos, ou seja a água. Seria de esperar que sendo nós constituídos na sua maioria por água, déssemos a respectiva importância à defesa de nós próprios. Em vez de uma mão de ferro, vejo pouco mais que uma mão de cartão, que, na prática, pouco tem feito neste domínio.
Não é aceitável que continuem a existir  focos de poluição nos cursos de água da região de Sicó (nem noutros, obviamente), mais ainda sabendo da fragilidade ambiental dos ecossistemas desta região cársica. E não, situações como esta não são a excepção, mas sim a regra. A diferença é que apenas parte destes casos chega a público, seja porque não são denunciados, seja porque quem os denuncia não tem grande mediatismo. São raros os casos onde quem denuncia tem mediatismo, como é o caso do GPS ou de mim próprio.
E quando acontece, menoriza-se a coisa e diz-se algo do tipo "tende a regularizar-se sem grandes consequências". Isto não é de todo aceitável! A ironia disto é que quem mais pugna pela defesa deste recurso é quem o faz por carolice. Quem é pago para isso faz pouco e mal!
O que se poderia fazer para mudar o paradigma? Várias coisas e a vários níveis, desde a sensibilização ambiental e cívica, a redes eficazes de monitorização e a um projecto estruturante de investigação. Este último poderia ser elaborado por quem sabe, numa parceria entre entidades públicas e privadas. Poderiam por exemplo entrar neste projecto todas as autarquias da região de Sicó, a Universidade de Coimbra (ou outra) e aqueles que melhor conhecem a metade esquecida do carso, o endocarso (a parte subterrânea), ou seja os espeleólogos, como por exemplo o Grupo Protecção Sicó. Estamos numa altura onde se pode fazer isso mesmo, bastando haver vontade e competência. Com isto poder-se-ia investigar uma questão ainda mal conhecida e ter as bases para uma correcta gestão. Uma coisa sei, não há ninguém que possa afirmar que sabe com rigor o real estado dos aquíferos da região de Sicó. Outra que sei é que com um projecto corajoso e realista se poderia vir a saber o que não se sabe. Fica a dica caros autarcas e cara sociedade civil!
E fica também uma informação, a de que há dados bombásticos sobre a poluição, que ainda não foram revelados. E mais não digo... por agora...