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9.1.18

É um grave problema que nos afecta todos, mas que só interessa a alguns, porquê?!



Fotografias: Facebook do Grupo Protecção Sicó

Não sei se é o destino, mas o certo é que, infelizmente, volto a ter de falar sobre uma questão importantíssima. E isto mesmo que esta mesma questão passe, no essencial, ao lado da maioria da população desta região (Maciço de Sicó) e do pessoal de Pombal, Redinha e não só.
Nas últimas semanas tenho acompanhado o caso da poluição das nascentes do Ourão e dos Anços, na Redinha, Pombal. O Grupo Protecção Sicó tem conseguido trazer esta questão à praça pública, seja através das redes sociais seja através da imprensa regional e nacional (televisão).
Nos últimos dias, e no que me toca, fui convidado para mandar umas farpas sobre esta questão. 
Durante todo este tempo estive com alguma atenção à postura dos autarcas, nomeadamente Diogo Mateus. Não é que esperasse nada de novo, mas mesmo assim é preocupante constatar que as coisas estão iguais quando toca à defesa intransigente de um dos recursos naturais mais importantes de todos, ou seja a água. Seria de esperar que sendo nós constituídos na sua maioria por água, déssemos a respectiva importância à defesa de nós próprios. Em vez de uma mão de ferro, vejo pouco mais que uma mão de cartão, que, na prática, pouco tem feito neste domínio.
Não é aceitável que continuem a existir  focos de poluição nos cursos de água da região de Sicó (nem noutros, obviamente), mais ainda sabendo da fragilidade ambiental dos ecossistemas desta região cársica. E não, situações como esta não são a excepção, mas sim a regra. A diferença é que apenas parte destes casos chega a público, seja porque não são denunciados, seja porque quem os denuncia não tem grande mediatismo. São raros os casos onde quem denuncia tem mediatismo, como é o caso do GPS ou de mim próprio.
E quando acontece, menoriza-se a coisa e diz-se algo do tipo "tende a regularizar-se sem grandes consequências". Isto não é de todo aceitável! A ironia disto é que quem mais pugna pela defesa deste recurso é quem o faz por carolice. Quem é pago para isso faz pouco e mal!
O que se poderia fazer para mudar o paradigma? Várias coisas e a vários níveis, desde a sensibilização ambiental e cívica, a redes eficazes de monitorização e a um projecto estruturante de investigação. Este último poderia ser elaborado por quem sabe, numa parceria entre entidades públicas e privadas. Poderiam por exemplo entrar neste projecto todas as autarquias da região de Sicó, a Universidade de Coimbra (ou outra) e aqueles que melhor conhecem a metade esquecida do carso, o endocarso (a parte subterrânea), ou seja os espeleólogos, como por exemplo o Grupo Protecção Sicó. Estamos numa altura onde se pode fazer isso mesmo, bastando haver vontade e competência. Com isto poder-se-ia investigar uma questão ainda mal conhecida e ter as bases para uma correcta gestão. Uma coisa sei, não há ninguém que possa afirmar que sabe com rigor o real estado dos aquíferos da região de Sicó. Outra que sei é que com um projecto corajoso e realista se poderia vir a saber o que não se sabe. Fica a dica caros autarcas e cara sociedade civil!
E fica também uma informação, a de que há dados bombásticos sobre a poluição, que ainda não foram revelados. E mais não digo... por agora...


5.8.17

Uma noite do outro mundo!



"A 11ª Noite dos Morcegos de Pombal (21ª Noite Internacional dos Morcegos) realiza-se no dia 26 de Agosto no Vale do Poio Novo (Poios, Redinha).
Aproveita a oportunidade para conhecer um pouco os morcegos de Sicó e um dos locais mais emblemáticos do concelho de Pombal.
Vai ser necessário percorrer um trajecto a pé (30 a 40 minutos de duração para cada lado), cujo percurso não é adequado a pessoas com dificuldades de locomoção. Os participantes devem levar calçado de campo, merenda e água.
No passeio pedestre estarão presentes especialistas na identificação acústica de morcegos, munidos de equipamentos que permitem a sua audição e identificação enquanto voam.
Informações e inscrições através do email gps.sico@gmail.com
Data:
26 de Agosto 2017
Horários:
– 18h00: concentração e palestra na Quinta de São João (Poios – Redinha)
Inscrições:
– pelo email gps.sico@gmail.com até às 18h do dia 23 de Agosto;
– seguro e logística: 5 espeleos
– só serão admitidas crianças se acompanhadas por adulto.
Será disponibilizada iluminação aos participantes.
Organização:
Grupo Protecção Sicó

22.2.15

Um Núcleo Museológico e Etnográfico por dia, nem sabe o bem que lhe fazia


Já são alguns, mas ainda há espaço para outros mais. Os Núcleos Museológicos e Etnográficos podem ser uma enorme mais-valia para a região de Sicó, claro que desde que bem geridos. O espólio existente é gigantesco, por isso há que criar mais espaços como este para colocar e divulgar todo este património.
No dia em que visitei a Redinha este espaço estava fechado, sendo a desculpa perfeita para voltar um destes dias. Melhor ainda será fazer um roteiro por todos os Núcleos Museológicos já existentes na região de Sicó. Há pouco tempo abriu um outro, no Alvorge, Ansião. Já agora, quantos de vós sabem que existem destes espaços pela região de Sicó?
Por vezes vejo pessoal mais velho do que eu, ou até mais novo, a dizer que dificilmente as pessoas se interessam por estas coisas. Por vezes tenho de dizer a este mesmo pessoal que se houver pessoas com capacidade para dinamizar e com o dom da palavra, as tais pessoas que não estão interessadas nestas coisas se começam a interessar pelas mesmas. É óbvio que há pessoas com capacidade, é óbvio que há pessoas com o dom da palavra, pessoas já com muita idade que gostavam de transmitir a sua experiência de vida em tempos onde a vida era bem diferente. Há que aproveitar tudo o que de bom esta região tem e potenciar a mesma. A nossa maior riqueza é a especificidade de cada lugar, as suas tradições e a sua forma de estar num território ímpar. A nossa maior pobreza é desprezar este património e tentar comprar ilusões, muitas vezes embrulhadas em projectos chave na mão...

12.3.13

Viagem ao centro da serra: o lago azul

Quando se utiliza a expressão "lago azul", costuma ser sempre associada a algo belo, como afinal o é um lago azul. No entanto, há excepções à regra, o que significa que há o inverso do belo...
É certo que ali há mesmo um lago azul, mas que de bonito não tem nada. Prossigo desta forma com mais um episódio da saga "viagem ao centro da serra", a qual visa abordar a problemática associada a estes monstros que consomem uma das maiores riquezas da região de Sicó, a sua paisagem (e não só...).
Esta pedreira, em especial, está longe da vista da maior parte das pessoas, pois não se vê ao longe como aquela que se vê da auto-estrada, ao chegar a Pombal. 
O monstro que se vê nestas 3 panorâmicas situa-se a Norte da Redinha, perto do limite do concelho de Pombal, a escassos metros do concelho de Soure. Mesmo eu, fiquei perplexo ao chegar ao primeiro ponto, representado pela primeira fotografia. Apesar de já ter uma noção da dimensão da pedreira, através da carta militar e do próprio google earth, não estava preparado para isto:


Uma das muitas formas de consciencializar as pessoas para esta tragédia é a de mostrar a realidade à qual tentamos fugir quando viramos o olhar, ao passar perto destes monstros. Como alguém, um dia disse, se X não vai à montanha, a montanha vai a X. Tenho a certeza que se não fossem estas fotos, muitas pessoas nunca iriam conhecer este monstro, daí eu fazer questão em vos trazer a montanha. Só assim as mentalidades ficam despertas para algo realmente problemático, que consome a serra e a vida de muitas pessoas. Algumas pessoas ganham milhões com a venda disparatada das nossas serras, enquanto que a maioria de nós sofre com isso de alguma forma.
Será que é isto que queremos para a região de Sicó? Quem ganha com estes monstros? Será que precisamos de tantos monstros? Claro que não! Puro negócio, e não absoluta necessidade.
Ficam mais estas fotos para a posterioridade, as quais espero que de alguma forma vos mobilizem para uma causa, a preservação da paisagem da região de Sicó! 
Muito brevemente irei dar seguimento à saga...