domingo, 27 de novembro de 2016

Onde pára o ordenamento florestal da Serra da Portela?


Muitos do que passam pela Serra da Portela, em Pousaflores, e vão ao miradouro situado ao lado do moinho de vento e do parque eólico da Serra da Portela, não se apercebem do problema que ali existe há vários anos, ou seja a falta de ordenamento florestal. Basta dar corda aos pés ou bicicleta para vermos que há ali algo de grave a ocorrer, ou seja a inobservância de algo fundamental como o é o ordenamento florestal. Em Agosto de 2006 houve um incêndio em parte do sector onde está implantado o pinhal, mas parece que o tempo apaga as memórias e o risco de incêndio é grande, tal como podem constatar nas fotografias.  


Em meados da década de 90, alguém teve a ideia parva de rechaçar  esta bela serra com uma máquina. Foi um verdadeiro atentado ambiental que hoje seria impensável (ou não...). Infelizmente não há volta a dar e temos de nos contentar com o que ali está actualmente. Mas infelizmente o actualmente não augura nada de bom, pois a "estratégia" é a pior de todas. Uma grande mancha de pinheiras, que devidamente geridas dariam uns bons tustos com o rendimento que advém da venda das pinhas (e uma enorme mais-valia para a feira do pinhão anual). Ao lado desta, na Serra do Casal Soeiro, da Serra do Mouro e da Serra da Ameixieira, o projecto falhado das 130 000 árvores, boa parte delas não deram em nada, típico de projectos de greenwash. Junte-se a isto o lóbi dos caçadores e temos todos os ingredientes para o desastre.


Convido-vos a todos a dar uma volta da Serra da Portela, de forma a verem pelos próprios olhos o barril de pólvora que ali está e que urge minimizar, através de uma correcta gestão da floresta. Podem deixar o carro no miradouro do Anjo da Guarda ou na Capela do Anjo da Guarda e dar uma volta pelo estradão que dá a volta à Serra da Portela pelo seu topo.


Esta situação deverá ser resolvida rapidamente por um conjunto de entidades, onde se inclui a Junta de Freguesia de Pousaflores, a Câmara Municipal de Ansião, pela Associação Florestal e pelo ICNF (Rede Natura 2000 - Sítio Sicó/Alvaiázere). Os incêndios existem por vários motivos, um deles é a falta de gestão florestal. E os incêndios previnem-se antes do Verão...


E claro, não podia faltar um aspecto típico, a lixeira do costume, infelizmente muito comum por Ansião e arredores... Das 250 lixeiras de detectei em 2010, no Limpar Portugal, a maior parte tinha também restos de construção...


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Pensar global, comprar local


Por estes dias já há quem tenha começado a pensar no que comprar na próxima época festiva, portanto é a altura certa para "abrir as hostilidades". Nesta altura, tal como no resto do ano, urge comprar localmente os produtos ou artesanato. Sicó tem muito por onde escolher, seja a nível gastronómico seja artesanato ou afins, muito há de útil e de qualidade para comprar, ajudando assim a nossa região e a sua economia. A minha sugestão é precisamente essa, privilegiarem o comércio local e os produtos feitos na região. No que concerne ao artesanato, sugiro que comprem objectos úteis e não aqueles para encher prateleiras a ganhar pó. Há muita coisa que alia o artesanal ao prático e útil, portanto é procurar nas lojas e/ou mercados locais. No que concerne à gastronomia, aí a diversidade de produtos locais tem vindo a aumentar e a ter mais visibilidade, portanto é comprar e embrulhar, pois vão ver que vale a pena. Em vez de comprarem algo sem utilidade, made in China, por vezes feito com mão de obra quase escrava, comprem algo com utilidade, feito na região de Sicó e por sicoenses ou por quem cá trabalha. É assim que se dinamiza a economia. Ao comprarem localmente estão a dinamizar a economia de Sicó e a garantir postos de trabalho!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Voltei ao Alvorge e vi a água "límpida" do esgoto a sair para a linha de água...


Por falta de tempo, estive algumas semanas sem ir ao Alvorge, de forma a continuar a monitorização do esgoto (dreno) ilegal, mas na semana passada consegui finalmente lá ir. Na edição da primeira quinzena de Abril, da edição do Jornal Terras de Sicó, a provedora da Santa Casa da Misericórdia do Alvorge, a Srª Maria Luísa Ferreira, afirmava que, e passo a citar, "a água sai límpida para uma linha de água". O autarca Rui Rocha tinha a mesma postura, de negar o que estava e está à vista de todos, muito embora, e após a denúncia, afirmasse na imprensa que era um problema preocupante. O impacto mediático desta situação foi enorme, mas infelizmente, e até agora, de pouco valeu, já que, no essencial, tudo se mantém. Resta portanto continuar a dar visibilidade a esta situação e monitorizar a mesma, já que ao contrário do que a Srª provedora possa pensar, o caso não está fechado, está sim em aberto. E mais não digo... A ilegalidade é para acabar e o esgoto para ser tratado, a bem da saúde pública e da seriedade institucional.
Peço a todos que divulguem esta situação e partilhem nas redes sociais, já que, como eu bem sei, isso pode fazer toda a diferença na hora de resolver situações de todo o tipo. Esta situação é particularmente grave, daí a minha dedicação a este caso.
Finalizando, gostaria de pedir à Srª provedora Maria Luísa Ferreira que nos elucidasse sobre aquela matéria orgânica, pois concerteza ela saberá explicar o porquê do sucedido. Como boa gestora que é, de certeza nos poderá elucidar sobre os elementos poluentes ali presentes e o porquê da situação estar pior. Genericamente eu sei o que é, mas o público pode não saber...



segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Não plantem eucaliptos, plantem por exemplo medronheiros!



Há umas semanas, aquando de uma das minhas "saídas de campo", deram-me a conhecer algo de fantástico. Era algo que desconhecia, mesmo sabendo que já tinha passado ali bem perto, contudo era um cantinho desconhecido para mim. Infelizmente antes do fantástico havia algo desprezível, algo só possível porque um animal de um madeireiro decidiu que parte importante do medronhal teria de ir à vida só porque sua excelência tinha de ter um estradão para o seu veículo ir buscar uns pinheiros. Isso abriu um precedente e a área de medronheiros foi diminuindo, pois há quem tenha vindo a ir ali buscar madeira de medronho, abatendo mais uns quantos. Não sei quem foi, mas se soubesse a multa já estaria a caminho...
Deixando as tristezas de lado, eis então que se chega à bela formação de medronheiros, a qual vive num vale com um pequeno caminho pedonal no seu fundo plano. Estar ali e desfrutar daquele momento foi algo de muito especial, ainda mais vendo medronheiros já com uns anitos, coisa que vai rareando pela região de Sicó. Não vou divulgar o local, evitando assim os possíveis vândalos. A experiência já me ensinou que há locais que mais vale não divulgar, preservando-os assim mais uns anos.
E que tal plantarmos mais uns quantos medronheiros pela nossa região? Peçam ajuda, caso tenham um terreno adequado, e plantem uma catrafada deles. Promovam a biodiversidade e, passado poucos anos, começam a ter ali uma fonte de rendimento, através da venda de medronhos. A minha sugestão é mesmo acrescentar mais-valias aos medronhos, transformando-os para, por exemplo, fins culinários ou compotas. Sicó agradece!
Há que começar a reduzir rapidamente a área de eucaliptal e dar vida à paisagem de Sicó. Medronheiros, carvalhos, azinheiras, etc. Há que diminuir o risco de incêndio, pois esse é um aspecto menosprezado também na região de Sicó. Agora mãos à obra!



quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Ia para ver uma coisa parva, mas acabei por vez duas coisas parvas...


Infelizmente é um tipo de situação comum pela região de Sicó, mas mesmo assim continuo a ficar parvo com este tipo de situações. Portugal e a região de Sicó têm vários problemas que contribuem para a fragmentação de habitats e da paisagem, empobrecendo desta forma o património desta bela região.
É o caso desta primeira situação, onde se vê um recente muro de blocos de cimento a assinalar os limites de um terreno. Quero, posso e mando, é a típica mentalidade que leva a este tipo de situações. Para ajudar, os regulamentos camarários permitem este tipo de obras de mau gosto. Será que havia necessidade de tal mamarracho para marcar o limite de uma propriedade qualquer? Será que uns postes de madeira com uns arames não ficavam melhor enquadrados? E mesmo esta última hipótese, faz sequer falta? Mas afinal porque é que temos a mania de mandar construir muros desta forma? Absurdo... 


Já nesta segunda situação o caso é algo diferente. Em primeiro lugar há que saber se tem licença (nos próximos dias a fiscalização irá ao terreno), e, em caso afirmativo, há que saber qual é a lógica de construir ao lado de sobreiros centenários? Será que é para mais tarde ter legitimidade para mandar cortar os sobreiros alheios, dizendo que estorvam? Nas Cavadas, Ansião, alguém terá essa resposta.
E aqueles pinheiros pegados ao muro, porque é que secaram de forma repentina?
No final disto há uma conclusão a retirar deste tipo de situações, ou seja a necessidade de apostar seriamente na educação ambiental e cívica, solução de fundo para mitigar este tipo de situações. Há que mudar urgentemente as mentalidades. Gostamos muito de dizer bem daqueles países avançados, mas esquecemo-nos do que os faz países avançados...


sábado, 5 de novembro de 2016

Vamos lá esclarecer o "caso Calaias"


Nota: pequena amostra do cartaz da Corrida do Calaias

Há uns dias publicitei aqui uma prova solidária que dava pelo nome de "Corrida do Calaias". Sem ter ido, sei que foi uma prova interessante, seja pelo trajecto, cenário ou pelo facto de ter sido uma prova nocturna. Teve apenas uma falha, a qual dei conta nesse mesmo comentário, onde publicitei a prova. Nessa mesma altura, comentei que era um erro básico, em termos de marketing territorial, pegar no nome de um ermita para baptizar uma corrida que nada tem a ver com a memória deste ermita. Era uma corrida urbana que nada tinha a ver com esta personagem, que era um verdadeiro solitário e que fazia das cavidades (ex. buraco do Calaias) a sua casa. Por isso mesmo é que não faz sentido dar este nome a esta corrida. Fazia sim sentido dar outro nome que não envolvesse o Calaias.
Fui ver os conteúdos que encontrei, entre outros, nas redes sociais, e à parte do nome da corrida, não encontrei uma única alusão à figura do Calaias, bem como uma única fotografia de um dos locais por onde o Calaias andava, algo que seria de esperar, para não dizer obrigatório. Ao invés, surge apenas a Câmara Municipal e a ponte da Cal. Apenas depois de postar este comentário me enviaram o cartaz oficial, o qual curiosamente desconhecia, onde sim consta uma fotografia daquele que é conhecido como "buraco do Calaias" e um pequeno texto, o que mostra que nem tudo correu bem e que, aliás, mantém o essencial na mesma, pois a coisa continua a não colar... 
No mesmo dia da prova, e no facebook de uma pessoa conhecida, dei conta, no geral, desta questão. Logo surgiu um amigo meu, que, talvez desconhecendo a temática do marketing territorial, para argumentar, puxou pelo argumento de que o bacalhau vinha da Noruega e era um prato típico da região. Não se deve ter apercebido que isto nada tem a ver com o caso do Calaias, mas é sintomático da falta de conhecimento sobre a temática do marketing territorial, daí, também, eu agora estar a comentar esta questão. Nada como explicar os factos, pois a falar é que a gente se entende.
Logo depois surgiu uma personagem, a qual em vez de ler o que eu escrevi e tentar entender o que eu tinha escrito, reflectindo sobre os factos, fez logo birra, algo que só compreendo sabendo o historial que esta personagem tem e na postura tipo DDT (dono disto tudo). Já por três vezes denunciei publicamente esta personagem, por estar ligada a más práticas na organização de provas desportivas, algo que, neste caso específico, não se coloca, pelo menos no que tenho conhecimento.
A sua argumentação era a de que se houve muitas pessoas, então o nome da prova está certo. A teoria é que não há erro algum na questão de ligar o nome do Calaias a uma corrida urbana.
O facto é que seja qual fosse o nome da prova, esta teria sucesso, seja por ser uma prova solidária, seja por o trail urbano estar na moda ou seja pelo simples facto de que não há propriamente competição na organização de provas deste género, pois simplesmente o mercado de provas tem ainda muito para evoluir e até haver uma saturação ainda falta muito. Dizer que esta prova teve sucesso pelo simples facto de se denominar corrida do Calaias, é sinal de uma péssima análise crítica, já para não falar de um narcisismo bem notório.
Fazendo uma análise objectiva, é notório que a figura do Calaias nada tem a ver com uma corrida urbana, por mais meritória que ela seja. Ao promover uma corrida do Calaias, o expectável seria ter um trail que tivesse um trajecto em redor de, por exemplo, duas das cavidades mais conhecidas do Calaias. Seria igualmente de esperar ter uma resenha histórica da figura do Calaias neste mesmo trail. Chama-se a isto um bom marketing territorial e uma boa estratégia turística. É isto mesmo que se vê noutras provas, que honram as figuras que dão nome à prova. Mas "em Ansião" o populismo e o narcisismo dizem que não é assim, contrariando tudo e todos, numa péssima estratégia, onde a desinformação é quem mais ordena, onde a crítica devidamente justificada é vista como que uma afronta, num claro sinal de provincianismo, no pior dos sentidos. Em vez de se querer aprender, recusa-se o conhecimento e a reflexão sobre um tema concreto. Quando não se sabe, desvirtua-se a componente patrimonial e histórica de um território e é pena que assim seja.
No final disto tudo, fiquei com vontade de organizar uma verdadeira corrida do Calaias, honrando a sua memória e, com isso, fazendo marketing territorial e também turístico.
Já agora, quantos de vós sabem quem foi o Calaias?