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14.11.16

Não plantem eucaliptos, plantem por exemplo medronheiros!



Há umas semanas, aquando de uma das minhas "saídas de campo", deram-me a conhecer algo de fantástico. Era algo que desconhecia, mesmo sabendo que já tinha passado ali bem perto, contudo era um cantinho desconhecido para mim. Infelizmente antes do fantástico havia algo desprezível, algo só possível porque um animal de um madeireiro decidiu que parte importante do medronhal teria de ir à vida só porque sua excelência tinha de ter um estradão para o seu veículo ir buscar uns pinheiros. Isso abriu um precedente e a área de medronheiros foi diminuindo, pois há quem tenha vindo a ir ali buscar madeira de medronho, abatendo mais uns quantos. Não sei quem foi, mas se soubesse a multa já estaria a caminho...
Deixando as tristezas de lado, eis então que se chega à bela formação de medronheiros, a qual vive num vale com um pequeno caminho pedonal no seu fundo plano. Estar ali e desfrutar daquele momento foi algo de muito especial, ainda mais vendo medronheiros já com uns anitos, coisa que vai rareando pela região de Sicó. Não vou divulgar o local, evitando assim os possíveis vândalos. A experiência já me ensinou que há locais que mais vale não divulgar, preservando-os assim mais uns anos.
E que tal plantarmos mais uns quantos medronheiros pela nossa região? Peçam ajuda, caso tenham um terreno adequado, e plantem uma catrafada deles. Promovam a biodiversidade e, passado poucos anos, começam a ter ali uma fonte de rendimento, através da venda de medronhos. A minha sugestão é mesmo acrescentar mais-valias aos medronhos, transformando-os para, por exemplo, fins culinários ou compotas. Sicó agradece!
Há que começar a reduzir rapidamente a área de eucaliptal e dar vida à paisagem de Sicó. Medronheiros, carvalhos, azinheiras, etc. Há que diminuir o risco de incêndio, pois esse é um aspecto menosprezado também na região de Sicó. Agora mãos à obra!



22.6.16

O livro e as feiras do livro de Sicó: notas e reflexões



É um tema que regularmente faço questão de abordar no azinheiragate, já que afinal os livros, a leitura dos mesmos e a língua portuguesa representam o que de melhor podemos ter na nossa vida e no abrir de horizontes. Hoje acrescento também o tema das feiras do livro na região de Sicó.
Mas comecemos da melhor forma, com um fantástico livro dedicado à região de Sicó, onde o património geomorfológico é rei. Tive o privilégio de ter sido presenteado com este exemplar, facto que agradeço humildemente e publicamente ao seu autor, o Prof. Doutor Carlos Silva. Confesso que começo a sentir-me "velho", pois já cheguei à fase onde, regularmente, começo a ser prendado por livros de autor, boa parte deles sobre património.
Este livro junta vários aspectos que, para mim, são fundamentais, o gosto pelo Maciço de Sicó e por todo o seu património (não se restringindo à geomorfologia), a paixão pela geomorfologia e pelo património geomorfológico e a acção de um verdadeiro geógrafo, que divulga e promove o que melhor conhece. E também algo de crucial, a recusa do "acordo" ortográfico. 
Para quem estiver interessado, e tendo em conta a pertinência do livro, fica a informação:

Sicó - Lugares Notáveis do Património Geomorfológico
Pedidos a https://www.facebook.com/adpcnsoure/fref=ts (Associação de Defesa do Património Cultural e Natural de Soure)
234 páginas - preço: 12 euros


Tendo iniciado da melhor maneira, continuemos assim mesmo, com a questão das feiras do livro. Recentemente tivémos duas feiras do livro, uma em Pombal e outra em Ansião. Quanto à de Pombal, infelizmente não pude ir, portanto não vou falar do que não vi nem vivi (embora tenha obviamente estado minimamente informado sobre o que por lá se passou).
Relativamente a Ansião, felizmente consegui ir, tal como tento sempre fazer. A primeira visita foi mesmo na sexta-feira, mas já à noite, mais precisamente por volta das 23. Infelizmente não havia pessoas por ali, já estava tudo enfiado em casa, possivelmente no sofá.
Comi uns churros na roulote que por ali estava e meti conversa com o dono, de forma a perceber como é que a feira estava a correr nesse dia. O tempo não tinha ajudado, é certo, mas a maior parte do público tinha sido das escolas.
No sábado voltei à feira, pois no dia anterior não tinha visto expositores com atenção. Corri todos os expositores e acabei por comprar dois livros (sem "acordo" ortográfico à mistura) a bom preço, contrariando o que, por vezes, é um estereótipo, ou seja o preço desajustado dos livros.
Mesmo neste dia, e estando o tempo razoável, havia apenas 3 ou 4 pessoas por ali. Durante a meia hora que por ali estive, foram apenas meia dúzia de pessoas que andaram a "cuscar" os expositores, em busca de um livro que valesse a pena. Havia livros para todos os gostos.
No final fiquei com a ideia que este já não é o melhor modelo para uma feira do livro em Ansião, urge juntar um bocado de criatividade a esta iniciativa, de forma a trazer mais pessoas junto dos livros. Não é uma tarefa fácil, mas é possível e claramente desejável.
Um bem-haja a quem ainda faz questão de organizar feiras do livro na região de Sicó!



18.9.14

A gruta boa e a gruta má


É um tema que eu considero fracturante na região de Sicó, sendo que a problemática tem sido mais acentuada em Penela. Nunca escondi o meu desagrado acerca do que considero uma péssima gestão deste dossier autárquico, não só pelo anterior executivo, mas também, e agora, pelo actual executivo.
Desde já fica a sugestão para que o actual Presidente da Câmara Municipal de Penela visite um país que eu considero a melhor escola para estas questões, a Eslovénia. Aqui este autarca poderá diferenciar o que é uma gruta visitável, do ponto de vista turístico (show cave), e uma gruta não visitável do ponto de vista turístico. As boas práticas servem como lições que devemos aplicar no nosso território e é precisamente isso que falha na abordagem a este espeleo tema. 
Serve este meu comentário para dar início/continuidade ao debate sobre as grutas de Penela, autênticas maravilhas da região. Tenho visto muita coisa acerca da recente campanha da Câmara Municipal de Penela, a qual pretende massificar as visitas a uma gruta extremamente bela, mas não passível de ser transformada em show cave. Tenho lido muita asneira acerca de quem pouco ou nada sabe sobre espeleologia. Tenho lido muita asneira, dita por quem, sabendo, desvirtua princípios éticos basilares a favor dos princípios do chico-espertismo e interesse financeiro. 
Felizmente que, quem sabe, tem mostrado uma postura certa e adequada ao momento. Felizmente que, quem sabe, se tem insurgido sobre factos que importam saber. Felizmente que há quem não esteja refém de interesses que não o interesse do património natural.
Nos próximos meses muita tinta vai correr sobre esta questão, sendo que eu serei um dos que farei questão em mostrar como as coisas não se devem fazer. Não terei problemas em ser muito incisivo nas palavras, ainda mais porque este território não é nenhum feudo de certos actores, mas sim um território de todos nós. Para já dou apenas uma pequena achega.
O que vêm na foto que ilustra este comentário é o que resta de uma gruta, agora destruída no decorrer da extracção de pedra calcária, em Penela, na envolvência de duas grutas que já tive o privilégio de visitar, enquanto espeleólogo. Ninguém quis saber desta gruta, ninguém escreveu uma linha sobre a mesma. Porquê? Será que a acção predatória e especulativa de uma pedreira se sobrepõe a um valor natural? Porque não se fecha esta pedreira, promovendo sim visitas à mesma, tal como se faz em países mais evoluídos nestas questões? Será que temos grutas boas e grutas más?!