segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Crowdfunding pelo património: uma proposta para a região de Sicó


Crowdfunding é uma palavra ainda pouco conhecida em Portugal. São poucos os que conhecem o que é o crowdfunding e menos ainda os que já contribuíram para um qualquer projecto. Já existe uma plataforma nacional de crowdfunding, a partir da qual se pode criar uma iniciativa ou projecto que possibilite a angariação de fundos para um projecto com o qual as pessoas se identifiquem. Existem todo o tipo de projectos ou iniciativas que possam imaginar. Crowdfunding é afinal uma forma simples, mas genial, de criar algo especial.
O intuito deste meu comentário é muito simples e prático, o de funcionar como uma plataforma embrionária que permita agrupar pessoas com um interesse mútuo, o da preservação do vasto património que temos nesta bela região de Sicó. Por vezes vemos património que está desprezado ou abandonado, por vezes por falta de vontade de pessoas e entidades, outras vezes por falta de capital de pessoas ou entidades varias. O simples facto de se criar projectos de crowdfunding pode possibilitar a recuperação deste mesmo património, sejam os projectos de pequena, média ou grande dimensão. Vejo que só assim algumas situações se poderão resolver, pois se nos juntarmos todos teremos concerteza mais força.
A imagem que utilizo como "anexo" a este comentário é meramente ilustrativa, mas penso que através da visualização da mesma conseguirão logo compreender aquilo que afinal estou a propor.
Quem estiver interessado em desenvolver esta ideia, pode facilmente entrar em contacto comigo. Além disso, podem, desde já, ir pensando em "patrimónios" a propor para recuperação, sejam eles edifícios, objectos ou mesmo terrenos. Imaginem o que iria significar a recuperação de uma fonte, de uma picota, um tear antigo, um moinho, um forno comunitário, ou de outro qualquer objecto patrimonial que tornou esta região no que ela é, uma jóia! Ou então, imaginem contribuir para um projecto de arqueologia, o qual vise abrir janelas do passado longínquo de Sicó! É só querer...
E se acham que uma gota não enche um copo, pensem duas vezes, pois um copo é cheio gota a gota, até ao topo. Se pensam que doar 3 ou 4 euros para um projecto catita não é nada, imaginem se houver 200 ou 300 pessoas a doar 3 ou 4 euros. Para muitas situações bastam algumas centenas de euros para recuperar um qualquer objecto patrimonial. O desafio está lançado!
A título também ilustrativo, deixo-vos com o link de um projecto de crowdfunding fantástico, que pretende dar um apoio muito importante à ciência portuguesa e para o qual eu já contribuí:
http://ppl.com.pt/pt/prj/3dantartida

domingo, 19 de janeiro de 2014

Porque é que Sicó não tem uma verdadeira agenda cultural?


Quem é da região de Sicó compreenderá melhor o que pretendo abordar com este comentário, mas mesmo os que não são de cá irão compreender aquilo sobre o qual vou dissertar agora.
Iniciando pelo fim, esta região, na prática, não tem uma agenda cultural, a qual poderia funcionar em termos regionais como elemento de atractividade muito relevante. Qual será a justificação dos nossos autarcas para esta grave falha? Se estes até estão a mexer os cordelinhos de algumas entidades de índole regional, como podem estes não nos apresentar uma agenda cultural regional? Eu até sei a justificação, mas essa é tema tabú dos autarcas. Capelinhas, já ouviram falar?
Deixando de lado as politiquices, esta região tem um associativismo que consegue fazer coisas maravilhosas, mesmo com pouco dinheiro, mesmo que isso signifique actividades de custo zero para quem nelas participa.
Dou um exemplo, os bons grupos de teatro que esta região possui. Destaco dois, um de Ansião (Teatro Olimpo) e outro de Pombal (Teatro Amador de Pombal). Ambos têm tido uma actuação notável perante a agenda cultural desta região, sendo-lhes reconhecido muito mérito também por este Portugal fora. 
Mas a cultura não se esgota no teatro, felizmente temos muita matéria-prima e muito actor cultural, algo que está à vista de algumas pessoas, embora seja pouco visível em termos regionais.
O dia que se crie uma agenda cultural pensada em termos regionais, teremos muito sucesso, disso não tenho a mínima dúvida, mas para isso há que nos movermos em prol da mesma, exigindo, na prática, uma agenda cultural de Sicó, a qual vise a dinamização territorial, aproveitando a nossa riquíssima cultura. Há que inovar, ser criativo e pensar com outros horizontes, pois apesar de termos uma cultura muito rica, esta vai-se perdendo sem que muitos se apercebam disso mesmo. Alvaiázere, Ansião, Pombal, Soure, Condeixa e Penela, todos têm uma palavra a dizer. Prontos para um desafio?!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Discussão pública do PDM de Pombal - Participem sff!


Eu sei, já devia ter falado sobre o tema, ainda mais sendo ele um tema estruturante para mim. O Ordenamento do Território é a minha especialidade, foi nele que investi fortemente durante a licenciatura, durante o mestrado e agora, no doutoramento. 
Apesar de algo tarde, venho então abordar algo que importa destacar, ou seja o período de discussão pública do Plano Director Municipal de Pombal, vulgo PDM, a decorrer até ao próximo dia 29 de Janeiro. Felizmente que um blog local já o fez. O azinheiragate, enquanto blog regional, dá também um pequeno contributo para esta discussão pública.
Posso dizer que estou surpreendido pela positiva, no que concerne à disponibilização da informação por parte da Câmara Municipal de Pombal, pois à distância de um clique tem-se quase toda a informação necessária para uma análise criteriosa. Este ponto é de aplaudir, já que normalmente as dificuldades em aceder a este tipo de informação são enormes, pois as respectivas Câmaras Municipais da região de Sicó têm uma postura tipo "não vale a pena dizeres nada, deixa-te estar quieto e não chateies". Muitas vezes o cidadão é visto como "personna non grata" quando participa nestes processos, mesmo que este mesmo cidadão seja o principal interessado na discussão pública, seja ela de Planos Directores Municipais ou outros.
Neste caso, posso dizer que a transparência é quase total, embora naturalmente saiba que o intuito do PDM será tudo menos pacífico, pois um dos pontos quentes é a alimentação daqueles "bichos" que andam a comer a Serra de Sicó. Em vez de se promover uma dieta que permita um bicho "mais" saudável, parece que se pretende sim engordar ainda mais o mesmo, o que não é nada saudável para o território.
Polémicas à parte, o intuito deste meu comentário é o de promover de alguma forma a participação de todos no mesmo. Se não perceberem nada do que ali está, não faz mal. Abram os documentos, leiam, tentem ver o que eles têm e o que os mesmos significam, pois a cidadania existe para ser exercida e participar nesta discussão pública é exercer o que de melhor a democracia tem, a cidadania plena. No final terão aprendido e isso é fundamental para a vossa existência enquanto cidadãos.
Costumo participar em várias discussões públicas sempre que consigo ou tenho tempo, mas às vezes é difícil. Ainda estou profundamente desiludido com o que se passou em Ansião em 2013, quando, apenas a 3 dias úteis do prazo final, descobri que o PDM do meu concelho estava em discussão. Como estava longe, por motivos profissionais, e pelo facto da Câmara Municipal de Ansião não ter disponibilizado online parte ou grande parte da documentação sobre o processo, não consegui participar, o que lamento profundamente, já que enquanto cidadão e enquanto geógrafo tinha interesse no processo. A Câmara Municipal de Ansião deveria, na minha opinião, ter publicitado de uma forma inequívoca e frontal, tal discussão, no entanto isso não aconteceu. Isto acabou por levar à exclusão de algumas pessoas na participação pública, facto a evitar a todo o custo numa democracia saudável.
Também em 2013 ocorreram, em Alvaiázere, dois prazos de participação pública relativos a alterações pontuais de artigos do PDM. Tito Morgado parece que começa a levar em conta alguns aconselhamentos meus, já que apesar de tudo lá disponibilizou online alguma informação, no site da Câmara Municipal de Alvaiázere. Apesar de parca (muito parca e redutora), permitiu retirar alguma informação e preparar minimamente os meus pareceres, os quais tenho a certeza que foram bem analisados.
De volta a Pombal e para terminar por agora, participem sff!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Uma espécie de ciclovia

Já aqui abordei a questão das ciclovias por mais do que uma vez. Primeiro foi a ciclovia de Pombal, da qual fiz breves reparos, os quais terão de ser discutidos em maior pormenor nos próximos meses. Depois seguiu-se a ciclovia de Ansião, a qual já retratei com maior pormenor. Segue-se agora a "ciclovia" de Alvaiázere, localizada na Vila de Alvaiázere. 
Enquanto ciclista com dezenas de milhar de km nas pernas e enquanto viajante, já tive a oportunidade de andar em várias ciclovias europeias, umas melhores, outras menos boas. Estive em países onde a cultura da mobilidade é outra e daí a atenção prestada a pequenos grandes pormenores ser outra. Respeito pelos ciclistas, ciclovias bem enquadradas e um estilo de vida que priveligia os modos suaves. Naturalmente que a experiência e o conhecimento de outras realidades me torna crítico perante exemplos que deixam muito a desejar no que concerne à execução de ciclovias na região de Sicó.


Há poucas semanas tive a oportunidade de fazer esta "ciclovia", em Alvaiázere, de modo a analisar todo o seu traçado, podendo assim ter uma opinião devidamente fundamentada sobre a mesma.
Há um facto que salta logo à vista, o de que esta "ciclovia" é mero fogo de vista, pois tem demasiados erros de concepção. Este facto é perfeitamente natural, já que o autarca local, Paulo Tito Delgado Morgado nunca teve uma estratégia para os modos suaves, a qual vise tornar esta Vila sustentável do ponto de vista da mobilidade. A estratégia existente priveligia apenas o betão e o alcatrão, como está à vista nesta rua (Seiceira), onde já se gastaram mais de 2 milhões de euros...
Indo então directo aos factos, esta "ciclovia" é conflituosa, coloca em colisão de rota peões e ciclistas. A primeira fotografia mostra precisamente este conflito. Pinta-se uma faixa amarela no meio do passeio e eis que temos uma espécie de ciclovia. Imaginem se fossem um peão, onde iriam caminhar? Precisamente no centro, onde existe uma... "ciclovia". Este é um erro básico que até é contraproducente, pois quando se coloca em conflito peões e ciclistas, nada de positivo se ganha, muito pelo contrário. A sorte é que apenas passam por ali duas ou três bicicletas em cada semana, o que diz bem do custo benefício desta "ciclovia". Deveria haver uma separação lógica e não uma mistura ilógica entre "ciclovia" e espaço para os peões. 
Note-se também o erro que é não haver ali sequer uma passadeira para peões. Existe ali um hiato para peões e bicicletas, para atravessar a estrada.


É curioso ver dois factos nesta segunda fotografia. O primeiro é que se tem um ângulo onde devia haver sim uma curva, erro básico de concepção. O segundo é mais fácil de percepcionar, já repararam a forma como termina a "ciclovia"? Pois é, mais uma situação conflituosa... 


Vamos lá a mais um erro básico, será que faz sentido o que vêm nesta terceira fotografia? Em primeiro lugar esta "ciclovia" termina exactamente como a última, mas a questão aqui em destaque nem é essa, é sim a forma como o passeio se torna um obstáculo para as bicicletas. Não faria aqui falta uma pequena rampa, com um passeio rebaixado? Elementar...


Agora uma questão que me preocupa ainda mais, as passadeiras. Segundo a sinalização, existe ali uma passadeira para peões, mas onde está afinal a sinalização para as bicicletas? Isto induz em erro quem por ali passa, pois, por desconhecimento do código de estrada, as pessoas pensam que, indo de bicicleta, têm prioridade nesta passadeira, quando assim não o é. Isto pode resultar basicamente em atropelamentos, algo que deve ser prevenido através de sinalização vertical acertada para este tipo de situações.
Para já não posso afirmar se esta é a pior "ciclovia" da região de Sicó, já que tenho de analisar a fundo a de Pombal, mas claramente que esta "ciclovia", de Alvaiázere, foi muito mal pensada e mal executada.
Diria que é uma "ciclovia" para encher chouriços, ou melhor, fogo de vista, que, na prática, não tem utilizade e que é mero greenwash, algo de normal num território onde quem manda é o betão e o alcatrão.
Para resumir, a Vila de Alvaiázere não tem uma ciclovia, tem sim uma via pedonal ciclável

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Desafio aos leitores do azinheiragate


Estamos a apenas 1 mês do sexto aniversário do azinheiragate, daí eu me ter lembrado de uma ideia que me parece interessante. Nos últimos quase 6 anos interagi com alguns leitores do azinheiragate, algo que me enriqueceu enquanto blogger amador dedicado a uma causa nobre, a da defesa e valorização de uma região que considero extraordinária.
Nos últimos meses, deparei-me com algumas questões normais em quem gere um blog que chega longe, dentro e fora do país, tal como as estatísticas o demonstram. Uma das questões mais interessantes é constatar que há público fidelizado ao azinheiragate em alguns países que não esperaria, à partida, caso dos Estados Unidos da América. Do Brasil (segundo país com maior número de visitantes) esperava um tão elevado número de visitantes, no entanto dos EUA (terceiro país com mais visitantes) não esperava um número tão substancial. Naturalmente que há outros países, mas com menor expressão numérica.
O meu desafio é simples, o de que em menos de 1000 caracteres (incluindo espaços) digam de vossa justiça sobre a acção do azinheiragate. No caso de não se quererem identificar (nome), não há problema, coloquem um nome fictício, pois eu não o divulgarei caso assim o desejem. Darei um prazo alargado, que terminará no final de Fevereiro. Depois disto reunirei todos os contributos num documento que tornarei público no azinheiragate, já que assim a interacção será estendida a todos os que assim desejarem. Naturalmente que aceito críticas, desde que honestas e construtivas.
Obviamente que o desafio se estende ao público português, pedindo eu apenas que aqueles que me conhecem, não participem neste desafio, pois isso seria ser parcial. 
Tenho a certeza que este é um desafio interessante e que poderá colocar em evidência factos que a todos importa debater e conhecer, enriquecendo o azinheiragate e o seu gestor. Comentários poderão ser enviados para joaopauloforte@gmail.com 
O desafio está lançado, portanto irei esperar pelas respostas a este desafio.