sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Uma espécie de ciclovia

Já aqui abordei a questão das ciclovias por mais do que uma vez. Primeiro foi a ciclovia de Pombal, da qual fiz breves reparos, os quais terão de ser discutidos em maior pormenor nos próximos meses. Depois seguiu-se a ciclovia de Ansião, a qual já retratei com maior pormenor. Segue-se agora a "ciclovia" de Alvaiázere, localizada na Vila de Alvaiázere. 
Enquanto ciclista com dezenas de milhar de km nas pernas e enquanto viajante, já tive a oportunidade de andar em várias ciclovias europeias, umas melhores, outras menos boas. Estive em países onde a cultura da mobilidade é outra e daí a atenção prestada a pequenos grandes pormenores ser outra. Respeito pelos ciclistas, ciclovias bem enquadradas e um estilo de vida que priveligia os modos suaves. Naturalmente que a experiência e o conhecimento de outras realidades me torna crítico perante exemplos que deixam muito a desejar no que concerne à execução de ciclovias na região de Sicó.


Há poucas semanas tive a oportunidade de fazer esta "ciclovia", em Alvaiázere, de modo a analisar todo o seu traçado, podendo assim ter uma opinião devidamente fundamentada sobre a mesma.
Há um facto que salta logo à vista, o de que esta "ciclovia" é mero fogo de vista, pois tem demasiados erros de concepção. Este facto é perfeitamente natural, já que o autarca local, Paulo Tito Delgado Morgado nunca teve uma estratégia para os modos suaves, a qual vise tornar esta Vila sustentável do ponto de vista da mobilidade. A estratégia existente priveligia apenas o betão e o alcatrão, como está à vista nesta rua (Seiceira), onde já se gastaram mais de 2 milhões de euros...
Indo então directo aos factos, esta "ciclovia" é conflituosa, coloca em colisão de rota peões e ciclistas. A primeira fotografia mostra precisamente este conflito. Pinta-se uma faixa amarela no meio do passeio e eis que temos uma espécie de ciclovia. Imaginem se fossem um peão, onde iriam caminhar? Precisamente no centro, onde existe uma... "ciclovia". Este é um erro básico que até é contraproducente, pois quando se coloca em conflito peões e ciclistas, nada de positivo se ganha, muito pelo contrário. A sorte é que apenas passam por ali duas ou três bicicletas em cada semana, o que diz bem do custo benefício desta "ciclovia". Deveria haver uma separação lógica e não uma mistura ilógica entre "ciclovia" e espaço para os peões. 
Note-se também o erro que é não haver ali sequer uma passadeira para peões. Existe ali um hiato para peões e bicicletas, para atravessar a estrada.


É curioso ver dois factos nesta segunda fotografia. O primeiro é que se tem um ângulo onde devia haver sim uma curva, erro básico de concepção. O segundo é mais fácil de percepcionar, já repararam a forma como termina a "ciclovia"? Pois é, mais uma situação conflituosa... 


Vamos lá a mais um erro básico, será que faz sentido o que vêm nesta terceira fotografia? Em primeiro lugar esta "ciclovia" termina exactamente como a última, mas a questão aqui em destaque nem é essa, é sim a forma como o passeio se torna um obstáculo para as bicicletas. Não faria aqui falta uma pequena rampa, com um passeio rebaixado? Elementar...


Agora uma questão que me preocupa ainda mais, as passadeiras. Segundo a sinalização, existe ali uma passadeira para peões, mas onde está afinal a sinalização para as bicicletas? Isto induz em erro quem por ali passa, pois, por desconhecimento do código de estrada, as pessoas pensam que, indo de bicicleta, têm prioridade nesta passadeira, quando assim não o é. Isto pode resultar basicamente em atropelamentos, algo que deve ser prevenido através de sinalização vertical acertada para este tipo de situações.
Para já não posso afirmar se esta é a pior "ciclovia" da região de Sicó, já que tenho de analisar a fundo a de Pombal, mas claramente que esta "ciclovia", de Alvaiázere, foi muito mal pensada e mal executada.
Diria que é uma "ciclovia" para encher chouriços, ou melhor, fogo de vista, que, na prática, não tem utilizade e que é mero greenwash, algo de normal num território onde quem manda é o betão e o alcatrão.
Para resumir, a Vila de Alvaiázere não tem uma ciclovia, tem sim uma via pedonal ciclável

1 comentário:

Tink disse...

E assim se gasta o dinheiro que é de todos. No Porto é uma desgraça e agora que a cidade está cheia de turistas jovens, habituados nas suas terras a circular de bicicleta sem problemas, é uma vergonha.