domingo, 28 de outubro de 2012

Nasceram os "Geobiscoitos de Sicó"!


Aproveitando o último festival de gastronomia de Ansião, que aconteceu entre os dias 19 a 21 de Outubro, foi lançada uma inovadora linha de biscoitos, os "Geobiscoitos de Sicó". Posso dizer que é um acontecimento que não esquecerei, já que é algo de novo pelos lados de Sicó e, penso, que mesmo a nível nacional, no que concerne ao carso português.
Pelas mãos da Pastelaria Nabão (Ansião), surge então algo que merece todo o destaque e toda a nossa atenção. Não é todos os dias que surge, no domínio da gastronomia, algo que junta o melhor de dois mundos. Gastronomia, geodiversidade e biodiversidade estão representados nos "Geobiscoitos de Sicó", não esquecendo uma forte e declarada componente educacional, a qual pretende mostrar a todos aquilo que poucos efectivamente sabem o que é. O primeiro geobiscoito de Sicó é então um lapiás, um dos embaixadores do carso.
Este projecto é decorrente de algo que muitas vezes digo, da necessidade de construir pontes entre gerações e pontes entre a ciência e as comunidades, algo que faz muita falta também pelos lados de Sicó. Os "Geobiscoitos de Sicó" são o feliz (e saboroso!) resultado desta "construção de pontes". 
Com tudo isto tem-se um belo "objecto" que também pode ajudar ao tão necessário marketing territorial, ainda por potenciar na região de Sicó. Mais "objectos" se seguirão!
Podia estar aqui a dizer muito mais, mas não, prefiro "apenas" agradecer à D. Lurdes, que acolheu de braços dados uma ideia simples, mas revolucionária na gastronomia regional. Por boas que sejam as ideias, elas de nada valem se não houver quem lhes possa/queira dar seguimento...
Quem quiser comer um lapiás, já sabe que agora o pode fazer, literalmente!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Notas sobre as inauguradas obras de regeneração das margens do Rio Nabão, em Ansião

É certo que a obra ainda não está terminada no seu todo, daí este meu comentário incidir apenas sobre a parte que já está oficialmente inaugurada. Já tinha dado a minha opinião sobre o primeiro troço inaugurado, portanto, e depois deste comentário sobre o último troço, ficará a faltar a opinião sobre o troço intermédio.
Decidi que era boa altura para fazer o comentário tendo em conta dois factores, o primeiro é que este troço já está inaugurado. Já o segundo, deve-se ao facto de nas próximas semanas ser natural começar a notar-se um dos problemas que irei apontar à obra, tal como foi efectuada.
Antes de mais, importa referir que fui a favor desta obra, no entanto não exactamente nestes moldes. Já andei a avaliar a obra, seja a pé ou de bicicleta, e já constatei um belo cenário que é as pessoas efectivamente usufruírem de um espaço que agora é de todos. Miúdos e graúdos têm aproveitado esta obra. Genericamente fiquei satisfeito, no entanto há falhas graves e alguns pormenores que deveriam ser revistos.


O primeiro ponto a salientar é um pormenor que passa despercebido e que já apontei para as e-gingas que estão situadas no fundo da rua. O facto de não terem uma protecção perante o sol e a chuva, é algo que irá diminuir o tempo de vida destas e-gingas. Assim sendo considero que deve ser pensada uma mini-cobertura para as mesmas.


O segundo pormenor tem já a ver com uma questão mais abrangente. Tendo em conta que esta infra-estrutura foi ocupar terrenos com excelente aptidão agrícola, não compreendo porque não se aproveitou este facto para criar alguns talhões que servissem um fim pedagógico. Caso que tivesse criado alguns talhões neste espaço que a fotografia mostra, ter-se-ia um espaço privilegiado para os miúdos das escolas aprenderem a importância da hortazinha, algo que não é de menosprezar.


Passando dos pormenores aos erros grosseiros, vou directo à questão, será que aquela ponte de ferro não estraga a contemplação do monumento que acaba por esconder? Já tinha alertado para esta questão, no entanto, e tendo em conta que isso foi antes destas obras começarem, impõe-se novamente a questão.


É dos erros mais graves que por aqui vi, uma ciclovia termina num sector com... degraus! Como é possível isto não ter sido pensado por quem projectou a obra? E não é só pela ciclovia, é sim fundamentalmente pela acessibilidade de pessoas em cadeiras de rodas ou com outras formas de mobilidade reduzida. Obviamente não me estou a referir aos degraus que dão para o rio, mas sim os degraus que dão para a estrada.


Tendo esta ponte e os tanques a importância histórica que têm, faz algum sentido a intervenção que vemos na fotografia? Será que aquelas pedras com cimento, coladas na base do arco têm algum sentido histórico? Não me parece...


Passo então ao "último" erro. Qual será a dificuldade em perceber que todo aquele areão, desnivelado com a ciclovia, vai escorrer para cima da ciclovia, logo que venham as primeiras chuvas fortes? Não é apenas neste local que a foto ilustra, é sim em parte significativa do troço da ciclovia. Isto é elementar, mas parece que foi esquecido por alguém. É precisamente este um dos erros que será mais visível nas próximas semanas.
Finalizando sim com o erro dos erros, estarei atento quando vier a primeira cheia a sério, algo que ainda não acontece há uns valentes anos. Quando isso acontecer, muitos verão o erro que é impermeabilizar troços de rios e sentirão nos bolsos o que é ter de pagar erros elementares no decorrer de obras como esta... 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Florestar Portugal e florestar Sicó: toca a mexer!



O desafio é simples, plantar o país e a nossa região com flora autóctone. Por mim, juntava a isto arrancar eucaliptos, mas fica para depois. Há que mobilizar todos em prol desta causa importantíssima, não custa nada e saímos todos a ganhar com isso.
Há que organizar as coordenações locais, falar com várias entidades, caso de Juntas de Freguesia, Câmaras Municipais, Associações Florestais, empresas e cidadãos em geral. Há também que passar palavra, de modo a que quem tenha terreno disponível o ceda para plantar:

Freixo
Azereiro
Azinheira
Medronheiro
Carvalho-negral
Carvalho-português
Castanheiro, Cerejeira
Carvalho-alvarinho, Amieiro,
Sobreiro, Borrazeira-preta,
Sabugueiro
Vidoeiro
Ulmeiro
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Agora toca a mexer e espalhar a sete ventos esta iniciativa, pois há que pugnar pelo nosso património florestal e lutar contra o lóbi das celuloses que nos querem encher o país de eucaliptos!

sábado, 6 de outubro de 2012

Agricultar na região de Sicó: uma de muitas oportunidades por potenciar...


Numa altura em que muitos passam dificuldades, nada melhor do que relembrar a todos da importância que é a agricultura de subsistência, ou seja, a nossa hortazinha. 
Não é da horta comum que quero falar, pois em Sicó são ainda muitos os que a têm e ainda mais os que sensivelmente nos últimos 2 a 3 anos voltaram a pegar na enchada. Quero sim falar dos muitos terrenos, com aptidão agrícola, que estão ao abandono e que poderiam estar a ser utilizados. Esta utilização poderia ser um excelente compromisso entre um rendimento extra de muitas famílias, e a produção de produtos agrícolas de qualidade que poderiam ajudar a abastecer cidades próximas como são o caso de Coimbra e Leiria. Ganhariam todos com isso e ganharia o país, já que estaríamos a aproveitar o que é nosso. Evitaríamos ter de recorrer a produtos vindos de, por exemplo, da "cidade de plástico" (Sul de Espanha, perto de Múrcia) uma imensa "cidade" de estufas que se prolonga por dezenas de km. Depois de por lá passar, há coisa de 2 anos, fiquei chocado com o cenário...
Voltando a Sicó, é um facto de que temos potencial que chegue e que sobre no domínio da agricultura de qualidade. Temos ainda uma certa protecção perante a agricultura massificada, facto permitido pelo minifúndio, o qual até considero que seja um mal necessário para a protecção de Sicó no que concerne a alterações de fundo a nível de paisagem, muitas vezes desvirtuadoras nato da paisagem. Isto tudo em prol de interesses que apenas se interessam pelo dinheiro. Felizmente que o minifúndio ainda protege Sicó, mesmo apesar de alguns problemas que não importa aqui destacar agora.
Será que muitos dos que tanto se queixam, e que têm afinal tanto tempo livre, não se poderiam dedicar a este importante complemento que é a agricultura, sabendo que temos condições para uma agricultura de qualidade? Isto ainda mais sabendo que poderia ser uma agricultura que não necessita de químicos e de OGM´s!
Este é um segmento que não está minimamente potenciado e que nem mesmo as entidades públicas têm tido a capacidade de potenciar. Será que ninguém compreende que estamos perante mais uma de muitas oportunidades?
Fica então mais uma adenda a um tema tão importante como é a agricultura na região de Sicó. Lembrem-se também que foi precisamente a agricultura que moldou a bela paisagem que nos dias de hoje ainda podemos desfrutar nesta bela região, Sicó. Se não promovermos as actividades que também embelezam a nossa região, estaremos a permitir que esta desapareça e a abrir caminho a interesses predatórios que nos querem espoliar das nossas riquezas, tudo para ganhar uns míseros tostões...
São estes mesmos interesses predatórios que nos fazem acreditar que a vida no campo é para gente pobre de espírito e que isso significa atraso em termos de desenvolvimento. Resta-nos ajudar a contrariar esta gentalha, a mesma que nos levou à situação actual!