terça-feira, 23 de outubro de 2012

Notas sobre as inauguradas obras de regeneração das margens do Rio Nabão, em Ansião

É certo que a obra ainda não está terminada no seu todo, daí este meu comentário incidir apenas sobre a parte que já está oficialmente inaugurada. Já tinha dado a minha opinião sobre o primeiro troço inaugurado, portanto, e depois deste comentário sobre o último troço, ficará a faltar a opinião sobre o troço intermédio.
Decidi que era boa altura para fazer o comentário tendo em conta dois factores, o primeiro é que este troço já está inaugurado. Já o segundo, deve-se ao facto de nas próximas semanas ser natural começar a notar-se um dos problemas que irei apontar à obra, tal como foi efectuada.
Antes de mais, importa referir que fui a favor desta obra, no entanto não exactamente nestes moldes. Já andei a avaliar a obra, seja a pé ou de bicicleta, e já constatei um belo cenário que é as pessoas efectivamente usufruírem de um espaço que agora é de todos. Miúdos e graúdos têm aproveitado esta obra. Genericamente fiquei satisfeito, no entanto há falhas graves e alguns pormenores que deveriam ser revistos.


O primeiro ponto a salientar é um pormenor que passa despercebido e que já apontei para as e-gingas que estão situadas no fundo da rua. O facto de não terem uma protecção perante o sol e a chuva, é algo que irá diminuir o tempo de vida destas e-gingas. Assim sendo considero que deve ser pensada uma mini-cobertura para as mesmas.


O segundo pormenor tem já a ver com uma questão mais abrangente. Tendo em conta que esta infra-estrutura foi ocupar terrenos com excelente aptidão agrícola, não compreendo porque não se aproveitou este facto para criar alguns talhões que servissem um fim pedagógico. Caso que tivesse criado alguns talhões neste espaço que a fotografia mostra, ter-se-ia um espaço privilegiado para os miúdos das escolas aprenderem a importância da hortazinha, algo que não é de menosprezar.


Passando dos pormenores aos erros grosseiros, vou directo à questão, será que aquela ponte de ferro não estraga a contemplação do monumento que acaba por esconder? Já tinha alertado para esta questão, no entanto, e tendo em conta que isso foi antes destas obras começarem, impõe-se novamente a questão.


É dos erros mais graves que por aqui vi, uma ciclovia termina num sector com... degraus! Como é possível isto não ter sido pensado por quem projectou a obra? E não é só pela ciclovia, é sim fundamentalmente pela acessibilidade de pessoas em cadeiras de rodas ou com outras formas de mobilidade reduzida. Obviamente não me estou a referir aos degraus que dão para o rio, mas sim os degraus que dão para a estrada.


Tendo esta ponte e os tanques a importância histórica que têm, faz algum sentido a intervenção que vemos na fotografia? Será que aquelas pedras com cimento, coladas na base do arco têm algum sentido histórico? Não me parece...


Passo então ao "último" erro. Qual será a dificuldade em perceber que todo aquele areão, desnivelado com a ciclovia, vai escorrer para cima da ciclovia, logo que venham as primeiras chuvas fortes? Não é apenas neste local que a foto ilustra, é sim em parte significativa do troço da ciclovia. Isto é elementar, mas parece que foi esquecido por alguém. É precisamente este um dos erros que será mais visível nas próximas semanas.
Finalizando sim com o erro dos erros, estarei atento quando vier a primeira cheia a sério, algo que ainda não acontece há uns valentes anos. Quando isso acontecer, muitos verão o erro que é impermeabilizar troços de rios e sentirão nos bolsos o que é ter de pagar erros elementares no decorrer de obras como esta... 

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