Mostrar mensagens com a etiqueta Câmara Municipal de Alvaiázere. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Câmara Municipal de Alvaiázere. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 5 de setembro de 2017

O que é bom é para se partilhar!


A diferença entre o sucesso e o insucesso nas políticas de desenvolvimento territorial tem a ver em boa parte com a competência ou incompetência das pessoas que estão à frente dos organismos ou associações que operam às várias escalas. Neste caso refiro-me à escala local e, concretamente, a Alvaiázere. Nos últimos tempos as coisas mudaram para melhor, fruto do fim da "idade das trevas" e dos velhos do Restelo e da era dos ressabiados mimados. O paradigma mudou e outros "actores" entraram em cena, facto que teve reflexos positivos.
Uma das pessoas que entrou em cena, com uma postura e competência a destacar, foi o, agora, Presidente da Associação de Desenvolvimento Integrado do Concelho de Alvaiázere, Bruno Furtado de Sousa, que trouxe consigo algo que faltava em Alvaiázere há muitos anos, sabedoria, criatividade e humildade. Ao contrário de outros, que não sabem ouvir os outros nem mesmo trocar ideias de forma honesta e produtiva, é alguém que tem capacidade de encaixe, que não embirra com aqueles que têm ideias diferentes e que respeita, não tentando tramar a vida pessoal e profissional de quem discorda de si. Não sendo o único responsável pela realização do evento que destaco neste comentário, é alguém que considero determinante para a realização do mesmo, dada a sua postura e vontade de fazer mais.
O bootcamp de empreendorismo não é o início de algo, é sim a continuação de um processo que já teve início há algum tempo e foi devidamente planeado. 
Já estive presente numa outra actividade promovida pelos mesmos actores de desenvolvimento territorial e posso dizer que foi algo de excepcional.
Esta iniciativa tem um potencial mobilizador importante em termos de dinamização territorial e económica, daí a importância de o referir e de o ajudar a publicitar. Não tenho a mínima dúvida dos efeitos positivos que esta linha de actuação, presentemente em desenvolvimento em Alvaiázere, terá a nível concelhio e a nível regional, a seu tempo. Sim, porque cada concelho só estará melhor se os seus vizinhos também estiverem, pormenor que tem escapado a muita gente, defensora das políticas das capelinhas.
Para o/as interessado/as, fica o programa:

"16 Setembro
09h30 // Sessão de Abertura
Célia Marques, Câmara Municipal de Alvaiázere
Vanessa Batista, Territórios Criativos
10h00 // Inspirational Talk (sessão aberta ao público)
Isabel Neves, empresária e reconhecida investidora (Shark Tank Portugal)
11h30 // Coffee Break
12h00 // Perfect Pitch
Vanessa Batista, Territórios Criativos
13h00 // Almoço Livre
14h30 // Teamwork
16h00 // Speed Mentoring

17 Setembro
10h00 // Empreendedorismo e o Potencial da Região Centro (sessão aberta ao público) Gonçalo Gomes, Turismo do Centro
João Coroado, Instituto Politécnico de Tomar
Luís Matos Martins, Territórios Criativos
Rui Pedrosa, Instituto Politécnico de Leiria
Moderação – Mário Pinto, Diário de Leiria
11h30 // Coffee Break
11h45 // Pitch your Idea
13h00 // Sessão de Encerramento
Célia Marques, Câmara Municipal de Alvaiázere
13h15 // Network & Lunch"
Fonte: Alvaiázere +
Parabéns a todos os organizadores deste evento, Sicó fica-vos agradecida!

sábado, 17 de junho de 2017

Centro de Arqueologia de Alvaiázere, uma excelente novidade para Sicó!


Imagens: Alexandra Figueiredo

É uma novidade que, infelizmente, não está a ter o devido destaque na imprensa regional. A arqueologia na região de Sicó ganhou uma nova vida, pois foi inaugurado há poucos dias o Centro de Arqueologia de Alvaiázere, projecto do Instituto Politécnico de Tomar e da Câmara Municipal de Alvaiázere. Estão ambos de parabéns por esta ideia ter chegado a bom rumo.
A ideia já poderia ter sido consumada há mais tempo, dada a incompetência do anterior autarca no domínio da temática patrimonial. Há 10 anos eu estava a trabalhar em Alvaiázere numa ideia que além de englobar dois centros de interpretação ambiental (Escola da Geodiversidade e Escola da Biodiversidade/Centro Ciência Viva do Carvalho Cerquinho) englobava um outro espaço, ou seja a reconversão de uma antiga escola primária para um espaço que pudesse receber investigadores de várias áreas. Infelizmente o projecto foi metido na gaveta, mas eis que Alvaiázere ganhou uma vida nova, sem ressabiamentos e vinganças à mistura.
Com esta infra-estrutura todos ficam a ganhar, Alvaiázere e a própria região de Sicó, que agora fica com um espaço de referência para a investigação. É de salientar também a dedicação no domínio da arqueologia da Directora do Museu Municipal de Alvaiázere, Paula Cassiano, que, em conjunto com um pequeno núcleo duro, mantiveram a chama da arqueologia viva em Alvaiázere num tempo onde a arqueologia era um parente pobre na temática do património.
Espero agora por novas descobertas, já que toda esta região tem muito por descobrir!




sexta-feira, 24 de maio de 2013

Assalto à Serra de Alvaiázere


É um título figurado, inspirado num filme que muitos de nós conhecem e que já viram vezes e vezes sem conta. Mas este é outro filme, real, passado em Alvaiázere, o qual conta igualmente com várias sequelas. Desta vez a acção passa-se na Serra de Alvaiázere, essa serra que conheço tão bem e que já percorri a pé de lés a lés, vezes e vezes. 
Já há alguns anos que venho a alertar sobre este "assalto" à Serra de Alvaiázere, ao seu património, deixando aqui um desses exemplos:



Já em 2012, mais precisamente em Setembro, tive o privilégio de ser entrevistado pelo programa Biosfera (da Farol de Ideias), da RTP2, uma referência em temáticas ambientais. Nessa entrevista tive a possibilidade de demonstrar a todo/as o erro crasso que é este projecto de hotel para uma área supostamente protegida. Há alternativas, mas estas nunca foram ponto de interesse, partiu-se sim logo para a ideia de um elefante branco, custe o que custar, que nem capricho. Tem-se um discurso político (Paulo Morgado) em que à frente da imprensa se diz que se deve aproveitar o que já existe, em termos de edificado, mas depois, nas costas da imprensa, os factos são outros, betão, betão e mais betão.
Indo então aos factos:


Este artigo 20º tem a ver precisamente com aquilo que poderia permitir a construção de um hotel na Serra de Alvaiázere. Apesar de no PDM actual existir um espaço pensado, há mais de 15 anos, para uma estalagem, a qual nunca foi construída, este mesmo espaço não permite o projecto de hotel que de forma desesperada andam a tentar aprovar. É um projecto megalómano e completamente desajustado para aquela área protegida. Toma-se a coisa já como aprovada, mas afinal muita água irá ainda correr por debaixo da ponte...
Como este artigo 20º não permite a construção de um hotel, a Câmara Municipal de Alvaiázere está a tentar alterar tal artigo, moldando-o ao projecto, facto inaceitável em termos de ordenamento do território, esse bicho do qual Tito Morgado tão amigo se dizia em campanhas eleitorais. A edilidade refere que não é preciso um Plano de Pormenor, tal como previsto no PDM, pois diz que isso atrasaria os trabalhos. Diz também que a cartografia tem imprecisões, as quais justificam as alterações propostas.  
Um dos pontos mais estranhos neste projecto quase secreto, é o de que apesar desde processo de participação pública estar a decorrer desde o dia 3 deste mês, este apenas na última segunda-feira foi publicitado no site da Câmara Municipal de Alvaiázere. Isto é interessante, pois o facto de apenas na última semana de discussão pública ter sido publicitado na internet, impediu que a quase totalidade das pessoas interessadas em participar no processo pudessem ir à Câmara Municipal de Alvaiázere consultar o processo, pelo menos as que são contra. Há coincidências curiosas, isso há...
Já não é a primeira vez que surgem situações que, na minha opinião, se afiguram como que uma tentativa de limitação de participação de cidadãos que são contra tal projecto. A situação que atrás refiro será motivo de reclamação na entidade própria.
Mas não é tudo...
Um dos pontos principais, no qual a Câmara Municipal de Alvaiázere sustenta a necessidade de alterar (diga-se aumentar a área prevista...) a área de implantação de tal projecto, é o facto de haver incorrecções na cartografia. Ora, isso é falso, já que utiliza-se cartografia sem validade legal para sustentar as aspirações do projecto. Ou seja, em vez de se utilizar a carta de ordenamento, único documento válido, utiliza-se uma shapefile que apesar de resultar da vectorização da mesma carta de ordenamento, não tem quaisquer validade legal, mas apenas indicativa. É curiosa esta inocente omissão. Só consegui detectar esta questão porque, curiosamente, fui eu que vectorizei as cartas do actual PDM, sabendo portanto como são as coisas em termos técnicos. É um erro grosseiro e é a partir deste mesmo erro grosseiro que a Câmara Municipal de Alvaiázere sustenta indevidamente a sua posição, no que se refere a esta questão específica. Não gostaria de pensar que esta poderia ser uma tentativa de manipulação cartográfica, tal como acontece por este Portugal fora. Não se pode justificar os factos na base de falsos pressupostos
Mais ainda, qualquer projecto de estalagem para aquela área deve ser impedido, pois as condições actuais assim o obrigam. Quando o PDM entrou em vigor esta área não era protegida e agora é, é simples e não custa entender. Faça-se sim um hotel numa quinta histórica de Alvaiázere.
O documento de justificação da alteração, apresentado pela Câmara Municipal de Alvaiázere é tudo menos justificativo, pois, na minha opinião, não apresenta factos imparciais, fundamentados e sérios do ponto de vista técnico. Recorre-se sim a termos pomposos, constrói-se um cenário onde os actores principais são a demagogia e o populismo. Todos estes, e outros pontos, foram debatidos no documento que enviei hoje para a Câmara Municipal de Alvaiázere. Lamento apenas que aquele esquecimento, diga-se de passagem muito conveniente, tenha levado a que eu e muitos outros não tivéssemos a oportunidade de ir consultar todo o processo nas instalações da Câmara Municipal de Alvaiázere.
Por tudo isto e por muito mais, considero que aquele projecto nunca poderá ser aprovado, a bem do património. Há todo um processo muito pouco claro por explicar, algo de incompreensível numa sociedade supostamente democrática...
Fica uma questão essencial, para reflexão, como pode um projecto que além de não ter cabimento no PDM e não estar aprovado, ter já financiamento comunitário? Como pode isto acontecer, sabendo também que parece que existe um empresário nortenho interessado, o qual teria apenas de investir 1 milhão de euros, pois os restante 5 seriam pagos com fundos comunitários? Para que serve a União Europeia, se por um lado promove a Rede Natura 2000 e depois dá fundos para projectos que colidem com esta mesma Rede Natura 2000?
E não, não tenho receio algum de estar contra este projecto, pois apesar de saber que estou a lidar com interesses poderosos, sei também que tenho muita água para mandar aos seus pés de barro. E esse ponto é bem sabido por estes mesmos interesses. A argumentação que dou, neste caso, é pura água para os pés de barro deste projecto anómalo.
Lembrem-se que o exercício da cidadania não pode nem deve ser limitado seja por quem for. Exercer a cidadania não é apenas um direito, é sim um dever, pois só assim podemos tornar Portugal um país melhor. Desde que o façam como eu, de forma honesta e construtiva (e incisiva, pois claro), não terão problemas neste mesmo país fabuloso que urge proteger e valorizar devidamente!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Fotografia e direitos de autor: usurpação de um direito básico


É uma sensação algo estranha, em primeiro lugar porque mostra que o meu gosto pela fotografia, enquanto amador é reconhecido de alguma forma, mas infelizmente também tem o reverso da medalha, a usurpação dos direitos de autor.
Não me vou centrar sobre a questão legal desta grave ilegalidade, isso é algo que facilmente podem procurar na internet, vou sim comentar o que considero uma falta de respeito pela minha pessoa, tendo em conta que não fui contactado pela Câmara Municipal de Alvaiázere com vista à autorização de publicação de uma fotografia minha, sobre a qual tenho direitos.
Confesso que o que me chocou não foi a foto ser publicada em si, mas o facto de não constar o nome do fotógrafo, ou seja eu.
Apesar de a foto já ter sido disponibilizada à uns dias no site da Câmara Municipal de Alvaiázere, preferi ponderar o facto durante alguns dias até manifestar a minha opinião, já que sinto-me ofendido enquanto fotógrafo amador e enquanto cidadão, afinal foi uma entidade pública a promover uma ilegalidade, resta saber como ocorreram os factos.
Podem pensar alguns que não é nada de especial, mas direitos são direitos e eu não prescindo deles. Apesar de ter imensa consideração sobre a Câmara Municipal de Alvaiázere, não deixarei de pedir esclarecimentos sobre este caso, pois se fosse outra pessoa provavelmente iria processar esta entidade pública. Penso que esta última solução não levaria a lado nenhum, mas caso situação semelhante volte a ocorrer, aí terei de seguir as vias legais devidamente instituídas para situações como esta. Para já vou apenas pedir explicações.
Só como curiosidade, esta fotografia indevidamente utilizada pela Câmara Municipal de Alvaiázere para promover um percurso pedestre, foi tirada por mim no dia 4 de Fevereiro de 2007, em pleno trabalho de campo (para fins académicos).
Coincidência ou não, acabei esta semana um curso de fotografia. Quem me conhece sabe que é uma das minhas paixões já há alguns anos, tendo eu já uma colecção de muitos milhares de fotografias. Gosto acima de tudo de fotografar o nosso património, natural ou não.
Deixo-vos com a foto original, devidamente identificada: