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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Um patrocínio que deu em polémica! E não é para menos...


Fonte: Trail running Pombal

Há uns dias deparei-me nas redes sociais com um debate algo acesso sobre uma questão bastante pertinente. Tratava-se de um debate que lidava com uma questão muito importante, que me leva agora a dar mais visibilidade.
Faço-o por vários motivos, seja em primeiro lugar porque se trata de uma questão que mexe com o património de Sicó e que eu acompanho activamente há muitos anos, com um tema tabú, com um patrocínio que importa debater sem complexos e finalmente com a questão da posição da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal (e não com os bombeiros propriamente ditos).
Mas comecemos pelo início. Pelo terceiro ano vai-se realizar uma prova solidária de trail, em voga nos últimos anos, na Serra de Sicó. As verbas vão reverter inteiramente para os bombeiros voluntários de Pombal, facto a aplaudir. Até aqui tudo bem, contudo eis que surge o patrocínio da empresa que explora talvez a pedreira mais polémica da região de Sicó. E é aqui que a polémica começa, pois surge uma questão ética, à qual a direcção da AHBVP não pode fugir. Ao aceitar este patrocínio aquela direcção está, na prática, a pactuar com o brutal impacto da exploração e questões associadas de uma pedreira muito polémica.
E não, não se trata de maldizer sobre os bombeiros ou mesmo sobre a direcção da AHBVP, como dois ou  três insinuam de forma demagógica e populista, mas sim sobre uma questão ética. Isto facilmente seria resolvido caso a AHBVP agradecesse o patrocínio da Iberobrita, mas declinasse o mesmo, argumentando que isso poderia afectar a imagem dos bombeiros. É algo que me parece simples de entender, contudo há sempre pessoas prodigiosas, que surgem com o populismo e demagogia do costume. Em vez de ouvirem argumentos como os que atrás referi, insurgem-se contra os mesmos, numa espécie de democracia ajustada ao gosto de suas excelências. Os Bombeiros Voluntários de Pombal são, imagine-se, meros espectadores nesta questão, sendo que o problema está ao nível de uma decisão tomada e assumida pela direcção da AHBVP.
Mas antes de prosseguir, faço questão de utilizar uma analogia para que aqueles que não compreendem o que está em causa. Se vocês tivessem interesse em participar num evento, seja ele qual for, patrocinado por uma empresa que destruisse as florestas tropicais, participariam à mesma no evento? Muitos claramente que não, já que está em causa uma questão ética, a de não pactuar com a destruição de algo muito importante, caso das florestas tropicais. E isto tem acontecido por todo o mundo, havendo cada vez mais uma recusa na compra de produtos associados à destruição da floresta ou afins. Ou então um caso bem conhecido, lembram-se do filme "diamantes de sangue"? A lógica não é comparável, obviamente, mas para fazer uma analogia dá bem.
Continuando, nunca participei nesta prova por uma questão de ética e de princípios. Quem, como eu, trabalha em prol do património da região de Sicó não pode pactuar com uma prova que tem um patrocínio tão polémico. E não, não estou contra os bombeiros, estou apenas contra a exploração daquela pedreira e todas as ilegalidades que têm sido tornadas públicas. Já pensaram que podem ir directamente à secretaria dos BVP e deixar o vosso donativo? Há pessoas que parece que não sabem que isto é possível...
Há que separar as coisas e pena é que haja quem não tenha o melhor discernimento e siga na linha da demagogia barata e populismo populista, passe o pleonasmo. Curiosamente, ou não, até sou bombeiro voluntário, portanto é escusado alguém referir que é uma posição que é contra os bombeiros. Não falo enquanto bombeiro, até porque além de não o poder fazer não tenho qualquer interesse em o fazer. Posso apenas referir que sou bombeiro e isso diz muito no que se refere ao debate da questão. Falo sim enquanto cidadão e activista do património da região de Sicó.
Indo então ao debate que vi numa das redes sociais mais pujantes, e pegando no que disse atrás, vi muita coisa absurda. Uma delas foi o comentário absurdo de um indivíduo, sobre uma pessoa que argumentava da mesma forma como eu, já que este indivíduo afirmava que a pessoa referida se tinha "empenhado em mal dizer de pessoas e organizações que são um exemplo no cumprimento das suas obrigações". É algo que mostra bem a falta de discernimento e muita demagogia à mistura.
Depois continuou o pessoal do "Trail Running Pombal", ao referir que se estava a "misturar as coisas e a pôr a AHBVP ao barulho em questões que não são da nossa competência nem responsabilidade". Nada mais absurdo e demagogo meus caros, pois ninguém está a misturar as coisas e a pôr a AHBVP ao barulho. Está-se sim a debater uma questão sem complexos nem tabús e a pôr em causa uma decisão de uma direcção de uma associação. Sobre a questão da competência e responsabilidade, basta apenas referir que vivemos em democracia e todos estão sujeitos ao escrutínio. Há questões que não são para ser debatidas publicamente, como é óbvio, mas há outras questões, como é este o caso, que são para debater publicamente, já que diz respeito a todos nós. Ética e princípios são valores basilares, contudo, e para dois ou três, mais parece que em certos casos se pode fazer uma pausa ou abrir uma excepção.
As direcções das Associações Humanitárias não são imunes ao escrutínio nem à crítica, sempre que se justifique. Trata-se de uma questão ética e parece que é isso que o pessoal do Trail Running Pombal e o presidente da AHBVP não alcançam. Ao debatermos esta questão, estamos a enriquecer um debate necessário, o qual não coloca em causa a AHBVP.
Já o que afecta de algum modo a imagem da AHBVP é, na minha opinião, a aceitação deste patrocínio, na medida que colide com a imagem da Associação (defesa de pessoas, bens e do património...), e, por outro lado a postura arrogante e, diga-se, pouco educada do seu presidente. Mas nada como mostrar quem disse o quê, de forma a que cada um faça um juízo de valores... 


E se pensam que isto é algo sem importância, pensem melhor, pois é isso que falta, reflexão e discernimento. E nada de tabús e estereótipos... Se houvesse quem ali estivesse a maldizer dos bombeiros, rapidamente levaria uma resposta incisiva da minha parte, contudo não foi isso que aconteceu.
Quanto ao Sr. Sérgio Gomes, não confunda o mérito de ser presidente da AHBVP com a competência para o ser. É o que digo aos meus camaradas bombeiros, uma coisa é o mérito de ser bombeiro outra coisa é a competência na acção. Só funciona bem se ambos andarem lado a lado...
Para terminar, e respondendo ao Sr. Sérgio Gomes, que por um lado disse que não queria saber quem eu sou, mas por outro me perguntou quem era eu para lhe falar de ética, respondo apenas que sou o João Forte.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Quis saber quem sou, o que faço aqui, quem me abandonou?


Já lá vão uns meses desde que abordei pela última vez a questão das pedreiras na região de Sicó, pela mão da crónica "viagem ao centro da serra". Desta vez abordo a coisa de uma outra perspectiva...
Apesar de actualmente a legislação afecta à exploração de pedra ser outra, o certo é que essa mesma legislação de pouco serve para as muitas pedreiras que populam a região de Sicó, nomeadamente aquelas que não laboram e estão abandonadas. Os planos de recuperação ambiental são uma miragem para estas pedreiras e parece não haver luz ao fundo do túnel.


São demasiadas cicatrizes na extraordinária paisagem cultural da região de Sicó e, na prática, nada se tem feito para ajudar a uma boa e eficaz cicatrização. Falta a vontade, pois isto afinal não dá votos e o pessoal parece que se conforma com isto, comportamento natural num país com muito por evoluir. E nos últimos anos a genial solução foi mesmo a de... legalizar pedreiras ilegais, um mimo da governação autárquica.
Recentemente debrucei-me sobre esta questão em termos práticos, de forma a apresentar ideias para ajudar a reverter este enorme passivo ambiental. A ver vamos no que vai dar...


Idealizar a crónica "viagem ao centro da serra", e os seus vários episódios, foi algo de curioso (ainda não acabou...), pois fez-me ver as coisas de uma outra forma. Indo a todas estas pedreiras com um intuito específico transforma a nossa forma de pensar. E isto independentemente de pensarmos que sabemos muito, de já lá termos ido ou já termos visto outras pedreiras. Chegou também a outras regiões, onde o mesmo problema se coloca, algo que dá ainda mais ânimo a esta luta por uma paisagem cársica extraordinária.



domingo, 26 de outubro de 2014

Viagem ao Centro da Serra: falar sobre pedreiras incomoda muito...


Volto então à crónica "Viagem ao Centro da Serra", iniciativa que tem como intuito fundamental a discussão de um dos temas literalmente fracturantes desta região, ou seja a extracção de pedra calcária. Novamente, e para balizar o tema, eu não sou contra a extracção de pedra, sou sim contra a falta de ordenamento neste domínio. 
As negociatas em redor da extracção de pedra são, por vezes, muito curiosas, onde uma empresa costuma pagar o que eu considero uma reles renda em troca da destruição de um bem maior, muitas vezes em terrenos baldios, que em vez de serem geridos pelas comunidades, são geridos pelas autarquias respectivas. 
Desta vez trago-vos uma pedreira situada em Alvaiázere, para todos os efeitos a laborar há vários anos em plena violação do actual Plano Director Municipal (uma entre várias...), pois já há alguns anos que esta ultrapassou a área legalmente prevista para a extracção de pedra (facto!). O imbróglio jurídico decorre ainda. Este buraco situa-se no domínio dos baldios, sendo que a empresa paga uma renda de alguns milhares de euros à Câmara Municipal de Alvaiázere. É uma das pedreiras que mais polémica tem trazido à região.
Deixo-vos com estas imagens, esperando que as mesmas vos ajudem a reflectir sobre um tema que realmente a todos importa. O pior que podemos fazer é alhearmo-nos desta questão, assobiar para o lado e continuar a ouvir opiniões baseadas em estereótipos, disseminados muitas vezes por gente comprometida com os interesses económicos que abrem estas crateras numa região onde a paisagem cultural é ainda uma marca de grande valor.








domingo, 13 de abril de 2014

Viagem ao centro da serra: em Abril, pedreiras mil





E cá estou de volta para mais uma viagem ao centro da Serra, desta vez a viagem é até Penela, onde o Monte de Vez quase parece desaparecer de vez.
Trocadilhos à parte, esta pedreira faz parte do conjunto das pedreiras do Maciço de Sicó que eu denomino por "monstras", dada a sua dimensão. Esta é daquelas que não passa despercebida quando tentamos usufruir da paisagem de Sicó e que perturba gravemente o usufruto da mesma.
É impossível alguém vir à região de Sicó e não reparar naquela enorme mancha sobranceira ao Monte de Vez. Mais difícil é ir até às proximidades da besta e observar in loco a mesma, daí este meu esforço em vos levar a besta o mais próximo possível.
Ir até ao pé das bestas tem um intuito, o ser confrontado com a besta no seu estado puro, pois só desta forma podemos ganhar uma verdadeira consciência sobre a problemática das pedreiras. Já fui a todas as pedreiras da região de Sicó, no entanto continuo a ficar chocado com o que vejo. Nesta, em especial, fui confrontado (mais uma vez...) com algo que não esperava e que prontamente indaguei sobre os factos. Para já não posso dizer o que é, mas logo que possa, irei retratar a situação no concreto, pois justifica um comentário específico.
Ando a ponderar fazer algo mais concreto sobre a temática das pedreiras na região de Sicó e o seu impacto. Isto passa pelo debate puro e duro, sem tabus, sem estereótipos e sem receios. Um debate aberto é urgente. Cidadãos, Câmaras Municipais, empresas, todos devem estar presentes no debate, muito embora eu saiba à partida os receios que há no que concerne às empresas que laboram no Maciço de Sicó. A ver vamos o que vai surgir desta minha ideia, a qual já comecei a explorar.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Viagem ao centro da Serra: petróleo de Pombal uma ova!




Regresso então a um dos temas mais fracturantes da região de Sicó, com mais um episódio das viagens ao centro da serra. Voltei igualmente à Serra de Sicó, pois esta era a última pedreira que aqui faltava fotografar em todo o seu horror. O pleno está quase, faltando apenas três das grandes pedreiras em laboração no Maciço de Sicó, além de outras, mais pequenas, já encerradas.
Apesar de não ter previsto falar agora desta pedreira, pois afinal tinha outra programada (que fica para daqui a breves semanas), acabei por tomar a decisão de abordar a mesma tendo em conta um comentário que li há alguns dias, num blog da região que acompanho regularmente, concretamente em questões de âmbito territorial. O comentário em causa, sobre as pedreiras, dizia assim:

"Este é o petróleo de Pombal, por muito que custe a todos temos de saber conviver com isso".

Confesso que fiquei perplexo, dado não só o facto do respectivo comentário ter sido efectuado de uma forma completamente leviana, bem como, e acima de tudo, por este não estar devidamente alicerçado em factos concretos ou justificações, tendo sido uma daquelas afirmações tipo enche chouriços.
Indo então aos factos, gostaria de sublinhar que não temos todos de saber conviver com isso, pois se há quem feche os olhos e assobie para o lado, eu não sou um desses. Depois de tanto tantos anos, onde o enredo foi densificando, como pode alguém afirmar levianamente que temos de conviver com isso? Se fosse um qualquer dono de pedreira ou um assalariado da mesma, até poderia compreender tal afirmação, embora não concordasse com a mesma, mas assim não.
Indo então à questão do petróleo, gostaria então de saber onde estão as imensas divisas que este "petróleo" já possibilitou a toda uma região, já que havendo "petróleo" eu não vejo riqueza alguma. Curioso é o facto de ainda há poucos meses atrás uma destas empresas, com os cofres, supostamente cheios de tanto "petróleo", renegociou a renda associada à exploração da pedra, com a Câmara Municipal de Pombal, por evidentes dificuldades económicas. Então há "petróleo" mas não há dinheiro, em que ficamos? E a sustentabilidade onde anda?
Utilizar o termo "petróleo" para ilustrar uma mera opinião no âmbito das pedreiras é, no mínimo, anedótico, carecendo de uma chamada de atenção para o erro/abuso linguístico. Sugiro que quem fez tal comentário olhe bem para estas 4 fotografias (panorâmicas) e pense bem no que diz, que pense que ali não há petróleo, há sim um crime ambiental que destrói uma das maiores riquezas do concelho de Pombal, a serra de Sicó. A exploração da pedra é uma actividade predatória, neste caso com a agravante de o ser numa área dita protegida e de imenso valor patrimonial.
Se há tantas formas de explorar um território, sem que para isso seja necessário destruir todos os valores ali existentes, será que é inteligente centrar a questão económica na exploração da pedra?
Se as pedreiras não são precisas? Sim, são, mas não tantas e não em locais de reconhecido valor patrimonial como o é Sicó. Exige-se ordenamento do território, puro e duro! O que se vê nas fotos é de uma gravidade que está para além da compreensão da maior parte das pessoas. É natural que assim o seja, mas eu aqui estou para, entre outros, ajudar à compreensão do problema, daí ter criado a série "Viagem ao centro da Serra", a qual traz literalmente a serra às pessoas através de um clique. As horas que invisto a ir para o campo, onde faço registos fotográficos extensos, e que depois resumo em panorâmicas como estas 4, valem cada minuto, pois só assim muitas pessoas vêm realmente o que está em jogo e o que representa uma pedreira. Mesmo eu, continuo a ficar tremendamente impressionado com estes cenários. Em todas as pedreiras faço questão de me sentar uns minutos e sentir aquilo com o qual estou confrontado e posso dizer sem a mínima dúvida que fico sempre abismado com estes monstros que consomem a maior riqueza da região, a qual é uma das mais valiosas paisagens culturais de Portugal. Esta região não tem de estar refém do sector da construção, o necessário crescimento e desenvolvimento não pode ser a qualquer custo.
A pedreira que destaco nas 4 panorâmicas irá infelizmente crescer ainda mais, esperando eu que o novo executivo tenha a coragem de dizer simplesmente:
- Chega!





domingo, 10 de novembro de 2013

Viagem ao centro da serra: condeixamegalossauro



Muitos de nós até costumam passar mesmo ao lado deste monstro, ao chegar ou passar por Condeixa, no entanto raros são os que param para reflectir sobre este predador de paisagens.
Confesso que esta ideia de criar as viagens ao centro da serra me tem surpreendido, não pela ideia em si, mas pelo impacto brutal que cada vez mais me venho a aperceber que estas pedreiras têm na região de Sicó. Enquanto cidadão e enquanto geógrafo já tinha uma ideia base, mas nada nos pode preparar para uma experiência como esta tem sido. Ir ao encontro de cada um destes monstros e palmilhar a envolvência destes é algo de avassalador, isso vos posso garantir.
Este é o 4º episódio da "Viagem ao centro da serra", o qual dá continuidade à minha expressa vontade de vos sensibilizar perante um problema tão grave como este o é. Se são precisas pedreiras? São, mas não tantas. Ordenamento exige-se, chega de especulação de um bem comum!
Importa que todos pensem porque é que não se investe na reutilização de materiais da construção, tal como se faz noutros países, que tanto gabamos quando nos convém. Importa que todos pensem porque é que naqueles países que tanto gabamos, se paga um imposto directo, por tonelada de pedra extraída (entre 1,5 a 2 euros), enquanto no nosso pobre país não se paga nada e nem se recebe uma renda condigna, já que muitas destas pedreiras estão em baldios. Contrapartidas, o que é isso?
Não me vou alongar muito nas palavras, já que como alguém disse, uma imagem vale mais do que mil palavras. Digo apenas, e para finalizar, que duas imagens valem mais do que duas mil palavras...

sábado, 20 de abril de 2013

Viagem ao centro da Serra: à descoberta do Soureossáurios

São muitos os que nunca ali passaram, pois afinal é uma estrada que foge ao percurso tipo que muitos fazem pela região de Sicó. Já aqueles que não são daqui, a maioria deles nem imagina aquilo que eu denomino como Soureossáurios, um espécime que não sendo novo no carso de Sicó, é sempre impressionante de se ver, pela negativa, claro.
Eis 4 panorâmicas sobre o bicho Soureossáurios:





Ninguém pode dizer que fica indiferente quando passa pela EN 348, em Soure, pois não há como fugir do bicho. Aquela estrada já por mais que uma vez viu o seu traçado alterado, pois havia que desviar a estrada para que o bicho se pudesse alimentar do carso moribundo e pouco protegido.
Este é apenas mais um episódio da "Viagem ao Centro da Serra", que tem o intuito principal de consciencializar os cidadãos para um problema gravíssimo, o qual não é mais do que um cancro que se alimenta do belo carso da região de Sicó.
Com estas fotografias panorâmicas tento mostrar a todos, episódio a  episódio, a verdade nua e crua, fazendo jus aquela expressão "uma imagem vale mais do que mil palavras", sendo que neste caso são 4 imagens.
Espero que todos se sintam obrigados a reflectir sobre esta importante questão, que afecta património natural, património cultural e que afecta a vida de mais pessoas do que aquelas que favorece. São muitas as comunidades afectadas pela acção destes monstros, os quais se regem apenas pelo interesse de privados e do puro lucro imediato.
Precisamos de tantas pedreiras? Não, não precisamos de tantas! Além disso precisamos de ordenamento do território, pois o que deve mover um território é o interesse comum e não de privados, os quais findada a exploração destes locais, deixam um passivo absolutamente inaceitável, o qual nunca será recuperado. Lembrem-se deste último ponto, pois é nesta fase que vos pergunto, é isto que querem deixar aos vossos filhos, netos e bisnetos?

terça-feira, 12 de março de 2013

Viagem ao centro da serra: o lago azul

Quando se utiliza a expressão "lago azul", costuma ser sempre associada a algo belo, como afinal o é um lago azul. No entanto, há excepções à regra, o que significa que há o inverso do belo...
É certo que ali há mesmo um lago azul, mas que de bonito não tem nada. Prossigo desta forma com mais um episódio da saga "viagem ao centro da serra", a qual visa abordar a problemática associada a estes monstros que consomem uma das maiores riquezas da região de Sicó, a sua paisagem (e não só...).
Esta pedreira, em especial, está longe da vista da maior parte das pessoas, pois não se vê ao longe como aquela que se vê da auto-estrada, ao chegar a Pombal. 
O monstro que se vê nestas 3 panorâmicas situa-se a Norte da Redinha, perto do limite do concelho de Pombal, a escassos metros do concelho de Soure. Mesmo eu, fiquei perplexo ao chegar ao primeiro ponto, representado pela primeira fotografia. Apesar de já ter uma noção da dimensão da pedreira, através da carta militar e do próprio google earth, não estava preparado para isto:


Uma das muitas formas de consciencializar as pessoas para esta tragédia é a de mostrar a realidade à qual tentamos fugir quando viramos o olhar, ao passar perto destes monstros. Como alguém, um dia disse, se X não vai à montanha, a montanha vai a X. Tenho a certeza que se não fossem estas fotos, muitas pessoas nunca iriam conhecer este monstro, daí eu fazer questão em vos trazer a montanha. Só assim as mentalidades ficam despertas para algo realmente problemático, que consome a serra e a vida de muitas pessoas. Algumas pessoas ganham milhões com a venda disparatada das nossas serras, enquanto que a maioria de nós sofre com isso de alguma forma.
Será que é isto que queremos para a região de Sicó? Quem ganha com estes monstros? Será que precisamos de tantos monstros? Claro que não! Puro negócio, e não absoluta necessidade.
Ficam mais estas fotos para a posterioridade, as quais espero que de alguma forma vos mobilizem para uma causa, a preservação da paisagem da região de Sicó! 
Muito brevemente irei dar seguimento à saga...

domingo, 27 de maio de 2012

Uma outra abordagem sobre as pedreiras...


Falo, claro, da abordagem pedagógica que podemos ter, em alguns casos, sobre algumas pedreiras. No último comentário referi que o problema não é a existência de pedreiras, mas sim o número, a localização e a dispersão das mesmas, ou seja é tudo uma questão de ordenamento do território, o qual é francamente pervertido por interesses económicos que pouco se interessam por tudo aquilo que não é o puro lucro.
Neste comentário, e dando seguimento ao tema das pedreiras, pretendo abordar a componente educativa das pedreiras. Sim, isso mesmo!
Em muitas das pedreiras de Sicó tem-se uma autêntica janela de conhecimento sobre a geodiversidade de Sicó. Geologia, geomorfologia e paleontologia, são apenas alguns de muitos dos aspectos sobre os quais podemos espreitar melhor numa pedreira. Noutros países europeus há a possibilidade de se visitar algumas pedreiras em exploração, para precisamente aproveitar esta janela de conhecimento priveligiada, mas em Portugal isso não acontece. Em Portugal e mais especificamente em Sicó, as pedreiras são um tabú e assim sendo tudo o que seja mostrar as entranhas de Sicó é de evitar por parte de quem explora as mesmas. Um dos muitos motivos porque isto acontece é porque certas pessoas podem ver que ali há uma gruta, algar ou pegadas de dinossaurio e depois é uma chatice, pois tem de se parar momentaneamente a exploração. Mesmo havendo a possibilidade de permitir o estudo das grutas, algares ou outros mais, sendo relevantes ou não, o que acontece é que quando se descobre é o toca a tapar e destruir. Já vi isto acontecer numa pedreira em Alvaiázere, felizmente que o momento ficou registado fotograficamente, o que é uma chatice para a empresa, que nega que haja ali algares, grutas ou outros "bichos"... Mas sei de muitos exemplos mais...
A foto que agora partilho com todos vós, é de uma pedreira que agora não vou situar geograficamente, digo apenas que além de se localizar na região de Sicó, é uma pedreira que conheço há já muitos anos. Os mais conhecedores facilmente conseguem ver o que pretendo destacar na foto, mas os menos conhecedores não, é especialmente nesses que penso quando mostro esta foto, já que ela é literalmente uma janela sobre um de muitos aspectos associados à geodiversidade de Sicó e ao seu endocarso. É uma bela falha, que possivelmente os mais conhecedores gostarão de visionar. É um dos exemplos mais felizes que conheço, sendo igualmente um notável exemplo para utilizar enquanto ferramenta educacional, quer relativamente à comunidade escolar, quer à população em geral. É com exemplos destes que se consegue explicar o que muitas páginas de livros por vezes não conseguem. 
É um facto que são poucas as pontes entre a comunidade científica e a sociedade em geral. Têm surgido alguns bons exemplos, mas são ainda incipientes quando se aborda a questão no seu todo. Através do azinheiragate eu tenho tentado construir algumas destas pontes, é algo de que não prescindo e que tenho vindo a observar e sentir que tem tido efeitos positivos nos últimos anos. É um humilde e honesto contributo, mas "grão a grão enche a galinha o papo". Se todos nós fizermos um bocadinho por Sicó, as coisas certamente terão impactos globais muito positivos e relevantes, por pouco que seja.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O tabú de Sicó: viagem ao centro da Serra



Tabú é sem dúvida alguma a melhor palavra para descrever como é afinal o abordar da questão das pedreiras de Sicó, especialmente pelos lados de Pombal, mas não só...
Viagem ao centro de Sicó é a melhor frase que descreve a recente visita que fiz a algumas das pedreiras de Sicó. Estas duas imagens referem-se a apenas uma delas, aquela que muitos de nós vêm quando andamos pelas proximidades de Pombal. São duas as perspectivas que mostram o monstro que ali está instalado, qualquer uma delas é uma perspectiva assustadora, dada a sua dimensão. Escusado será dizer que poucos são os que falam desta e de outras pedreiras, uns por receio, outros por lhes ser um tema tão incómodo, tal como o é por exemplo para Narciso Mota. Na região de Sicó não há nenhum concelho que não tenha este gravíssimo problema.
São muitos os que já observaram esta pedreira ao longe, mas poucos os que o fizeram tal como eu. A maioria prefere olhar para o lado e fingir que isto não é um problema. Eu prefiro abordar a questão de frente e de uma forma pedagógica. Curiosamente ainda há poucos dias utilizei estas mesmas imagens numa palestra que dei numa escola longe de Sicó.
Obviamente que as pedreiras são necessárias, mas a questão fundamental é que não são necessárias tantas, nem mesmo será desejável tal dispersão das mesmas, ordenamento exige-se, no entanto não existe para as pedreiras, finge-se que existe... 
Reciclagem de resíduos de obras é uma das muitas formas de evitar que estes monstros cresçam, mas infelizmente Portugal está muito longe das metas que seriam desejáveis neste domínio. Penso que nem sequer devemos chegar aos 10%, enquanto que a Holanda chega aos 90% (actualmente não deve fugir muito destes valores). 
A extracção da pedra é um negócio que não tem em conta aquilo que deveria ter, a conjugação do interesse de todos, mas ao invés tem em conta apenas o interesse de lóbis poderosos que não querem saber se as pedreiras estão em áreas tão valorosas como é o caso de Sicó. As autarquias perdem mais do que ganham, acho curioso este negócio, onde um privado explora de forma predatória uma área tão rica do ponto de vista patrimonial (paisagem, geodiversidade, biodiversidade...) e de vez em quando lá oferece umas míseras carradas de brita às autarquias. Não pagam a exigível taxa e fazem o belo do negócio, enquanto isso o monstro cresce e leva consigo o que de melhor a região tem. É a verdade pura e dura, goste-se ou não!
Noutros países, como o Reino Unido, paga-se uma taxa por cada tonelada extraída (penso que 1,5 euros +-), que reverte depois para a recuperação da área e para mitigar, na medida do possível, impactos perante as populações que sofrem diariamente com a extracção da pedra. Quanto a mim, deveria fazer-se o mesmo em Portugal, facto que já sugeri e que agora reforço. Em jeito de proposta, dois terços da taxa deveriam ir para um fundo que visasse a recuperação posterior do local da extracção, e um terço para um outro fundo, independente, que visasse o apoio às populações. O Estado geria o primeiro fundo e as comissões de moradores o segundo fundo. É uma possibilidade que deverá concerteza assustar os donos das pedreiras, mas que as populações deverão começar a exigir. Espero que este meu comentário sirva também para motivar os cidadãos a se mexerem neste domínio.
Este meu comentário foi mais na linha de "se maomé não vai à montanha, a montanha vai a maomé", portanto espero sinceramente que seja mais um contributo para a discussão em torno de algo que nos diz respeito a todos. Por mais que alguns digam que este não é um assunto que lhes diga respeito, estes apenas estão a negar o inegável, já que todos somos culpados da existência destes monstros, directa ou indirectamente, já que o nosso estilo de vida faz com que seja necessário extrair pedra.
Espero também que certas juventudes partidárias em vez de andarem a fazer marketing barato com notícias de tipo "muito rastilho e pouca pólvora", quase que apenas para se autopromoverem, (e depois de vangloriam disso...) se debrucem sobre esta questão, já que a este ritmo daqui a uns anos não teremos Sicó alguma para podermos ter um parque natural ou mesmo geoparque Sicó...



sábado, 27 de novembro de 2010

A necessidade do projecto Ecoquarry na região de Sicó


É um dos temas mais complexos de falar na região de Sicó, não porque efectivamente seja um assunto complexo, mas sim porque mexe com interesses e mentalidades complicadas.
Só para vos dar um exemplo desta "complexidade", há umas semanas atrás falei sobre as pedreiras (monstros) de Pombal no azinheiragate. Apesar de ter falado de forma construtiva e ter apresentado uma situação exemplar que ocorre no Reino Unido (algo que podia ser feito na região de Sicó), bastou esse simples comentário para irritar o conhecido Narciso Mota, autarca de Pombal. Diria eu que foi apenas um sinal da saúde democrática que se passa por boa parte da região de Sicó e não apenas por Pombal.
Indo agora à questão que me leva a escrever estas linhas, queria falar das dezenas de pedreiras que existem na região de Sicó. Ferem as vistas, incomodam quem as tem de "gramar no seu quintal" e são tabu nas áreas onde elas coexistem, a bem ou a mal, com as populações. São necessárias, mas não todas, apenas algumas, pois se se reciclasse materiais de construção a coisa já era diferente.
É precisamente neste tema que quero falar, existindo tantas pedreiras na região de Sicó, muitas delas abandonadas, porque é que ainda não surgiu nenhum projecto de recuperação paisagística para algumas destas? Alguns, menos informados, podem dizer que fica caro, mas os mais informados sabem que afinal este pode ser um excelente negócio, no qual se junta o últil ao agradável...
O negócio é simples, ao recuperar paisagísticamente uma pedreira abandonada, tem-se um espaço priveligiado para encaminhar materiais inertes. Mais simples não podia ser, mas infelizmente as vistas curtas dos nossos autarcas não permitiram ainda algo como um projecto igual ou semelhante ao Ecoquarry:
A pedreira que vê na foto está desactivada há quase três décadas, sendo apenas um dos muitos exemplos, existentes na região de Sicó, sobre o qual poderia incidir um projecto como o Ecoquarry.
Os resíduos de construção e obras públicas, caso por exemplo de terras de desaterros, poderiam ser encaminhados para locais como esta pedreira, que tem uma área considerável (penso que uns 3 hectares). Evitar-se-ia também muitas situações lamentáveis de despejos selvagens destes resíduos no meio da floresta. Só para vos dar um exemplo do quanto grave é a situação na região de Sicó, dos 250 locais (lixeiras...) que georeferenciei na iniciativa Limpar Portugal, entre 60 a 70% destes tinha resíduos de construção....
Pombal, Ansião, Alvaiázere, Soure e Penela, todos estes municípios têm este problema que tarda em ser mitigado. Temo que apenas quando as pessoas, em tempo de eleições, deixarem levianamente de pedir apenas que lhes alcatroem a estrada à porta, isto possa mudar.
Sei que as coisas por vezes são difíceis, mas quando há competência as coisas surgem. O problema é quando a competência não existe, ou deixa muito a desejar, e quando as pessoas não exigem aquilo que falam apenas entre amigos/conhecidos.
A democracia é participativa, portanto há que exigir, quase todos têm culpas no cartório...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Nasceu o Sicó Cartoon!

Nota: conteúdos protegidos pelos óbvios direitos de autor.

Estava pronto há uns dias, mas esperei por um dia que me parecesse o ideal. Chegamos então ao dia 1 de Outubro de 2010 e apresento-vos um projecto denominado por Sicó Cartoon.
Os mais atentos ao azinheiragate notaram que há umas semanas atrás apresentei uma ideia para desenvolver no âmbito do desenho humorístico, mas com fins pedagógicos, de forma a retratar questões sobre o património, natural ou cultural, da região de Sicó.
Entretanto surgiu alguém interessado ("SC") e havia agora um intérprete do património que poderia levar esta iniciativa conjunta para a frente. É uma ideia que irá ganhar uma visibilidade fantástica, é nossa ideia, visibilidade esta que reverterá em primeiro lugar a favor do património de Sicó.
O "SC" tem um currículo que me impressionou e a mais valia é que entende plenamente muitas questões do património, tendo o mesmo já trabalhado na área da valorização do património. Desta forma é um intérprete perfeito para o desenvolvimento deste projecto que irá dar cartas no curto prazo. As ideias são desenvolvidas em conjunto e o entendimento é perfeito.
Falando agora no primeiro cartoon, apresentado em primeiro plano, nada melhor do que iniciar o Sicó Cartoon com a jóia da coroa, a Serra de Sicó. Neste momento é uma jóia que já perdeu muito do seu brilho, devido aos monstros que nela estão implantados e a fazem desaparecer a olhos vistos. A isso mesmo se deve este primeiro cartoon.
O ritmo de publicação do Sicó Cartoon será regular, portanto acompanhem que não se irão arrepender.
Todo o tipo de situações, actuais ou não, serão retradadas no Sicó Cartoon. Nenhuma área dentro da região de Sicó será esquecida, portanto não se admirem ver um assunto vosso conhecido retratado, esteja ele ligado ao património natural, cultural ou qualquer outro.
Os meus parabéns ao "SC", pois este primeiro cartoon está fantástico!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Pombal: taxar ou não taxar a exploração de inertes, eis a questão!


Apesar de já saber da situação em termos genéricos há vários meses, não sabia ao certo as datas e os valores envolvidos. Falo desta forma de um assunto que foi abordado na última semana pelo Jornal Notícias do Centro (http://noticiasdocentro.wordpress.com/).
A questão das pedreiras da Serra de Sicó é um tema tabú em Pombal, pelo menos quando questionada a Câmara Municipal de Pombal, a única vez que me lembro de ver esta situação tratada de forma mais pública foi aquando do processo de participação pública da Agenda 21 Local de Pombal. Nesta altura a empresa que estava a elaborar o estudo afirmava publicamente que a situação das pedreiras era problemática, algo que me surpreendeu pela positiva.
Eis que agora surgem factos preocupantes, afinal a Autarquia desde 2004 não tem vindo a cobrar a devida taxa de exploração de inertes, referindo que «as empresas “demonstraram o seu descontentamento” e que, assim, “reforça a dinamização da actividade económica”.
Pessoalmente considero estas afirmações algo anedóticas, já que este mesmo tipo de empresas goza de uma protecção institucional que é inaceitável. Seria importante estas mesmas empresas dizerem publicamente as quantidades de pedra extraída (é um segredo bem guardado...), assim já todos ficariam a saber que afinal estas empresas não estão assim tão mal....
Achei curioso a Câmara Municipal de Pombal ceder desta forma aos interesses de empresas que «demonstraram o seu descontentamento, alegando que dada a conjuntura que atravessava o sector, se tivessem de suportar mais este encargo teriam seguramente muitas delas de encerrar as portas». Mais ainda de ouvir o autarca local, sobre o símbolo máximo da região (Serra de Sicó), que diz claramente que é uma ajuda para a dinamização económica, valorizando a base produtiva. Desde quando é que extrair pedra é valorizar a base produtiva? Dar-lhe valor acrescentado ainda poderia ser, mas assim não.
Agora, só para vos dar um exemplo do que estamos a falar quando se fala de uma pedreira, falo de factos sobre a indústria extractiva no Reino Unido, onde em 2002 uma empresa ( Agregates Levy) pagava uma taxa de extracção de inertes de "livre vontade". Não pagava os míseros 10 cêntimos por tonelada mas sim uns interessantes 2,5 euros por tonelada! Vejam do que estamos a falar....
Esta taxa reverte para um fundo de sustentabilidade com vista ao financiamento de trabalhos que visem o aumento da biodiversidade, geoconservação, etc. Será que não se devia fazer o mesmo para Sicó, área de Rede Natura 2000?!
Um dos factos fundamentais que os residentes de Sicó "não sabem", é que há custos ambientais significativos associados à extracção de pedra, os quais não são cobertos pela regulação do Estado Português. Nestes incluem-se por exemplo o barulho, poeiras, intrusão visual, perda de utilidade e biodiversidade, bem como perda de geodiversidade.
Caso as pessoas estivessem bem informadas iriam começar a reclamar o que têm direito. Obviamente que um fundo de sustentabilidade a criar nunca poderia ser gerido pela Câmara Municipal de Pombal, mas sim por uma comissão constituída por ONGAs e por pessoas idóneas da sociedade civil, pois estes fundos também deveriam ser aplicados em benefícios sociais e não apenas em benefícios ambientais (se bem que os benefícios ambientais devem prevalecer em grande maioria).
Urge pensarmos bem nesta questão, já que é inaceitável que a Serra de Sicó esteja a ser literalmente devorada incondicionalmente por indústrias de extracção de pedra que têm trazido prejuízos incalculáveis à região de Sicó. Já não vou falar sobre as questões ambientais, falo por exemplo de questões mais perceptíveis ao cidadão comum, caso do deplorável estado do IC8, permitido em boa parte graças à tonelagem ilegal que muitos camiões de brita transportam através deste traçado. Há mais, mas este é apenas um de muitos exemplos...
As pedreiras são necessárias, mas não desta forma, há que apostar por exemplo na reciclagem de resíduos de construção civil (na Holanda recicla-se 90%), assim é que se reforça a criação de emprego estável no tempo e no espaço. A base de uma pedreira é uma base depradatória, urgem novas soluções como a reciclagem de resíduos de construção civil. Sei que é difícil pois o lobby das pedreiras é enorme, como aliás se vê em Pombal, mas há que ter coragem para avançar com as mentalidades, só assim a região pode avançar.
Urge basear a actividade económica da região de Sicó numa base de valor acrescentado, "vendendo" o território sem o destruir como tão bem o fazem as pedreiras.