terça-feira, 22 de novembro de 2011

A decorrer!


O comentário de hoje é sobre uma iniciativa extremamente meritória, à qual me associei desde o seu início efectivo. Hoje recebi uma mensagem, através de um e-mail, que me fez pensar em alguns factos e discutir os mesmos aqui, daí este meu comentário. Antes de mais agradeço a crítica e compreendo perfeitamente a dúvida, pois eu não contextualizei devidamente os factos, erro meu.
Raramente surgem iniciativas com um potencial tão grande como esta, que tenho vindo a publicitar no azinheiragate, facto que traz consigo todo um manancial pedagógico que pode, de facto, reverter em termos de cidadania para toda uma população pouco consciente dos valores associados à nossa floresta.
O comentário que faço hoje não é sobre esses mesmos valores, os quais tenho vindo a fazer referência nos últimos 3 anos e meio, é sobre os inevitáveis oportunismos que surgem quando estas iniciativas acontecem. Lembro, aliás, que o que deu origem a este blog foi precisamente uma azinheira, ou melhor, milhares delas, que foram cortadas de forma ilegal, daí estar plenamente à vontade com o que irei seguidamente referir.
Os oportunismos surgem, como atrás referi, nestas alturas, onde certas entidades apoiam as iniciativas tendo em vista algum reconhecimento. Quando trabalhei voluntariamente na iniciativa Limpar Portugal, tive a oportunidade de sentir isso mesmo, o oportunismo de algumas entidades, no entanto soube lidar com isso e assim até consegui fazer pedagogia com algumas destas entidades. Não fui teimoso e soube aprender com a experiência, tendo sido reconhecido por isso mesmo.
Falando especificamente da Semana da Reflorestação Nacional, esta é inevitavelmente uma iniciativa que é aproveitada por algumas entidades para fazerem passar uma imagem que não corresponde à verdade. Não há que ser teimoso e perceber que há aqui um potencial enorme, o qual possibilita trabalhar com entidades que na teoria dizem uma coisa e que na prática fazem outra. Isso está a ser feito com inteligência, no entanto há que ter certos cuidados, já que, de facto, há claramente segundas intenções por parte de algumas entidades que fazem do greenwash o seu modo de vida.
O greenwash é uma ferramenta poderosa, a qual serve para manipular a sociedade em que vivemos, daí ser preciso muito cuidado quando falamos de certas entidades. Podemos trabalhar com elas? Sim, obviamente, mas não podemos ser de alguma forma ingénuos (já me aconteceu há anos atrás...). O facto de uma qualquer entidade apoiar a Semana da Reflorestação Nacional não a torna "santa", mais ainda quando se fala de uma qualquer entidade que desde há vários anos promove uma política predadora, facto que se reflecte em vários crimes ambientais, e logo de forma contínua no espaço e no tempo. Há que conhecer devidamente o território e as entidades, de forma a que se saiba efectivamente com quem estamos a lidar, só depois é que poderemos saber a forma como lidar com as mesmas. Se isso não for feito, podemos apenas estar a dar cobertura, mesmo de forma inconsciente, a entidades que são manipuladas por interesses predatórios, levando assim à degradação daquilo que inicialmente estamos a tentar proteger. E, ao referir estes mesmos factos, não estou de alguma forma a prejudicar a imagem de uma iniciativa que apoio desde o seu início, estou sim a salientar factos externos que podem prejudicar os "factos internos". O mérito é inquestionável e extremamente meritório, só a sabedoria que quem meteu mãos à obra pode resultar numa iniciativa tão valorosa como é a Semana da Reflorestação Nacional. 
Para já fico-me por aqui, mas brevemente darei precisamente um exemplo disto mesmo na região de Sicó, embora seja algo não ligado à Semana da Reflorestação Nacional.
Agora toca a plantar árvores. Não têm nenhuma? Simples, podem por exemplo ir apanhar umas bolotas, como eu aliás fiz no domingo, para depois plantar!

Sem comentários: