quarta-feira, 2 de novembro de 2011

2 000 000 de euros é "terrorismo" urbanístico e social!


Mal sabia eu que, quando sugeri dois livros centrados na questão do urbanismo e afins, mais tarde iria saber de algo que até a mim me surpreendeu. Há poucos dias, fiquei a saber de algo que importa discutir de forma séria e honesta, a bem da região de Sicó.
Não é surpresa alguma que na região de Sicó se pratica um urbanismo que quase só favorece certos interesses económicos, havendo muitos exemplos práticos disso mesmo, no entanto desta vez soube de algo que merece ser do domínio público, dados os valores em causa.
Muitas vezes vemos o pseudo-urbanismo, outras o urbanismo duvidoso, e ainda acontece, por vezes, o urbanismo desvirtuador da identidade local. Agora surge o que eu denomino por "terrorismo" urbanístico, facto que, quanto a mim, se justifica tendo em conta os valores monetários em causa, além, claro, das complicações que trouxe aos alvaiazerenses. Imaginem o que é terem a vossa casinha e porque alguém, unilateralmente, pensa que é bom alargar a estrada, vocês têm de sair da mesma, a bem ou a menos bem (tribunal).
Já todos ouvimos falar de casos em que se gastam milhões de euros em obras duvidosas, muitas vezes casos que orbitam em redor de estradas ou auto-estradas. Indo directamente ao cerne da questão, quero destacar um caso onde num projecto megalómano, de alargamento de estrada, onde em pouco mais de 1km de estrada se gastaram até agora quase 2 000 000 de euros, isso mesmo! E não, não estamos e falar de uma obra a ocorrer numa área densamente povoada (ex. Lisboa ou Porto), estamos sim a falar de uma obra a ocorrer na Vila de Alvaiázere, na estrada de Seiceira, onde passam poucas dezenas de carros por dia. Será que este valor astronómico se justifica? Não me parece, de todo...
Além disto tudo, o valor deverá aumentar ainda mais, mostrando que muito vai mal pelos lados de Alvaiázere, no domínio do urbanismo. Ali o importante é expropriar terrenos, comprar casas para depois demolir (alguns casos estão ou estiveram em tribunal) e proceder a alargamentos que, enquanto geógrafo, e por mais esforço que faça, não compreendo.


Sugiro a todo/as aquele/as que tenham a possibilidade, de visitar Alvaiázere o façam, de modo a verem como as coisas não devem acontecer, e perceber onde se enterram milhões que deveriam ser utilizados verdadeiramente em prol da população e do seu território. Infelizmente temos um país à nossa imagem, vivendo a maioria de nós da ideia que já fomos um grande país e agindo numa patética passividade, no deixa andar.
Casos como este nunca deveriam acontecer, mas isso só acontece porque "nós" colocamos no poder autarcas como Paulo Tito Morgado, que ainda tem o despudor de adquirir, com dinheiros públicos, uma viatura de luxo (SUV) para uso pessoal (CMA), que (nos) custa a módica quantia de 54000 euros, dando uma justificação que roça o ridículo. Talvez, quando as obras estiverem terminadas, a viatura em causa já não desapareça convenientemente do radar das câmaras da SIC, pois concerteza nessa altura ficará bem na reportagem.
A última fotografia ilustra bem o nosso futuro no curto e médio prazo, uma estrada que não vai dar a lado nenhum, tudo porque toleramos casos como o que agora destaquei. Resta esperar pela reacção dos portugueses, estando eu particularmente curioso sobre se alguém irá efectivamente pedir explicações a este autarca sobre as suas prioridades e sobre os gastos da autarquia que presidirá até 2013. É esta impunidade que corrói Portugal, a sua identidade e tudo aquilo que temos de bom.
Temos o que merecemos, é o que me apetece dizer...

1 comentário:

Gajo de Maçãs disse...

Estes politiqueiros quando estão no privado até são úteis, quando a causa é pública passam de doutores a grandessíssimas bestas (com o devido respeito pelas bestas). Foi a pior coisa que aconteceu a Alvaiázere e a quem cá mora.