sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Notas sobre o projecto "Ciclo do pão" e sobre o livro "Ciclo da broa e do pão"



A vontade de comentar quer o projecto "Ciclo do pão", quer o livro "Ciclo da broa e do pão", era enorme, pois já conhecia ambos.
Começando pelo "Ciclo do pão", apenas agora destaco o projecto, e o motivo é simples, não me cabia falar do projecto antes de quem teve o mérito o fazer primeiro. Assim sendo, e tendo em conta que o projecto já está oficialmente lançado, posso então destacar o mesmo.
Infelizmente não tive a possibilidade de, no dia 5 de Novembro, dia da inauguração, me deslocar à Serra da Portela (e não Serra do Anjo da Guarda...), de modo a assistir à estreia oficial do projecto, já que estava num congresso, no Geopark Naturtejo. Apesar desta minha ausência, 2 semanas antes tinha estado na Serra da Portela, já que tinha de fazer um registo fotográfico, entre outros, do moinho de vento ali existente, o qual é a "base" do projecto do "Ciclo do pão". Tive sorte, já que naquele momento o moinho esteve com as velas içadas, possibilitando a bela da foto. Além disso, já não entrava num moinho de vento há 8 anos, sendo que a última vez foi no moinho da Melriça.
Indo agora directamente ao assunto, considero este projecto muito positivo e de louvar, só tenho pena o mesmo não ter surgido há 15 anos atrás. Felicito especialmente a Liga dos Amigos da Gramatinha - LIAGRA, a qual mostra que o associativismo felizmente tem ainda muita força da região de Sicó. Conheço algumas pessoas da LIAGRA, daí saber que o projecto tem futuro. Felicito também a Junta de Freguesia de Pousaflores e a Câmara Municipal de Ansião, já que são entidades igualmente envolvidas neste projecto.
Tenho um interesse especial por projectos desta tipologia, já que estou, conjuntamente com uma equipe multidisciplinar, a elaborar um artigo científico que engloba não só os moinhos de vento, bem como os parques eólicos da região de Sicó. Foi ainda em Outubro que participámos no 1º Congresso de História e Património da Alta Estremadura, em Ourém (evento notável!), sendo que nos primeiros meses de 2012 surgirá o respectivo artigo.
Voltando ao projecto do "Ciclo do pão", só espero que não aconteça o que é costume acontecer com projectos como este, o não pensar as coisas no seu todo. Falo, claro, do facto de raramente se incluir projectos como este em roteiros, funcionando os mesmos como uma "ilha", a qual, isolada, o que mais tarde ou mais cedo acaba por se traduzir no insucesso. Da parte do azinheiragate, fica uma breve nota de apoio sobre o projecto, sabendo que daqui a mais algumas semanas irei concerteza à Serra da Portela ver a mó a rodar, momento que vos garanto que é mágico, especialmente se os grãos de cereais estiverem a ser moídos. Há que salientar que este projecto tem um enorme potencial, portanto há que fazer as coisas com sabedoria. Há que dizer também que já estou com saudades de comer aquela broa de milho que se comia até há coisa de 15/20 anos, pois as de hoje de broa têm pouco...
Para terminar esta minha referência a este projecto, só há algo que não compreendo bem, porque é que aquando da construção do parque eólico, na Serra da Portela, não se mobilizaram verbas da respectiva renda para constituir o projecto que agora surgiu? Sei que é uma questão incómoda, mas fica a questão no ar...

Falando agora do livro "Ciclo da Broa e do pão", da autoria de Eduardo Medeiros, este é um livro que apenas há semanas atrás fiquei a conhecer, já que é uma das obras que serve de bibliografia ao artigo que atrás referenciei. Fiquei muito surpreendido por conhecer esta obra, pois é de uma qualidade notável, a qual merece ser amplamente divulgada tendo em conta o imenso valor patrimonial que percepcionei em mais de 200 páginas. Uma das coisas que infelizmente acontece com obras de grande qualidade, como é este o caso, é a pouca visibilidade que as mesmas têm, por isso mesmo o azinheiragate dá um escasso, mas honesto, contributo para a divulgação deste livro que recomendo a todo/as. 
Há que investir em idas regulares às bibliotecas da região de Sicó (e não só), pois é lá que se encontram livros que têm um valor inestimável para a cultura da região de Sicó. Fica o desafio! 

1 comentário:

Talpidae disse...

Assim espero também!

Obrigada pela sugestão literária... irei procurá-lo! ;)