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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Não mói, mas mata!!


É um cenário infelizmente presente em qualquer um dos municípios da região de Sicó. É algo que não deveria acontecer, mas que, pasme-se, é a regra em vez da excepção. Tratam-se de duas estradas municipais que representam basicamente uma armadilha mortal em caso de incêndio florestal, tal como aquela onde faleceram algumas dezenas de pessoas aqui bem próximo. Não, não se trata de oportunismo, mas sim da continuação de algo que já faço há muitos anos, ou seja denunciar, alertar e debater algo de concreto e objectivo.
As entidades públicas conhecem esta realidade, contudo, e na prática, nada fazem. Será preciso voltar a ocorrer mais um desastre para que se metam mãos à obra e se faça uma faixa de contenção de cada um dos lados desta e de outras vias?
O lugar mais próximo destas duas vias fica situado a cerca de 300 metros e há mais 4 vias por onde as pessoas podem fugir em caso de incêndio, contudo, e lamentavelmente todas têm este aspecto, ou seja não há por onde fugir caso o incêndio seja muito rápido, tal como acontece nos incêndios em eucaliptal.
Vi um mapa presente num qualquer PDMFCI, para o período de 2017 a 2021 e constatei que esta área insere-se na categoria ""zona prioritária de dissuasão e fiscalização". Curioso, pois não vejo ali nada que configure dissuasão. Já a fiscalização, não me parece que, na prática, exista.
Já no mapa de perigosidade de incêndio florestal, estas duas áreas têm uma perigosidade muito alta e alta, tudo normal portanto. Quanto ao mapa de risco de incêndio, o cenário é o mesmo, risco muito alto e alto (nota-se bem que fizeram este mapa depois do último, já que o risco de incêndio não é "muito alta").
O que podemos fazer para mudar isto? É mais simples do que pensam. Em primeiro lugar basta deixar esse cantinho confortável, onde costumam ficar, mas apenas até que vos comece a tocar... Ultrapassada essa apatia e desresponsabilização, há uma coisa, que dá pelo nome de cidadania activa. Essa singela "coisa" possibilita-vos ir até à vossa câmara municipal ou até à vossa associação florestal denunciar estas situações. Uma queixa pode não fazer muita diferença, mas centenas de queixas já fazem mossa e ajudam a mitigar parte do problema. Pressionar com a ajuda das redes sociais também ajuda, tal como eu o bem sei.
E quando mais mortes voltarem a acontecer (infelizmente é inevitável, dado o cenário da eucaliptização...), todos aqueles que tiverem feito algo de concreto poderão estar de consciência mais tranquila, já que fizeram, na prática, algo para mudar o actual cenário. Algo tão simples como isto ajuda, de facto, a mitigar este cenário que ameaça a vida de pessoas.
E aproveitem para questionar todos o/as candidato/as às autárquicas sobre o que têm a propor para mitigar, de facto, este cenário. Este ano é pródigo para os pressionar...


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Arde porque deixamos que arda...


Por esta altura, e mesmo tendo em conta os inúmeros incêndios que já ocorreram um pouco por todo este país, ainda não se fala de incêndios florestais. A "festa", propriamente dita, ainda não começou, portanto, e para já, fala-se apenas de futebóis e outros factos que nada acrescentam a uma vivência sã e equilibrada. Quando os futebóis e afins terminarem, as televisões vão-se virar para a festa pirómana que todos os anos nos assola. E este ano em particular preocupa-me...
As causas são conhecidas, bem como os interesses que orbitam em redor da "festa", contudo, e estranhamente, tudo fica na mesma ano após ano. Não aprendemos com os erros e parece que fazemos questão que tudo ou quase tudo fique na mesma. Os discursos de ocasião ainda não surgiram, pois há que falar a quente, com as coisas acicatadas, lá para Julho ou Agosto.
Mas deixando estes pequenos pormenores de lado, vamos então aos factos. O que vêm na fotografia é uma plantação de eucaliptos, situada à entrada do lugar do Rabaçal, Penela, para quem vem de Ansião. Em 2016 foi efectuado um corte dos eucaliptos, pois já estavam em acção. Nessa altura fiquei surpreendido, já que os sobrantes ficaram todos no terreno. Inicialmente pensei que mais tarde iriam ser recolhidos, contudo os meses passaram e ali continuam. Em termos de risco de incêndio será "escusado" dizer o barril de pólvora ali está. Ninguém quer saber do caso.
Mas caso ocorra ali um incêndio, o que acontecerá? Eu digo, chama-se os desgraçados dos bombeiros e eles que se amanhem. São eles que correm risco de vida e são eles que se devem sacrificar, pensam alguns...
E o que será que o dono do terreno tem a dizer sobre isto? Não se dá ao trabalho de limpar, tal como era suposto, mas caso os bombeiros não aparecessem será, porventura, capaz de dizer que eles eram uns incompetentes ou que demoraram muito a chegar. O dono do terreno pensará inevitavelmente numa coisa, ou seja no lucro rápido. Tudo o resto, e como está à vista, não importa. E a nossa passividade será reconfortante para ele, digo eu.
É por isto e por muito mais que Portugal arde impunemente. E andamos nisto há 4 décadas...
No que me toca, e por mais estranho que possa parecer, não fico chocado ao ver arder eucaliptos. Fico chocado sim quando ardem carvalhos, azinheiras, sobreiros, oliveiras, castanheiros, nogueiras, freixos, choupos e afins. Perde-se demasiado tempo e gastam-se meios que deveriam privilegiar a protecção da nossa floresta, em vez da monocultura do eucalipto. Situações como esta deveriam ser severamente punidas!
Agora uma pergunta que vos faço, porque é que têm de ser os bombeiros voluntários a arriscar a vida e a gastar o seu tempo e meios a proteger algo que serve apenas para o lucro de algumas pessoas? Não seria normal quem tem eucaliptais pagar a protecção do seu investimento? Fica a dica para reflexão...

domingo, 14 de setembro de 2014

A estratégia do bandido...



Muito recentemente soube, numa conversa casual, de algo que me chocou sobre todos os pontos de vista. É conhecido o gravíssimo problema que representa a eucaliptização deste país, onde a região de Sicó não escapa. É conhecida a minha posição contra este assassino da floresta portuguesa e contra o lóbi do eucalipto, monocultura que é como que um cancro, o qual tem consumido o país desde a década de 80 do século passado. Em vez de se curar este cancro, está-se a ajudar a espalhar o mesmo pelo que resta do país. A recente lei, que literalmente liberalizou a plantação de eucaliptos, foi a machadada final.
Desta vez soube algo que até a mim surpreendeu. Aqui, na região de Sicó, a estratégia passa por chegar ao pé das pessoas, e dizer-lhes que alguém pode limpar os seus terrenos, preparar os mesmos e plantar eucaliptos, tudo sem encargos. Mas não é tudo, é que depois a pessoa vende os eucaliptos a quem entender, o que significa que, no final, tudo se resume ao mesmo. Esta é uma abordagem que eu considero imoral sobre todos os pontos de vista. Ainda mais nesta altura de crise, onde muitas pessoas estão desesperadas, surgem os abutres do lóbi do eucalipto para infectar o que falta, para eliminar a floresta portuguesa e plantar de forma extensiva a porcaria da monocultura do eucalipto. Já só falta a introdução de eucaliptos geneticamente modificados, coisa que está por semanas nos EUA e no Brasil.
Como se não bastasse, ouvi da boca de um amigo meu, que trabalha a questão ambiental, que o eucalipto é a última salvação para muita gente, quando afinal é sim a sua perdição e a perdição de um país mergulhado numa crise de valores fundamentais. O eucalipto é parte do problema, não da solução!
As celuloses têm conseguido trabalhar bem a questão do marketing, que nem lavagem cerebral...
Portugal tem tudo a perder com o eucalipto, a começar pelo ordenamento do território. O eucalipto, este assassino de bombeiros, anda a explorar de forma vergonhosa um país vergado e rendido a interesses predatórios.
Uma coisa garanto às celuloses e aos proprietários dos eucaliptais, não irei arriscar minimamente a minha vida, a minha saúde e o meu tempo a proteger esta monocultura do fogo. Se estiver a arder irei apenas controlar. O que importa proteger é a floresta portuguesa, os bens dos portugueses e tudo o que este país tem de melhor, o eucalipto é conversa!

Fonte: http://wrm.org.uy/

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O carrasco de Sicó: crónica de um invasor


Lembro-me bem da década de 80, altura em que o eucalipto começou a invadir um território que não era o seu. Lembro-me que foi nessa altura que extensas áreas de pinheiro arderam, dando lugar a este invasor. Passaram mais de 3 décadas e, também na região de Sicó, este invasor ganhou uma posição perigosa, destruindo com isso extensas áreas de floresta. Lembro os menos informados que uma área de eucaliptal não é floresta, é sim monocultura, facto que faz toda a diferença. Pinheiros, carvalhos, azinheiras, sobreiros, medronheiros, todos estes foram gravemente afectados com isso, obviamente em diferentes graus.
Foi também durante estas últimas décadas que muitos abandonaram ou esqueceram muitos terrenos, os quais antigamente davam sempre rendimento e logo nas mais variadas formas. O gado que pastava por muitos dos terrenos foi também esvanecendo. Toda uma forma de estar neste território foi violentamente afectada em poucos anos. O ordenamento do território foi igualmente esquecido, o que tendo em conta que este é crucial para o desenvolvimento do território, torna-se altamente problemático. 
Tudo isto e muito mais contribuiu para que o comité de boas vindas recebesse com imenso calor este invasor que dá pelo nome de eucalipto. Muitos que deixaram de ligar aos seus terrenos, lembraram-se que seria bom mandar lá uma máquina para preparar o terreno para meter eucaliptos, esquecendo que que isso teria consequências a vários níveis. 
A paisagem começou a transformar-se, o que por si mesmo não é mau, o problema é que dantes a paisagem transformou-se de modo a termos aqui um modo de vida sustentável e agora esta transformou-se para o pessoal plantar eucaliptos e mais nada. Obviamente quando assim é, as coisas só podem correr mal.
O eucalipto é, para mim, desde alguns anos atrás, uma árvore non grata, a qual serve apenas um propósito, a pura ganância de alguns e o interesse económico das celuloses. Alguns ganham uns trocos, mas todos perdem muito mais. Pessoalmente considero que o eucalipto devia pagar um imposto elevado, pois sendo este meramente para o ganho financeiro, é justo que assim seja. Outras árvores, caso do carvalho, oliveira, nogueira ou outros mais, servem vários propósitos e não apenas um, é essa a minha justificação.
Curioso que várias pessoas, na ânsia de ganhar dinheiro, não têm ganho nenhum, pois os seus eucaliptais ardem regularmente...
Curioso ver outras pessoas, (mal) mascaradas de "ambientalistas", são acérrimas defensoras do eucalipto, quiçá por trabalharem com as celuloses. Meros mercenários pintados de verde cor de alface.
O eucalipto tem sido um dos carrascos da região de Sicó e mesmo assim continuamos a insistir em plantar. Vejo pessoas que sabem das consequências negativas de plantar eucaliptos, em áreas sem apetência para isso, e que estão-se a marimbar, pois só vêm dinheiro à frente, só vêm o seu interesse primeiro, esquecendo-se que vivem em comunidade e que o egoísmo não dá bom resultado. Há também aqueles que plantam eucaliptos dentro do perímetro de protecção de nascentes e depois, como se diz na gíria, mamam a bucha, com a bela multa. A água é um bem precioso, portanto tem de ser bem protegida!
Eu vejo uma tragédia onde plantam eucaliptos, pois basta olhar com atenção para perceber isto mesmo. Não é fácil, pois exige algum conhecimento e, acima de tudo, atenção, mas é possível. A introdução deste invasor num mosaico florestal altamente fragmentado é algo de trágico e que potencia, em termos de velocidade e perigosidade, os incêndios e as suas consequências. Lembram-se daquele incêndio de 2012, Pombal-Ourém? Sim, esse mesmo, que consumiu uns 6000 hectares. Se não houvesse tanto eucalipto por ali, as consequências teriam sido outras. O eucalipto ali é rei, portanto essa conversa do mato limpo, aqui, não colhe. O eucalipto representa risco de incêndio muito superior, especialmente em áreas de minifúndio, como é o nosso caso. É perigoso para todos, especialmente para aqueles que têm de o apagar. Eu pessoalmente pouco arrisco quando estão eucaliptos a arder. Os donos que arrisquem, pois o lucro é deles e a vida é minha. 
Por esta altura o pessoa já esqueceu os incêndios, para o ano há mais, no entanto parte significativa das consequências ocorre agora, caso do arrastamento e consequente perda de solo. Isto onde o há, pois há pessoal que o planta seja onde for.
O comité de boas vindas, que continua a receber todos os anos o eucalipto, deve estar confuso, é que o calor vem todo do eucalipto...