sexta-feira, 12 de junho de 2015

Sacos, saquinhos e sacolas: a cultura do plástico


Foi motivo de aceso debate na sociedade portuguesa há algumas semanas. Actualmente já não há grande debate. Penso que isto se deve a um simples facto, o de que as pessoas já assimilaram que afinal isto não é nenhum bicho papão e que é algo simples de se fazer. Falo, claro, de todos abandonarmos a cultura dos sacos de plástico, utilizando apenas o que realmente precisamos. Já muitos viram que a taxa verde, aplicada sobre os sacos de plástico (leves), faz todo o sentido e que tudo isto pretende apenas mudar maus hábitos, infelizmente enraizados na nossa cultura, consumista por natureza. Há até quem, de forma brilhante, tenha brincado com a coisa.
Há ainda muito estereótipo associado a esta temática, mas felizmente que alguns deles foram esbatidos nos últimos meses. Assisti a debates vários, onde estes estereótipos estavam bem presentes, um deles foi no programa Prós e Contras, onde o Bastonário dos Técnicos Oficiais de Contas teimou em insistir em alguns destes mesmos estereótipos. Disse que os hábitos não se quebram facilmente, mas, como ele agora pode constatar, o hábito dos sacos, saquinhos e sacolas até foi bem mais fácil de quebrar do que se pensaria. Disse que impostos e ambiente não se devem misturar, quando afinal estes devem obrigatoriamente ser "misturados", pois as externalidades negativas devem ser pagas por quem mais polui. Quem mais polui mais paga, é um princípio elementar. Este esqueceu-se que, os mesmos países que este é capaz de dar como exemplo em questões económicas, são os mesmos que já levam a fiscalidade verde a sério. Claro que podemos e devemos debater se a fiscalidade verde está a servir outros propósitos que não aquele para que foi criada, mas isso é conversa para outro comentário.
O Bastonário dos TOC chegou inclusivamente a referir que banir os sacos de plástico significa desemprego, esquecendo que não se quer banir os sacos de plástico, mas sim reduzir o consumo dos mesmos para níveis aceitáveis e sustentáveis em termos ambientais. Não referiu que isto é uma boa oportunidade para a inovação e para substituirmos importações. Há uma excelente oportunidade para produzir sacos de pano e outros materiais. E o lendário saco de pão que dantes utilizávamos? Faz sentido andar a utilizar diariamente sacos de plástico em vez de utilizar o mesmo saco de pano?
Mas não só, pois isto é apenas a ponta do iceberg, há toda uma enormidade de lixo que é mandada fora e/ou que vai para aterro. fará isto algum sentido? Falemos também da tara para garrafas e latas! Falemos  em, de forma gradual, deixar de pagar taxas de resíduos (para quem separa os resíduos), já que estes mesmos resíduos representam matéria-prima que todos deitamos fora, seja de forma certa ou errada, mas que outros aproveitam como matéria-prima para as suas fábricas! Falemos em deixar de mandar fora frascos de vidro e começar a utilizar os mesmos para guardar aquilo que precisamos. Faz sentido mandar fora por exemplo um frasco de cevada e depois andar a comprar pequenas embalagens de plástico para guardar por exemplo feijão? Há que alterar o paradigma...
Lembrem-se que há pequenos gestos que fazem toda a diferença, e um desses gestos é mesmo abandonar a cultura do plástico!

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