quarta-feira, 17 de junho de 2015

Não é fatalidade, é mesmo burrice chapada...


É algo que, confesso, estou saturado de debater. Contudo é um mal necessário, nem que seja para despejar alguma da negatividade que, infelizmente e inevitavelmente, vou acumulando a cada Verão que passa. 
A temática dos incêndios florestais já tem mais enredo do que todas as telenovelas juntas. Terá concerteza mais espectadores, já que esta é uma novela pirómana que fazemos questão de assistir há 3 décadas a fio. Esta novela tem uma particularidade que as outras não têm, sempre que a coisa aquece lá surgem os turistas pirómanos. Ou seja, gente que não tendo mais nada que fazer, desloca-se até ao sítio das "filmagens" e fica ali a apreciar todo o movimento de bombeiros, helicópteros, aviões e afins. Diria que é um gosto perverso, pois é, no mínimo, estranho, estarem mais pessoas a assistir e a estorvar do que a ajudar...
Este verão parece-me que será complicado, já que o El Niño parece que vai ajudar à "festa". Na região de Sicó já se assiste ao "aquecimento", facto que me preocupa ainda mais. Seria bom que todas as televisões deixassem de transmitir imagens dos incêndios, ficando-se por planos sem chamas. Há quem diga que se deve mostrar as imagens, mas quanto a isso eu digo apenas que a cumplicidade passa também por esta tolerância para com as imagens que envolvam chamas...
Há muita gente que opina sem saber nada sobre o assunto, facto que me incomoda bastante. Outros opinam numa lógica de pura maldade, pois têm algum trauma de infância e vivem para criticar os bombeiros voluntários. Claro que nem tudo corre bem, mas isso é conversa para quem percebe da coisa, não para meros espectadores.
Há interesses económicos que ganham com esta novela pirómana, seja de forma activa, seja de forma passiva. Curiosamente estes mesmos interesses continuam a ser intocáveis...
Pessoalmente há algo que me choca e me revolta. Gastam-se milhões e perdem-se vidas inocentes a proteger o investimento de particulares. Falo especificamente da monocultura do eucalipto. Sabendo que os eucaliptos servem apenas o propósito do lucro de particulares, porque será que têm de ser os bombeiros voluntários a arriscar a sua vida só para que algumas pessoas possam ganhar  uns milhares de euros? Outras espécies, servem outros propósitos que não o do lucro puro e duro, daí ser normal proteger a floresta portuguesa, no entanto as monoculturas não são floresta e, na minha opinião, deveriam ter tratamento diferenciado. Quem quisesse plantar eucaliptos deveria ser o único responsável pela sua protecção no Verão, pagando para isso. Não deveria ser o contribuinte a pagar para defender a monocultura do eucalipto. Deveria ser criado um imposto que servisse para pagar a defesa desta monocultura, pago obviamente por quem quisesse plantar eucaliptos. A minha vontade em apagar fogo depende em primeiro lugar da espécie que está a ser afectada. Sendo espécies autóctones, estas terão toda a minha atenção, todo o meu esforço e a minha dedicação. Não tenho qualquer problema em, de forma racional, arriscar a vida a defender a floresta portuguesa. Quanto ao eucalipto, os donos deles que arrisquem a sua vida, que gastem as suas energias, que passem fome, que sintam frio, calor, que façam muitas directas, que tenham dificuldades em respirar todo o tipo de gases a proteger o seu investimento predatório. Neste caso é literalmente fazer o bem, olhando a quem.
Nas próximas semanas, se virem alguma borralheira, denunciem! Se virem algo suspeito, relatem às autoridades! Acima de tudo, não facilitem! E se puderem, ajudem quem vos ajuda! E, claro, limpem os terrenos e limpem em redor de vossas casas. Caso tenham vizinhos teimosos, denunciem à SEPNA, pois podem fazer uma denúncia de forma anónima, caso assim o entendam.
Se já sabemos há muito tempo como acabar com este drama, porque continuamos a insistir em medidas de cosmética?! Enquanto não ganharmos coragem, o cenário continuará a ser o mesmo, ano após ano, sendo que quem mais manda será o S. Pedro e a sua bexiga...

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