segunda-feira, 27 de abril de 2009

Uma questão de mobilidade numa sede de concelho da região de Sicó

Todos nós já ouvimos falar acerca da questão da mobilidade urbana, directa ou indirectamente, nem que seja devido ao já mais do que conhecido dia sem carros um pouco por todas as cidades da Europa e de Portugal também (em Setembro). Se calhar muitos de vós pensam que este não é um assunto relevante aqui na região de Sicó, mas….
Após ter pensado numa forma efectiva de avaliar (muito sucitamente) esta questão da mobilidade aqui na região de Sicó, decidi fazer algo de concreto de forma a mostrar-vos o quanto problemática é esta questão, mesmo numa região onde o carro, regra geral, é realmente preciso, já que não vivemos numa dita metrópole (felizmente...), e por isso as coisas são bem diferentes. Há várias formas de fazer algo acerca desta questão, isto de forma a compreendermos a necessidade de melhorar as coisas, mesmo parecendo que tudo está bem…
Já tinha idealizado a questão, mas sinceramente ainda não tinha experimentado algo de simples e que me surpreendeu mesmo a mim próprio, que estou ligado a estas coisas do ambiente e património. Por isso meti mãos à obra e aqui vai:
- Pensei numa sede de concelho aqui da região de Sicó. Pensei também em pessoas que conheço e nos seus trajectos para o emprego, além do tipo de combustível que utilizam nos seus veículos. Escolhi cerca de 10 pessoas e coloquei os seus trajectos num Sistema de Informação Geográfica (SIG), podendo assim calcular as distâncias efectuadas por cada uma destas pessoas (e sabendo que são pelo menos 15 pessoas a fazer estes mesmos trajectos), isto apenas com o intuito de colocar em termos numéricos estes valores e com isso ter uma ideia do seu impacto e da real situação destas e de outras pessoas face à mobilidade “urbana”. Por uma questão de respeito pela privacidade das pessoas em causa não as vou identificar, quero apenas que vejam o real estado das coisas aqui na região nesta temática.

Os resultados foram muito maus, já que é inaceitável que pessoas várias, algumas com formação superior (e não inteligência superior), por uma questão de comodismo e exibicionismo peguem no carro e façam apenas 1 ou 2 km diários para ir e vir para o trabalho, agravando o facto de muitos dos veículos serem a gasóleo, os quais em trajectos curtos poluem bem mais…
Os traços que vêm na figura são os trajectos efectuados e na tabela excell constam os percursos e os combustíveis utilizados, basta analisar e ver para percepcionar o quanto grave são os resultados. Em jeito de crítica construtiva, estas pessoas deviam pagar 5 euros ou mais por litro de combustível! Em jeito de crítica de pouco construtiva, estas pessoas deviam ser proibidas, regra geral, de fazer estes trajectos de carro!
Para quem vive longe do trabalho compreendo que tenha de utilizar o carro, já que a nossa região assim o obriga, mas e para quem vive nos principais núcleos urbanos (como são as sedes de concelho)? Será que tem alguma lógica para pequenos trajectos pegarem no carro em vez de andarem breves minutos a pé? (à excepção de pessoas com alguma dificuldade motora, que por acaso uma está representada neste estudo - mas que tem problemas apenas à alguns anos).
Quanto a mim a grande questão deve-se ao facto de o carro ainda ser visto como estatuto, mas, regra geral, desenganem-se as pessoas que fazem como o/as que fazem estes pequenos trajectos e poluem de forma desnecessária, já que além de ser apenas um rótulo de preguiçoso/a, será cada vez mais como que um rótulo de indivíduo com capacidade cognitiva reduzida. Estas pessoas prejudicam-se a si a nós todos, pois poluem o nosso ar evitadamente, “gastam” as estradas e com isso roubam os nossos impostos, os quais deviam ir para o que é realmente necessário. Além disso ainda surgem ideias ditas de desenvolvimento que consistem em gastar milhões a construir parques de estacionamento subterrâneo à porta do seu local de trabalho (é uma boca que, como ansianense tinha de mandar, não escapa…).




Neste pequeno estudo podemos encontrar pessoas com formações académicas variadas, desde 4ª classe até licenciados (erroneamente rotulados como doutores, pois a denominação correcta é Lic. e não Dr. …), por isso fica o aviso que é um problema transversal à sociedade…
Pensem agora todos vós (sejam ou não da região) em pessoas que conhecem e que sabem que vivem perto do local onde trabalham, façam o mesmo exercício que eu fiz (sem ser necessário grandes contas e SIG´s á mistura) e cheguem às vossas conclusões, surpreendidos?
Andem a pé ou de bicicleta sempre que possam, não tenham receio de vos verem como “coitadinhos” e acima de tudo sensibilizem aqueles que estiverem nesta situação (viver e trabalhar a pequenas distâncias), vocês hão de agradecer a vós próprios daqui a uns anos por isto mesmo…
Eu tenho todo o orgulho de andar a pé ou de bicicleta em trajectos curtos, dá-me saúde e prazer em andar devagar e sentir as coisas, poupo o ambiente e $$$, posso parar e falar com os amigos, não perco tempo a estacionar, etc, etc, etc. Além disto tudo lembrem-se que o estatuto é-nos reconhecido pelo nosso papel em prol da sociedade e não pelo facto de andarmos a exibirmo-nos com o popó, sabendo que, infelizmente, muitos tratam melhor os carros do que as mulheres e até conseguem passar mal só para poderem pagar a prestação de um carro de marca mais conhecida.
Enfim, coisas ridículas e que impedem que a região e o país ande para a frente…

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