segunda-feira, 12 de abril de 2010

A regionalização e a região de Sicó

É um tema fracturante para a sociedade portuguesa e a região de Sicó não escapa a esta questão tão complexa. Apesar de ser um tema quente, é algo necessário discutir abertamente sem nenhum tipo de estereótipo associado.
Lembro-me ainda de à poucos anos ter sido noticiado um crime, aqui na região, no qual um indivíduo assassinou outro porque este lhe teria cobiçado 1 metro de um terreno seu. É uma realidade perturbadora, ver este apego completamente exagerado a um mero limite de um terreno, não apenas por parte de uma pessoa, mas sim de toda uma sociedade.
Não digo que não devamos proteger o que é nosso, mas uma coisa é gostarmos do que é nosso, outra é por exemplo proibir que as pessoas possam passar num terreno nosso, obviamente sem estragar. Fico perplexo por vezes quando ando em áreas mais remotas desta região e há pessoas que muram os seus terrenos, com metro e meio de altura de blocos, como que se de um campo de diamantes fosse...
Tenho pena que os portugueses não vejam esta questão de um outro prisma, como acontece por exemplo na Noruega ou na Hungria, onde podemos andar livremente, sem estragar, nos campos a passear...
Este início de comentário é precisamente para verem como é complicada a questão da regionalização, se já temos problemas quando lidamos com limites de terrenos como poderá ser então com os limites administrativos, muitas vezes limites já seculares e enraizados nas gerações precedentes. Não é que isso seja propriamente mau, mas quando nos deparamos com exageros exacerbados (passe o pleonasmo) com ideias estereotipadas a conversa já é outra!
Foi já há 12 anos o célebre referendo sobre a regionalização em Portugal, na altura tinha os meus 20 anos e era contra a regionalização. Os anos passaram e a minha opinião evoluiu, especialmente tendo em conta a minha formação profissional, agora tenho uma opinião fundamentada e uma mentalidade mais aberta, grande parte devido à abertura de horizontes promovida por alguma experiência de vida, tanto no contexto pessoal tanto no contexto profissional. As viagens que fiz até agora ajudaram também a ser a pessoa que sou, a gostar ainda mais do país e da região em que passei a minha juventude, mas ao mesmo tempo de detestar mais a classe política que nos (des) governa e se governa bem a si própria.
Hoje compreendo que uma das razões para sermos um país "atrasado", estanto também a região de Sicó atrasada, é não termos tido regionalização. Será que por exemplo a região de Sicó, enquanto unidade geográfica, não seria melhor gerida no seu todo? Será que estamos melhor servidos com concelhos compartimentados, alguns com freguesias tão pequenas que não fazem sentido? Será que justifica mantermos lugares políticos para gerir áreas pequeníssimas, caso de algumas freguesias da região de Sicó?
Pessoalmente considero que não faz sentido e que a região de Sicó necessita da regionalização, obviamente discutida abertamente e não apenas por alguns parasitas que se servem da política para fazer a sua vida. Todos devem ser ouvidos, mesmo que as suas opiniões não façam sentido, há que ouvir tudo o todos.
Apesar de considerar a regionalização necessária, considero que não é com estes políticos que vamos lá, seria trágico promover uma regionalização "construída" por uma classe política corrupta e fraca, que promove uma política da capelinha em cada cantinho da região de Sicó. Será que faz algum sentido numa região homogénea promover tão diferentes políticas de (sub) desenvolvimento?
Esta é uma questão estruturante para a região de Sicó e para o país, voltarei brevemente a esta questão, para já queria apenas lançar o debate no azinheiragate. Vejo com bons olhos algum feedback que me queiram fazer, sejam residentes da região de Sicó ou não, sejam portugueses a viver lá fora ou não. Falar sobre outros países é sempre uma boa ideia para analisar esta problemática, obviamente que depois se terá de ter em conta as particularidades de cada país e o seu contexto histórico.
Lembrem-se que um limite administrativo é e sempre será efémero e superficial, já que os verdadeiros limites são os limites naturais, por mais complexos que sejam.....

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