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domingo, 23 de julho de 2017

20 000 euros de multa não chegam para aprender? Então vamos a mais uma ronda...


Há coisa de 1 ano denunciei uma plantação ilegal de eucaliptos, na Ribeira de Alcalamouque, Ansião, tendo sido apenas mais uma das várias que tenho vindo a denunciar ao longo dos últimos anos. Uns meses mais tarde ouvi dizer que o prevaricador alegadamente terá tido de pagar uma coima de 20 000 euros. Fiquei satisfeito, contudo apenas parcialmente, já que a situação original não foi reposta, tal como a lei obriga.
Eis que quase 1 ano depois o prevaricador volta à carta e faz mais um acrescento à plantação ilegal de eucaliptos. Ou seja, fez nova intervenção numa área adjacente à já intervencionada. Se compararem com a foto de há 1 ano, consegue-se ver que o sector central (no pequeno vale, ao centro) foi agora intervencionado. O prevaricador não pode alegar desconhecimento, tratando-se, na minha opinião, de uma atitude que demonstra má fé e um total desprezo pela lei.
De modo a premiar esta atitude, informo o prevaricador que brevemente receberá no conforto da sua casa uma carta com um prémio especial. Estou curioso saber de quanto será o prémio, especialmente sabendo que este prevaricador é reincidente. Espero sinceramente que o prémio seja maior desta vez, já que quando não se aprende a bem, aprende-se a muito bem!
E para os poucos que vão discordar com esta minha acção de denúncia, lembram-se de Pedrógão? Ilegalidades como esta contribuem decisivamente para a catástrofe...

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Não mói, mas mata!!


É um cenário infelizmente presente em qualquer um dos municípios da região de Sicó. É algo que não deveria acontecer, mas que, pasme-se, é a regra em vez da excepção. Tratam-se de duas estradas municipais que representam basicamente uma armadilha mortal em caso de incêndio florestal, tal como aquela onde faleceram algumas dezenas de pessoas aqui bem próximo. Não, não se trata de oportunismo, mas sim da continuação de algo que já faço há muitos anos, ou seja denunciar, alertar e debater algo de concreto e objectivo.
As entidades públicas conhecem esta realidade, contudo, e na prática, nada fazem. Será preciso voltar a ocorrer mais um desastre para que se metam mãos à obra e se faça uma faixa de contenção de cada um dos lados desta e de outras vias?
O lugar mais próximo destas duas vias fica situado a cerca de 300 metros e há mais 4 vias por onde as pessoas podem fugir em caso de incêndio, contudo, e lamentavelmente todas têm este aspecto, ou seja não há por onde fugir caso o incêndio seja muito rápido, tal como acontece nos incêndios em eucaliptal.
Vi um mapa presente num qualquer PDMFCI, para o período de 2017 a 2021 e constatei que esta área insere-se na categoria ""zona prioritária de dissuasão e fiscalização". Curioso, pois não vejo ali nada que configure dissuasão. Já a fiscalização, não me parece que, na prática, exista.
Já no mapa de perigosidade de incêndio florestal, estas duas áreas têm uma perigosidade muito alta e alta, tudo normal portanto. Quanto ao mapa de risco de incêndio, o cenário é o mesmo, risco muito alto e alto (nota-se bem que fizeram este mapa depois do último, já que o risco de incêndio não é "muito alta").
O que podemos fazer para mudar isto? É mais simples do que pensam. Em primeiro lugar basta deixar esse cantinho confortável, onde costumam ficar, mas apenas até que vos comece a tocar... Ultrapassada essa apatia e desresponsabilização, há uma coisa, que dá pelo nome de cidadania activa. Essa singela "coisa" possibilita-vos ir até à vossa câmara municipal ou até à vossa associação florestal denunciar estas situações. Uma queixa pode não fazer muita diferença, mas centenas de queixas já fazem mossa e ajudam a mitigar parte do problema. Pressionar com a ajuda das redes sociais também ajuda, tal como eu o bem sei.
E quando mais mortes voltarem a acontecer (infelizmente é inevitável, dado o cenário da eucaliptização...), todos aqueles que tiverem feito algo de concreto poderão estar de consciência mais tranquila, já que fizeram, na prática, algo para mudar o actual cenário. Algo tão simples como isto ajuda, de facto, a mitigar este cenário que ameaça a vida de pessoas.
E aproveitem para questionar todos o/as candidato/as às autárquicas sobre o que têm a propor para mitigar, de facto, este cenário. Este ano é pródigo para os pressionar...


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O erro assimilado com normalidade...


Era algo que estava na lista de espera dos comentários há vários meses. Com tanta acção na região de Sicó, é sempre difícil de gerir uma data exacta para abordar um determinado tema. Eis então que chegamos ao dia esperado.
Logo que detectei esta placa, pensei logo em incluí-la nos meus comentários, já que é matéria-prima para trabalhar no âmbito do azinheiragate. Conheço este local desde criança, daí ter ficado algo espantado com a falta de originalidade aquando da atribuição do nome desta rua. Não faltavam motivos para basear o nome de uma rua, contudo optou-se pelos "eucaliptos". Nunca escondi uma espécie de ódio que tenho pelos eucaliptos, já que estes têm representado um verdadeiro terrorista, que baseados numa fé pelo lucro rápido (caso não ardam...), têm desvirtuado também este território. A vegetação autóctone é arrasada, caso de carvalhos, azinheiras, medronheiros e afins, o solo vai à vida e surge o eucalipto, muitas vezes de forma ilegal. E mesmo quando denunciados, só se paga uma multa e os eucaliptos lá continuam. O eucalipto tem promovido um verdadeiro desordenamento do território e da floresta.
Claro que há espaço para o eucalipto, contudo, e tal como se costuma dizer, tudo o que é demais cheira mal. Urge voltar a plantar carvalhos, azinheiras, medronheiros e todo o tipo de vegetação autóctone. E depois começar a retirar dali rendimento. Sim, é possível, o problema é que o pessoal gosta de ganhar mais possível sem fazer nada e pensando apenas em si...

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Será que é preciso uma tragédia para abrirem os olhos?!


É uma imagem que eu considero bem ilustrativa da falta de ordenamento florestal na região de Sicó. É um local que conheço bem e que já cruzei centenas de vezes. Nos últimos 11 anos nada mudou, apenas se manteve a vontade do lóbi do eucalipto, já que cada metro de eucaliptal conta para a engorda do tipo foie gras.
As entidades públicas conhecem esta e outras situações. As Associações Florestais seguem-lhe o exemplo. Prefere-se olhar para o lado e assobiar, como se não fosse nada. Até ao dia...
O que vocês vêm na foto é precisamente o que não deveria acontecer. Será que é preciso morrer algum bombeiro ou popular naquele local para que a situação seja corrigida? Será que é mais importante não chatear os donos dos terrenos do que, mesmo compulsivamente, pegar na motosserra e criar a necessária faixa de protecção? E as ZIF´s, para que servem?! 
São ratoeiras como aquela que têm deixado um rasto de tragédias em Portugal, onde se inclui a região de Sicó. É o lóbi do eucalipto, associado à fome de dinheiro fácil, que tem contribuido para estas mesmas tragédias. É a política da treta que tem dado cobertura a situações como esta.
Muitos falam, mas raros são os consequentes. Muitos falam, mas poucos sujam as mãos. Muitos falam, mas muito poucos são os que tristemente arriscam a vida em vão, há que dizê-lo com frontalidade. Não há eucaliptos que compensem a perda de uma vida. Para bom entendedor...


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Dois anos depois do incêndio, surge o terrorista que ameaça a floresta de Sicó...



Duas imagens do mesmo local. Passaram dois anos desde que ocorreu um incêndio no local onde as fotografias foram por mim captadas. Dia 8 de Junho, ontem, voltei a passar no local e eis que me deparei com o triste e preocupante cenário. Apenas dois anos após o incêndio, eis que o terrorista do eucalipto já se estabeleceu no local, reivindicando mais um bocado de terra para uma ideologia também ela terrorista. Desta vez foi entre a Lagoa Parada e os Ramalhais. Acho curioso este facto, daí estar particularmente interessado em saber se o dito facto é legal. Que é curioso é... 
Acontece muitas vezes ocorrer um incêndio que acaba por dar jeito para limpezas de mato e afins, sem custo associado para o proprietário. Acontece muitas vezes que este azar transforma-se em sorte, já que assim fica caminho aberto para a eucaliptização. Não sei se este é o caso, mas é importante fazer este raciocínio para estimular a memória à face dos acontecimentos. Nuns casos será mesma essa a intenção, noutras será apenas uma "feliz" coincidência. Muitos continuam a plantar eucaliptos sem licença alguma, alguns têm azar e são denunciados. A ver vamos se este será um desses casos.
Brevemente irei dissertar sobre alguns estereótipos associados à floresta portuguesa, nomeadamente em área de Rede Natura 2000. Há fundos para manter a nossa bela RN2000, compensando assim os proprietários dos terrenos abençoados pela RN2000. Pena que as Câmaras Municipais da Região não informem devidamente os seus munícipes sobre estas oportunidades que não sendo aproveitadas, acabam por se perder. Porque não informam elas os seus munícipes sobre estas mais-valias? O Portugal 2020 tem dinheirinho para dar a quem quer...

domingo, 14 de setembro de 2014

A estratégia do bandido...



Muito recentemente soube, numa conversa casual, de algo que me chocou sobre todos os pontos de vista. É conhecido o gravíssimo problema que representa a eucaliptização deste país, onde a região de Sicó não escapa. É conhecida a minha posição contra este assassino da floresta portuguesa e contra o lóbi do eucalipto, monocultura que é como que um cancro, o qual tem consumido o país desde a década de 80 do século passado. Em vez de se curar este cancro, está-se a ajudar a espalhar o mesmo pelo que resta do país. A recente lei, que literalmente liberalizou a plantação de eucaliptos, foi a machadada final.
Desta vez soube algo que até a mim surpreendeu. Aqui, na região de Sicó, a estratégia passa por chegar ao pé das pessoas, e dizer-lhes que alguém pode limpar os seus terrenos, preparar os mesmos e plantar eucaliptos, tudo sem encargos. Mas não é tudo, é que depois a pessoa vende os eucaliptos a quem entender, o que significa que, no final, tudo se resume ao mesmo. Esta é uma abordagem que eu considero imoral sobre todos os pontos de vista. Ainda mais nesta altura de crise, onde muitas pessoas estão desesperadas, surgem os abutres do lóbi do eucalipto para infectar o que falta, para eliminar a floresta portuguesa e plantar de forma extensiva a porcaria da monocultura do eucalipto. Já só falta a introdução de eucaliptos geneticamente modificados, coisa que está por semanas nos EUA e no Brasil.
Como se não bastasse, ouvi da boca de um amigo meu, que trabalha a questão ambiental, que o eucalipto é a última salvação para muita gente, quando afinal é sim a sua perdição e a perdição de um país mergulhado numa crise de valores fundamentais. O eucalipto é parte do problema, não da solução!
As celuloses têm conseguido trabalhar bem a questão do marketing, que nem lavagem cerebral...
Portugal tem tudo a perder com o eucalipto, a começar pelo ordenamento do território. O eucalipto, este assassino de bombeiros, anda a explorar de forma vergonhosa um país vergado e rendido a interesses predatórios.
Uma coisa garanto às celuloses e aos proprietários dos eucaliptais, não irei arriscar minimamente a minha vida, a minha saúde e o meu tempo a proteger esta monocultura do fogo. Se estiver a arder irei apenas controlar. O que importa proteger é a floresta portuguesa, os bens dos portugueses e tudo o que este país tem de melhor, o eucalipto é conversa!

Fonte: http://wrm.org.uy/

terça-feira, 10 de junho de 2014

O crime da liberalização do eucalipto: será que se deve continuar a apostar na defesa da monocultura contra os incêndios?


Não é a primeira vez que abordo aqui a questão da liberalização do eucalipto, contudo será a primeira vez que abordo esta questão de um ponto de vista diferenciado dos anteriores e, para alguns, de uma forma polémica. De modo a evitar confusões, afirmo desde já que todos os incêndios devem ser combatidos, embora de forma diferenciada, pois os riscos são maiores nuns casos e menores noutros.
Estamos a chegar ao início de uma época onde, ano após ano, se repete o mesmo cenário. As televisões gostam muito da festa pirómana e muitos portugueses parece que também. Chegados ao final do Verão, as mesmas palavras de circunstância e, tristemente, vidas ceifadas pelas chamas e bens perdidos.
Para acabar com este drama, ou pelo menos minorar grandemente o mesmo, é necessário tomar medidas bastante incisivas e abrangentes, mas ninguém parece ter coragem para pegar o touro pelos cornos e acabar de vez com a anormalidade pirómana de Portugal, a qual é encarada como que se de uma fatalidade se tratasse. Os tecnocratas que nos (des)governam, em vez de ordenarem o território, mitigando a fundo a questão, ignoram a mesma, pois isso é na prática o que acontece. O mesmo já não acontece com leis que potenciam grandemente a tragédia, como a da liberalização do eucalipto.
Reparem a primeira foto. Á primeira vista é um terreno agrícola, o qual o dono sabiamente limpou e cuidou das oliveiras. Contudo, se prestarem mais atenção, verão que onde deviam estar favas ou afins, estão eucaliptos. Fiquei revoltado quando me deparei com esta situação, há poucos dias, num recanto esquecido em Ansião. Apeteceu-me saltar a rede e arrancar um a um daqueles invasores. Não compreendo como isto é possível, no entanto, acaba por ser normal, pois além de estarmos a ser governados por um bando de garotos e pais destes, estes ainda metem nos organismos que "gerem" o ambiente, garotos tecnocratas que antes de ali trabalharem, eram altos quadros das celuloses (facto) e não sabem o que é ter calos nas mãos. Mas não só.
Mas não é tanto disto que pretendo falar, é sim de uma outra situação. A segunda foto é de uma área onde quem manda é a monocultura do eucalipto e onde outrora existia floresta. Quem planta eucaliptos pretende apenas uma coisa, lucro, custe o que custar. Nada de benefícios para a sociedade. As externalidades positivas ($), essas, quando existem, vão apenas para quem planta os eucaliptos. Já as externalidades negativas, essas são totalmente assumidas por toda a sociedade, a qual não tem culpa no cartório. Fará sentido este cenário?!
Ou seja, acaba-se com a floresta, a qual possibilita toda uma série de serviços ambientais à sociedade e planta-se uma monocultura que além de não possibilitar serviços ambientais, degrada fortemente o ecossistema. Água já fostes, solos nem vê-los e por aí adiante. Quem planta eucaliptos está a roubar toda uma sociedade e a onerar a mesma por várias gerações. E não vou falar do roubo dos serviços ambientais, isso fica para mais tarde. Vou falar sim de outra questão. 
Havendo milhares de Bombeiros Voluntários em Portugal (cada vez menos...), os quais ajudam heroicamente a proteger a nossa floresta (bem da sociedade), faz algum sentido obrigar os mesmos a proteger a monocultura do eucalipto? (que não é floresta!) Não será que esta é uma função que deveria ser proporcionada exclusivamente por quem planta os eucaliptos? Porque não obrigar quem tem eucaliptal a pagar seguros de risco? Porque não obrigar a quem tem eucaliptal a pagar a equipas de combate a incêndio (que não bombeiros voluntários) para proteger o seu investimento? Porque têm os portugueses de pagar do seu bolso o investimento de pessoas que apenas querem ganhar dinheiro com o eucalipto? Porque tem o país de se subjugar às celuloses? PIB? O PIB seria bem mais favorável se tivéssemos um país devidamente ordenado...
Muitos dos acidentes que têm ocorrido nos últimos anos nos grandes incêndios florestais, concretamente com mortes de Bombeiros, ocorreram em área de eucaliptal. Isto não é coincidência. E não me venham falar no problema que é o minifúndio, pois esse é afinal o último guardião das virtudes do mundo rural face aos interesses económicos predatórios, que desvirtuam tudo o que podem em prol de um pseudo desenvolvimento.
Por isso o meu apelo aos Bombeiros Voluntários é simples, nada de arriscar por conta dos eucaliptos, controlem apenas. Quem os plantou que arrisque a sua vida, o seu tempo livre e a sua saúde. 
A factura do combate dos incêndios em áreas de monocultura deveria ir apenas para o donos destas culturas, mas infelizmente quem paga é o zé povinho (diga-se, algum com culpa no cartório...).
Devemos sim defender a floresta, pois essa é que é realmente importante para a sociedade. Com espécies autóctones o risco é diminuto e nem sequer é preciso arriscar, pois nesses casos é fácil prever o comportamento do fogo. A floresta fornece-nos um conjunto de serviços ambientais, dos quais dependemos a vários níveis. 
A monocultura não tem nada para nos oferecer, apenas para roubar!


Apenas uma coisa é certa este ano, se o calor realmente vier em força nos próximos 3/4 meses, o ano será dos mais trágicos...

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Do céu ao inferno...

Fonte: http://sigma2.cm-ansiao.pt/

Estava a ser um dia fantástico e o passeio de bicicleta já ia longo. Andava à caça de boas fotografias num roteiro pré-definido, no entanto com margem para desvios. Só quando me estava a aproximar do local em causa, perto do Alvorge, é que me lembrei que aquele era dos locais mais fantásticos que conhecia na região de Sicó, dada a sua "especificidade cársica", um extraordinário sumidouro literalmente escondido por vários carvalhos, alguns centenários, e uma bela galeria ripícula, com exemplares também centenários. Era um cantinho do céu que tinha tido a oportunidade de conhecer ao pormenor há alguns anos, quando em espeleo prospecções tive a oportunidade de passar algumas horas no fundo daquele sumidouro. A descida era algo difícil, pois era um local bem guardado por vegetação dos estratos arbóreo e arbustivo. Simplesmente mágico.
Contudo não foi o céu que ali reencontrei, foi sim o inferno, pois uma mente brilhante achou que o melhor seria arrasar tudo aquilo (representado no ortofoto acima), cortando tudo o que por ali havia, atulhando parte do sumidouro e plantando, imagine-se eucaliptos. Tem inclusivamente eucaliptos plantados dentro do curso de água, que termina, à superfície, naquele enorme sumidouro. 
Confesso que foi algo que não estava à espera e que me revoltou profundamente, dada a gravidade do sucedido. Já solicitei a intervenção da SEPNA, de forma a que esta possa confirmar a ilegalidade de algumas das acções ali ocorridas. Naturalmente que haverá um "prémio" para quem perpetrou tal acção.
É realmente preocupante constatar que mesmo locais tão isolados e tão valiosos do ponto de vista do ecossistema, são afectados de forma tão gravosa, nada está a salvo e um dos grandes culpados é o eucalipto e a sua liberalização. Este é um dos casos onde fica bem expressa a infelicidade de uma lei que promove a destruição de valores naturais fundamentais em prol do lucro puro e duro, seja a que custo for. A evidente iliteracia cultural faz o resto.
Nos próximos dias irei destacar a questão da monocultura de uma forma algo polémica, mas que faço questão de abordar de uma forma completamente diferente do que muitos estão habituados...




quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O carrasco de Sicó: crónica de um invasor


Lembro-me bem da década de 80, altura em que o eucalipto começou a invadir um território que não era o seu. Lembro-me que foi nessa altura que extensas áreas de pinheiro arderam, dando lugar a este invasor. Passaram mais de 3 décadas e, também na região de Sicó, este invasor ganhou uma posição perigosa, destruindo com isso extensas áreas de floresta. Lembro os menos informados que uma área de eucaliptal não é floresta, é sim monocultura, facto que faz toda a diferença. Pinheiros, carvalhos, azinheiras, sobreiros, medronheiros, todos estes foram gravemente afectados com isso, obviamente em diferentes graus.
Foi também durante estas últimas décadas que muitos abandonaram ou esqueceram muitos terrenos, os quais antigamente davam sempre rendimento e logo nas mais variadas formas. O gado que pastava por muitos dos terrenos foi também esvanecendo. Toda uma forma de estar neste território foi violentamente afectada em poucos anos. O ordenamento do território foi igualmente esquecido, o que tendo em conta que este é crucial para o desenvolvimento do território, torna-se altamente problemático. 
Tudo isto e muito mais contribuiu para que o comité de boas vindas recebesse com imenso calor este invasor que dá pelo nome de eucalipto. Muitos que deixaram de ligar aos seus terrenos, lembraram-se que seria bom mandar lá uma máquina para preparar o terreno para meter eucaliptos, esquecendo que que isso teria consequências a vários níveis. 
A paisagem começou a transformar-se, o que por si mesmo não é mau, o problema é que dantes a paisagem transformou-se de modo a termos aqui um modo de vida sustentável e agora esta transformou-se para o pessoal plantar eucaliptos e mais nada. Obviamente quando assim é, as coisas só podem correr mal.
O eucalipto é, para mim, desde alguns anos atrás, uma árvore non grata, a qual serve apenas um propósito, a pura ganância de alguns e o interesse económico das celuloses. Alguns ganham uns trocos, mas todos perdem muito mais. Pessoalmente considero que o eucalipto devia pagar um imposto elevado, pois sendo este meramente para o ganho financeiro, é justo que assim seja. Outras árvores, caso do carvalho, oliveira, nogueira ou outros mais, servem vários propósitos e não apenas um, é essa a minha justificação.
Curioso que várias pessoas, na ânsia de ganhar dinheiro, não têm ganho nenhum, pois os seus eucaliptais ardem regularmente...
Curioso ver outras pessoas, (mal) mascaradas de "ambientalistas", são acérrimas defensoras do eucalipto, quiçá por trabalharem com as celuloses. Meros mercenários pintados de verde cor de alface.
O eucalipto tem sido um dos carrascos da região de Sicó e mesmo assim continuamos a insistir em plantar. Vejo pessoas que sabem das consequências negativas de plantar eucaliptos, em áreas sem apetência para isso, e que estão-se a marimbar, pois só vêm dinheiro à frente, só vêm o seu interesse primeiro, esquecendo-se que vivem em comunidade e que o egoísmo não dá bom resultado. Há também aqueles que plantam eucaliptos dentro do perímetro de protecção de nascentes e depois, como se diz na gíria, mamam a bucha, com a bela multa. A água é um bem precioso, portanto tem de ser bem protegida!
Eu vejo uma tragédia onde plantam eucaliptos, pois basta olhar com atenção para perceber isto mesmo. Não é fácil, pois exige algum conhecimento e, acima de tudo, atenção, mas é possível. A introdução deste invasor num mosaico florestal altamente fragmentado é algo de trágico e que potencia, em termos de velocidade e perigosidade, os incêndios e as suas consequências. Lembram-se daquele incêndio de 2012, Pombal-Ourém? Sim, esse mesmo, que consumiu uns 6000 hectares. Se não houvesse tanto eucalipto por ali, as consequências teriam sido outras. O eucalipto ali é rei, portanto essa conversa do mato limpo, aqui, não colhe. O eucalipto representa risco de incêndio muito superior, especialmente em áreas de minifúndio, como é o nosso caso. É perigoso para todos, especialmente para aqueles que têm de o apagar. Eu pessoalmente pouco arrisco quando estão eucaliptos a arder. Os donos que arrisquem, pois o lucro é deles e a vida é minha. 
Por esta altura o pessoa já esqueceu os incêndios, para o ano há mais, no entanto parte significativa das consequências ocorre agora, caso do arrastamento e consequente perda de solo. Isto onde o há, pois há pessoal que o planta seja onde for.
O comité de boas vindas, que continua a receber todos os anos o eucalipto, deve estar confuso, é que o calor vem todo do eucalipto...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Falar de incêndios florestais no... Inverno!


Muitos só falam desta questão literalmente no calor do Verão, época em que parece que nasce um especialista por cada árvore existente na região. Dito de outra forma, todos falam, mas poucos sabem do que falam. Os que efectivamente sabem da coisa, raras vezes são ouvidos. 
Obviamente que também há aqueles que pensam que sabem, mas isso já é tema para outras conversas, fora da esfera pública...
Perguntarão alguns porque carga de água estou eu a falar de incêndios florestais em pleno Inverno, ao que eu respondo que é precisamente agora, com calma e ponderação, que se deve falar dos mesmos.
A melhor forma de combater os incêndios é prevenindo-os e isso faz-se fundamentalmente no Outono e no Inverno. Faz-se também (e fundamentalmente...) ordenando o território, mas isso é coisa que não dá votos e poucos, como eu, querem saber desta questão que vai consumindo Portugal, ano após ano.
A maior parte de nós lembra-se dos incêndios florestais apenas no Verão, especialmente se este estiver a chamuscar alguma propriedade nossa. Nessa altura todos se lembram dos bombeiros, uns de forma sã, outros nem por isso. Os que se lembram dos bombeiros de forma nada sã, são precisamente aqueles que não limpam os seus terrenos e, quando a coisa aperta, pensam que os bombeiros são omnipresentes e que se multiplicam como pão... Isto já para não falar daqueles que ameaçam que dão um tiro aos bombeiros, ou que os malham, tristes figuras (frequentes...) que se vêm neste Portugal e nesta região, digo eu...
Lembrei-me de falar nesta questão, a propósito de uma situação que vivi no último Verão, precisamente no local que as fotografias ilustram, um fundo de vale, plano. Ao chegar a este local, logo que entrei pelo terreno adentro, fiquei semi-enterrado em estrume quase até aos joelhos, coisa que até então nunca me tinha acontecido. Neste fundo de vale, foram depositados, ao longo de vários anos, centenas de toneladas de estrume de aviários próximos, daí a espessura de estrume ser enorme e daí eu, e outros mais, termos ficado inicialmente em maus lençóis. Este estrume esteve dias em combustão, o que torna bastante desagradável ficar-se semi-enterrado ali mesmo, literalmente no calor do momento.
A área é muito significativa, daí ter ficado perplexo com este crime ambiental, com vários anos, que foi posto a descoberto por um incêndio, também ele criminoso, digo eu...
É curioso voltar ao local de um incêndio meses depois, pois dá-nos uma visão diferente daquela que já tínhamos tido e pode também inclusivamente permitir leituras interessantes de como as coisas estão agora. 
A leitura que fiz foi simples, a de que este incêndio foi muito bom para a expansão do eucalipto num determinado local, pois áreas que até então estavam livres de eucalipto, estão agora prontas a receber o invasor. Eram áreas que estavam cheias de mato cerrado, e que o incêndio, de forma miraculosa, conseguiu limpar, e logo de forma gratuita e sem trabalho algum. 
É certo que também arderam áreas de eucaliptal, mas ali já é costume. Para variar, os que ali têm terrenos, pelo menos aqueles que ainda se importam minimamente com eles, chegam sempre à mesma solução brilhante, plantar eucaliptos, pois parece que só há destas árvores em Portugal. Espécies nobres, essas parece que não existem. O que se quer é plantar eucaliptos, supostamente para ganhar dinheiro, no entanto não se tem ganho dinheiro algum, pois recorrentemente as mesmas áreas voltam a arder. É o que se chama de inteligência, esta gestão da coisa...
É um comentário algo simples, mas cheio de conteúdo. Resumindo então, resta-vos agora limpar os vossos terrenos, pois até ao Verão têm todo o tempo do mundo!


quarta-feira, 21 de abril de 2010

A eucaliptização da região de Sicó

Pode pensar-se que é uma questão ultrapassada tendo em conta que é um grave problema que teve início já há alguns anitos nesta região, mas agora o problema ganha novas dimensões.
Há algo que me preocupa bastante, pois basta dar umas voltas pelos recentes estradões florestais, abertos a regra e esquadro, para ver que este gesto mal pensado está apenas a abrir novas frentes na eucaliptização de alguns sectores da região de Sicó que até à pouco tempo estavam fechados demais para que alguns proprietários se sentissem tentados a plantar eucaliptos.
Preocupa-me seriamente que nada se tenha feito para mitigar este problema, mas parece que enquanto houver fundos a intenção é rasgar o máximo possível de estradões florestais que mais não servem para muitas pessoas irem depositar lixo nas bermas.... Sei de um caso até onde a abertura de um estradão florestal destruiu parte de uma estrada romana, algo que mostra a realidade de uma região onde existe ainda um rico património arqueológico, mesmo que alguns interesses façam questão que este património continue enterrado.
A fiscalização também não se vê, pois noutras áreas, já de plantio antigo, ultrapassa-se largamente as vezes que se pode plantar eucaliptos, ignorando-se esta questão que apenas afecta a biodiversidade da região de Sicó, onde parece que a monocultura do eucalipto é que é boa.
O tempo dirá como a situação irá evoluir, mas a minha perspectiva não é nada animadora, por mais que alguns a pintem como muito positiva...