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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Mudam-se os tempos, não muda a passividade...


Não é caso único, muito pelo contrário, contudo sempre que por ali passo olho para lá e, por vezes, paro novamente, de forma a reflectir mais um bocado sobre esta temática. Estar frente a frente com o objecto é uma das melhores formas de pensar as coisas.
Não, não vou dizer onde isto é, senão ainda corria o risco de algum chico-esperto dar com o que vêm nas fotos e subtrair dali alguns destes objectos de valor histórico.
A região de Sicó é pródiga em património e isso tem duas faces, ou seja, por um lado algum património preservado e classificado e, por outro, muito património ao abandono e totalmente desprotegido. Isto é um problema muito grave, contudo, e para a maior parte, é um problema sobre o qual além de não falarem, é uma questão sobre a qual não perdem tempo, já que o importante é tudo menos o que é realmente importante. A identidade da região é algo sobre o qual muitas pessoas não querem saber na prática, muito embora, e caso indagados sobre a questão, muito digam que é realmente importante.


Importa debater esta questão, a bem da nossa identidade. Muitos lugarejos desta bela região têm muito património ao abandono, restando saber a melhor forma de o preservar, caso obviamente haja interesse, bem como as melhores opções para a sua valorização. E quando falo de valorização não falo da típica (i)lógica circense que muitas vezes se vê na hora de tentar valorizar o património, mas sim de valorizar de forma integrada, aproveitando também para recuperar velhos hábitos e formas de estar e incluir os mesmos na actual vivência de cada um de nós. Sim, é possível, contudo há que saber trilhar o caminho, facto que é um dos crónicos problemas desta região.
Uma das primeiras formas de o fazer é começar pela base, ou seja por vós próprios, que vivem nesses lugarejos ou que têm algum tipo de ligação aos mesmos. Há que pensar soluções, ousar, debater ideias e tentar fazer nascer algo de inovador. É assim que se faz noutros países, noutras regiões e noutros lugarejos. O que os diferencia de nós e deste abandono? A atitude pró-activa!


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Paisagens sonoras de Sicó


Já conhecia o lugar, no entanto fruto de uma passagem rápida. A vontade de voltar aquele lugar ficou, mais ainda porque é um lugar onde o tempo anda devagar e a qualidade de vida impera.
Uma das coisas que mais aprecio na região de Sicó é estar num qualquer lugar e não ouvir o barulho de um carro. Estar aqui e ouvir os sons rurais, e não de forma circense, é das coisas que mais aprecio. Daí que, ao deparar-me com este velho som, lembrei-me de registar o momento. Bem vindo às paisagens sonoras da região de Sicó! E o melhor é que há muitas e variadas paisagens!
Um conselho aqueles que quiserem visitar os muitos lugarejos da região de Sicó, deixem o carro à entrada dos mesmos e vão a pé, pois é assim que estimulam os sentidos...
Fartos da cidade? Bem vindos à região de Sicó!

Nota: não me esqueci de dizer que lugar é este. Posso apenas dizer que é em Penela...

domingo, 9 de agosto de 2015

Se colocar herbicida uma vez é mau, colocar duas vezes é bem pior...


Há uma diferença de 1 mês entre esta primeira fotografia e as seguintes. A primeira data de 3 de Junho, enquanto que a segunda data de 7 de Julho. Em comum têm o facto de ilustrarem a "sementeira" dos herbicidas, onde quem mais ordena é o glifosato, um componente cancerígeno que tem sido banido por países, municípios, juntas de freguesia, etc. Esta sementeira foi efectuada no mesmo local, por uma entidade pública e por uma empresa privada, algo de muito preocupante de se constatar. Avisos nem vê-los... Protecção, o que é isso? Ai a saúde pública...
E já agora, onde estavam as tais malvadas ervas na rotunda, esse bicho assassino que mata tantas abelhas? 


Seja na via pública, seja já no domínio privado, o que interessa é espalhar herbicida e mais herbicida, pois o desenvolvimento é isso mesmo, litros de herbicida sem fim é um bom indicador económico, que atenta o progresso que vemos actualmente na região. E se tiver glifosato melhor, pois assim o número de crianças com autismo aumentará e isso leva-nos aos níveis dos países mais desenvolvidos.


O que eu gostava é mesmo espalhar herbicida a torto a direito pelos passeios. Nem me preocupo com a saúde pública, pois isso é, para mim, secundário. Há que gastar herbicida.


E que fazer ao chegar à proximidade de um café? Simples, espalha-se mais herbicida. Nem o poço escapa, não vá ali crescer uma erva muito perigosa. As abelhas não interessam para nada, o que importa é matar as ervas malvadas.
E quando restar herbicida no tanque? Simples, vou ali a um esgoto e mando fora. Assim vai parar ao rio Nabão e a coisa fica resolvida.


Vamos acabar com atitudes pouco responsáveis à luz do conhecimento actual? Vamos pegar nas alternativas e resolver o problema sem que, para isso, a saúde pública, fique em risco? A Plataforma contra os herbicidas de Sicó está à vossa espera. Juntos seremos mais fortes!

sábado, 6 de agosto de 2011

Paradoxos do património


Fonte: Imobiliária ERA

Por mais esforço que faça, não consigo compreender como é possível uma região tão rica do ponto de vista patrimonial, como é o caso de Sicó, não aproveitar minimamente este património. Quando digo minimamente, digo-o porque o pouco que é aproveitado, muitas vezes mal, não representa sequer um milésimo do património aqui existente. Dito de outra forma, aproveita-se apenas uma ínfima parte de tudo o que existe, conhecido ou não, pois há muito património que se pretende enterrado, já que caso descoberto poderia estorvar casas e estradas...
Pego agora num caso bem sintomático disso mesmo, outro dia andei a pesquisar algum do património arquitectónico e mesmo histórico, que está à venda na região de Sicó, nos sites das imobiliárias mais conhecidas. Não foi preciso muito até me deparar com um edifício absolutamente fabuloso que está à venda. Sei que muitas vezes é complicado os donos conseguirem manter estes mesmos edifícios, já que isso envolve, algumas vezes, uma capacidade financeira que não está ao seu alcance, e obviamente não os posso condenar de alguma forma disso mesmo.
Dito isto, centro agora a questão no problema que quero destacar, o de que, por vezes, estes mesmos edifícios históricos, poderiam ser potenciados, ou seja, comprados por entidades públicas. Esta compra serviria para algo de muito simples, o alavancar (que bela palavra!) do turismo de qualidade, na região de Sicó. Através de dinheiros comunitários, poder-se-ia comprar quintas como esta, criando uma base muito forte, a qual não só possibilitaria a reconstrução destes edifícios, bem como a valorização do turismo regional.
No entanto isto não acontece, vejam sim o que poderá acontecer:


Isso mesmo, 21 moradias, numa zona "calma e agradável", com "vista panorâmica". Será este o destino que interessa à região? Será que as entidades públicas não servem para potenciar este património? Se está à venda porque não se compra? Não há dinheiro? Então se não há dinheiro porque se quer construir uma unidade hoteleira na Serra de Alvaiázere, em zona protegida? Será que os milhões pomposamente anunciados para este projecto não poderiam hipoteticamente utilizados para comprar esta ou outra quinta? Será que o actual dono/a não ficaria mais feliz por ver preservado este património, convertido numa unidade hoteleira de qualidade? Quiçá. E os 4 hectares, onde existem vestígios arqueológicos e até existe um sumidouro que basicamente representa uma área de infiltração máxima?
É esta crónica falta de visão que leva a que a região esteja na situação actual, nas ruas da amargura, pois património de valor não lhe falta, património que poderia ser a base fundamental do desenvolvimento da região de Sicó. Em vez disso queixam-se da desertificação...
Fazendo agora um à parte, eu até sei porque este género de situações acontecem, em Portugal, é que o que interessa a muitas pessoas, que estão á frente de entidades públicas, é o lucro pessoal, daí irem pelos caminhos que lhes permite ganhar muito (mesmo muito) dinheiro por fora, perdendo assim o património e ganhando assim as políticas do betão (e os bolsos de alguns). Por isso mesmo é que por vezes surgem projectos que não se compreende bem a razão de ser...