segunda-feira, 24 de março de 2014

2014 Ano Internacional da Agricultura Familiar



Agricultura familiar, é isso mesmo! Já por várias vezes abordei aqui a importância da agricultura na região de Sicó, no entanto faço questão de regularmente voltar à carga, pois este é um dos temas cruciais para esta região com potencial agrícola.
Quando falo em potencial agrícola, não falo obviamente daquela ideia parva de agricultura intensiva, a qual parte de "sementes" literalmente fabricadas por empresas como a Monsanto, Syngenta e afins. Falo sim de uma agricultura de qualidade, que utiliza sementes autóctones, que respeita os ciclos naturais e o recurso solo e que pode servir tanto como rendimento base, como rendimento extra para quem tem terrenos para cultivar. Falo também do belo olival que a região ainda vai tendo, o qual é bem melhor do que aqueles olivais extensivos e criados apenas numa lógica de lucro, não se importando com a bela paisagem. Sim, porque a oliveira é um dos sinais mais visíveis desta extraordinária paisagem cultural de Sicó. Relembro que esta região já foi a maior produtora de azeitona do país!
Sublinho mais uma vez a importância da agricultura familiar, a qual, especialmente nesta fase de ciclo económico das vacas esqueléticas, volta à ribalta e desperta novamente o interesse de quem se tinha quase esquecido dela. Há quem tenha memória curta. Sempre foi importante, mas quando o ciclo económico volta ao positivo, o pessoal começa a esquecer o básico, que de básico não tem nada, mas sim de fundamental. Para já, as mentalidades andam algo despertas e sensíveis para o tema.
Não há nada, mas mesmo nada, que se compare a irmos à nossa horta buscar os nossos produtos, sem químicos, sem ameaças e com toda a confiança. Não há nada que se compare a vermos o nosso alimento a crescer, regado muitas vezes com a água da chuva ou do poço, sabendo que quanto mais o acarinharmos, mais ele cresce. Depois, quando restam apenas os restos de comida, utilizando aqueles que as galinhas não comem, faz-se a compostagem e o ciclo recomeça, nada se perde. E aqueles ovos que as galinhas põem, aquele amarelinho que os ovos do supermercado não têm?! Bom, muito bom!
Cada um retira da terra aquilo que investe, na nossa horta não há intermediários para ficar com a fatia de leão.
A agricultura familiar é do mais precioso que temos, só tenho pena que muitos não se apercebam disso, que estes tenham pouca vontade de meter as mãos à terra, de sujar as mãos, enfim, de ter trabalho...
Na região temos uma outra vantagem, a qual está por potenciar. Falo, claro, da proximidade de duas cidades de média dimensão, caso de Coimbra e de Leiria, onde muitos poderiam fazer negócio com os excedentes, numa lógica de cooperativismo puro e duro, evitando os muitas vezes "chupistas" dos intermediários. Todos têm a ganhar com este potencial, seja em termos financeiros, seja em termos de qualidade alimentar!
Espero que este meu comentário consiga relembrar quem anda esquecido, alegrar quem não se esqueceu e vê que aqui há quem se importa, divulga e comenta, e sensibilizar algumas pessoas que estão á frente de entidades públicas ou privadas, pois eu sei que elas consultam o azinheiragate, o que naturalmente agradeço.
Agora que estamos na fase de meter as coisas à terra, há que pegar nas ferramentas e espalhar magia nas nossas hortas e pelos vários terrenos agrícolas. Não esquecer que há também que limpar alguns terrenos, que ao permanecerem limpos, previnem os incêndios. Se há imagem que não me esqueço todos os anos é a de ver na noite pela noite dentro centenas de oliveiras a arder no Verão, quando afinal muitas delas sobreviriam caso os terrenos estivessem minimamente limpos!
Finalizo com uma sugestão bem pertinente:
http://www.amap.pt/

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