sexta-feira, 28 de março de 2014

Quando a cabeça não tem juízo, o património é que paga...

Fonte: Câmara Municipal de Pombal

Já por mais de uma vez que aqui abordei a questão associada às obras no castelo de Pombal, no entanto, e muito sinceramente, pensei que não seria possível baixar ainda mais o "nível" das intervenções. Enquanto cidadão que pugna activamente pela protecção e conservação do património, estou chocado com mais esta novidade amarga.
Não é uma questão de opinião, tal como já li em alguns comentários do facebook, é sim uma questão relacionada com o desvirtuar de um monumento de enorme importância histórica. Se é bonito ou feio, isso sinceramente não me interessa (claro que é feio!), o que me interessa é que o que se vê ali é algo que perverte grandemente um monumento já com alguns séculos e isso é um facto, gostem ou não os incomodados com as críticas ao sucedido. Vivemos num sistema que ainda vai sendo democrático, portanto neste sistema existe algo denominado por liberdade de expressão, onde, entre outros, entra o direito à opinião e à crítica honesta, construtiva e, sempre que necessário, incisiva.
Pessoalmente considero que se trata de um verdadeiro atentado cultural, o qual inacreditavelmente foi permitido precisamente por quem mais deveria proteger o mesmo. Por mais que tente, não consigo compreender como é que é possível um cenário destes, mais ainda porque deveriam ser os especialistas a proteger este monumento, e não a dar o seu consentimento para abortos culturais, atentatórios da dignidade do monumento e da história de Pombal e de Portugal.
Agora satirizando, mais parece que foi a Lili Cabeças que deu o seu aval a esta obra. Assim sendo, sugiro que a próxima edição da casa dos degredos se faça por ali. Como complemento poderiam convidar para provedor do castelo de Pombal a figura do José Castelo Branco, pois era a cereja em cima do bolo, ou um mimo, como se costuma dizer por aí.
"Voltando à Terra", posso dizer que sou um sortudo, na medida em que já viajei bastante, aprendendo muito com isso, no entanto sou ao mesmo tempo um azarado, já que é precisamente na minha região, riquíssima em termos patrimoniais, onde vejo alguns dos maiores atentados ao património cultural e natural. Nós não damos valor ao nosso património, temos uma ligação complicada com o património e essa é uma realidade cruel.
Espero, sinceramente, que os pombalenses se unam, de forma a retirar dali aquela ofensa ao património. Espero também que o edil pombalense pondere seriamente em corrigir este evidente erro histórico mais do que grosseiro, a bem da sua gestão autárquica, pois uma das responsabilidades do mesmo é pugnar pela preservação e conservação dos monumentos. Caso não o faça, poderá chumbar num teste decisivo, o da gestão do património. 
No que concerne ao azinheiragate, este faz questão em mostrar ao mundo acções que em nada dignificam o património. Quem se interessa por património e não se vende às ideologias políticas, sabe da gravidade do que se tem passado no Castelo de Pombal e na sua envolvência. A bem do património, divulgar, divulgar!

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