segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Moinhos de água de Sicó


Não sei quantos existem na região de Sicó, sei apenas que o cenário relativo a "99,9%" deles é o que a foto espelha, ou seja o abandono e a ruína. Conheço alguns e inclusivamente em criança brinquei num ou dois deles.
É certo que os tempos são outros, pois afinal a base que sustentava o funcionamento dos moinhos de água da região de Sicó, pura e simplesmente desapareceu. O modo de vida actual levou à extinção de um modo de vida típico e valoroso, mas será que devemos ficar passivos perante o desaparecimento de partes importantes da nossa identidade local e regional?
Recuperar o passado é uma das coisas mais valiosas que poderemos fazer, a bem do presente e do futuro. Não digo recuperar na lógica circense que muitas vezes se observa, digo recuperar na lógica de não deixar morrer uma identidade que a todos nos diz respeito. Não vejo um moinho de água simplesmente como um objecto, pois afinal este mesmo objecto é a face de algo maior, a evolução humana e tudo o que isso encerra em si mesmo.
Há que envolver esta juventude nestas questões. Não têm tempo? Ter têm, mas os valores que lhes foram incutidos levou a que muitos percam mais tempo em facebooks e afins do que naquilo que é realmente essencial, o viver o território e o património. As vantagens são evidentes, embora a maioria não se aperceba disso mesmo. A aprendizagem faz-se através do contacto com as coisas, e isso é realmente importante para toda uma juventude cada vez mais alicerçada no conhecimento supérfluo e, portanto, inconsequente.
Factos importantes a pensar, a bem de todos nós e na nossa identidade. Fica o desafio!

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