quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Arqueologia: um valor ainda subestimado na região de Sicó


A arqueologia é infelizmente um parente pobre das políticas de desenvolvimento "praticadas" na região de Sicó. É comum a arqueologia ser considerada um estorvo às políticas de desenvolvimento territorial, especialmente quando certas obras "tropeçam" em vestígios arqueológicos, momento em que se usualmente se ouve dizer que é uma chatice, ou então que azar...
Tudo isto acontece numa região riquíssima no domínio da arqueologia, o que é realmente estranho. Não seria normal valorizar-se este recurso e promover a escavação de locais onde a coisa promete? Não me refiro apenas às antas que as fotos dão conta (felizmente já escavadas e estudadas!), refiro-me sim a todo o imenso património arqueológico existente na região de Sicó. Isto poderia incluir também vestígios que "dormem" por debaixo de rotundas com grande volume de trânsito (é uma indirecta a gente da política que sabe, mas que preferiu construir por cima, já que era uma maçada se a coisa se soubesse...).
A prioridade é o betão e alcatrão, o resto vem depois. Há honrosas excepções, nomeadamente em Condeixa e em Penela. Outras excepções só não o são porque o betão estragou a coisa, quando em vez de se prosseguir a "coisa", decidiu-se promover o betão onde poderiam estar mais vestígios arqueológicos.
Nunca me hei de cansar de dizer que a região de Sicó tem muitas variáveis que poderiam realmente ter entrado na equação que é o desenvolvimento territorial, mas que afinal são altamente subestimadas e relegadas para nonagésimo plano. Ao invés, promove-se a entrada de variáveis estranhas à região de Sicó, enviezando todo o processo.
Outras regiões (em Portugal ou não...), que não têm a sorte de ter o imenso património que a região de Sicó tem, conseguem fazer muito mais com muito menos. Aqui, na região de Sicó, faz-se muito menos com muito mais, porque será? Eu sei, mas deixo a dúvida para todos vós.
Pode parecer, para alguns, estranho, eu ser tão crítico, mas isso é simples de responder, pois afinal a crítica que faço tem em vista apenas e só o devido reconhecimento do nosso património. Muitas vezes é preciso ser-se incisivo para que as mentalidades se mexam, daí eu ser forte na crítica. 
A quem não liga muito à temática da arqueologia, dou a sugestão de pesquisarem um bocado, pois tenho a certeza que vão ficar maravilhados com o que existe na região de Sicó. E quando digo pesquisarem, não é nas entidades oficiais, é sim sobretudo naqueles eu denomino como os anciãos do património. Descobri-los dá trabalho, mas vale mesmo a pena!
Em 2011 cheguei a convidar alguém, ligado à arqueologia, para dar aqui um contributo sobre a temática, no entanto não foi aceite o convite. Até compreendo a recusa, já que na região de Sicó falar sobre certas questões pode afigurar-se como um verdadeiro problema que directa ou indirectamente pode levantar problemas a nível profissional e/ou pessoal. Tendo em conta isto mesmo, irei tentar dar mais protagonismo à temática da arqueologia da região de Sicó, já que apesar de já por algumas vezes ter falado nesta questão, isso foi claramente insuficiente tendo em conta a riqueza patrimonial desta nossa região.

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