sábado, 6 de agosto de 2011

Paradoxos do património


Fonte: Imobiliária ERA

Por mais esforço que faça, não consigo compreender como é possível uma região tão rica do ponto de vista patrimonial, como é o caso de Sicó, não aproveitar minimamente este património. Quando digo minimamente, digo-o porque o pouco que é aproveitado, muitas vezes mal, não representa sequer um milésimo do património aqui existente. Dito de outra forma, aproveita-se apenas uma ínfima parte de tudo o que existe, conhecido ou não, pois há muito património que se pretende enterrado, já que caso descoberto poderia estorvar casas e estradas...
Pego agora num caso bem sintomático disso mesmo, outro dia andei a pesquisar algum do património arquitectónico e mesmo histórico, que está à venda na região de Sicó, nos sites das imobiliárias mais conhecidas. Não foi preciso muito até me deparar com um edifício absolutamente fabuloso que está à venda. Sei que muitas vezes é complicado os donos conseguirem manter estes mesmos edifícios, já que isso envolve, algumas vezes, uma capacidade financeira que não está ao seu alcance, e obviamente não os posso condenar de alguma forma disso mesmo.
Dito isto, centro agora a questão no problema que quero destacar, o de que, por vezes, estes mesmos edifícios históricos, poderiam ser potenciados, ou seja, comprados por entidades públicas. Esta compra serviria para algo de muito simples, o alavancar (que bela palavra!) do turismo de qualidade, na região de Sicó. Através de dinheiros comunitários, poder-se-ia comprar quintas como esta, criando uma base muito forte, a qual não só possibilitaria a reconstrução destes edifícios, bem como a valorização do turismo regional.
No entanto isto não acontece, vejam sim o que poderá acontecer:


Isso mesmo, 21 moradias, numa zona "calma e agradável", com "vista panorâmica". Será este o destino que interessa à região? Será que as entidades públicas não servem para potenciar este património? Se está à venda porque não se compra? Não há dinheiro? Então se não há dinheiro porque se quer construir uma unidade hoteleira na Serra de Alvaiázere, em zona protegida? Será que os milhões pomposamente anunciados para este projecto não poderiam hipoteticamente utilizados para comprar esta ou outra quinta? Será que o actual dono/a não ficaria mais feliz por ver preservado este património, convertido numa unidade hoteleira de qualidade? Quiçá. E os 4 hectares, onde existem vestígios arqueológicos e até existe um sumidouro que basicamente representa uma área de infiltração máxima?
É esta crónica falta de visão que leva a que a região esteja na situação actual, nas ruas da amargura, pois património de valor não lhe falta, património que poderia ser a base fundamental do desenvolvimento da região de Sicó. Em vez disso queixam-se da desertificação...
Fazendo agora um à parte, eu até sei porque este género de situações acontecem, em Portugal, é que o que interessa a muitas pessoas, que estão á frente de entidades públicas, é o lucro pessoal, daí irem pelos caminhos que lhes permite ganhar muito (mesmo muito) dinheiro por fora, perdendo assim o património e ganhando assim as políticas do betão (e os bolsos de alguns). Por isso mesmo é que por vezes surgem projectos que não se compreende bem a razão de ser...

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