quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Porque não deve o namoro parar...


Dezembro é um mês especial, não pelo natal, mera data transformada e pervertida pelos interesses económicos (compro, logo existo...), mas sim pelo facto de ser o culminar de mais um ano. É, portanto, uma época de reflexão. Pelo menos para mim.
Já estava cheio de vontade em falar sobre o tema que hoje quero aqui partilhar convosco. Não é um tema fácil, muito pelo contrário, no entanto é algo com o qual me tenho afeiçoado nos últimos anos. 
Enquanto escrevo este comentário, tenho ao meu lado duas revistas muito diferenciadas em termos de objectivos e conteúdos. A National Geographic, que "dispensa" palavras e a Smart Cities. Na National Geographic consta que no próximo mês uma das reportagens terá o título "Porque precisamos da natureza?". Promete...
Já na Smart Cities, publicação recente em Portugal, e de grande qualidade, tem um artigo que tem o título "Porque é que os nossos filhos devem aprender a programar", onde consta algo que me chamou a atenção. Logo no início é referido que "não saber programar é não saber a linguagem dos computadores, o que daqui a uns anos será o equivalente a ser analfabeto". 
Mas vamos por partes e comecemos pelo início. Hoje em dia debate-se muito a questão do futuro do planeta. Infelizmente este é um mau ponto de partida, mesmo que alguns de vós não percebam porquê. O ponto de partida deveria ser o futuro da espécie humana, a qual se distancia cada vez mais de algo do qual faz parte, a Natureza. Sim, parece incrível mas nós somos parte da Natureza, não há a Natureza e nós, nós somos parte de algo muito especial. 
O Ser humano tem um defeito que se tornou uma virtude, muito por culpa da economia predadora que vem assolando as últimas décadas, onde basicamente tem de se consumir mais e mais para podermos "evoluir". A economia consegue manipular quase tudo e quase todos. Há umas semanas, num colóquio onde apresentei algumas destas questões, tentei desmontar alguns estereótipos associados à economia. Reparem o absurdo que é este esquema, no qual "rabisquei" de forma a mostrar o quanto obtuso é:


O tal defeito que falava atrás é o facto de andarmos a perder a capacidade de entender o mundo em que vivemos e em vez de combater este facto, andarmos a tentar entender mundos em que não vivemos, realidades virtuais que não dispensam realidades concretas e objectivas. Complicado de entender? 
Pegando no que referi atrás, será que não saber programar é ser-se analfabeto? Obviamente, e contextualizando a coisa, até percebo o que o autor do artigo quer dizer, ainda mais porque está a defender "a sua dama", mas de que vale um miúdo ser alfabetizado nos computadores e ser analfabeto no tema que é mais importante, a Natureza? Contextualizem isto, pensem e depois sim, digam o que têm a dizer.
O cerne da questão é este, a Natureza! Cada vez mais temos dificuldade em interpretar a Natureza, a perceber o seu papel e tudo aquilo que ela nos proporciona. A geografia, a biologia e a geologia têm sido postas de lado nos currículos escolares, facto que é gravíssimo e, diga-se, muito vantajoso para alguns interesses económicos, que precisam de pessoas pouco informadas para poder vender produtos supérfluos.
Mas falemos de soluções. Antes de mais não há fórmulas mágicas. Antes de mais este é um problema que só conseguiremos resolver enquanto sociedade. Mas há soluções, umas mais complicadas e outras menos complicadas. Já vi propostas mirabulantes, já vi propostas que custam milhões. Mas há uma solução muito simples, a qual se adapta a todos e tem em conta as especificidades de todos.
Aqui entra a minha experiência e o meu humilde contributo para uma solução, o qual quero partilhar com todos.
A solução passa por vários gestos. Peguem nos vossos filhos e levem-nos para o monte, para o rio ou para a planície. Deixem-nos cansar-se ao subir o monte, molhar-se ao entrar no ribeiro e sujar-se ao pisar os terrenos enlameados da planície. Deixe-nos ouvir os sons, ver as cores, sentir os cheiros e contemplar tudo isto e muito mais. Deixem-nos ser curiosos e indagar pelos seus próprios meios. Deixem-nos sujar as mãos, deixem-nos subir às árvores e ver o mundo de uma outra forma. E façam-no de forma regular!
Podem pensar que isto não é importante, mas, garanto-vos, é essencial. Há quem, na altura de ter filhos se lembre de algumas destas coisas, mas rapidamente volta à rotina, perdendo-se assim um processo que só terá sucesso se feito de forma contínua e regular.
E uma outra coisa, aqueles documentários da BBC vida selvagem, são mesmo importantes. Uma das coisas que mais me transformou no que sou hoje em dia foi isto mesmo. Aprendi coisas fantásticas com pessoas extraordinárias (ex. David Attenborough; Jacques-Yves Cousteau; Jane Goodall). O contacto com o mundo natural, mais próximo à casa onde vivi a minha infância e juventude e os documentários feitos por estes génios foram parte importante da construção do meu eu. Daí, mas não só, a importância de artigos como o que referi que será publicado na National Geographic de Janeiro. E leiam livros, mas dos bons, daí eu de forma regular dar destaque a algumas das minhas leituras.
Para sermos uma sociedade com futuro, num planeta habitável como este, teremos e deveremos voltar ao início e isso passa por entender coisas simples como a importância do solo, das árvores, das aves, das rochas e de muito mais. 
Isto dava para continuar a escrever por muitos dias, mas, e para já, fico-me por este comentário. Agora vamos lá namorar a Natureza!

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