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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Pequenos pormenores que fazem toda a diferença do mundo...


Há uns tempos visitei certo lugar a convite de um amigo particularmente dedicado à preservação do património natural. É raro visitar um local onde exista a perspectiva a curto, médio e longo prazo, pelo menos em Portugal, onde o terreno comum é apenas visto como bom para construir e pouco mais. É raro em Portugal existir aquilo que ali vi.
Se vos perguntar o que vêm na foto dirão provavelmente que vêm um muro e um carvalho. Poucos serão os que verão, em primeiro lugar, a atenção dada ao carvalho, na medida em que o muro foi feito de modo a acomodar o carvalho (podia ter sido dado mais espaço...). No Portugal típico o que acontece é que tudo o que se mete à frente de um muro vai à vida, ou seja, no típico Portugal aquele carvalho teria sido cortado. Felizmente que ainda vai havendo quem seja sábio e utilize essa sabedoria em seu benefício e em benefício da sociedade.
Podem dizer que este comentário é demasiado simples, contudo eu discordo, já que mostra um pequeno pormenor que faz toda a diferença quando se fala em mudança de mentalidades, na consciência ambiental e numa forma racional de viver a vida, onde se compatibiliza o viver e o viver num território com especificidades e mais-valias fenomenais, Sicó!
Vamos mudar o paradigma?!


sábado, 9 de julho de 2016

Um momento daqueles especiais...


Apesar de ser um local que conheço como a palma das mãos, aconteceu algo de muito especial naquele local. Ia a caminhar no passeio ali ao lado quando, de repente, algo prendeu a minha atenção. Eram várias andorinhas que pousavam naquela poça, pensando eu, assim de repente, que seria para matarem a sede. Enganei-me, já que afinal bastaram poucos segundos para perceber que o que as andorinhas queriam era o belo do barro/lama para construirem os seus ninhos. Foi um momento de observação simplesmente fabuloso, mesmo para mim, que estou habituado a este tipo de momentos.
Imaginei-me logo a dar uma breve aula de educação ambiental a um grupo de miúdos, pois os graúdos não costumam ter paciência para estes "pormenores". Facto curioso foi que este momento especial foi em meio urbano. Nem sempre precisamos de sair da urbe para ver o mundo natural, muitas vezes basta apenas estar com atenção aquilo que nos rodeia
Curiosamente foi a escassos metros dali que em 2015 tive de avisar um amigo que destruir os ninhos de andorinhas em nidificação é proibido e dá multa, já que o tinha apanhado a destruir ninhos precisamente na época de nidificação das nossas amigas e mensageiras, as andorinhas.
Mensagens à parte, fica o desafio para miúdos e graúdos, quando sairem de casa, estejam atentos a tudo aquilo que vos rodeia. Depois de focarem a vossa atenção nos "pormenores", vão ver que o mundo é belo e surpreendente...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Porque não deve o namoro parar...


Dezembro é um mês especial, não pelo natal, mera data transformada e pervertida pelos interesses económicos (compro, logo existo...), mas sim pelo facto de ser o culminar de mais um ano. É, portanto, uma época de reflexão. Pelo menos para mim.
Já estava cheio de vontade em falar sobre o tema que hoje quero aqui partilhar convosco. Não é um tema fácil, muito pelo contrário, no entanto é algo com o qual me tenho afeiçoado nos últimos anos. 
Enquanto escrevo este comentário, tenho ao meu lado duas revistas muito diferenciadas em termos de objectivos e conteúdos. A National Geographic, que "dispensa" palavras e a Smart Cities. Na National Geographic consta que no próximo mês uma das reportagens terá o título "Porque precisamos da natureza?". Promete...
Já na Smart Cities, publicação recente em Portugal, e de grande qualidade, tem um artigo que tem o título "Porque é que os nossos filhos devem aprender a programar", onde consta algo que me chamou a atenção. Logo no início é referido que "não saber programar é não saber a linguagem dos computadores, o que daqui a uns anos será o equivalente a ser analfabeto". 
Mas vamos por partes e comecemos pelo início. Hoje em dia debate-se muito a questão do futuro do planeta. Infelizmente este é um mau ponto de partida, mesmo que alguns de vós não percebam porquê. O ponto de partida deveria ser o futuro da espécie humana, a qual se distancia cada vez mais de algo do qual faz parte, a Natureza. Sim, parece incrível mas nós somos parte da Natureza, não há a Natureza e nós, nós somos parte de algo muito especial. 
O Ser humano tem um defeito que se tornou uma virtude, muito por culpa da economia predadora que vem assolando as últimas décadas, onde basicamente tem de se consumir mais e mais para podermos "evoluir". A economia consegue manipular quase tudo e quase todos. Há umas semanas, num colóquio onde apresentei algumas destas questões, tentei desmontar alguns estereótipos associados à economia. Reparem o absurdo que é este esquema, no qual "rabisquei" de forma a mostrar o quanto obtuso é:


O tal defeito que falava atrás é o facto de andarmos a perder a capacidade de entender o mundo em que vivemos e em vez de combater este facto, andarmos a tentar entender mundos em que não vivemos, realidades virtuais que não dispensam realidades concretas e objectivas. Complicado de entender? 
Pegando no que referi atrás, será que não saber programar é ser-se analfabeto? Obviamente, e contextualizando a coisa, até percebo o que o autor do artigo quer dizer, ainda mais porque está a defender "a sua dama", mas de que vale um miúdo ser alfabetizado nos computadores e ser analfabeto no tema que é mais importante, a Natureza? Contextualizem isto, pensem e depois sim, digam o que têm a dizer.
O cerne da questão é este, a Natureza! Cada vez mais temos dificuldade em interpretar a Natureza, a perceber o seu papel e tudo aquilo que ela nos proporciona. A geografia, a biologia e a geologia têm sido postas de lado nos currículos escolares, facto que é gravíssimo e, diga-se, muito vantajoso para alguns interesses económicos, que precisam de pessoas pouco informadas para poder vender produtos supérfluos.
Mas falemos de soluções. Antes de mais não há fórmulas mágicas. Antes de mais este é um problema que só conseguiremos resolver enquanto sociedade. Mas há soluções, umas mais complicadas e outras menos complicadas. Já vi propostas mirabulantes, já vi propostas que custam milhões. Mas há uma solução muito simples, a qual se adapta a todos e tem em conta as especificidades de todos.
Aqui entra a minha experiência e o meu humilde contributo para uma solução, o qual quero partilhar com todos.
A solução passa por vários gestos. Peguem nos vossos filhos e levem-nos para o monte, para o rio ou para a planície. Deixem-nos cansar-se ao subir o monte, molhar-se ao entrar no ribeiro e sujar-se ao pisar os terrenos enlameados da planície. Deixe-nos ouvir os sons, ver as cores, sentir os cheiros e contemplar tudo isto e muito mais. Deixem-nos ser curiosos e indagar pelos seus próprios meios. Deixem-nos sujar as mãos, deixem-nos subir às árvores e ver o mundo de uma outra forma. E façam-no de forma regular!
Podem pensar que isto não é importante, mas, garanto-vos, é essencial. Há quem, na altura de ter filhos se lembre de algumas destas coisas, mas rapidamente volta à rotina, perdendo-se assim um processo que só terá sucesso se feito de forma contínua e regular.
E uma outra coisa, aqueles documentários da BBC vida selvagem, são mesmo importantes. Uma das coisas que mais me transformou no que sou hoje em dia foi isto mesmo. Aprendi coisas fantásticas com pessoas extraordinárias (ex. David Attenborough; Jacques-Yves Cousteau; Jane Goodall). O contacto com o mundo natural, mais próximo à casa onde vivi a minha infância e juventude e os documentários feitos por estes génios foram parte importante da construção do meu eu. Daí, mas não só, a importância de artigos como o que referi que será publicado na National Geographic de Janeiro. E leiam livros, mas dos bons, daí eu de forma regular dar destaque a algumas das minhas leituras.
Para sermos uma sociedade com futuro, num planeta habitável como este, teremos e deveremos voltar ao início e isso passa por entender coisas simples como a importância do solo, das árvores, das aves, das rochas e de muito mais. 
Isto dava para continuar a escrever por muitos dias, mas, e para já, fico-me por este comentário. Agora vamos lá namorar a Natureza!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Desencontros no CISED: Natureza quanto não custa?

Apesar de estar bem longe de Portugal, continuo, como sempre, atento às mais variadas questões associadas à região de Sicó, daí continuar a analisar alguns factos mais pertinentes que por ali se passam.
A questão que vou destacar agora, prende-se com uma iniciativa que já "mostrei" que tinha potencial, fazendo a respectiva referência num dos episódios d "Os gralhos". Falo sobre o aproveitamento do CISED, e, mais especificamente sobre os "Encontros no CISED",  encontros que deveriam ser pedagógicos.
A razão de ter utilizado a expressão "deviam ser pedagógicos", deve-se ao facto de ter notado que no último destes encontros (http://www.cm-penela.pt/noticias.php?idnoticia=996) alguns dos temas além de não terem sido pedagógicos, foram contraproducentes na forma como foram abordados.
O encontro teve como título "Natureza quanto custa?", algo que me preocupou, especialmente porque  tal como é dito num livro que já aqui referenciei, sobre economia ecológica (Daly e Farley, 2009), "a maioria dos economistas sabe o preço de tudo mas não sabe o valor de nada", genericamente falando. Não tenho nada contra os economistas enquanto pessoas, mas confesso que desgosto da maioria destes,  já que estes só pensam quase que apenas numa lógica, fria, de números, são poucos os economistas que, como Herman Daly e Joshua Farley têm uma ideia real do mundo em que vivemos e daquilo que é realmente necessário para o tornar melhor.
Uma das coisas que actualmente mais me preocupa é a mercantilização da Natureza, algo que mesmo podendo ter boas intenções, e quiçá sucesso, nas mãos de algumas pessoas, não o tem na mão de economistas (genericamente falando) e especialmemte políticos. O "verde" tornou-se num autêntico negócio, do qual o poder económico se apropriou, desvirtuando esta "onda verde" e pervertendo os seus objectivos, que seriam fundamentalmente associados à sustentabilidade. 
Basta ver o negócio das eólicas, o qual foi apropriado pelo poder económico, na ânsia de lucro fácil. O que interessa nas eólicas não é a energia alternativa, é sim o lucro alternativo, nem que para isso os portugueses sejam roubados na sua tarifa da electricidade todos os meses. Vende-se  a banha da cobra e depois os portugueses nem imaginam que são enganados, chegando-se ao cúmulo de se ter de pagar 200 milhões de euros à central de energia do Carregado por estar parada (devido às eólicas...), com o alto patrocínio do contribuinte português!
Pormenores à parte, vou agora ao que me interessa destacar sobre aquilo que foi falado neste encontro, isto na base do que está nos canais informativos próprios, caso do site da Câmara Municipal de Penela. Vou falar apenas de factos descritos nesta nota informativa, os quais mostram que muito vai mal no mundo científico e não científico.
Começo então com o equívoco da investigadora Cristina Rodrigues, quando esta aborda a questão das alterações climáticas, nomeadamente sobre o facto de se ter de travar as alterações climáticas. É errado que se deva sequer dizer que se deve travar as alterações climáticas, pois estas são um fenómeno natural e não antrópico, é um erro básico que muitos investigadores teimam repetir vez após vez, mesmo algumas associações ambientalistas costumam falhar nesta questão. A acção antrópica tem sim alguma influência no clima (diminuta no seu todo, mas suficiente para perturbar de alguma forma o sistema climático), facto inegável, agora confundir estes dois factos diferenciados é que já é um erro inaceitável, do meu ponto de vista, e que leva a um afastamento do cidadão nesta questão tão importante. Uma coisa são as alterações climáticas, outra é a influência que a acção antrópica tem na dinâmica atmosférica, é simples e não há que enganar.
As alterações climáticas têm concerteza uma influência crucial no modo de vida das civilizações, isso é o ponto fulcral, já que nos deveremos centrar no facto de não nos estarmos a preparar devidamente para as "alterações" que aí vêm e que já estão a afectar o nosso modo de vida, é aí que devemos centrar os esforços, o caso do solo é um bom exemplo dado por esta investigadora, havendo muitos outros casos, caso da biodiversidade, agricultura (antecipar as sementeiras, etc), poupança e eficiência energética, deixar o pópó em casa, etc, etc.
As alterações climáticas não são um problema em si, o problema é a perturbação antrópica, daí o equívoco, o qual tem reflexos negativos a nível pedagógico.
As políticas e estratégias de desenvolvimento rural devem ter na sua base as pessoas e não os interesses predatórios que guiam este nosso mundo, enquanto isso não acontecer de pouco vale falar em teorias (algumas boas, outras nem por isso) que genericamente nunca irão passar de utopias, pois o desenvolvimento do interior infelizmente depende de uma teia de parasitas que aproveitam a política nacional para moldarem o rumo do país à sua rede de interesses pessoais.
No caso do Professor da Universidade de Coimbra, Márcio Nobre, considero que o que este referiu relativamente à produção de biocombustíveis é incorrecto e representa uma ideia perigosa que infelizmente tem dado muitos problemas a nível mundial. Estes problemas centram-se fundamentalmente sobre o facto de ser mais interessante do ponto de vista económico produzir produtos agrícolas para servirem como biocombustível, já que a produção de alimentos não é tão importante para alguns "senhores do mundo" (interesses económicos). É mais importante ter combustível para os pópós de gente que não prescinde do automóvel do que alimentar a fome de muitos cidadãos de segunda, como infelizmente muitos portugueses e não portugueses são considerados (depois ainda entram os OGM na conversa, com a desculpa que é para matar a fome no mundo, tal como foi dito durante a fracassada revolução verde, há décadas atrás..).
Para poderem ver a problemática desta questão, deixo alguns links:

http://www.youtube.com/watch?v=t_Fw6y4T3Po



Mesmo podendo este docente não se referir explicitamente a produção de biocombustíveis no sentido que referi atrás, já que se refere aos resíduos, esta está implícita no seu discurso, algo que me preocupa enquanto cidadão e enquanto geógrafo. O seu estudo sobre a legislação parece-me muito interessante, no entanto nesta questão dos biocombustíveis entra uma questão ética que é muito complexa de gerir, quanto a mim impossível tendo em conta os reais interesses dos "senhores do mundo"...
A solução que este docente defende não é credível, sob vários pontos de vista, pois a biomassa (florestal por exemplo), essa deve ser aproveitada, entre outros, para a produção de energia eléctrica e não para combustíveis (as centrais de biomassa ainda não entraram em força porque os "senhores donos" consideram que têm de ser subsidiados ainda mais, com acontece com as eólicas, daí os projectos estarem em stand-by e só arrancarem quando os contribuintes forem delicadamente roubados mais uma vez pela classe política).
O desaproveitamento dos terrenos agrícolas tem uma história muito complexa, a qual "começa" basicamente com o êxodo rural, na década de 60 (Sec. XX) e "acaba" com as péssimas políticas que vêm o interior quase como uma área para lazer dos citadinos, uma área para espetarem eólicas em áreas protegidas, uma área para fazer barragens para os citadinos beberem, um recreio para meninos ricos brincarem quando se fartam do seu trabalho entre quatro paredes e pouco mais.  Daqui a algum tempo irei falar concretamente sobre as "interioridades", de forma a dar seguimento a este raciocínio.
Os terrenos agrícolas devem sim ser aproveitados para produzir alimentos e reduzir a importação de produtos alimentares, para isso há promover o regresso aos campos através de ideias inovadoras, fazendo aqueles que estão fartos das cidades apaixonarem-se pelo interior, o que não é assim tão difícil, muito pelo contrário. Vejam um exemplo conhecido: http://www.novospovoadores.pt/
Choca-me que esta visão tecnocrata sobre o mundo rural, que falo no penúltimo parágrafo, esteja a ganhar cada vez mais força, além de o interior ser desprezado, quase todo o seu património é igualmente desprezado e colocado para segundo plano, pois o que interessa não é realmente o que deveria interessar. O mundo rural não tem de ser o recreio dos citadinos (genericamente falando), o mundo rural não tem de ser despojado de todo o seu valor a favor dos jeitos e manias de alguns citadinos, onde o que interessa é ter o depósito do carro cheio e o resto é conversa. 
Sou muito crítico de ideias que não interessam ao mundo rural, no qual muitos autarcas só vêm a sua ideia de desenvolvimento, ignorando e/ou desprezando outros caminhos, tudo isto devido a versões estereotipadas de desenvolvimento regional.
Do que li acerca do que foi falado neste encontro, em Penela, fiquei ainda mais preocupado com o futuro, onde as soluções que curiosamente já existem, não interessam aos poderes instalados a nível nacional, o povo esse é que sofre na pele. Gostava sim de ter ouvido outro discurso...
As coisas são feitas do topo para a base, em vez da base para o topo, o que garantiria a sustentabilidade, daí o crónico insucesso das políticas territoriais em Portugal. O resultado está à vista...
Sobre o Paulo Magalhães, comprei há vários meses o seu livro (tendo também um link no azinheiragate), pois é excelente, o problema é que os interesses instalados comprometem excelentes ideias como as que estão expressas no seu livro.
A Natureza não tem preço, por mais que tentem tornar a Natureza vendável. Nós fazemos parte integrante da Natureza e ao tornarmos vendável a Natureza estamos basicamente a vendermo-nos nós próprios, o que obviamente não vai dar bom resultado...
Espero que num dos próximos encontros no CISED as coisas corram melhor. O CISED tem um bom potencial para este tipo de encontros, a Câmara Municipal de Penela já teve a inteligência de começar a aproveitar este mesmo potencial, no entanto neste encontro, a que faço referência, houve algumas falhas que deverão ser colmatadas, daí a minha crítica, construtiva, a alguns dos factos ali discutidos.
Espero, com este comentário, ter "espicaçado" as mentalidades de muitos de vós, promovendo assim uma reflexão profunda sobre questões tão importantes para quem vive no melhor sítio para se viver, fora das cidades!