terça-feira, 7 de junho de 2011

Conímbriga, um ícone patrimonial da região de Sicó

Outro dia, quando um grande amigo me facultou um link fabuloso sobre Conímbriga, link que desconhecia até então, apercebi-me novamente que há temas que, apesar de evidentes, não foram retratados, até agora, neste blog. A diversidade de temas é imensa e por vezes deixamos temas para depois, passando semanas ou meses sem que nos debrucemos sobre estes mesmos temas.
Hoje, prometi a mim mesmo não adiar mais um dos muitos temas que me apaixona, a bela Conímbriga, um dos maiores ícones do património da região de Sicó. Peço desculpa ainda não ter falado especificamente deste tema, é algo que não me perdoo dada a importância patrimonial de Conímbriga.
Já por várias vezes fui a Conímbriga, a última foi há coisa de 4 anos, antes mesmo de ter sido "inaugurado" o (novo) sector Sul das ruínas. Na altura tive essa possibilidade, de fazer uma visita pré-inaugural do sector então por abrir ao público, já que trabalhava ainda na Câmara Municipal de Alvaiázere, tendo sido feita uma visita para técnicos e vereadores das Câmaras Municipais da região.
Lembro-me das primeiras vezes em que visitei estas ruínas monumentais, já no longínquo tempo da escola. Naquela altura não ligava nada às questões patrimoniais, era criança e além disso não existia um ambiente propício ao "gosto pelo património", no entanto noto que mesmo assim era menos mau do que hoje em dia, pois o património hoje em dia é algo que perdeu muito do seu valor. 
Se repararmos bem o nosso património tem perdido valor, tem perdido algumas das suas referências e tem perdido substância, felizmente que não é o caso de Conímbriga. No entanto, noto que também em Conímbriga orbitam alguns parasitas que se aproveitam do nome de Conímbriga, pretendendo com isso benefício em termos de imagem e mesmo de proveito financeiro pessoal.
Outro facto que quero destacar, é que fico sempre impressionado, pela negativa, quando falo com alguns peregrinos do Caminho de Santiago, estrangeiros, e estes pura e simplesmente não imaginam que passam mesmo ao lado de Conímbriga, ou melhor nem sequer ouviram falar desta. Eu faço sempre questão de sugerir uma visita às ruínas de Conímbriga aqueles que passam pela região de Sicó.
Ora, sendo as ruínas de Conímbriga tão importantes como será possível tantas pessoas não saberem da existência das mesmas? A resposta é simples, falta de informação por parte de algumas entidades. Um dos muitos aspectos que não é nada benéfico para a região de Sicó é o facto de cada município pensar apenas em si, não promovendo o património em termos de região, fazendo-o, muitas vezes mal,  a nível local.
Obviamente que a Câmara Municipal de Condeixa faz o seu trabalho positivo de divulgação de Conímbriga, o problema é que as outras Câmaras Municipais ainda não se aperceberam que divulgar de alguma forma o património no seu todo, inclusivé os de outros municípios, é benéfico para todos. As políticas de capelinha não ajudam nada a que este problema seja mitigado, muito pelo contrário. Para agravar, a própria Associação de Desenvolvimento "Terras de Sicó" falha neste domínio, já que além de ser uma entidade politizada, por si mesmo já negativo, quanto a mim nunca mostrou competência para tomar um caminho de verdadeira associação de desenvolvimento.
Falta um espírito de visão integrada na região de Sicó, o que tem levado a que o vasto património da região de Sicó esteja a perder o seu valor, Conímbriga é uma honrosa excepção a este cenário negativo. O património é a nossa identidade, a qual interessa divulgar e com isso podendo retirar dividendo financeiro, sem desvirtuar, claro. A falta de estratégia tem feito a nossa identidade desaparecer a um ritmo muito elevado, promove-se a homogeneidade (vejam as obras de requalificação urbana...) e a vulgaridade. Se algum valor patrimonial estorva aos interesses predatórios, esse tem o destino traçado, é triste saber de muito património, caso de ruínas romanas, está e estará enterrado para sempre, perdendo-se de forma irrecuperável.
Lamento profundamente saber que em certos locais, onde se sabe da existência de ruínas romanas e/ou outras antigas, se construam urbanizações (facto), se construam estradas (facto) ou se deixem as mesmas enterradas (facto), já que não dão votos. É caricato ver por exemplo um autarca gastar dezenas ou centenas de milhares de euros em projectos sem nexo e por outro lado queixar-se que não há dinheiro para escavações, como infelizmente acontece em vários municípios da região de Sicó.
Mas os culpados não são só os autarcas, muito pelo contrário, são aqueles que em tempo de eleições querem é alcatrão e umas manilhas à porta e pouco mais. Enquando os cidadãos não pedirem património as coisas não mudam, portanto não se queixem apenas, reflictam e percebam que a situação do país é culpa nossa, somos passivos e desde há vários anos adoptámos uma forma de estar tipo "deixa andar".
Quem, como eu, não se resigna, é rotulado de "fundamentalista", "ácido" e mais umas quantas coisas que vou sabendo através das minhas várias fontes nos vários municípios da região de Sicó... 
Agora que já não há a desculpa da chuva, há muito património para visitar na região de Sicó, deixem a televisão desligada, deixem as playstations, deixem os cafés e bares e convidem os amigos para visitar o nosso património, a crise não é desculpa para se alhearem de algo que vos diz respeito. Para começar sugiro mais uma visita à bela Conímbriga, a qual depois de visualizada no link acima referenciado não será concerteza vista da mesma forma.

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