quinta-feira, 16 de junho de 2011

Ser empreendedor na região de Sicó

Marquei este tema, há semanas atrás, como um excelente tema para abordar no azinheiragate, isto depois de ter lido um interessante artigo no Jornal de Leiria (edição de 24 de Março), sobre empreendorismo. Decidi então que seria algo de muito pertinente de abordar, daí agora falar sobre algo que interessa a muitos de vós, o que vivem na região de Sicó e os que não vivem na região de Sicó. Penso que será também algo de interessante para os leitores portugueses que emigraram, ou mesmo para aqueles que nunca estiveram na região de Sicó, mas que acompanham o que por aqui se passa.
Criar o próprio emprego é sempre uma possibilidade, mas afinal os obstáculos são muitos, em primeiro lugar, como o tal artigo do Jornal de Leiria referenciava, o ambiente não é nada favorável para se ser empreendedor, a tradição cultural, familiar e o próprio mercado de trabalho não ajudam nada ao empreendorismo, seja na região de Sicó seja no próprio país. Além disto tudo, a própria iniciativa individual não é valorizada, vem aquela conversa do "estás maluco" ou do "joga mas é pelo seguro"...
Esta questão, no contexto do património faz todo o sentido, já que pessoalmente considero que a iniciativa individual seria a solução mais prática e com maior possibilidade de sucesso no potenciar do vasto património da região de Sicó. É, teoricamente (na prática também!) possível criar muitos postos de trabalho, baseados no aproveitamento da riqueza patrimonial, muito diversificada, aqui existente.
Na prática não é bem assim, pois existe uma teia de interesses muito bem implantada, que tem raízes muito profundas. Esta "teia" impede e/ou dificulta a iniciativa individual e privada, a qual caso não esteja associada de alguma forma a estes mesmos interesses não terá sequer hipóteses de sucesso. Tudo está feito à medida de certos interesses predatórios, os quais estrangulam à nascença grande parte dos potenciais empreendedores. 
Surgem poucos empreendedores individuais ou privados, não associados a esta "teia", e mesmo assim rapidamente ficam dependentes da "teia", ficando limitado o seu potencial de criatividade, já que têm de fazer as coisas segundo os interesses da "teia".
Podem alguns pensar que eu estou a falar na teoria, mas afinal isto é o que acontece na realidade, podendo eu falar até no meu caso pessoal, pois um dia também eu tentei ser empreendedor na região de Sicó.
Começando pelo meu caso, há pouco mais de 2 anos, desenvolvi uma ideia para a criação de uma empresa de geoturismo e marketing territorial, pois tinha o conhecimento necessário, a vontade de não estar dependente dos outros e o interesse de criar algo até então inexistente na região, de forma a aproveitar o potencial da bela região de Sicó. Cheguei a ter reuniões, quer com o IEFP e com um autarca  que apesar de poder discordar de algumas das minhas posições, tem a capacidade de mo dizer na cara, ao contrário de outros. Tive toda a papelada pronta para entregar, seja ao IEFP seja para me candidatar a fundos comunitários, já que não tinha todo o capital necessário.
Uma das minhas principais preocupações, foi a de evitar a todo o custo interferências políticas, aquelas que por vingança matam à nascença boas ideias, preocupação que se veio a confirmar bem real...
As portas começaram a fechar-se, quando a minha ideia surgiu, os entraves, o "esquecimento" aos meus telefonemas, enfim, os interesses predatórios estavam agora a mover-se de modo a me dificultar a vida ao máximo. Tudo isto aconteceu por vingança, por um lado, e desinteresse, por outro, em ajudar quem é da terra (região) mas que não vai em politiquices. Depois, quando estes interesses vão falar à imprensa ainda têm o descaramento em dizer que o pessoal jovem não é empreendedor...
Resumindo a história, poucos meses depois acabei por desistir da ideia, já que era inviável, e comecei a pensar noutros projectos, estando actualmente a trabalhar num projecto onde pretendo aprender mais umas quantas coisas de modo a, quiçá, mais tarde tentar criar, em parceria, um outro projecto, embora não relativo à região de Sicó. Hoje em dia estou contente por não ter insistido demasiado em dar seguimento ao projecto, pois a esta hora estaria enterrado em dívidas (a pagar empréstimos aos bancos) e desanimado da vida.
O meu exemplo é apenas um de muitos, havendo inclusivé ideias que começaram a ser desenvolvidas e hoje em dia estão em risco.
Através deste blog, tenho conhecido muitas pessoas, todas elas com um interesse comum, o património da região de Sicó, daí conhecer bem algumas situações que lamento profundamente.
Imaginem uma pessoa que vem de fora para investir, faz um projecto para turismo rural, algo de inovador, é-lhe prometido mundos e fundos e essa pessoa investe num projecto bem bonito. Meses mais tarde, já com a obra a decorrer, as coisas não são bem como esta pessoa pensava, quem prometeu mundos e fundos foge e actualmente o projecto está em risco, tendo a pessoa colocado a hipótese de desistir. Da última vez que falei com esta pessoa, esta estava a tentar vender o projecto (edifício), por isso   podem ver bem a gravidade da situação.
Outro caso, de uma outra pessoa, que está a desenvolver um projecto semelhante, esta está a desenvolver o projecto em "segredo" sem interferências dos interesses. As obras vão sendo feitas aos poucos, já que o dinheiro é pouco e as dificuldades imensas...
Ou então uma outra pessoa, esta já ligada a um projecto associado à gastronomia. Mais uma vez as dificuldades são imensas, o desemprego surge insistentemente e o projecto é de difícil concretização, tudo isto devido às entidades que pomposamente anunciam fundos e fundos...
Depois acontecem coisas caricatas, por exemplo a nível de fundos comunitários, não surge uma única candidatura para estes fundos, será isto normal?! Claro que não, pois quando surgem candidaturas, estas estão 99,9999% ligadas aos interesses predatórios instalados na região de Sicó. E não, não estou a exagerar, estou apenas a falar de casos concretos, basta fazer uma análise e questionarem-se como será isto possível.
Arriscar na criação de um negócio na região de Sicó é um risco elevadíssimo, apenas quem tem padrinhos se pode dar ao luxo de o fazer. Infelizmente não são os mais credenciados que arriscam a maior parte das vezes, são apenas lacaios dos interesses predatórios, não tendo mérito no que fazem nem inteligência para fazer algo de bom pela região.
Há alguns anos, quando se começou a definir os traçados prováveis do IC3, começaram a surgir algumas pessoas, ligadas à "teia" que começaram a investir, em "segredo" em projectos turísticos na região de Sicó, facto que poucas pessoas sabem. Eu sei disto porque tive de dar algumas informações a estas mesmas pessoas, na altura estava "subordinado" à "teia", felizmente que já me libertei dela à muito tempo...
Muitos projectos, turísticos ou não, irão surgir na prática nos próximos anos na região de Sicó, a maior parte deles associados à "teia", daí se compreende que a situação do país e da região esteja numa situação muito precária, onde as coisas se fazem à medida da "teia" e não da comunidade, ou seja todos nós. O mérito não existe, é uma mera palavra vã, aqui na região de Sicó!
É curioso, mas hoje em dia até estou agradecido à "teia" me ter dificultado a vida, pois afinal hoje não estou cheio de dívidas, não dependo de ninguém que não de mim próprio e acima de tudo sou feliz e não ando sempre stressado, hoje em dia seria um alvo fácil para interesses corruptos e sem escrúpulos.
Não gosto de traçar cenários negros, mas infelizmente é uma realidade sobre a qual não posso fugir muitas vezes, daí este "aviso" a quem pretende tentar a sua sorte na região de Sicó. Há algumas pessoas que conseguem ter sucesso, sem estar ligadas à "teia", mas são manifestamente muito poucas.
A minha decisão em escrever este comentário deveu-se acima de tudo ao facto de me lembrar bem do sentimento de alegria de um investidor, quando me mostrou o seu projecto, e do sentimento de tristeza actual, quando me informou da sua intenção de desistir de um projecto válido e meritório. Assim ficam todos a saber o que vos pode esperar caso pretendam investir na região de Sicó. Caso pretendam investir ficam a saber o que devem evitar para conseguir ter sucesso na região de Sicó, ideias inovadoras são bem vindas!
Tenho pena que tudo o que apareça neste cenário se tenha de subjugar à "teia", dificultando de sobremaneira o potenciar do rico património da região de Sicó. A criatividade e o mérito não se compram, surgem através de pessoas comuns que muitas vezes são impedidas de tentar a sua sorte, tudo isto porque a "teia" faz-nos viver à rasca. 

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