segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Vergonha local, regional e nacional!


Mesmo sabendo que sempre esperei de tudo num caso tão pernicioso como é o processo do parque eólico na Serra de Alvaiázere, onde a polémica já se desenrola há anos (inclusivé em tribunais que infelizmente não têm know how em questões de direito ambiental...), confesso que nunca esperei aquilo com que me deparei este fim de semana, quando me desloquei à Serra de Alvaiázere para mais uma ronda de monitorização ambiental associada a este escandaloso processo.
O que está a acontecer mostra que nada funciona neste país, Ministério do Ambiente, ICNB; CCDR-Centro e demais entidades. Só funciona mesmo o interesse financeiro predatório, contra tudo e contra todos, passando por cima de tudo o que é etica e moralmente aceitável, é a minha humilde opinião.
Não vou repetir o que já disse sobre este processo, vou sim falar de algo que vi da última vez que fui à Serra de Alvaiázere.
Antes de falar sobre algo muito complicado, queria apenas referir que supostamente as grutas encontradas no decorrer desta obra (várias...) deveriam ser preservadas e o parque eólico deveria ser compatibilizado com grutas existentes. Isto é a Declaração de Impacte Ambiental que o diz, portanto, supostamente, deveria ser para cumprir.
No entanto encontrou-se uma solução que considero no mínimo ilícita, para tornear um problema que atrasou em vários meses (10 meses!) os planos da empresa promotora deste parque eólico.
Tendo ido eu, mais uma vez, à Serra de Alvaiázere, eis que me deparo com a construção da sapata de uma torre eólica, precisamente em cima de uma gruta! Aquele tapume de ferro está exactamente por cima da entrada da gruta. A máquina que vêm está a abrir um segundo buraco, com um diâmetro de quase meio metro, já que o primeiro (com cerca de 10 metros de profundidade) já está feito. Isto será para sustentar melhor a sapata da torre, já que debaixo está uma gruta!!!!!!! Já estou mesmo a ver a desculpa para isto, deverá ser algo do género, que estão a utilizar uma técnica de construção que permite deixar acesso por debaixo, mesmo com a torre em cima, algo que eu consideraria de anedótico em termos ambientais (e não só...).
Este caso é o que eu denomino de vergonha nacional! Sinto vergonha, enquanto cidadão e enquanto geógrafo, assistir a algo tão triste na região de Sicó e num país onde quem manda é o dinheiro. Ética e moral são coisas do passado que, supostamente, a democracia deveria ter cultivado...
Espero sinceramente que a investigação que está a ser feita sobre este processo traga tudo a público, mesmo que algumas pessoas estejam bastante nervosas com isso...
Eu aqui continuarei firme na defesa do património da região de Sicó, sem receio algum da cidadania activa que faço questão de exercer de forma honesta e construtiva!
Apesar de agora nada impedir que o parque eólico seja terminado, farei deste caso um case study a nível nacional (pela gravidade e precedente da situação no domínio do ordenamento do território), de forma que o mesmo não se volte a repetir. Isto a bem do património natural e cultural deste país.

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