segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Património, uma palavra vã na nossa cabeça?



Confesso que, por vezes, fico perplexo com algumas coisas que vejo, algumas das quais relacionadas com uma questão que me é cara, o património, palavra cheia de significado, mas só se assim o quisermos...
Há uns dias vi algo que, diga-se, me chocou pela insensibilidade perante um objecto patrimonial. Isto passa-se num local onde, em criança, as brincadeiras faziam-nos passar por uma levada que, agora, ficou ainda mais reduzida. Aquela levada era um atalho para casa de um amigo, sendo já nessa altura uma levada sem utilização, pois o moinho de água situado ali bem perto já não funcionava, embora ainda exista...
Acontece que, com estas obras, parece que foi decidido acabar com o troço da levada que ali ainda existia, para meu espanto. Será que não se podia preservar a mesma, musealizando-a? Será que ela estorvava assim tanto? Será que não era possível efectuar estas obras integrando-as nas mesmas?
Claro que era, mas assim não o foi, para meu desânimo. 
Esta levada era um pouco de história daquele lugar e mesmo da Vila de Ansião, a qual foi agora apagada para sempre. Será que é isto que queremos? Será que não há sensibilidade para preservar o nosso património histórico e cultural?


Não me admira que as lajes que faziam parte da levada tenham como destino um qualquer jardim, como aliás é costume em muitas obras deste género. Em vez de se preservar, degrada-se e, mais tarde utiliza-se o objecto patrimonial, neste caso a pedra, numa lógica circense, típico também na nossa região.
Não conheço o dono deste terreno, sei que ele está no seu direito, no entanto eu, enquanto pessoa ligada à questão patrimonial, não posso deixar de dar a minha opinião. Pelo menos uma coisa sei, que este comentário vai servir para espicaçar as mentalidades, podendo eventualmente evitar situações similares, a bem do património.
Como cidadão, que fez deste lugar um lugar de crescimento, posso apenas manifestar o meu profundo desagrado sobre esta situação. Continuamos a não aprender que é possível preservar o património em muitas situações, esta é apenas e só mais uma dessas mesmas situações.


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