domingo, 18 de setembro de 2016

Na teoria a ideia é boa, resta aguardar para ver os resultados...



Foi com muito agrado que soube desta inovadora iniciativa da Câmara Municipal de Pombal, ainda mais porque têm faltado medidas concretas para solucionar boa parte dos problemas associados à falta de ordenamento e gestão florestal, bem como do próprio ordenamento do território. Isto aplica-se também à região de Sicó, onde o impacto das associações florestais e das ZIF´s tem deixado muito a desejar. Fazendo uma análise objectiva entre o que poderia ter sido feito por estas e o que, na prática, foi feito, há que assumir que falhou muita coisa e que ficou muito por fazer.
Na teoria, esta oferta pública de aquisição florestal tem um bom potencial, restando saber se, na prática, o vai concretizar. Gosto do facto de se sublinhar a importância das espécies autóctones e das galerias ripículas, já que são preponderantes para o ordenamento e gestão da floresta, bem como na temática dos serviços dos ecossistemas.
Há um ponto que me parece muito problemático, no sentido de que, e para a região de Sicó, parte significativa dos terrenos tem menos de 1 hectare, o que impede a entrada destes terrenos nesta OPA. E não, o minifúndio não é um obstáculo, mas sim uma virtude que tem salvo muitos redutos de males maiores (ex. eucaliptização...). Antes de mais importa ultrapassar de uma vez por todas esta questão, criando uma forma de não restringir esta OPA a terrenos com menos de 1 hectar. Gostaria de saber se foi efectuada uma análise SWOT para antecipar esta e outras questões.
Interessa saber também se esta OPA vai ter em conta a sociedade civil, já que considero que esta deve ser parte do processo e não ser alguém à parte. Lembremo-nos da acção de associações várias que podem ajudar aos processos decorrentes desta OPA, caso de associações ambientais. Ou então universidades, institutos politécnicos e afins. Poderia ser importante envolver por exemplo a Escola Agrária de Coimbra, as classes dos engenheiros florestais, sapadores florestais, guardas florestais e vigilantes da Natureza. Não faço ideia se isto está previsto, pois a informação disponibilizada não permite saber isso mesmo.
Outro aspecto que seria importante esclarecer é se esta OPA não se sobrepõe, em alguns aspectos, à Bolsa Nacional de Terras. Parece-me que poderia ser uma boa opção, ter em conta a bolsa de terras em termos complementares, já que alguns pontos estão evidentemente em sobreposição. 
Finalizando, espero que esta OPA acrescente algo mais, enriquecendo a biodiversidade da região de Sicó (e não só) e diminua a área de monocultura do eucalipto, pois este último é um adversário que costuma fazer jogadas sujas para conseguir plantar mais e mais...

Sem comentários: