quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sicó: uma região a uma só velocidade


O título deste comentário pode parecer um bocado estranho, mas pensando bem o mesmo poderá ser o título adequado para o que pretendo falar. 
Choca-me que nos dias de hoje ainda se utilize a palavra rural como sinónimo de pouco desenvolvido, daí ter decidido aclarar um bocado esta questão. 
Acho curioso que certas pessoas tão amigas da "urbe" e tão críticas do "rural", quando se fartam da "urbe" utilizem o "rural" como escape a uma vida tão stressante e, por vezes, supérflua na "urbe".
Num dos últimos fins de semana, num dos muitos passeios por Sicó, onde vou em busca da verdadeira Sicó, deparei-me com uma daquelas coisas que já não se vê todos os dias. Não estava à espera, mas lá tive tempo para sacar da máquina fotográfica e registar o momento genuíno.
Esta fotografia que agora partilho com todos vós, serve exactamente para ilustrar o título do comentário.   Este comentário serve para mostrar que andar devagar não significa retrocesso, significa sim viver a vida e tudo aquilo que ela tem de melhor. Só andando devagar se vê muito daquilo que esta região tem de melhor. Só indo do ponto A para o ponto B calmamente é que se tem tempo de pensar naquilo que realmente é importante.
Muito do afastamento que muitos de nós têm vindo a ter sobre os seus territórios decorre precisamente da velocidade com que se movem. Ao andarmos regularmente demasiado depressa perdemos precisamente muito daquilo que faz com que a região de Sicó tenha uma identidade muito peculiar e valorosa. Ao andarmos demasiado depressa vamos perdendo muitas das nossas capacidades, entre elas a capacidade de discernimento sobre o objecto patrimonial. Quantos de nós, ao cruzarmo-nos com uma carroça, não apitam para esta sair da frente, em vez de abrandar a apreciar?
Fica a sugestão para que nos próximos tempos pensem bem sobre esta questão. Num qualquer destes dias, quando estiverem a ir do local A para o local B, parem a meio destes, já que concerteza terão algumas surpresas escondidas à vossa espera!

1 comentário:

OLima disse...

Plenamente de acordo. Abraço.