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10.4.26

Uma jóia que tem de ser preservada a todo o custo!


Sim, é a nossa jóia. Onde? Algures pela região de Sicó! Palmilhando a região conseguimos perceber a jóia que temos em mãos, aonde vivemos. Porque insistimos em continuar a degradação e destruição desta paisagem de valor excepcional?! Que tal começarmos a passar menos tempo sentados a ver lixo televisivo e a passar mais tempo fora de casa? O desafio está feito e a paisagem de Sicó está à vossa espera. Conhecem bem? Olhem que não, olhem que não...

7.12.25

Simbiose biomurada


Simbiose biomurada foi a expressão mais curiosa que achei para vos prender a atenção sobre esta extraordinária imagem, a qual ilustra um equilíbrio que se está a perder na nossa Sicó. Sim, por mais estranho que possa parecer a tecnocratas e iletrados no domínio ambiental, é não só possível bem como desejável este belo equilíbrio entre o tradicional muro de pedra seca e o arvoredo, neste caso a bela da oliveira. Cortar uma árvore para quê se isto é tão belo de se ver?! Cortar para quê se afinal não estorva?!
Quero mais muros de pedra seca, mais muros de pedra seca recuperados e mais árvores acompanhadas dos muros de pedra seca, sejam oliveiras, carvalhos, azinheiras, loureiros e outras autóctones!
No próximo ano irei organizar formações de construção e reconstrução de muros de pedra seca, portanto vão-se preparando para começarmos a mudar o paradigma também neste domínio!

 

27.8.24

Vamos a um piquenique para conviver e debater os projectos de prospecção e pesquisa de areias siliciosas e argilas especiais?


A ideia surgiu após perceber que é necessário esclarecer as populações e debater a fundo, e de forma informal, os projectos propostos de pesquisa e prospecção de areias siliciosas e argilas especiais, nas freguesias de Pousaflores, Ansião, e Almoster, Alvaiázere. E tudo o que está a jusante após estes processos. Já houve duas sessões de esclarecimento, com a empresa em causa, sendo que participei nas primeiras e não pude ir às segundas. A recusa da população perante tais projectos é massiva, mas isso não é suficiente. A recusa da Câmara Municipal de Ansião é pública e teve inclusivamente um parecer desfavorável em sede própria. Da parte da Câmara Municipal de Alvaiázere houve um parecer positivo condicionado, sendo que posteriormente houve apenas umas afirmações de que talvez pudesse vir a ser desfavorável, facto que vale de pouco na realidade.
Esta é uma luta que irá demorar largos meses, senão alguns anos, daí ser fundamental empoderar as populações. Para isso proponho a organização de um evento daqui a algumas semanas, previsivelmente em Outubro, num sábado ou domingo. A ideia é organizarmos um piquenique na área limítrofe entre Ansião e Alvaiázere, entre as freguesias de Pousaflores e Almoster. Este piquenique poderia ser antecedido de um pequeno percurso pedestre e, na parte final, e durante o piquenique fazermos um pequeno debate para falar do que é importante e do que está, de facto, em causa. No caso de haver caminhada e alguém não poder ir, poderia ir ao piquenique e debate informal. 
Para o piquenique a ideia é simples, cada um levar a bucha e, quem quiser, partilhar. Levar uma manta, levar a família e desfrutarmos de uma área menosprezada, embora com muito potencial. Daqui a mais uns dias, previsivelmente duas ou três semanas, voltarei ao assunto, já com uma proposta de data para o evento. Entretanto peço-vos que partilhem este comentário, de forma a que a divulgação prévia comece atempadamente.

 

4.10.23

Uma mina a céu aberto, em Rede Natura 2000? Sim, o autarca de Alvaiázere, alegado defensor da biodiversidade, apoia!



Quando surge algo negro no horizonte de Sicó e não vemos numa fase inicial, há sempre alguém que nos avisa, tal como foi este o caso. Apesar de eu seguir o portal PARTICIPA, não tinha reparado no que agora vos falo e passo a divulgar amplamente. 
Eis que está em discussão pública uma possível mina a céu aberto no concelho de Alvaiázere, freguesia de Almoster, para extracção de areias siliciosas e argilas especiais. Nesta primeira fase trata-se da discussão pública de direitos de prospecção e pesquisa destes minerais, seguindo-se depois uma segunda fase, esta já relativa à extracção dos mesmos. Um buraco com 1,5 km quadrados, para justificar o Sorte em Viver Ali, e premiar quem apoiou cegamente o autarca local, que deu luz verde às intenções de prospecção e pesquisa, abrindo assim a porta a tamanho buraco. E melhor, parte do buraco em plena Rede Natura 2000. Num país decente, nem sequer se colocaria a questão dentro de áreas protegidas, mas em Portugal pode-se tudo, seja pedreiras, parques eólicos, parques solares, minas, etc, é só acenar com umas notas e umas rendas e tudo se faz.
O incêndio de 2022, que varreu toda aquela zona, irá possivelmente ser uma boa ajuda para o trabalho de campo, já que há muito menos vegetação. E não, não estou a insinuar nada, estou apenas a ser factual. 
O autarca de Alvaiázere e o seu executivo deram parecer positivo condicionado, portanto vai ser curioso ver a reacção dos seus eleitores que tanto o apoiaram quando souberem desta amarga novidade, que ameaça Almoster tal como o conhecemos. 
O meu parecer vai ser negativo, pois é uma questão de princípio, áreas protegidas são para proteger, bem como a sua envolvência. Quem estiver sintonizado comigo e quiser participar nesta consulta pública, sabe onde me encontrar e como me contactar para pedir ajuda ou esclarecimentos. Temos até 9 de Novembro para nos pronunciarmos, portanto não se queixem depois que não tiveram tempo para analisar os documentos sobre o processo.
Há uns anos havia intenções de um antigo executivo em trazer uma... incineradora para Alvaiázere, agora isto... É esta a inovação e o desenvolvimento que queremos para a região?! Sobre o discurso do autarca alegadamente defensor da biodiversidade, o mesmo não é consequente, tal como agora fica cabalmente provado.


 

26.9.23

Penela está a montar um pseudo eco Frankenstein!!!

Em Agosto já tinha reparado que tinham cortado muita vegetação na Serra do Monte de Vez, em Penela, e dessa vez pensei por alto que seria eventualmente por causa dos incêndios, mesmo que fosse algo de parvo, diga-se.

Desta vez, e já em Setembro, aquando de uns dias de trabalho de campo na região, vi que se notava mais e telefonei a um colega do Grupo Protecção Sicó, já que tendo em conta que eu passo pouco tempo na região, nada melhor do que perguntar a quem, além de passar tempo, sabe e se interessa pelo que aqui acontece.

Confesso que fiquei perplexo depois de perceber para que é que estão a arrasar o topo da serra. Fiquei indignado e furioso com esta destruição do património natural, cultural e paisagístico de Sicó, tudo para ganhar uns tostões. É a triste sina de Sicó, vários autarcas que não sabem como potenciar todo este património, facilitam a destruição/degradação o mesmo em busca de uns tostões, quiçá para gastar em esgotos, manilhas e afins.

O autarca de Penela desilude-me de uma forma que, diga-se, esperava, já que poucos meses depois de entrar em funções afirmou que preferia que Penela fosse um dormitório em vez de um território vazio. Foi a sua imagem de marca em termos de dizer ao que vem.  Uma prova da sua inabilidade e incompetência para gerir este território. Um discurso de promotor imobiliário ou de construtor em vez de um discurso de um autarca. Poderia ter dito que tem um território com baixa densidade populacional e que iria potenciar todo este património natural, ganhando a economia com isso e ganhando população que viria com essa atractividade. Mas não, este autarca mostra que não sabe fazer isso e o que sabe fazer é afectar gravemente a integridade do património e da paisagem em prol de uns tostões. Não consegue melhor, é a triste sina de Penela. 

Mas o que é que está a ser feito ali, perguntam vocês. Bem, aqui está o que estão a fazer. É uma absoluta vergonha!!! Se não sabe. como potenciar todo este património, dedique-se ao sector imobiliário caro autarca de Penela e deixe o cargo para quem sabe o honra o legado patrimonial de Penela. Discurso de promotor imobiliário já tem... Chega de prejudicar o futuro de Penela e de destruir postos de trabalho ligados ao turismo e afins!

Esta lenga lenga da descarbonização tem de acabar, pois já chega de destruir património. Quando os interesses pegam na moda dita eco, a destruição não tem fim...



 

17.6.23

Não sejas B....


Desde que surgiu a moda parva das mariolas, que a parvoíce se espalhou de uma forma pandémica. Algo que até tem sentido num contexto e história específicas, tornou-se um modo de ignorantes deixarem uma marca parva q.b. por onde passam. Há alguns dias vinha de Condeixa para o Rabaçal pelo sítio do costume e deparei-me com o que se observa na imagem B. Fui parando em cada um destes pontos e derrubei cada uma destas pseudo mariolas (falhei julgo que duas), já que o que Sicó precisa não é mais parolice como mariolas sem nexo, mas sim respeito pela paisagem e pela sua história e contextos históricos. 



 

13.6.23

As cicatrizes que o TT sem regras deixa na paisagem de Sicó

Podem achar que é só uma ou duas situações como esta que ocorrem, contudo são às centenas pela região de Sicó, muitas delas em áreas de grande beleza cénica, a qual é negativamente afectada por estas cicatrizes na paisagem, causadas por veículos de todo-o-terreno.

Não é a primeira vez que aqui trago esta problemática, e dificilmente será a última tendo em conta a falta de regras e de civismo de algum do pessoal do TT. Irei insistir para que este tipo de situações acabe de uma vez por todas. Não tenho nenhum ódio para com o TT, tenho sim contra a falta de regras e a falta de respeito pela paisagem de Sicó. Há uns anos, e na minha tese de mestrado, fiz uma proposta de percurso de TT, a qual utilizou estrados já existentes e não implicava nada desta parvoíce que se observa nestas duas fotografias. Até parece que subir uma subida de acentuado declive é sinal de masculinidade ou um feito heróico... Que criem uma pista num local indicado em vez de fazerem estes disparates que degradam a paisagem. Quem faz isto não gosta da sua região!

E já agora algo de também importante, ou seja o facto de existir uma boa probabilidade destes actos afectarem gravemente património geológico de grande relevância...



 

5.1.23

E a região de Sicó está representada por duas vezes!


Foi a última compra de 2022, e que bela aquisição foi! Depois uns dias antes ter dado conta deste livro na prateleira de uma livraria, tive de voltar para ver melhor. Dantes não tinha tido tempo para ver com atenção, contudo o facto de um dos autores, também ele geógrafo, ser já um dos habituais nas estantes da minha biblioteca, era um bom indicador para a aquisição..
Confirmado que o livro não padecia do desacordo ortográfico, eis que fui procurar algo que me interessava de sobremaneira, ou seja se entre todas as paisagens naturais ou humanizadas de Portugal, surgia alguma de Sicó. Não era preciso aparecer para que eu tivesse interesse, era mais uma curiosidade e um misto de orgulho caso surgisse. E eis que vi não uma mas duas paisagens de Sicó, uma era uma paisagem humanizada construída (algures por Pombal) e outra uma paisagem humanizada, mas natural. Imaginem onde? Alvaiázere, isso mesmo. Da serra de Alvaiázere uma bela panorâmica para a depressão fluviocársica de Alvaiázere, ou como é conhecida localmente, campo de Alvaiázere. É algo que me alegra de sobremaneira, já que esta serra e a sua envolvência é, para mim, muito especial já há muitos anos. É já há muito um território de luta pelo património natural, pela sua preservação e valorização. 
Curiosos? É ler o livro, já que vale mesmo a pena. Muitas e belas paisagens de Portugal, de Norte a Sul, de Este a Oeste, onde a identidade é o prato forte. É daqueles livros que se manterá actual por muitos anos, acreditem!
E lembrem-se, ler livros, comprar livros, ir a bibliotecas e mesmo ter a vossa própria biblioteca é das melhores alegrias e utilidades da vida! Bom 2023, com muitos livros à mistura!!

28.6.21

Pombal 1 século depois!



Há umas semanas, enquanto navegava pelas redes sociais, reparei numa publicação de um membro de um grupo (Sérgio Jorge), na qual constava um postal bem antigo de Pombal, concretamente a área da colina onde se localiza o Castelo de Pombal. 
Para mim, enquanto sicoense e geógrafo, foi uma imagem que me ficou na memória, daí ter tido uma ideia que me pareceu engraçada, ou seja tentar descobrir o local de onde foi tirada a fotografia do postal e, dali, tirar uma fotografia, de forma a ter o antes e o actual.
Não sei o ano do postal e da fotografia antiga, mas terá umas valentes décadas, facto que se reflecte na brutal transformação da paisagem.
Não vou falar muito mais, vou apenas desfrutar destes dois registos fotográficos que distarão talvez um século. Se alguém souber do ano da fotografia do postal, peço que comentem, de forma a todos sabermos qual o ano da imagem inicial. Quanto à imagem actual, foi registada este último fim-de-semana do local aproximado (deve distar meras dezenas de metros do local exacto). 
Tal como tive a oportunidade de descobrir, nem sempre é possível tirar fotografias dos locais aproximados.  Tenho um outro registo, de outro local, que brevemente irei partilhar, e há outros dois locais que tentei fotografar, um impossível de replicar, já que o local está florestado, e um outro só será possível de captar caso obtenha autorização do dono do edifício de onde a fotografia antiga foi tirada.
E estou desejoso de ver outros postais, de forma a fazer mais registos como agora fiz. É fabuloso fazer isto!


11.7.20

Caros pombalenses, participem sff e defendam a paisagem cultural de Sicó!

"Aviso n.º 10295/2020

Sumário: Proposta de classificação da Área de Paisagem Protegida Regional | Terras de Sicó - discussão pública.

Proposta de Classificação da Área de Paisagem Protegida Regional | Terras de Sicó

Discussão Pública

Luís Diogo de Paiva Morão Alves Mateus, Presidente da Câmara Municipal de Pombal, torna público, nos termos e para os efeitos do disposto no n.º 3 do artigo 15.º do Decreto-Lei n.º 142/2008, de 12 de Julho (Regime Jurídico da Conservação da Natureza e da Biodiversidade) na sua redacção actual, conjugado com o n.º 1 do artigo 101.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 4/2015, de 7 de Janeiro, que a Câmara Municipal de Pombal deliberou, por maioria, na sua reunião ordinária n.º 011/CMP/20, realizada no dia 24 de Abril de 2020, aprovar o tipo e delimitação geográfica da área protegida e os seus objectivos específicos, bem como a proposta do respectivo Regulamento de Gestão, referentes ao Projecto de Classificação da Área de Paisagem Protegida Regional | Terras de Sicó e determinar a abertura de um período de discussão pública, pelo período de 20 dias, a contar do 10.º dia seguinte ao da publicação do presente aviso no Diário da República, 2.ª série.

Os interessados poderão, durante esse período, proceder à formulação de sugestões, bem como à apresentação de reclamações e observações sobre quaisquer questões que possam ser consideradas no âmbito do respectivo processo de classificação da área protegida, encontrando-se a proposta final de classificação disponível para consulta, no portal do Município de Pombal, em www.cm-pombal.pt, na Divisão de Urbanismo, Planeamento e Reabilitação Urbana e na Unidade de Turismo, durante a hora de expediente todos os dias úteis.

Realizar-se-á ainda, uma sessão de apresentação pública dos documentos, em data e local a indicar, através do portal do Município.

As sugestões, observações ou informações, sobre quaisquer questões que possam ser consideradas no respectivo procedimento de classificação, poderão ser apresentadas, até ao termo do referido período, através de requerimento dirigido ao Presidente da Câmara, para a seguinte morada: Largo do Cardal, 3100-440 Pombal, ou para o endereço de correio electrónico: geral@cm-pombal.pt.

18 de Junho de 2020. - O Presidente da Câmara, Diogo Alves Mateus, Lic."



E eis que chegou a vossa oportunidade caros pombalenses. É a vossa oportunidade de dar a vossa opinião sobre o que eu considero um péssimo processo de classificação da paisagem de Sicó como paisagem protegida. É um processo que foi segredo durante longos meses e que vos ignorou até agora, que está quase tudo feito, e mal feito na minha opinião. Será pouco mais do que um pró forma, infelizmente.
A classificação desta paisagem é algo que eu e muitos outros desejamos e pugnamos há muitos anos, contudo não desta forma, pela mão de autarcas com duvidosa competência para gerir um dossier destes e pela mão de técnicas e técnicos sem conhecimento aprofundado da região de Sicó. Os documentos que foram elaborados corroboram o que eu digo, uma preocupante falta de preparação técnica, uma falta de base técnica para a sua classificação, uma busca muito redutora de trabalhos técnicos sobre a região, que ajudam a sustentar qualquer trabalho sobre Sicó. Imagens retiradas do google, sinal de trabalho de campo muuuuuito incipiente. Limites altamente discutíveis, à vontade dos autarcas e sem incluir sectores importantes da paisagem de Sicó. Muito por onde pegar e para criticar. E uma lição importante para quem é de fora e, alertado sobre erros básicos, ainda tem a ousadia que afirmar que eu denegri a imagem da empresa que elaborou a sistematização de uma sistematização. Criticar não é sinónimo de denegrir, criticar é apontar erros, ponto. Fugir aos factos mostra bem a fragilidade de um trabalho redutor, muito incompleto e de qualidade que deixa a desejar do ponto de vista técnico. Não terá sido por mero acaso aquele ambiente frio e nervoso no debate em Pombal.
Há umas semanas, e na apresentação deste projecto, no auditório da Biblioteca Municipal de Pombal, fomos poucos a marcar presença, muito poucos! Não deixem que a preguiça vos vença e, se gostam realmente da paisagem de Sicó, participem nesta discussão pública. O primeiro passo é lerem os documentos, enquanto que o segundo é escreverem o que acham do que consta nos documentos, falhas, erros e algo de fundamental, ou seja terem sido ignorados neste processo. Toca a participar!!!


27.6.20

Lamento, mas não vou pactuar com a mediocridade!


É raro publicar apenas 6 dias depois do último comentário, mas isso aconteceu mesmo ontem, já que era suposto ter publicado mais um comentário. Isso aconteceu por um motivo muito simples, o de que decorreu em Pombal, no auditório da biblioteca municipal, uma sessão pública de apresentação do projecto de classificação de Sicó como paisagem protegida. 
Indo então ao comentário, desloquei-me propositadamente a Pombal para assistir a este importante evento, organizado pela Terras de Sicó. Sendo uma questão tão importante para quem, como eu, se dedica de alma, coração e ciência à protecção, valorização e divulgação da bela região de Sicó, não poderia ser de outra forma. Desde já o meu agradecimento à Terras de Sicó por terem aceite a minha inscrição já depois das 13 horas do dia 25. Uma das coisas que notei logo que entrei no auditório foi o facto de o ambiente estar um bocado tenso, havendo claramente muito nervosismo nos palestrantes. Isso confirmou-se no decorrer das apresentações. Em nenhuma das apresentações se ouviu palmas no final, facto que, quanto a mim, diz muito sobre este processo...
Um lamento, a fraca adesão dos cidadãos a este importante evento. Excluindo técnicos das autarquias e políticos, não terão sido mais do que uma dúzia de cidadãos a participar neste evento e menos de meia dúzia a colocar questões ou a apontar erros e omissões. Isto deverá fazer reflectir muita gente!
Considero profundamente lamentável a postura do autarca de Penela, que ouvindo um amigo meu, que é, tal como eu, um dos "guardiões" de Sicó, a apontar factos concretos, mandou-o calar. Lamento profundamente este comportamento de um autarca, o qual tem especial dever de respeito pelos cidadãos. E lembro o sr  Luis Matias que Sicó não é uma coutada dele, é sim um território onde todos nós vivemos e que é de todos. Haja respeito!
Lamento igualmente a postura da empresa que elaborou uma sistematização de uma sistematização, por 15700 euros, mas já lá vamos...
Feitas as apresentações, foi dada a palavra a várias pessoas, de entre as quais eu. Todas elas apontaram falhas nos documentos que sustentam a possível classificação de Sicó como paisagem protegida.
No que me toca, fiquei ainda mais preocupado com o que aí vem, já que soube mais factos e em vez de ver entidades e empresa a reconhecer as insustentáveis fragilidades dos documentos apresentados, vi entidades e empresa a hostilizar quem, de forma objectiva, apontou falhas graves nos documentos.
Eu sublinhei algo de básico para quem sabe o que faz, ou seja que este processo terá de ser bottom-up e não o contrário. É fundamental reverter este processo e envolver a população e entidades públicas e privadas, bem como o associativismo, no processo. Isto não foi feito e é grave que assim seja, pois vai contra as boas práticas neste domínio. É uma falha grave que fere de morte o processo. 
Todos são a favor da classificação de Sicó como paisagem protegida, mas isso tem de ser feito de acordo com as boas práticas e não por quem, de facto, demonstrou que não tem as competências adequadas para o efeito. O ideal seria, no meu entender, elaborar um plano de paisagem, o qual seria então a base que sustentaria não só a classificação de Sicó como paisagem protegida, bem como possibilitaria toda uma panóplia de ferramentas e medidas de gestão para a região, e com um alcance muito além da paisagem em si. Em duas palavras, desenvolvimento territorial. 
Não é compreensível que se tenha decidido que haveria um período de discussão pública para cada município. Não faz sentido!
Fiquei também perplexo quando uma técnica da empresa que elaborou esta sistematização de uma sistematização me disse que eu tinha denegrido a imagem da empresa, numa clara alusão a um comentário que recentemente fiz aqui. É falso que eu tenha denegrido a imagem da empresa, eu apenas apontei factos concretos que mostram as fragilidades de um documento. A verdade é que esta técnica além de indiciar não se dar bem com o escrutínio de um especialista na matéria e um profundo conhecedor de Sicó, mostrou que não conhece minimamente Sicó e que não soube refutar o que eu apontei nas críticas que fiz aos documentos. 
Os relatórios não têm de ser feitos a pensar nos leigos na matéria, mas sim feitos de acordo com os factos e, no final, serem divulgados. Esta técnica afirmou que o documento era uma espécie de Resumo Não Técnico, mas esqueceu-se de um pormenor fundamental, o de que os resumos não técnicos são uma simplificação dos documentos base e aqui não há documentos base, mas sim uma mera sistematização redutora, com graves omissões em termos de dados fundamentais para a classificação de Sicó como paisagem protegida. Já houve pelo menos duas versões desta sistematização e em nenhuma delas consta a equipa técnica.
E houve algo que me chocou profundamente. Quando questionei a técnica da empresa sobre o porquê de não constarem na bibliografia autores com teses e artigos relevantes para este projecto, não justificou o porquê e justificou apenas a ausência da referência à minha tese de mestrado. Afirmou que até tinha lido e utilizado alguns elementos, mas que não tinha citado este documento em sítio algum. Grave! Uma omissão que diz muito sobre o real conhecimento de Sicó, do seu património e de quem investiga Sicó há muitos anos. Confesso que me tive de conter quando esta técnica falou em rafting em Sicó como potencialidade turística. Fiquei também algo perplexo como é que alguém que não conhece Sicó vem para um auditório afirmar, na base de um achismo, que a classificação de Sicó como paisagem protegida vai trazer pessoas para a região. A mesma conversa que se ouviu aquando da Rede Natura 2000. Como técnica, deveria ter percebido bem a questão da pirâmide etária e da sua evolução nas últimas décadas em Sicó, bem como a perda de residentes que se vai agudizando e os problemas estruturais envolvidos. Acha mesmo que vem alguém do Porto para Sicó só porque é fixe ou porque é bonita? É muito neo ruralismo para meu gosto. Para estar em Sicó ou para vir para cá é preciso um emprego, não é com contos de fadas que se traz residentes à região. Foi um conto de fadas que esta técnica fez passar na sua apresentação quando se referiu a Sicó. Não é um conto de fadas nem um escape ao apartamento na cidade, lamento desiludir. Sicó é um território extraordinário e, ao mesmo tempo, um território difícil para nos estabelecermos. Difícil até para nos mantermos em Sicó, já que o poder político é, genericamente falando, um entrave ao verdadeiro desenvolvimento do território, com as suas várias capelinhas, grupos de interesses e outras coisas mais.
Fiquei também desiludido com as afirmações do autarca de Penela, quando este afirmou que não podíamos esperar mais pela classificação de Sicó como área protegida. Falso! Esta questão já era defendida por outros muito antes dele ser autarca, só que parece que só há poucos meses se descobriu a pólvora...  Caro Luis Matias, o processo foi mal equacionado e vai contra as boas práticas, ponto. Houve propostas para que isto se pudesse vir a concretizar, numa base sólida, e a Terras de Sicó não considerou pelo menos uma proposta que lhes foi enviada já há mais de 1 ano. Se a proposta em causa tivesse sido considerada, já poderia estar quase finalizada e muito bem sustentada. Eu não quero resuminhos para classificar Sicó como paisagem protegida, eu quero sim um trabalho científico sólido, que envolva as pessoas, as entidades e as associações no processo de classificação. 
Foi afirmado por uma autarca que este projecto estava planeado há vários anos. Mas se assim foi, isto é o melhor que conseguiram?!
Destaco também a intervenção do João Pimpão, que no final se dirigiu a mim para dizer que era o João Pimpão. Não percebi o porquê de ele ter sentido a necessidade de se apresentar a mim, ainda mais sabendo ele que eu sei quem ele é e se eu precisasse de falar com ele me teria dirigido a ele, quando não foi esse o caso. Mas acabou por ser um facto positivo e que agradeço, pois revela respeito pela minha pessoa. Na intervenção dele falou em aspectos que me fizeram alguma confusão. Primeiro, ele não tem de dizer aos investigadores o que fazer, nem dizer sequer que não devem criticar. Os investigadores não são políticos, são técnicos e devem ser independentes do poder político. A crítica que eu e outros fazemos é uma crítica ao que está mal, querendo nós com isso resolver os problemas. Criticar não é ofender nem sequer denegrir, mas sim apontar o que está mal de forma sustentada, ou seja numa base factual. Esta crítica visa a resolução dos problemas, ponto. Afirmou também que nos documentos que sustentam esta futura classificação,  está o melhor de todos os técnicos da região. Não está, ponto! É um documento que não cumpre com a sua função. Está enviezado na origem, tem falhas graves, omissões e não representa um estudo científico de base que possa sustentar a classificação de Sicó como paisagem protegida. Caro João Pimpão, sobre ninguém ler os relatórios, a questão é muito simples, os relatórios são para os especialistas, portanto tudo o que ouvi vale pouco mais que zero. Os relatórios têm de ter qualidade e cumprir objectivos fundamentais e os documentos em causa não cumprem os objectivos nem têm a qualidade desejável. Os relatórios não têm sequer de ter em conta a preocupação número de páginas, mas sim os factos. Se os factos são muitos, tal como acontece em Sicó, tem de haver muitas páginas para ver, é tão simples como isto. E não é uma mera opinião, é a opinião crítica de um investigador conhecedor de Sicó.
Resumindo, estou profundamente preocupado com este processo, o qual todos desejamos. O João Pimpão afirmou que nós, técnicos, contestámos o processo, quando é isso que é suposto acontecer quando o processo é mal estruturado e resulta em documentos em que a qualidade deixa a desejar e os objectivos não são cumpridos. É essa a minha função, analisar e criticar quando necessário. Não gostam? Temos pena. Eu não tenho de andar a bater palmadinhas nas costas de ninguém nem mesmo de andar a bajular terceiros, isso fica para os políticos e para quem orbita em seu redor. Achei curioso ele ter dito que tinha gostado de ler os documentos e de afirmar que tecnicamente eram bons. Tecnicamente? Com que base é que, sem competências técnicas na matéria, ele pode afirmar que um documento é bom do ponto de vista técnico? Uma opinião é uma mera opinião, ao contrário de uma opinião crítica, que é uma opinião fundamentada. Ambas são legítimas, mas apenas uma é válida factualmente.
Na minha opinião o processo deve voltar à estaca zero. Voltando à estaca zero, deve ser contratada uma equipa conhecedora de Sicó e com competências reconhecidas neste domínio. Deverá ser desenvolvido um plano de paisagem para Sicó (não com os limites absurdos que querem propor!) e a partir daí é que se terá uma base sólida para a classificação de Sicó como paisagem protegida. Um plano de paisagem possibilitará também toda uma série de ferramentas e medidas que visem não só a paisagem, bem como outras questões que decorrem da paisagem cultural de Sicó, caso das aldeias de calcário e dos muros de pedra. E turismo e outros mais sectores económicos também. Um plano de paisagem seria uma ferramenta transversal para o desenvolvimento da região de Sicó. 
O secretismo até há poucas semanas em redor desta questão e a pressa na classificação indicia algo que preocupante, ou seja uma busca algo desesperada de fundos comunitários e nacionais. Não é assim que é suposto as coisas surgirem...
Só para terminar, também a temática dos geossítios no documento principal é de uma pobreza assinalável e bem ilustrativa do quanto superficial e redutor é um documento que serve de suporte a uma classificação de uma paisagem regional. Seria importante que cada um de vós aponte os erros e omissões, sem que façam a papa à empresa que elaborou os documentos em análise. O conhecimento que eu e outros temos resulta de anos de investimento, dedicação e carolice. Se querem ajuda dedicada, paguem. A participação pública não é para fazer a papa a ninguém, apenas para apresentar ideias base e apontar falhas, erros, omissões e afins.
Se querem fazer as coisas como deve ser, contem comigo, contudo não contem comigo para pactuar com a mediocridade. Sicó merece melhor!



26.4.20

A sério que fizeram uma proposta de classificação de área protegida em Sicó, excluindo as populações?! Inacreditável!!!

Excerto do documento: "Proposta de Classificação das Terras de Sicó como Área de Paisagem Protegida Regional

Confesso que nem sei por onde começar tendo em conta o que se passou até agora. Talvez a primeira coisa a dizer será a de questionar quantos de vós sabiam que está a ser elaborada uma "Proposta de Classificação das Terras de Sicó como APP Regional", ou seja uma Área Protegida Regional?
Serão muito (mas mesmo muito) poucos os que sabem do facto, algo que nos deveria preocupar a todos, não pela elaboração de uma proposta deste género, mas sim pelo facto da mesma estar a ser elaborada nas costas das populações, na medida em que estas, em termos factuais, não foram incluídas no processo. Quem está a lidar o processo? Bem, é a Terras de Sicó. Nada de surpreendente para mim, na medida que a actuação desta Associação de Desenvolvimento Local não tem sido propriamente a mais competente em vários domínios. E neste domínio, em especial, depois desta proposta, fica, para mim, a conformação absoluta da real competência da mesma para gestão do mesmo. 
Mas vamos aos factos, tendo em conta a importância da temática, o relatório e regulamento da segunda fase (da primeira não sei nada de nada...), aos quais tive acesso, são o melhor que conseguiram apresentar há escassos dias em Pombal? Um relatório de 145 páginas, um regulamento de 26 páginas e um mapa enorme, com conteúdos redutores, incompletos e com muitos factos omitidos dos mesmos, é o melhor que conseguiram para a nossa bela região de Sicó?
Fui ao sítio da internet da Associação em causa e vi uma frase curiosa e que diz "...soube sempre interpretar uma posição de equilíbrio responsável entre a defesa dos interesses locais...". Digo curiosa porque este estudo sobre a Área Protegida a propor vai precisamente contra o que a Terras de Sicó afirma, na medida que não incluiu a população no processo, facto que demonstra bem um erro de principiante em estudos deste tipo e desta importância. Claramente, e na minha opinião, a Terras de Sicó não soube, mais uma vez, interpretar, de facto, uma posição de equilíbrio responsável ao não garantir a inclusão desde o início do processo, das populações nesta proposta.

Começando pelo relatório, e decorrente de uma análise sucinta que fiz, vamos aos principais pontos a apontar:
- Os limites propostos são duvidosos, na medida em que ao mesmo tempo que se afirma que se quer um a área protegida e se propõe limites muito discutíveis a vários níveis, afirma-se que o foco é a Terras de Sicó. Para quem não sabe muito destas questões, os limites apresentados são altamente discutíveis tendo em conta o cerne da questão, ou seja a paisagem cársica de Sicó. O que tem a ver o sector Este, nomeadamente a zona Este de Penela, Ansião e Alvaiázere com a paisagem cársica de Sicó? Nada! Qual a sustentação técnica de limitar a paisagem protegida nos limites administrativos de Alvaiázere, a Sul, onde termina a área protegida proposta, embora a Rede Natura 200 se prolongue mais para Sul destes limites?
- Na página 23 do relatório consta a frase "paisagem de pedra agricultada", perguntando eu, a sério que utilizaram esta frase quando se referem à paisagem cársica? Mais umas leituras sobre paisagens cársicas fazia bem...
- Na página 24 destaca o Explore Sicó, enquanto exemplo a potenciar Sicó, mas afinal tem sido um projecto flop que se arrasta há anos e sorve dinheiro sem garantias algumas. Querem mesmo começar por um mau exemplo do que se tem feito em Sicó e pelas mesmas entidades responsáveis por este estudo?
- Na página 25 refere a escola de Ariques, que alegadamente funciona como centro de interpretação da biodiversidade. A sério que escreveram isto? Quem anda no terreno sabe que isto não é factualmente verdade, já que esta escola é um alojamento local, gerido por um privado. O Centro de Interpretação da biodiversidade é algo que ronda a nulidade.
- Na página 29 (Objectivos) onde pára a parte/segmento  sobre população, cultura e o restante? Pois, quando a população não é envolvida no processo, é difícil ter uma base sólida para os objectivos e não só.
- Na página 30 refere que "nem historiadores nem geógrafos nem arqueólogos dispõem de dados inequívocos sobre os seus limites exactos", sinal de fraca argumentação sobre limites sobre os quais a Terras de Sicó alegadamente nunca teve propriamente interesse em que surgissem, já que poderia ser, alegadamente, uma condicionante à sua acção, pelo factos dos seus próprios limites serem em boa medida irrealistas. Acrescentaria é que o limite das Terras de Sicó não é propriamente aceite entre a comunidade científica e entre a própria população, dadas as evidentes incoerências.
- A caracterização do Maciço de Sicó é francamente insuficiente para um estudo desta dimensão, complexidade e importância.
- Na página 32, sobre a caracterização biofísica, e nomeadamente sobre o relevo, nota-se uma evidente insuficiente caracterização, com alguns erros que não são aceitáveis a este nível.
- Na página 40, e sobre a geologia, mais do mesmo. E na carta geológica, nem a escala da cartografia geológica está referida no texto (1:50 000?). Exige-se mais, muito mais...
- Página 45, é "carta de solo" ou "carta de solos". Ai essa desatenção...
- Na página 49, e relativamente ao ponto "hidrografia", é referido um pequeno número de nascentes permanentes. Quais são permanentes, o Nabão? Este e outros referenciados não são permanentes! Erro de palmatória!
- Na página 50, e sobre a caracterização do património natural, a caracterização está estruturada na base da biodiversidade e o resto. E estruturar sobre biodiversidade e geodiversidade, abarcando tudo, não é a melhor opção?!
- Relativamente à figura 19 da página 52, ui ui. É tudo o que há para dizer sobre património geológico e geomorfológico?! Muito redutor! E já agora, porque omitiram artigos e teses sobre património geomorfológico? Os meus artigos e a minha tese de mestrado cheiram mal? Já estou habituado a que omitam, mas diga-se de passagem, fica mal omitirem informação científica base. E já que falam tanto sobre grutas, porque omitiram também trabalhos de eminentes espeleóloga/os? E outros trabalhos de eminentes geólogos, no caso sobre Ansião, num trabalho da década de 80? Qual a base das omissões?!
- Na página 58, e não só, consta algo que me preocupa e que mostra que não existiu o trabalho de campo suficiente, já que é prática comum neste relatório a utilização de fotografias do google maps e da internet. Mas não foram a estes locais? Não havia um telemóvel para fotografar?! Isto mostra uma má prática, que pessoalmente faço questão de apontar. Poupar nas idas ao terreno é... inaceitável!
- Na página 88, e sobre a caracterização paisagística, fartei-me de rir ao ver o quadro 9, no qual constam os pontos altos da área de estudo. A sério que se deram ao trabalho de fazer este quadro e colocá-lo como referência inicial deste ponto?!
- Ainda neste ponto, os campos de lapiás só podem ser encontrados no Vale das Buracas? Parece... É um elemento presente em vários sectores de Sicó e referem apenas este? 
- Na página 107, ponto 2.6.2. "unidades paisagísticas de paisagem", fiquei perplexo, pois em vez de constatar que tinham elaborado um estudo sobre unidades paisagísticas desta área, unicamente pegaram num estudo de menor escala, pouco importante (e redutor..) para esta proposta de classificação de área protegida (que tem de ser elaborado com as populações e a uma escala maior). Basicamente ignoraram as populações sobre a sua percepção das unidades de paisagem, algo que demonstra bem o pouco interesse em algo basilar, que é uma fragilidade monumental desta proposta da Terras de Sicó. As boas práticas contradizem o que foi feito neste estudo...
- Para terem uma ideia da fragilidade desta proposta, na elaboração do Plano de Paisagem de Paredes de Coura (o primeiro estudo a nível municipal em Portugal), e apenas para o relatório de análise paisagística, tem-se um relatório de 235 páginas. Isto para uma área muito menor... Para Sicó, o relatório inteiro, nesta segunda fase, tem menos do que estas 235 páginas. Dá que pensar, não dá?
- Passando para a página 116 "Serra de Sicó: proposta de classificação como área protegida de âmbito regional", mas afinal é a Serra de Sicó ou a Terras de Sicó que se pretende classificar como área protegida. Há que trabalhar esse português... Uma coisa é a paisagem cársica de Sicó, outra é a paisagem da área administrativa da Terras de Sicó.
- Já agora, a referência à Política Nacional de Arquitectura e Paisagem (PNAP)? Estranho a ausência deste documento na bibliografia...
E, também, o porquê da ausência de bibliografia relativa ao Sítio Sicó-Alvaiázere (RN2000)? Como explicam isto?
- A delimitação da área proposta tem falhas evidentes e incoerências que não são aceitáveis, sendo uma de várias falhas estruturais. A proposta em causa foi afinal mais baseada na Terras de Sicó do que em limites científicos devidamente sustentados (uma dicotomia que é difícil de esconder...) no carso de Sicó.
- Gostei da ginástica para a não inclusão das pedreiras de Pombal. Ao menos não esconderam o facto.
- Na figura onde consta o património geológico e geomorfológico gostaria que me esclarecessem o porquê de só ali existirem pontos. Não faz sentido, ainda mais porque, por exemplo, os campos de lapiás estão identificados, como área, na cartografia da RN2000. E porque não incluíram os já muitos geossítios identificados em trabalhos científicos que omitiram? É para poupar trabalho? Fica mais barato cortando no que é fundamental?
- Na página 122, e no que se refere ao processo de delimitação da área de paisagem protegida e o envolvimento dos municípios e da autoridade nacional, onde constam as populações? Pois, não constam! Isto é uma fragilidade que mostra bem que o estudo que levou a esta proposta foi mal guiado e é incipiente. O processo tem de ser do tipo bottom-up e não o contrário! Curioso constatar que nesta segunda fase apenas foram feitas meia dúzia de reuniões e nenhuma com as populações. A participação das populações resumir-se-à a 20 ou 30 dias na fase de discussão pública, algo de inaceitável e, acrescento, vergonhoso!

Passando agora para o segundo documento, o regulamento proposto no âmbito da classificação da área protegida em causa:
- Curioso o artigo 8º, sobre as receitas da paisagem protegida regional das Terras de Sicó, muito curioso.
- Artigo 9º, "Órgãos". Ora vejamos, de tanta possibilidade para criação de orgãos para a entidade de gestão, a proposta é "Orgãos" das entidades Muncípios e Terras de Sicó. Temos então Municípios que criaram uma Associação de Desenvolvimento Local, que é quase que pouco mais do que uma extensão das próprias autarquias, e teremos uma nova entidade, que será o somatório de cargos de Municípios, das Terras de Sicó e Orgãos de gestão da paisagem protegida. Bravo! Depois da mítica multiplicação de pães, temos eventualmente a multiplicação de cargos. Faz isto sentido?!
- Fico também curioso, pois nos vários artigos encontro alguns que podem estar alegadamente feridos em termos de legitimidade legal. Os juristas e os advogados dirão de sua justiça a seu tempo.

Notas finais:

- A sério que só apresentaram 3 páginas de bibliografia (duas de artigos e uma basicamente de links) para a elaboração deste estudo? Assim se vê o quanto redutor foi o mesmo!
- Onde consta a parte relativa às questões da conjugação e sobreposição da Área Protegida e da Rede Natura 2000 e das suas Orientações de Gestão? Pois, mais uma para a caixa...
- Sobre a integração das Orientações de Gestão, que no regulamento chutam para a frente, essa parte deveria estar feita antes da classificação da área protegida, sinal da evidente fragilidade do processo a decorrer. Além disso estas já poderiam estar vertidas nos PDM´s, mas isso não foi prioridade na revisão dos PDM´s anteriores. Eu bem avisei em sede própria, e na fase de participação pública em dois dos actuais PDM´s...
- Como sustentam as sobreposições legislativas óbvias entre PDM´s, Rede Natura 2000 e agora este regulamento? Três entidades para fazer o mesmo?
- Será interessante analisar com atenção, entre outros, o Decreto-Lei nº 241/2015, de 15 de Outubro.
- Tendo em conta o meu conhecimento sobre a região de Sicó e a experiência que tenho em termos profissionais, a minha experiência dita que para que se tivesse uma boa proposta para a classificação como área protegida da região de Sicó, se teria em primeiro lugar de elaborar um Plano de Paisagem para a região, que seria a base de sustentação de uma proposta deste tipo e uma ferramenta preponderante para a gestão da mesma. Custa dinheiro é certo, mas seria um investimento necessário, justificado e fundamental para o futuro da região. Propus isto mesmo no início de 2018, decorrente da minha participação, enquanto consultor no domínio da geologia, geodiversidade e afins, no primeiro Plano de Paisagem a nível municipal em Portugal (Paredes de Coura). Vi apenas agora (enquanto estava a escrever este parágrafo), depois de me facultarem o link respectivo, que o contrato para este estudo foi apenas celebrado em Dezembro de 2018, por ajuste directo, com a justificação de que não havia recursos próprios. É isto apostar no pessoal da região? Não havendo, não haveria interesse em envolver numa equipa multidisciplinar, pessoas credenciadas da região? É que as há! Já agora, estranho não constarem nomes das pessoas envolvidas neste estudo. A regra é no final surgirem os nomes e as competências profissionais, mas aqui nicles.
- Lendo o contrato já percebi o porquê de um estudo que se pretendia completo e muito bem sustentado, ser tão redutor e tão incipiente. A sério que só estiveram dispostos a gastar 15.700 euros para um estudo desta exigência e desta importância? Isso não chega sequer para pagar a um licenciado durante 356 dias! Um estudo completo e abrangente exigiria não menos do que umas largas dezenas de milhar de euros, feitos por uma equipa multidisciplinar, não em 365 dias e muito menos por uns míseros 15700 euros! E muita participação, contributo e envolvimento das populações!
Só tendo um plano de paisagem se poderia ter uma boa fundamentação para uma proposta de área protegida e uma boa ferramenta para a gestão da mesma. É a nossa triste sina em Sicó, vistas curtas e pensamento no curto prazo, facto que mina o desenvolvimento da região.
- Fico profundamente triste com tudo isto. Quando pensamos que a região tem evoluído surgem novidades como esta, que mostram que continuamos na mesma, com os problemas estruturais de sempre. E as mentalidades, têm muito por onde evoluir. Depois admiram-se e queixam-se que os jovens capacitados migram ou emigram...
- Na minha opinião a Terras de Sicó mostrou mais uma vez que não é competente o suficiente para gerir questões tão exigentes e complexas como o é a elaboração de um estudo deste tipo, exigente e abrangente.
- Resumindo, temos um estudo daqueles que resume o que já existe, não acresce ao que já existe, mas que se pretende utilizar como base para a classificação de uma área protegida, tudo por uns meros 15700 euros! Um feito daqueles memoráveis! E, pasme-se, no final não se tem factualmente uma ferramenta de gestão da paisagem protegida a propor. Tem-se sim medidas avulso e pouco mais, parte delas sobreposições face aos Instrumentos de Gestão Territorial.

Termino com um facto muito simples e, neste momento, fundamental, ou seja o facto deste erro poder ser facilmente corrigido, recomeçando o processo e fazendo as coisas como deve ser, com quem é competente para isso. Felizmente que a corrigir será muito barato. Errar é humano, já insistir num erro é... de evitar, a bem de todos nós e a bem da região de Sicó. Fazendo as coisas como deve ser ficará mais barato (irrisório!) do que levar em diante este processo tal como está. Se se insistir em seguir este processo tal como está, surgirá o efeito bola de neve em termos de efeitos negativos. A dica está dada...

13.12.19

Qual preferem, esquerda ou direita?


A resposta da esmagadora maioria será só uma, direita, contudo quantos têm pugnado pela manutenção dos muros de pedra, elementos fundamentais da paisagem cultural da região de Sicó? Poucos, muito poucos.
Vejo com muita preocupação o proliferar deste atentado paisagístico na região de Sicó, daí já há alguns anos ser um activista pela manutenção dos tradicionais muros de pedra. Algumas situações são fáceis de resolver, contudo são uma minoria. A maioria são difíceis de resolver por um motivo muito simples, ou seja o facto de não haver apoios para a manutenção e recuperação dos belos muros de pedra. Há uma forma estrutural que pode facilitar a manutenção e recuperação destes muros e isso passa por um Plano de Paisagem para a região de Sicó. É um primeiro passo, fundamental, para alterar o paradigma. Fala-se algo sobre a Rede Natura 2000, contudo muito tem falhado neste domínio. Neste domínio seria interessante questionar um indivíduo que se muito se auto-elogia sobre a criação da RN2000, mas pouco ou nada diz sobre os vários falhanços da mesma. Nos últimos meses tem-se ouvido nalguns canais na criação de uma paisagem protegida, contudo são apenas zum zuns e que de pouco poderão valer sem a criação de uma ferramenta essencial para a gestão da paisagem. E obviamente que também se coloca esta questão no domínio dos Planos Directores Municipais, onde é notória a ausência de regulamentos que impossibilitem esta adulteração paisagística através dos muros de blocos.
Vamos todos pugnar pela defesa deste e de outros elementos identitários da região de Sicó?

9.5.18

Explore Sicó no dia de São nunca à tarde, conheça o "TRYSICO"!

Foi no final de Janeiro que o Farpas Pombalinas promoveu um interessante debate sobre um dos temas que faz parte das lides do Azinheiragate, ou seja o antigo CIMU, "actual" Explore Sicó, supostamente a inaugurar no início de 2019. É uma novela que se desenrola há demasiados anos, com a benção dos nossos impostos. A ver vamos qual vai ser a soma final...
Mas deixemo-nos de conversa gasta e vamos ao que interessa. A temática dos centros de interpretação é-me muito querida. Sempre que viajo costumo visitar este tipo de infra-estruturas, daí ter aprendido bastante nos últimos anos. Foi também há alguns anos que um, então, estudante de arquitectura entrou em contacto comigo, através do Azinheiragate, de forma a trocarmos impressões sobre a temática que nos une, Sicó. Foi assim que conheci mais um amigo de Sicó, que fiz mais um amigo e que pude partilhar parte do meu conhecimento sobre esta região. Aprendi também com o, agora, arquitecto Pedro Mota, na medida em que fiquei a conhecer uma nova perspectiva que me enriqueceu mais um bocado. E começámos a esboçar ideias, algumas das quais pode ser que ainda este ano vejam luz...
Tudo isto porque o arquitecto em causa estava nessa altura a desenvolver um trabalho de mestrado bastante interessante, precisamente na linha dos centros de interpretação/turísticos. Foi um projecto que tive o privilégio de acompanhar e que mostra um caminho, o tal caminho que o Explore Sicó não explorou devidamente. A forma como este projecto foi idealizado é um bom exemplo do que poderia ter sido feito no caso do Explore Sicó (ou outro nome que possa vir a ter...). 
Vejo muitas falhas graves em projectos como o Explore Sicó, porquê? Falta de competência, horizontes curtos, etc, etc, etc. O debate do Farpas Pombalinas sobre o Explore Sicó foi muito bom, já que permitiu-me saber mais falhas do que aquelas que já conhecia.
Decidi abordar o projecto "TRY.SICO" porque retrata algo de importante, seja em termos conceptuais, seja em termos de mentalidade. É isto que tem faltado na região de Sicó, mentalidade e atitude q.b.
Os meus agradecimentos ao arquitecto Pedro Mota, por ter disponibilizado estes conteúdos. Aos tecnocratas e políticos de algibeira, aprendam alguma coisa com este projecto, é esta a minha sugestão.











14.3.18

Não há 2 denúncias sem 3 denúncias...


Foi há 2 anos que surgiu a primeira denúncia. Depois surgiu a segunda. Por estes dias já seguiu a terceira denúncia. Onde? Entre a Ribeira de Alcalamouque e o Rabaçal. Olhem para a vossa direita (vindos do Rabaçal) ou para a vossa esquerda (vindos da Ribeira de Alcalamouque) e verão do que falo. Em plena reserva ecológica nacional cometeram, pela terceira vez, uma ilegalidade, por isso não haverá perdão. Estou curioso para ver se é para fazer o mesmo do costume, ou seja plantar eucaliptos...
A fiscalização é uma palavra vã, já que nada do que foi destruído inicialmente foi até agora reposto. É a triste sina. Como se costuma dizer, o crime compensa, daí as coisas infelizmente não mudarem. A literacia ambiental é escassa, tal como está mais uma vez à vista de todos.
É mesmo isto que queremos que aconteça recorrentemente? É esta a Sicó que queremos?


9.3.18

O estradão das Serras da Portela, Casal Soeiro e Ameixieira...


É uma estrada pela qual todos os que querem ir à Serra da Portela (Pousaflores) têm de passar, pelo menos os que, de carro, querem ir ver o miradouro, tipo chapa 5, do Anjo da Guarda, o parque eólico ou o melhor, o moinho de vento, que de vez em quando expõe as suas velas ao vento. Continua a ser um local agradável de ir e curiosamente local de belas fotografias em concursos de fotografia.
Pode parecer, para alguns, estranho o facto de eu estar a abordar um tema tão pouco interessante como uma estrada, mas já vão compreender...
Seja para quem vai à Serra da Portela, à Serra do Casal Soeiro ou à Serra da Ameixieira, é inevitável passar num estradão que, a cada Inverno que passa, fica em mau estado onde o declive é mais acentuado. A solução tem sido espalhar brita de forma recorrente. Ou seja, em vez de se resolver um problema, está-se, por um lado, a adiar a resolução do mesmo e, por outro, a criar outro problema, já que o perfil vertical do estradão aumenta ano após ano. Resumindo, não se vai ao cerne da questão. Anda-se basicamente a ir buscar brita a pedreiras de calcário, degradando assim mais a paisagem, para espalhar a brita na... serra...
Alguns dirão para se alcatroar, ao que eu respondo, basta de atentados ambientais nestas serras. Já chegou bem o crime que ali fizeram em meados da década de 90, quando uma máquina obliterou o topo da serra da Portela sem justificação alguma.
Há soluções ambientalmente sustentáveis e sem impacto visual que não interferem com a identidade daquelas serras, portanto há que pugnar por uma solução pensada por quem sabe. Não se pretende uma solução à chico-esperto nem à tuga, pois disso estamos fartos!