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7.12.25

Simbiose biomurada


Simbiose biomurada foi a expressão mais curiosa que achei para vos prender a atenção sobre esta extraordinária imagem, a qual ilustra um equilíbrio que se está a perder na nossa Sicó. Sim, por mais estranho que possa parecer a tecnocratas e iletrados no domínio ambiental, é não só possível bem como desejável este belo equilíbrio entre o tradicional muro de pedra seca e o arvoredo, neste caso a bela da oliveira. Cortar uma árvore para quê se isto é tão belo de se ver?! Cortar para quê se afinal não estorva?!
Quero mais muros de pedra seca, mais muros de pedra seca recuperados e mais árvores acompanhadas dos muros de pedra seca, sejam oliveiras, carvalhos, azinheiras, loureiros e outras autóctones!
No próximo ano irei organizar formações de construção e reconstrução de muros de pedra seca, portanto vão-se preparando para começarmos a mudar o paradigma também neste domínio!

 

23.10.24

Bom de ver a ser recuperado!


Já sabia que o muro que ladeia esta dolina ia ser intervencionado, daí aquando da minha última visita ali, há poucas semanas, não ter sido surpresa o que vi. O muro em causa estava em vias de ruir, daí ser necessária uma intervenção de fundo. Vou esperar pelo fim para ver como vai ficar e se tudo vai ser bem feito, já que, diga-se, uma colina é um ecossistema muito frágil, sendo necessário aconselhamento de quem sabe, nomeadamente biólogos e geomorfólogos especialistas no carso.
Sei que irão haver outras intervenções, portanto venham elas, esperando eu que sejam intervenções bem ponderadas, planeadas e executadas!
Ah, onde é? Não dizer faz parte da curiosidade! Toca a procurar, pois é bom conhecer o nosso território.

20.12.23

Assim não vamos lá...


falei deste tema várias vezes ao longo dos últimos anos, já que é algo de muito importante, seja no domínio patrimonial (muros de pedra) seja a nível do impacto na paisagem rural e cultural de Sicó. Infelizmente, e mesmo tendo em conta as frequentes palavras vãs dos autarcas da região neste domínio, o certo é que não vejo medidas para resolver o que, no meu entender, é um grave problema. Não basta dizer que se vai proteger os muros de pedra, há que fazer que isso aconteça e que, por exemplo, a aberração que se vê na imagem não ocorra. Há várias formas de resolver o problema, mas se não nos mexermos é natural que não se saia do mesmo lugar.
Confesso que isto de apontar problemas que não são resolvidos é cansativo passados tantos anos a bater na mesma tecla enquanto activista do património de Sicó, tal como é frustrante não conseguir mudar mentalidades neste domínio ou não conseguir fazer aquilo que mais gosto na minha região, Sicó. Estamos a poucos dias do final de mais um ano e as minhas aspirações de voltar à minha região começam a esfumar-se. Não basta ser competente, ter mérito e reconhecimento q.b., é preciso algo mais... Agora começo a perceber bem o que alguém me dizia há uns meses, quando eu lhe dizia que gostava mesmo de voltar à minha região para me estabelecer em termos profissionais. Disseram-me: "não sejas maluco...". Nesta altura concordo plenamente com essa pessoa. A ver vamos como vai ser 2024 e se vai implicar ir para fora, lá fora. A luta por Sicó continuará, independentemente do que aí vier, isso é garantido!

 

21.6.23

Uma paisagem e uma identidade local destroçadas...


Há uns meses li e vi algo nas redes sociais da Junta de Freguesia de Ansião que me inquietou. Inquietou porque eu já andava com receio de mais acções lesivas desta Junta de Freguesia perante os valores naturais, tal como aquela que já tinha ocorrido nos Netos, onde foi destruída uma charca histórica, com valor natural. E antes disto eu já tinha ficado indignado pelas afirmações do presidente da Junta aquando da questão do alargamento da zona industrial do Camporês, onde este afirmou que a avaliação ambiental era uma perda de tempo. Uma afirmação infeliz e bem ilustrativa da fraca literacia do mesmo no domínio do ordenamento do território. Confesso que esperava mais de um autarca da minha geração, contudo a política da brita e manilhas continua em força enquanto forma de estar na política...
Mas indo ao caso em análise, este mês fui finalmente ao local analisar o que tinha sido feito pela Junta. O mero populismo político levou a que a paisagem e identidade locais fossem destruídas. Oliveiras arrancadas, muros de pedra tradicionais arrasados. Para quê? Acesso? Muito trabalho de casa por fazer, está à vista... E o tal ribeiro que corria no caminho, onde até, imagine-se, havia um equilíbrio natural, vai, em poucos anos, alargar/erodir de forma acelerada o canal que podem ver na imagem a seguir, levando muito provavelmente a um gasto de dezenas de milhar de euros para mitigar o problema criado pela Junta. É lamentável que se descaracterize a identidade e o património locais só para agradar a alguns. É lamentável que se ignorem factos básicos no domínio da gestão do território só para agradar a alguns. Tudo isto teria sido evitado se se tivesse, primeiro, ponderado a questão, segundo, estudado o que se poderia fazer sem destruir o património e a identidade locais. O resultado desta acção lesiva em termos ambientais e patrimoniais levará, muito provavelmente, à impermeabilização do canal na imagem, o qual irá ser alargado pela nossa amiga Natureza e pela água que ali passa, agora em desequilíbrio natural.
Lamento profundamente que este tipo de mentalidade de "brita e manilhas é que é bom" continue na região de Sicó, mesmo com gerações mais novas e supostamente mais sensíveis à preservação da nossa identidade local e do espaço rural.
A muita água que ali passa em episódios de grande pluviosidade alargará em pouco tempo este canal e aí vão surgir as queixas dos proprietários e as desculpas do jovem autarca. Depois... aguentem-se à bronca. Só tenho pena os muitos milhares de euros que vão ser precisos para resolver o problema criado só para agradar a alguns. O contribuinte vai ter de se chegar à frente... 




 

13.2.21

Há coisas que não lembram ao...


Sempre que posso, gosto de deambular por Sicó. Sair sem destino, pelo simples prazer de desfrutar da minha região. Por vezes dou com coisas que não lembram ao diabo,  daquelas que podem observar na fotografia que acompanha este comentário...

13.12.19

Qual preferem, esquerda ou direita?


A resposta da esmagadora maioria será só uma, direita, contudo quantos têm pugnado pela manutenção dos muros de pedra, elementos fundamentais da paisagem cultural da região de Sicó? Poucos, muito poucos.
Vejo com muita preocupação o proliferar deste atentado paisagístico na região de Sicó, daí já há alguns anos ser um activista pela manutenção dos tradicionais muros de pedra. Algumas situações são fáceis de resolver, contudo são uma minoria. A maioria são difíceis de resolver por um motivo muito simples, ou seja o facto de não haver apoios para a manutenção e recuperação dos belos muros de pedra. Há uma forma estrutural que pode facilitar a manutenção e recuperação destes muros e isso passa por um Plano de Paisagem para a região de Sicó. É um primeiro passo, fundamental, para alterar o paradigma. Fala-se algo sobre a Rede Natura 2000, contudo muito tem falhado neste domínio. Neste domínio seria interessante questionar um indivíduo que se muito se auto-elogia sobre a criação da RN2000, mas pouco ou nada diz sobre os vários falhanços da mesma. Nos últimos meses tem-se ouvido nalguns canais na criação de uma paisagem protegida, contudo são apenas zum zuns e que de pouco poderão valer sem a criação de uma ferramenta essencial para a gestão da paisagem. E obviamente que também se coloca esta questão no domínio dos Planos Directores Municipais, onde é notória a ausência de regulamentos que impossibilitem esta adulteração paisagística através dos muros de blocos.
Vamos todos pugnar pela defesa deste e de outros elementos identitários da região de Sicó?