24.5.16

É muito fácil cortar uma árvore...


É muito fácil cortar uma qualquer árvore. Mais difícil é plantar ou repôr outra. É muito fácil cortar um carvalho para lenha. Mais difícil é plantar carvalhos para, no futuro, ter bolotas, ecossistemas, madeira da boa e alguma lenha vinda da gestão dos carvalhais. É muito fácil cortar uma árvore. Mais difícil é entender que aquilo não é apenas uma árvore. É muito fácil respirar. Mais difícil é pugnar por ar bom para se respirar. É muito fácil cortar árvores valiosas. Mais difícil é deixar de cortar estas mesmas árvores. É muito fácil cortar árvores valiosas para o ecossistema. Mais difícil é garantir a saúde do ecossistema. É muito fácil rasgar uma serra para plantar eucaliptos. Mais difícil é entender que o lucro é algo de muito subjectivo. É muito fácil plantar eucaliptos. Mais difícil é termos uma paisagem que valha esse nome. É muito fácil apregoar a sustentabilidade para os jornais da terra. Mais difícil é ser-se coerente e consequente nessa mesma sustentabilidade.
Querem que continue?!

19.5.16

Quintas de Sicó: chamada à recepção!


Não, como de costume não vou dizer onde esta quinta se situa, pois há que salvaguardar este património dos larápios e dos chico-espertos. Quem por ali passa já sabe onde é e quem não sabe, tem um bom remédio, vir à região de Sicó e calcorrear este belo território.
Volto novamente à crónica das quintas de Sicó, de forma a dar seguimento a algo de importante, a sensibilização sobre o património construído nesta região. E que belo edifício este!
Trata-se de uma quinta que já me tinha chamado a atenção, mas sobre a qual não me tinha debruçado. Pela primeira vez fui ao encontro dela e confesso que não fiquei surpreendido, já que afinal o que é belo vê-se de longe. Mas ao mesmo tempo foi surpreendente ir até ali à entrada daquela quinta, onde uns quantos cães me aguardavam...



Várias fotografias depois, e pazes feitas com os bóbis, fiquei bastante agradado com esta quinta. Tenho pena não ter tido a possibilidade de a visitar, no entanto nunca se sabe se futuramente me irá ser permitido visitar tal quinta. Das quintas que aqui já abordei, apenas tive a oportunidade de visitar uma delas.
Entidades públicas e privados, devem reflectir seriamente sobre o futuro destas quinta, já que elas são uma mais-valia para a região de Sicó. Urge recuperar estes edifícios, seja para utilização privada ou mesmo pública. A criatividade não tem limites...


14.5.16

Toca a limpar os dejectos sff!


Foi esta escorrência que me chamou a atenção quando por ali passava. Prendida a atenção, vi aquelas ervas fartas e percebi o que aquilo era. Não fiquei surpreendido, tendo em conta que naquela área, já ocorreram casos bem curiosos à luz do ordenamento do território, caso de violação do PDM (primeira geração) e violação da Rede Natura 2000. Onde é? Moinho das Moitas, Ansião, na estrada que segue para a Fonte Galega, a escassos 300 metros da antiga Intercer. Trata-se de um local onde uma empresa deposita estrume de frangos, de forma ilegal. São várias toneladas de estrume que ali costumam ser depositadas, facto que passa ao lado de quem por ali passa. A poluição, nomeadamente os lexiviados, infiltra-se rapidamente no subsolo e em poucas horas chega ao aquífero. 
Esta situação é apenas mais uma de outras mais, mas desta vez apetece-me ser pedagógico. Assim sendo, sugiro à empresa que cometeu esta ilegalidade, que limpe o local no espaço até ao final do mês. Se até lá a situação estiver resolvida, não farei queixa. Caso o local continue assim, irei tomar as medidas necessárias para que a situação seja resolvida de vez. Só uma sugestão, quando digo resolver não é relocalizar o que se vê na foto. O aquífero dos Olhos de Água não precisa de ser ainda mais poluído. Cumprir as regras não é uma questão de vontade, mas sim de obrigatoriedade. E além disso, ninguém está acima da lei, sejam eles familiares ou não.
Fica a dica e a promessa que irei monitorizar esta e outras situações, a bem do ordenamento do território e da saúde pública.
Porque procedi desta forma? Simples, a visibilidade que estou a dar a este caso terá mais impacto que uma possível multa e será claramente mais pedagógica. Esta visibilidade significa que a comunidade vai estar atenta e fica a conhecer algo que lhe pode passar ao lado, tal como me aconteceu até há 3 semanas. 

5.5.16

Onde pára a fiscalização? Sicó merece um destino melhor...

É uma situação que já tinha sinalizado há umas semanas, quando, por mero acaso, reparei que havia algo a passar-se por ali. Lembram-se de quando fiz aquela chamada de atenção aos produtores de azeite da região de Sicó? Nesse comentário utilizei uma fotografia onde consta um olival e, por detrás deste, já lá aparecia uma máquina (tractor verde) que estava a cortar a vegetação de estrato arbóreo. Poucos dias depois um dos meus "informadores" envia-me estas fotografias, onde se vê que a coisa já ia avançada...



Após a tomada de conhecimento, fiz o que costumo fazer, ou seja, informar-me sobre a classificação do solo naquele local, que fica no limite Norte do concelho de Ansião, ali na recta que liga a Ribeira de Alcalamouque ao Rabaçal. Qualquer pessoa dá com aquilo, pois vê-se bem da estrada. Consultada uma das ferramentas, gratuitas, ao dispôr de qualquer cidadão, o geoportal, cheguei rapidamente a uma conclusão, ou seja aquela área ser Reserva Ecológica Nacional, o que torna aquela mobilização de solo algo de ilegal. Aposto que será para plantar... eucaliptos. Por esta altura o local já deve ter sido fiscalizado pela SEPNA, o que significa que uma ou duas coimas já devem estar a ser preparadas para quem promoveu tal ilegalidade.
Curiosamente há um outro pormenor que se interliga perfeitamente com esta questão. No dia 3 de Maio, a CCDR-Centro, promoveu (muito bem!) uma acção de sensibilização para o ordenamento do território, onde se enquadrou, entre outros, o Regime Jurídico de Reserva Ecológica Nacional. O problema é que esta acção não teve como alvo principal a população, mas sim quem já deveria estar sensibilizado e quem supostamente deveria ter competências mínimas neste domínio, caso dos autarcas, especialmente presidente da câmara e vereador do ambiente. Faz isto algum sentido? 
Na minha óptica não, já que cedo defendi a necessidade de todos os autarcas serem obrigados a fazer uma formação mínima certificada no domínio do ordenamento do território. Faz todo o sentido, pois sendo o ordenamento do território a base fundamental do desenvolvimento socio-económico, a lógica deveria ser esta. Mas infelizmente não é...
É uma falha no sistema que tem obrigatoriamente de ser resolvida, a bem do desenvolvimento territorial. Faz algum sentido uma pessoa para se poder candidatar a uma vaga na função de técnico superior de geografia ter um curso (faz!) ao mesmo tempo que um autarca sem qualquer competência técnica/científica se candidata ao cargo político numa função com responsabilidades no ordenamento do território não ter curso ou formação alguma (não faz!)? Faz algum sentido a mera opinião de um autarca sem competências técnicas/científicas se sobrepor a um parecer técnico de um especialista? Não? Mas é o que muitas vezes acontece... 
Urge reflectir sobre esta questão algo peculiar, a bem do ordenamento do território, do património, da paisagem de Sicó e de tudo o que daí advém.