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27.4.25

Viva os mercados municipais e os produtores locais!


É algo que aprecio seja onde for, em Ansião ou em qualquer local que visite por este mundo fora. Falo, claro, dos mercados municipais. Há uns dias voltei a visitar o Mercado Municipal de Ansião, o qual está longe de outros tempos, contudo o espírito, esse continua lá. Gosto do ambiente, dos sons, dos cheiros, da paleta de cores e do ambiente em redor dos mercados municipais. E nada como comer também algo quando lá vamos, tal como o fiz. 
Isto tudo porquê? Bem, temos de salvaguardar estes verdadeiros tesouros que são os mercados municipais e os produtores locais, a bem de todos nós e das economias locais!


 

5.5.23

Arrancar árvores para plantar umas florzitas "só para inglês ver"?!


Foto: Google Maps


Foto: Stephen Vincent



Foto: Facebook "Apanha Mentirosos"

Bem, estas 3 imagens mostram o que se passou há poucos dias em Soure, mesmo em frente à Biblioteca Municipal de Soure. É algo que revoltou muito/as sourenses e com toda a razão.

Deixei passar a fervura para poder comentar com maior conhecimento sobre o assunto, mas agora, e feito o TPC, eis que venho então abordar esta situação. Vi várias desculpas para isto. Uma suposta valorização paisagística daquele largo, de forma a dar mais visibilidade ao edifício da Biblioteca, uma suposta transplantação das árvores, etc. Em linguagem de quem está habituado a ver este tipo de casos, chama-se de balelas. Não faço ideia sobre o que, de facto, levou a esta situação, contudo é um perfeito disparate. Destruir o arvoredo é mau, e numa praça a precisar de verde, é um tiro no pé. A desculpa de arrancar as árvores para dar mais visibilidade ao edifício da Biblioteca é um perfeito disparate. Arrancar árvores para depois plantar ali umas flores é um verdadeiro atestado de incompetência de quem gere o espaço. Perdem-se árvores que além do oxigénio tornavam aquela praça mais fresca no Verão. Sim, pode parecer que não mas têm um efeito maior do que possam imaginar. Como sei? Estudei espaços verdes e estudei climatologia local, daí saber bem do que falo. Foi quando fiz um trabalho sobre o efeito dos espaços verdes no espaço urbano que fiquei a saber, de facto, da enorme importância de, por exemplo, destas árvores arrancadas. E há quem defenda esta acção pouco ou nada inteligente. Mais valia dizerem logo que era para depois poder montar ali palcos para eventos...

Esta iliteracia neste domínio não era suposto ocorrer em entidades públicas, às quais se exige mais, muito mais. E já nem falo que quando se pretende fazer algo num espaço como este, dizem as boas práticas que em primeiro lugar se devem ouvir os locais. Não foi isso que aconteceu...

Assim não vamos longe...

5.1.23

E a região de Sicó está representada por duas vezes!


Foi a última compra de 2022, e que bela aquisição foi! Depois uns dias antes ter dado conta deste livro na prateleira de uma livraria, tive de voltar para ver melhor. Dantes não tinha tido tempo para ver com atenção, contudo o facto de um dos autores, também ele geógrafo, ser já um dos habituais nas estantes da minha biblioteca, era um bom indicador para a aquisição..
Confirmado que o livro não padecia do desacordo ortográfico, eis que fui procurar algo que me interessava de sobremaneira, ou seja se entre todas as paisagens naturais ou humanizadas de Portugal, surgia alguma de Sicó. Não era preciso aparecer para que eu tivesse interesse, era mais uma curiosidade e um misto de orgulho caso surgisse. E eis que vi não uma mas duas paisagens de Sicó, uma era uma paisagem humanizada construída (algures por Pombal) e outra uma paisagem humanizada, mas natural. Imaginem onde? Alvaiázere, isso mesmo. Da serra de Alvaiázere uma bela panorâmica para a depressão fluviocársica de Alvaiázere, ou como é conhecida localmente, campo de Alvaiázere. É algo que me alegra de sobremaneira, já que esta serra e a sua envolvência é, para mim, muito especial já há muitos anos. É já há muito um território de luta pelo património natural, pela sua preservação e valorização. 
Curiosos? É ler o livro, já que vale mesmo a pena. Muitas e belas paisagens de Portugal, de Norte a Sul, de Este a Oeste, onde a identidade é o prato forte. É daqueles livros que se manterá actual por muitos anos, acreditem!
E lembrem-se, ler livros, comprar livros, ir a bibliotecas e mesmo ter a vossa própria biblioteca é das melhores alegrias e utilidades da vida! Bom 2023, com muitos livros à mistura!!

18.11.21

Estou perplexo... ali?!

Apesar de já saber que iam ser colocados vários monos em várias aldeias de Sicó, só depois de abordar o mono colocado em Ariques é que soube que já havia pelo menos mais dois também já em execução, um nos Poios, Pombal (que ainda não fui ver...) e outro na Granja, Ansião. Foram 3 as pessoas que me alertaram para o facto, uma delas com imagens para perceber onde é que afinal tinham colocado o mono. Fiquei chocado ao perceber que o tinham colocado ali. E claro que tive de ir ao local ver com os meus próprios olhos, já que não há nada que possa substituir o ir ao terreno e perceber. Como por acaso tive de voltar a Ansião em poucas semanas, deu para ir ao local.

Se o mono já é sem dúvida discutível, dado o seu não enquadramento no local, facto que colide com a suposta preservação da identidade local e dos valores associados às aldeias do Calcário, tantas vezes referida pela Terras de Sicó, a escolha do local da implantação do mesmo é, na minha humilde opinião, simplesmente desastrosa. Aquele local, com poço e tanque nunca deveria ter sido adulterado. Deveria ter-se preservado a identidade do local, não uma desvirtuação da mesma. Como é que uma chapa 5 é preservar a identidade local?!

Falta um provedor do património para impedir equívocos patrimoniais como este na região de Sicó!





 

14.10.18

Não é apenas uma fachada, é algo mais do que isso...


Lembro-me de um trabalho académico que fiz há coisa de 15 anos, numa disciplina que dava pelo nome de geografia urbana. Este trabalho ficou na memória porque permitiu-me adquirir conhecimentos particularmente interessantes no domínio da urbe e de tudo o que ela pode significar. Nestes conhecimentos entra a questão da perspectiva, a qual foi adquirida através de um processo bastante curioso. Basicamente andámos pela zona histórica de Setúbal a percorrer cada um dos edifícios, tentando saber qual a actividade económica que era desenvolvida naquele espaço no presente, mas também no passado. Este levantamento foi feito para o rés-do-chão e para o primeiro e segundo piso. No primeiro andar prevaleciam os negócios, enquanto que no primeiro e segundo piso já predominava a habitação. Feitos os mapas, teve-se uma visão bastante curiosa sobre a evolução da tipologia de ocupação e da respectiva evolução ao longo de algumas décadas.
Isto tudo para introduzir uma perspectiva que raramente é factualmente percepcionada pelas pessoas. Quando aplicada à região de Sicó, a coisa ganha um novo sentido, já que não tenho ligação alguma com Setúbal, mas tenho uma conhecida ligação com, por exemplo, Ansião. Lembrei-me de registar esta imagem para este propósito. Para os mais novos, a fachada que consta na fotografia que acompanha este comentário não diz muito. Diria até que a maioria dos mais novos nem se apercebe que há ali uma fachada e que por detrás dela há um mundo diferente, numa espécie de colagem urbanística.
Para mim há ali uma fachada e um edifício por detrás dela. O edifício nada me diz, ao contrário da fachada, que, para mim, representa parte da minha identidade e memórias importantes. Era ali que antigamente se situava o posto da GNR de Ansião, no antigo edifício do qual resta apenas a fachada. Era também ali que se situava uma oficina de bicicletas (irmãos David), a qual eu frequentava regularmente, dado o facto de que as bicicletas fazem parte do meu ADN há mais de 3 décadas.
Por tudo isto e por muito mais é que é importante acautelar estas questões na hora de fazer urbanismo. A identidade local é única e intransmissível. Perturbar a identidade local é algo de grave, daí trazer aqui este tema, de forma a vos fazer pensar nesta importante questão. Sem pensarmos nesta e noutras questões o espírito crítico não se desenvolve e o exercício da cidadania fica enfraquecido, tal como é tristemente frequente e como aliás está bem presente na Vila de Ansião. É tudo...

9.8.18

Diziam eles que o granito era melhor do que o calcário porque não partia...


Há uns anos, aquando as obras de regeneração urbana, na Vila de Ansião, que descaracterizaram a identidade da mesma, com a utilização de granito onde afinal o calcário é rei e senhor, manifestei o meu profundo desagrado pelo facto, bem como pelo processo de participação pública, que serviu apenas para inglês ver. Apontei os factos, centrando-me fundamentalmente na perda de identidade causada por obras chapa 5, que utilizaram materiais que nada têm a ver com a identidade local, num claro desrespeito pela mesma. De uma forma muito resumida, aquando obras de regeneração urbana, os traços identitários têm de ser respeitados e, por isso, todos os materiais têm de ser devidamente enquadrados, integrados e a população tem de ser ouvida, de facto. Digo de facto porque, de facto, não foi isto que aconteceu. Foram pedidos contributos, contudo as obras estavam prestes a começar, impedindo assim a aplicação da esmagadora maioria dos contributos. Resumindo, foi um processo que basicamente não serviu para nada a não ser para que se pudesse dizer que a população tinha dado o seu contributo, quando, de facto, isso não ocorreu na sua globalidade. A população não teve a oportunidade de se sentar antecipadamente a uma mesa com os autarcas, técnicos autárquicos e empresa que fez a obra, de forma a debater a obra...
Nessa altura, e tendo eu criticado a utilização de granito, em vez de calcário, houve algumas vozes que afirmaram que o calcário partia/degradava facilmente, mesmo que sem competências técnicas para afirmar seja o que for, de forma séria e justificada, sobre as propriedades destas rochas. Eis, que, passados poucos anos, está à vista o conhecimento desses sabichões da tasca. Como se costuma dizer, uma imagem vale por mil palavras...

5.3.18

Memórias com os dias contados...


A imagem não é a melhor, já que além de ter sido registada ao final do dia, foi registada com um telemóvel, contudo serve o meu propósito. Não vou dizer onde é, de forma a que fiquem com a pulga atrás da orelha e fiquem mais atentos aos recantos que ainda não foram arrasados por uma qualquer construção (e que irá inevitavelmente ocorrer neste local, mais tarde ou mais cedo...).
Fica num terreno sobranceiro a uma rua que conheço há quase 40 anos e pela qual já passei milhares de vezes. A esmagadora maioria das pessoas passa ali de carro. A pé são menos e do outro lado da rua. Algumas passam por ali e vêm estes antigos tanques de lavar roupa, mas, os mais novos, e alguns mais velhos, que não dali, não sabem o como, quando e porquê. 
Tive a sorte de quando ali ia a passar me deparar com uma pessoa conhecida e já de idade, que vive mesmo ao lado. Como ela me viu parado a contemplar aquele património, meteu conversa. Foi assim que descobri o como, o quando e o porquê. Já por várias vezes tinha reparado neles, contudo nunca tinha parado o tempo suficiente (há tanto para ver...) e nunca se tinha conjugado estar ali a pessoa certa na altura certa. Há coisa de 60 anos aqueles tanques eram utilizados pelos populares, tal como acontecia noutros tanques pela região de Sicó. Os tempos mudaram e a função dos mesmos deixou de ser actual nos moldes em que então era. Ficaram ali esquecidos e irão ficar até que o dono do terreno ache por bem investir na construção de um prédio, já que é um local muito favorável para isso. Depois disso serão apenas uma memória presente na mente de alguns. Com sorte ficarão imortalizados através de alguma foto que poderá eventualmente ganhar protagonismo num qualquer "memorial" informal.
Fica o desafio a cada um de vós para que andem a pé pelas vossas vilas e vejam tudo com olhos de ver, já que há cantinhos destes um pouco por todo o lado e que valem a pena contemplar. Depois é reflectir sobre o que andamos a fazer ao espaço urbano (descaracterização...) e perceber se parte deste património não pode ser salvo e/ou incluído no espaço urbano. Sim, é possível pegar no que de bom temos, do passado, e fazer o futuro com esse património integrado..