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23.9.24

Bom!


Soube do evento há poucos dias, contudo não podia deixar passar a referência a este evento internacional que visita Ansião e a região de Sicó. É uma região onde já são escassos os moinhos de vento, mas que há poucas décadas tinha largas dezenas de moinhos de vento. Há muito trabalho a fazer neste domínio, tendo eu já feito algum, seja através da investigação e publicação neste tema, seja por aqui abordar regularmente o tema dos moinhos de vento, seja pela apresentação de ideias para projectos a quem de direito, caso de uma escola de moleiros. Mais do que isto é difícil sem meios e apoios.... 

 

5.12.23

Muito orgulho e alguma desilusão!


Lembro-me bem do dia que um alto contacto no meio do activismo me telefonou a perguntar se já sabia. Perguntei: "se sei o quê?". Rapidamente fiquei a perceber que já estava a decorrer o prazo de participação pública de um projecto de pesquisa e prospecção de areias siliciosas e argilas especiais, em Almoster. Apesar de eu receber os avisos da plataforma "Participa", o facto do projecto ter o nome de "Murtal" passou-me despercebido, daí a surpresa. Havia ainda um mês de prazo, portanto comecei logo a divulgar aqui no azinheiragate e aos meus contactos o sucedido, de forma a todos participarem. Em poucos dias já havia uma pequena equipa de cidadãos e cidadãs a trabalhar no duro para tentar parar este projecto.
Eis que passados uns dias, nova má notícia, havia mais um projecto, e a poucas centenas de metros dali, já em Ansião, com o nome de "Pessegueiro", em Pousaflores. Novamente, mais mobilização para fazer, mais esclarecimentos técnicos a fazer. Foram, ao todo, dois meses de muito trabalho (incluindo centenas de kms feitos para poder participar nas sessões de esclarecimento respectivas), com outras pessoas, às quais desde já agradeço o seu trabalho e dedicação em prol desta causa comum a Alvaiázere e a Ansião. Houve muita ajuda de uns a outros. 
Não estranhem o número de participações ser menor em Almoster, já que isso decorreu do facto de ter sido o primeiro processo a ser público e ao facto de, naturalmente, demorar o seu tempo a mobilizar pessoal e a fazer o trabalho necessário. Mesmo assim 141 participações foi um bom número para Almoster.
Ansião teve umas incríveis 903 participações, facto potenciado por ter sido posterior ao de Almoster, ao facto de termos uma comunidade de estrangeiros residentes que fizeram um trabalho excepcional e ao facto de, ao mesmo tempo, termos tido pessoas de Almoster a ajudar e também muito pessoal de Ansião mobilizado. Foi incrível esta mobilização conjunta.
E durante estes últimos dois meses conheci várias pessoas que também fizeram um bom trabalho, pessoas que conheci pessoalmente e outras que me telefonaram a pedir ajuda. Que orgulho pessoal!
Em Ansião a Câmara Municipal deu parecer desfavorável, facto que me orgulha profundamente. A Junta de Freguesia de Pousaflores esteve muito bem na organização e logística da sessão de esclarecimento. Em Alvaiázere a conversa foi outra. Para não variar, o autarca local deu parecer favorável condicionado, mesmo admitindo que não estava bem preparado para analisar o processo. Já depois da sessão pública (onde a 16 minutos do início da mesma falhou a luz, mas apenas naquela área... voltando uma hora depois, sem que o pessoal tenha desmobilizado!), a Junta de Freguesia de Almoster, deu parecer negativo, mostrando assim que está, de facto, do lado da população nesta questão fundamental. Estou curioso para ver se a Câmara Municipal de Alvaiázere vai insistir num erro colossal, com consequências dramáticas a todos os níveis, inclusivamente políticos...
Algo de fabuloso foi ver tanta gente em ambas as sessões de esclarecimento. Em Almoster foram 100 pessoas e em Pousaflores julgo que rondava as 200.
Ou seja, nos próximos 3 meses haverá mais novidades, já que terá de haver uma sessão oficial de esclarecimento, com a empresa em causa, em Almoster e em Pousaflores. Até lá eu e outras pessoas estamos a fazer mais trabalho de casa para a luta que continua!
Para terminar um apelo, o que assinem e partilhem uma petição online que queremos levar à Assembleia da República nos próximos tempos, com alguns milhares de assinaturas!


#juntossomosmaisfortes 


 

5.11.23

Uma mina a céu aberto em Pousaflores, Ansião? Vamos mostrar à empresa que não queremos! Participem!!



Primeiro surgiu a informação da intenção de uma empresa fazer prospecção de depósitos minerais de areias siliociosas e argilas especiais no Murtal, mesmo junto ao limite administrativo de Ansião com Alvaiázere. Poucos dias depois surgiu outra intenção, através da mesma empresa, em fazer o mesmo no Pessegueiro, Pousaflores, em Ansião, ou seja duas potenciais minas de caulinos a céu aberto. Duas crateras de 3 km quadrados nesta zona, as quais nada acrescentam de bom ao território. Pelo contrário poderiam destruir as componentes económicas, tecido social, ambiental e outras mais. E podem potencialmente afectar gravemente e estruturalmente todo o desenvolvimento da região de Sicó. O turismo gravemente afectado, com destruição dezenas de postos de trabalho, fecho de alojamento local e outros mais. Saúde das pessoas afectadas, já que a exploração das areias silenciosas afecta gravemente os pulmões de quem vive perto destas explorações. Todo um território destruído para que uma empresa possa lucrar com estes depósitos minerais à custa da população que ali vive e das suas vidas. Recursos hídricos superficiais obliterados e recursos aquíferos subterrâneos afectados. Será que alguém quer isto para esta região?
Se são como eu, têm uma solução muito simples, inscrever-se na plataforma "Participa" (link acima) e submeterem a vossa opinião de acordo com o que acham sobre o assunto. É fundamental que o façam!
Pelo que sei, a posição da Câmara Municipal de Ansião será desfavorável às intenções de prospecção e pesquisa da empresa em causa. Haverá uma sessão pública de esclarecimento, julgo que no dia 20 de Novembro, às 18:30, na antiga escola do Casal Novo / São João de Brito, Pousaflores (irei publicitar nas redes sociais, portanto estejam atentos por favor).
Participem nesta plataforma (têm até dia 28 de Novembro), divulguem esta ameaça a Pousaflores, Ansião e Sicó e apareçam no dia 20! Quem precisar de ajuda que se acuse, tal como muitos e muitas têm feito nas últimas semanas.
Se é certo que precisamos de extrair recursos geológicos, também é certo que há locais que devem estar livres desta mesma exploração de recursos geológicos. Temos uma região reconhecida em termos patrimoniais, com a Rede Natura 2000, temos uma paisagem cultural a ser classificada e temos todo um território que ainda que fragilizado, está íntegro e pode ser potenciado, trazendo riqueza sem destruição. Caso estas minas avancem, teremos apenas duas crateras no território, durante décadas, e toda uma economia gravemente afectada, portanto percebam bem o que está em jogo! 
Estou triste que isto esteja a acontecer, embora feliz por ter percebido que haverá uma autarquia que mostrará que está com a população, enquanto outra, vizinha, está factualmente com a empresa visada, apesar de dizer que está com a população (esta revoltada com as intenções da empresa)... Temos de nos ajudar uns aos outros, a bem da nossa região! Contra as minas marchar, marchar!

 

9.6.23

Desmascarar o amadorismo sem ética e manipulador!

Fonte: Jornal Serras de Ansião

Nada tenho contra o amadorismo, contudo quando este se reveste de falta de ética, de manipulação de factos históricos e legais e de uma postura parcial e tendenciosa, então tenho tudo contra o amadorismo. Hoje venho aqui denunciar esse amadorismo, de uma amadora que há uns meses fez birra quando confrontada com factos históricos. E até já a tive de limitar a acção dela num dos grupos que administro por linguagem pouco própria e desrespeito para com terceiros.
A amadora em causa escreveu mais um "artigo" de opinião no Jornal Serras de Ansião, sobre um alegado topónimo. Resta saber se esta amadora sabe o real significado técnico de "topónimo". Há uns meses esta personagem fez birra quando eu a coloquei no lugar dela, num debate sobre topónimos, no caso da Serra da Portela, em Pousaflores. Neste "artigo" ela refere a serra de Pousaflores, quando deveria dizer "serra da Portela", Pousaflores, topónimo quase secular e oficial, tal como a documentação legal e histórica o confirma. Ela confunde o facto de algumas pessoas chamarem a Serra da Portela por Serra do Anjo da Guarda. Ora, não existe nenhuma Serra do Anjo da Guarda, mas sim a Serra da Portela. Não me incomoda que terceiros chamem a Serra da Portela por outro nome, mas daí a afirmarem que o seu topónimo legal é outro que não Serra da Portela vai muito. E tentarem manipular o topónimo na web (Google Maps), colocando nomes para fazer passar por topónimos. Ou criarem uma página de uma "empresa" no Facebook para colocar a localização "Serra do Anjo da Guarda".... Ou denunciarem comentários meus, onde alerto sobre estes factos, como impróprios, para baixar o número de visualizações. Já fizeram de tudo, mas está-lhes a correr mal a desonestidade. Ela ignorou a história e os topónimos, facto que em termos éticos é grave. Quem é, de facto, investigador sabe do que falo, mas quem acha que é investigadora não sabe, ou melhor, não quer saber, já que padece de uma ideologia que pretende manipular topónimos em prol dos seus interesses. Grave... Só tem sorte porque como não é, de facto, investigadora, não tem de prestar contas a ninguém, pois se tivesse de prestar contas como eu e outros investigadores, já estava arredada das lides, sem credibilidade e sem quaisquer reconhecimento por parte dos pares.
Esta personagem anda a tentar mandar barro à parede a ver se cola, com cuspo. Desta vez surge com mais uma tentativa de manipular topónimos. Ora, chamar local X por um nome não o torna um topónimo. Só quando ele é reconhecido e consta na documentação legal é que se torna um topónimo. Desta vez vem com a lenga lenga da Serra dos Carrascos, sem saber do que fala, já que apenas leu uns textos e fez um juízo de valor sem base técnica e científica. É óbvio que muitas vezes chamamos a um local que conhecemos por um nome baseado em algo, no caso carrascos. No século XIV havia quem chamasse ao sector Norte (em termos de forma é um "dedo" que se prolonga até à povoação da Serra do Mouro) da actual Serra da Portela, Serra dos Carrascos. Era essa a vegetação e era normal na época, não havendo referências, ser esse um dos nomes pelo qual era chamado aquele sector da serra. Ora, um topónimo é um nome oficial de um determinado local. Factualmente pode-se afirmar que nunca existiu o topónimo "Serra dos Carrascos". Na década de 1940 surgiu a primeira cartografia oficial daquela área e com isso o topónimo Serra da Portela, o qual teve origem nos locais. Até agora houve 4 versões da Carta Militar de Ansião (a última publicada há 3 ou 4 anos - tenho-as todas), em todas elas o topónimo Serra da Portela. Nunca constou o alegado topónimo Serra dos Carrascos. Mas esta personagem até fala uma carta militar que... não existe, já que ela refere uma alegada carta militar de 1940, quando a primeira foi publicada em... 1947. E o curioso é que nem falou da carta militar mais actual. Será que já as viu todas?! Não lhe convém... Quando não se sabe do que se fala, mais vale estar calada... Fazer colagens com o que outros escreveram é fácil, mas daí a ter sentido ou ser real vai muito. E para saber interpretar é preciso ser competente.
Reparem como esta amadora omite em todo o texto o único topónimo legal, Serra da Portela. Isto diz tudo sobre a falta de credibilidade e profissionalismo da mesma. 
Quanto ao topónimo "Castelo", este é comum onde há povoamentos arqueológicos, tal como acontece na vertente Norte da Serra da Portela. O curioso é que esta amadora nem falou das fotografias aéreas da Royal Air Force, da década de 60, que mostram o Castro da Serra da Portela. É curioso o facto deste amadorismo demonstrado, necessitar frequentemente de ir buscar informação de outros locais para tentar engrossar o enredo. Tal o desespero...
Fartei-me de rir quando ela escreveu "... na crista do lombo da Serra dos Carrascos...". A falta que umas aulas de geomorfologia fazem... E o curioso é que sem esta amadora perceber, está-se a contradizer e a confirmar o que eu disse sobre o facto das pessoas no século XIV falarem numa serra dos Carrascos quando falam apenas daquele sector da Serra da Portela. Tudo isto serve um propósito para esta amadora, tentar fazer esquecer o topónimo legal Serra da Portela. É algo de francamente vergonhoso e que atenta contra os mais básicos princípios de investigação. Mas isso compreendo, até porque para investigar não basta pegar nuns livros e citar o que interessa dos mesmos. A sorte é que o IGEOE, autoridade no domínio da cartografia, baseia-se nos factos e na ética, protegendo os topónimos destes chico espertismo amadores.
Curioso também esta amadora falar do Castro da Marzugueira, quando afinal ele se situa no topo da Serra de Alvaiázere. Marzugueira é um lugar situado a meia vertente da Serra de Alvaiázere. Será que esta amadora sabe o que é uma serra e os limites das mesmas? É que claramente está à vista que não... Nem sabe como são referenciados os povoamentos arqueológicos, ou seja a lógica subjacente...
E o triste disto é haver quem vá nesta lenga lenga, não percebendo que não está a ler algo escrito por quem sabe, mas sim por alguém que pensa que sabe e que gosta de ser bajulada. E é curioso constatar que no final do texto dela consta apenas o nome e nada mais. Ela é mesmo especialista em quê?! Qual a credibilidade dela?
A máscara caiu...

 

10.6.22

A arte da pedra na Serra da Portela, Pousaflores



Ainda não tive a possibilidade de ir à Serra da Portela desde que a colecção de esculturas foi toda posicionada, contudo tenho observado fotografias e comentários vários. Não é fácil abordar esta questão, já que a análise da arte é algo de subjectivo, dependendo a interpretação das esculturas de vários factores. Pessoas diferentes com diferentes perspectivas, experiências de vida e bagagens culturais podem ter opiniões semelhantes ou opiniões muito diferenciadas. E depois há as "opiniões" toldadas pela política.

Na Serra da portela foram colocadas 4 esculturas, cada uma delas muito diferenciada, mas baseada nesta mesma Serra da Portela e os valores naturais e culturais ali presentes. Julgo que a escultura que é mais aceite será a da mó. Esta será, para mim, a que conseguiu o melhor resultado, conjugando o aspecto e a identidade moageira da Serra da Portela. Depois segue-se uma escultura que tem também um valor identitário muito forte, ou seja a escultura das ovelhas. Monte da Ovelha é um topónimo histórico, ainda presente na cartografia histórica da Serra da Portela. Pessoalmente teria colocado a escultura próximo do marco geodésico. Há uns meses tinha dado a sugestão de criar uma escultura deste tipo, concretamente a criação de 3 ou 4 esculturas de ovelhas, as quais seriam colocadas em redor do marco geodésico.

Depois temos a escultura relacionada com as orquídeas. Não será a que a que terá mais sucesso, já que o interesse das pessoas pelas extraordinárias orquídeas presentes todos os anos na Serra da Portela é, genericamente falando, recente, mas esse mesmo facto, conjugado com um bom posicionamento, pode ter um bom impacto em prol da preservação e valorização destes belos elementos da biodiversidade local e regional, no carso de Sicó. 

Depois temos a quarta e última escultura, que será porventura a que menos impacto terá, contudo isso faz parte do processo. Julgo que o posicionamento da escultura das ovelhas poderia ter sido outra, mas isso não é muito relevante.

Há umas semanas li o comentário político de alguém ligado a um partido político, a menorizar estas esculturas, algo que me surpreendeu vindo de quem veio, mas quando a isso mais tarde falarei. 

A arte é algo que faz falta em Sicó. Poucos sabem o que significa isto no concreto, já que a bagagem cultural de muitos não é assim tão pesada e as ideologias políticas toldam o raciocínio. 

Mas, e para finalizar, fico contente com esta iniciativa artística na Serra da Portela. A arte é como o oxigénio, não existimos sem ele...




25.2.22

Eu sei o que fizeste na Gramatinha...



Adenda ao comentário

Passadas quase 24 horas da publicação deste comentário, foi postado o seguinte na página do Azinheiragate no facebook, o seguinte comentário de um cromo:




9.5.21

Fui investigar o Casal Novo...




Fonte: excertos das 3 versões dos meus exemplares da carta militar de Ansião, do IGEOE.

Há umas semanas deparei-me com um comentário que me aguçou a curiosidade. Tratava-se de algo que me interessava de sobremaneira, já que a toponímia é, para mim, algo de muito importante. O comentário em causa era centrado sobre o lugar de Casal Novo, em Pousaflores. Uns conhecem-no por esse topónimo, outros conhecem-no por São João de Brito.
No tal comentário eram várias as pessoas que afirmavam que o lugar era mesmo Casal Novo e não São João de Brito, daí eu ter feito algo que já por outras vezes fiz, ou seja pegar nas 3 versões da Carta Militar de Ansião e ver o que constava em cada uma das versões. A primeira data da década de 40, a segunda já da década de 80 e a terceira é a actual e mais recente.
Como não sei o porquê de alguns chamarem São João de Brito e outros chamarem Casal Novo, pergunto então o porquê desta situação.
O caso da Serra da Portela já é conhecido, sendo esta mais uma situação sobre a qual tenho curiosidade. Tenho de ver outras situações que possam existir, contudo terei também de adquirir outras versões das outras (3) cartas militares que abarcam Ansião. É algo de bastante interessante, analisar estes documentos oficiais e históricos, autênticos “armazéns” ou repositórios de história a vários níveis. A toponímia representa uma riqueza histórica fabulosa que importa conhecer. Para quem quiser adquirir cartas militares podem comprar através do Instituto Geográfico do Exército, de forma a conhecer a sua história gravada nas cartas militares. 
Para quem não quiser ser enganado, é simples, não liguem a amadores amadores. Sim, repeti amadores duas vezes e isso por um motivo, o de que há amadores profissionais (bons) e há os amadores amadores (reles). É uma dedicatória a uma amadora amadora, do tipo tia de Cascais, em versão peixeira, que não tem problemas em violar a ética na investigação e mentir sem complexos, usurpando assim a nossa identidade local e a nossa história à conta de um amuo. Umas orelhas de burra como na escola primária deve resolver. 

10.3.21

Saber desfrutar, aproveitar o muito que temos!


As próximas semanas serão especialmente importantes, já que dependendo do comportamento de cada um de nós, a situação covidiana em que estamos mergulhados há meses, pode ter dois desfechos diferentes, um onde poderemos retomar a nossa vida, mesmo que com algumas limitações durante uns meses, outro onde teremos de voltar a confinar em maior ou menor grau, com tudo o que de trágico isso significa. Quem vive na região de Sicó, predominantemente rural e semi-rural, tem sorte, já que além de viver numa região extraordinária a vários níveis, tem, na sua maioria, locais para desfrutar ao ao livre. Há muitos locais para desfrutar, uns naturais e outros construídos, tal como este parque de merendas catita, nas Cavadas, Pousaflores. 
Já há uns meses destaquei outro local do género, igualmente catita, sendo que a intenção é trazer aqui regularmente estes locais para que muitos dos que não se lembram de aproveitar estes locais o façam. Vivemos demasiado focados nas paredes das nossas casas e esquecemos demasiadas vezes de desfrutar o que há fora destas paredes.
Juízo agora e saibam desfrutar do muito que temos na região de Sicó!

 

28.1.21

Será que algum antigo sabe a história desta...


Já por várias vezes pensei em trazer aqui esta imagem, de forma a tentar descobrir a história por detrás desta figura desenhada/trabalhada numa laje calcária, na Serra da Portela. Não tinha trazido até agora por um motivo muito simples, ou seja não sabia onde tinha afinal esta fotografia. Ontem quis o destino que a descobrisse por mero acaso, enquanto procurava por outras imagens. Pode parecer fácil pensarmos que sabemos onde estão todas as nossas fotografias, contudo quando temos dezenas de milhar de fotografias, algumas mal organizadas e em vários discos externos, a tarefa ganha contornos de dificuldade inesperada. 

Indo directo à questão, o meu intuito é o de tentar descobrir quem fez este desenho na laje calcária e perceber a história associada à mesma. O desenho terá algumas décadas.

Conheço este desenho há coisa de uma década, quando amigos do Grupo Protecção Sicó me levaram ao local, o qual não irei divulgar. Posso dizer apenas que se situa na Serra da Portela, Pousaflores, e que dificilmente a encontrarão.

Vamos então tentar descobrir o quem, o como e o porquê? Amigos de Pousaflores, a bola está do vosso lado...

16.11.20

E finalmente... limpou-se o matagal da Serra da Portela!

 


Já me tinham dito que isto aconteceria, mas entre me dizerem que vai acontecer e o acontecer vai uma grande distância, como é aliás comum em tantas situações, daí apenas agora que a coisa se concretizou eu falar dela.
Foi em Novembro de 2019 que o presidente da Junta de Freguesia de Pousaflores, em agradável conversa, me disse que isto estava planeado, daí eu estar expectante com esta limpeza, a qual surge já com um atraso de muitos anos. Em Agosto de 2006 ardeu parte da Serra da Portela, no seu sector Norte, ou seja do lado da capela do anjo da guarda, e a coisa estava a propiciar-se para voltar a acontecer novamente. Nos últimos anos tenho apelado para a limpeza daquela área de pinheiro manso, já que estava basicamente num estado de abandono que potenciava o risco de incêndio e colocava em causa a produção de pinhões e a própria existência do pinhal.
Em Outubro voltei à Serra da Portela e constatei que a limpeza estava a ser efectuada. Foi curioso ver a limpeza, já que pôs em evidência algumas curiosidades. Primeiro, o “deserto” em que a Serra da Portela se tornou após meados da década de 90, aquando, quiçá, a maior destruição de património decorrida por ali, quando uma máquina arrasou todo o topo da serra. Nunca me saiu da cabeça aquela paisagem lunar... Depois, ver os tubos fantasmagóricos daquela acção de greenwash promovida pela GM, aquando da plantação de 130000 árvores sem estudo prévio. Não sobreviveram nem 10%, já que a coisa foi feita, como se costuma dizer, mal e porcamente.
O futuro a ver vamos, esperando eu que se preserve o que se manteve e não se promova mais destruição. Lembro que não basta cortar o mato, mas sim gerir a flora (e, também a fauna). 
Curiosamente, lembro-me de há 1 ano me terem confidenciado que estavam a pensar cortar algumas árvores ali plantadas, já que atrapalhavam o normal funcionamento do moinho ainda em funcionamento na Serra da Portela. Sobre este último, apresentei uma ideia a quem de direito, mas até hoje não obtive resposta. Se calhar está tudo bem e há muitos projectos em curso para dinamizar aquele território... É possível que venha desenvolver a ideia noutro local, caso exista interesse.
Quase a terminar, julgo que é nesta altura que começa a época da apanha das pinhas (1 de Dezembro), para que daqui a uns tempos tenhamos o belo do pinhão pronto para ser degustado. Infelizmente a problemática covidiana actual afectará a nossa feira dos pinhões...
Aproveitem para, logo que o tempo dê, fazer uma caminhada pela Serra da Portela. E se algum "evangelizador" vos falar do anjo da guarda, digam que depois passam pela capela para a ver, já que há quem faça confusão, deliberada, com o nome legal e oficial da serra, tentando impor uma sua visão facciosa, através da ocultação/manipulação verbal do topónimo legal e quase centenário. Já muito antes da capela existia a Serra da Portela, baptizada pelos locais ( e não por pessoas da cidade, como já, de forma desesperada tentaram fazer passar...). Como se costuma dizer, cada macaco no seu galho, a religião nos locais de culto e o património e a identidade no território, laico, a bem da identidade local. Chega de guerrinhas entre lugares e de tentativas de evangelização da Serra da Portela! Há poucas horas li o comentário de um senhor que tentava fazer uma analogia com aquele ditado do "para lá do Marão, mandam os que lá estão". Sugiro então que este senhor, que muito prezo, respeite então os locais, já que foram precisamente os locais (Pousaflores) que baptizaram a Serra da Portela há mais de 80 anos, ou seja muito antes da "sua" capela. A religião não manda fora dos locais de culto nem se sobrepõe à legalidade e ao respeito pelo património secular. A idade média já acabou há muito tempo. 
Fazendo eu agora uma analogia com base em "a idade é um posto", a história da Serra da Portela é um posto, daí um argumento que eu ouvi na base de "eu já conheço a serra por outro nome há 50 anos" não se sobrepor ao topónimo legal, que já vem pelo menos da década de 1940. Conhecer até conhecem, mas ocultam, mal, o facto. Já tentaram mudar o nome mas felizmente sem sucesso, já que as autoridades na matéria, guardiãs da legalidade e da história, descortinaram esta jogada pouco ética de um grupo de pessoas que confundem a religião e uma capela com a Serra da Portela.
Claro que a capela do anjo da guarda tem o seu espaço na história da Serra da Portela, ninguém nega esse facto, mas daí a tentarem impor, através da mentira, da ilegalidade, da manipulação e da ocultação de factos históricos esse nome à Serra da Portela vai muito. As guerrinhas entre lugares em redor da Serra da Portela também são algo feio de se ver. Impera não a ideologia religiosa, mas sim a história e essa é clara, gostem alguns ou não! E é escusado essa hostilidade. E escusam de tentar evangelizar o meu feed, já que ele é laico e não admite fanatismos, sejam eles de que tipo forem. Eu fico-me pelos factos históricos, não de forma parcial e ideológica, mas sim de forma imparcial e com base histórica. E estarei aqui para o debate dos factos.
Eu não digo a alguns para não tratarem a serra por outro nome, eu "apenas" condeno quem mente e diz que o topónimo legal e histórico da Serra da Portela é outro que não este. Há quem a trate por Anjo da Guarda, por causa da capela, há quem a trate por Serra do Monte da Ovelha, por causa de parte da sua história (o marco geodésico tem esse nome) e há quem trate a serra pelo seu nome legal e quase centenário, ou seja Serra da Portela. Claro, conciso, informativo e esclarecedor. A serra da Portela não é minha nem é sequer vossa, é sim de todos. Todos gostamos dela à nossa maneira e por vários motivos!

22.4.19

Sobre a apresentação do "Mountain Club Moinhos de Sicó", na Serra da Portela, Pousaflores.


Nem mesmo a chuva e vento foram capazes de impedir que mais de uma centena de pessoas se tivesse deslocado à Serra da Portela (Pousaflores), no dia dos Moinhos Abertos 2019, concretamente no dia 7 de Abril. Eu fui um dos que fez questão de ir, seja pelo facto de poder, mais uma vez, ver o moinho a funcionar, seja pela confraternização, seja pelo facto de ser naquela tarde que iriam apresentar o projecto "Mountain Club Moinhos de Sicó". Se o tempo estivesse mais apelativo teriam concerteza sido pelo menos duas centenas de pessoas a estar ali.
Sobre este projecto, já há uns meses que alguém me questionou se eu sabia do mesmo, contudo nem mesmo eu sabia do que se tratava no concreto. Depois deste dia, 7 de Abril, fiquei a saber e é sobre este projecto que vou dissertar umas linhas.
No geral gostei do projecto. Não sabia que era tão vasto, ou melhor, que extravasava o moinho de vento da Serra da Portela e a sua área de influência. Fiquei bastante agradado com o facto de o projecto se prolongar até um dos meus locais predilectos de brincadeira em criança, ou seja os Olhos de Água, em Ansião, local onde nasce o rio Nabão!. No geral é um bom projecto, faltando apenas algum amadurecimento e consolidação, maior ou menor dependendo da área temática em causa. No final houve alguma partilha de ideias, algo que enriqueceu o projecto, tal como é suposto.
Há um pormenor que me agradou de sobremaneira, ou seja confirmar mais uma vez que o azinheiragate é continuamente consultado por todos, inclusivamente empresas, para retirar ideias, algo que sempre foi um dos meus objectivos. 
Mas voltando ao projecto, uma nota importante, o facto de agora ser fundamental o envolvimento dinâmico e permanente de alguns dos actores locais, sejam cidadãos, associações ou outros, com conhecimentos nas mais variadas áreas de interesse para o projecto e para a região. Não se pode cair na tentação de dizer que é um bom projecto e depois baixar a guarda... Já vi muitos bons projectos a seguir caminhos que, no final, levaram ao insucesso. E este projecto, diga-se, mexe comigo, já que além de focar os Olhos de Água, foca também a Serra da Portela. Poucas pessoas sabem, mas o atentado ambiental perpetrado naquela serra no final da década de 80 teve um impacto muito grande em mim. O cenário lunar que ali ficou depois de uma máquina arrasar a serra da Portela ainda me está na memória. Mesmo não sabendo, na altura, nada sobre geologia e património, percebi já na altura o quanto criminosa foi aquela acção, perpetrada por quem tratava a serra por outro nome que não o seu... 


No final da apresentação, surgiu mais um ponto de interesse, ou seja o convívio à volta da mesa e com música a acompanhar, através dos Amigos da Gaita. Pão caseiro, feito no Ciclo do Pão, pão com chouriço, queijo, bolos e tartes vários, foi só escolher e degustar. O Ciclo do Pão será uma âncora importante do projecto no que concerne ao moinho de vento da Serra da Portela. No final muitos puderam levar um pão médio para casa apenas por 1 euro, sendo eu um deles.
Uma curiosidade do convívio, o facto de um casal inglês se ter deslocado ali e me ter confidenciado que estava a ser um espectáculo. Foi curioso a senhora me ter dito isto mesmo, mesmo sem eu a conhecer e estando este casal a residir ali próximo há poucos meses. A cultura portuguesa a dar cartas!


10.10.18

Um mamarracho na Serra da Portela, Pousaflores


Já não falava desta temática há bastante tempo, e não é por falta de "matéria-prima", mas sim por alguma falta de tempo para, calmamente, percorrer esta bela região. Falo, claro, dos denominados mamarrachos urbanísticos. 
Há algumas semanas, quando fui a uma interessante actividade que decorreu na Serra da Portela, Pousaflores (Ansião), organizada pela Junta de Freguesia de Pousaflores, estacionei o carro mesmo à frente do mamarracho que consta nas duas fotografias que "embelezam" este comentário. É um "edifício" que está ali há alguns anos, contudo nunca calhou eu falar dele de forma mais directa. É uma ferida na paisagem, não compreendendo eu como é que ali está, seja pelo absurdo que é, seja por estar em área de Rede Natura 2000 (Sítio Sicó/Alvaiázere). A minha sugestão é simples, desmontar esta infraestrutura e renaturalizar o local de implantação. É um passivo que ensombra a beleza daquele local e que não dignifica a Serra da Portela, portanto é um problema por resolver. A dica está dada...


9.6.18

Pousaflores Expõe, um evento interessante...


Ainda não tinha ido a este evento, o "Pousaflores Expõe", que se realizou mais uma vez na Serra da Portela, Pousaflores (Ansião). Desta vez estava por perto e fui até lá ver com os meus próprios olhos.
Começou bem, já que ao invés daquele estradão de antigamente, ao qual eu dava o nome de aeroporto da Portela, temos actualmente uma estrada de calçada, algo que me agrada. Pena é ter demorado tantos anos a surgir.
Mas depois não continuou assim tão bem, já que a primeira coisa que ouvi quando lá cheguei foi uma música rap, algo que me parece perfeitamente dispensável enquanto música ambiente de um evento deste tipo. Pode parecer um pormenor, contudo não é.


Depois mais um erro de casting, que vi logo que saí do carro, uma barraca completamente desenquadrada e... abandonada. Não é propriamente um bom cartão de visita...



Já no recinto do evento, vi a placa de um projecto que tem tido muitos problemas, não sendo aqui minha intenção dissertar muito sobre o caso. Ainda não fiz o trabalho de casa, o qual me permita opinar melhor sobre o assunto. O que sei é o que vejo e algumas coisas que amigos dali me confidenciam. Vejo este projecto com muitos bons olhos, contudo houve algo que falhou nos últimos anos. Urge parar para pensar e reerguer um projecto com bom potencial. Há ali uma infra-estrutura e um moinho que merece trabalhar e espantar quem o visita.



Chegado ao stand da Junta de Freguesia de Pousaflores, gostei de ver o que os mais atentos vêm na foto abaixo, contudo não há bela sem senão... Já aqui referi o semi-abandono das pinheiras. Falta limpar para diminuir o risco de incêndio. 


Dei uma volta completa ao recinto e gostei de ver tanto expositor e bom artesanato. Dou uma sugestão, porquê tapar a bela vista com os stands do outro lado? Seria interessante pensar uma outra organização dos expositores e, quiçá, umas mesas com aquele bela vista.
Depois de corrigidos alguns erros e feitas algumas melhorias, o Pousaflores Expõe pode ter uma outra dimensão. Não está mau para começar, portanto importa melhorar para trazer mais pessoas à Serra da Portela e para que o património e o artesanato tenham mais destaque. Resumindo, um evento com muito potencial...



9.3.18

O estradão das Serras da Portela, Casal Soeiro e Ameixieira...


É uma estrada pela qual todos os que querem ir à Serra da Portela (Pousaflores) têm de passar, pelo menos os que, de carro, querem ir ver o miradouro, tipo chapa 5, do Anjo da Guarda, o parque eólico ou o melhor, o moinho de vento, que de vez em quando expõe as suas velas ao vento. Continua a ser um local agradável de ir e curiosamente local de belas fotografias em concursos de fotografia.
Pode parecer, para alguns, estranho o facto de eu estar a abordar um tema tão pouco interessante como uma estrada, mas já vão compreender...
Seja para quem vai à Serra da Portela, à Serra do Casal Soeiro ou à Serra da Ameixieira, é inevitável passar num estradão que, a cada Inverno que passa, fica em mau estado onde o declive é mais acentuado. A solução tem sido espalhar brita de forma recorrente. Ou seja, em vez de se resolver um problema, está-se, por um lado, a adiar a resolução do mesmo e, por outro, a criar outro problema, já que o perfil vertical do estradão aumenta ano após ano. Resumindo, não se vai ao cerne da questão. Anda-se basicamente a ir buscar brita a pedreiras de calcário, degradando assim mais a paisagem, para espalhar a brita na... serra...
Alguns dirão para se alcatroar, ao que eu respondo, basta de atentados ambientais nestas serras. Já chegou bem o crime que ali fizeram em meados da década de 90, quando uma máquina obliterou o topo da serra da Portela sem justificação alguma.
Há soluções ambientalmente sustentáveis e sem impacto visual que não interferem com a identidade daquelas serras, portanto há que pugnar por uma solução pensada por quem sabe. Não se pretende uma solução à chico-esperto nem à tuga, pois disso estamos fartos!

7.2.18

Abater carvalhos para que o pessoal do TT possa chafurdar na lama?


não é a primeira vez que abordo este tipo de situação. Tristemente tenho de voltar ao tema após ter sido alertado para o facto. Trata-se de uma situação em Pousaflores, Ansião, onde, para criarem um espaço para o pessoal do TT chafurdar na lama, abateram um número indeterminado de carvalhos, parte deles alegadamente retirados do local (porque será...). Trata-se de uma prova de TT, apoiada pela Junta de Freguesia de Pousaflores, que entretanto foi cancelada (informação presente no facebook da Junta de Freguesia). Infelizmente o mal está feito, contudo as responsabilidades vão ter de ser apuradas...
Com tanto terreno ideal para fazer isto e sem necessidade de abater carvalhos, havia alguma necessidade de fazer esta triste figura? Numa freguesia onde o carvalho cerquinho é um dos seus principais embaixadores é esta a imagem que querem mesmo passar?
Estou neste momento a analisar o caso, de forma a ver se há matéria para queixa. A dúvida prende-se apenas com os limites do perímetro urbano, que pode condicionar de alguma forma a queixa. Sei também que parte deste trabalho foi efectuado em terrenos alheios, sem qualquer autorização dos donos (tal como consta nas redes sociais...), portanto irei esperar por mais desenvolvimentos.
É uma pena situações como esta continuarem a existir, sinal que temos muito que evoluir enquanto cidadãos e enquanto sociedade!
Pena que se tenha uma posição louvável, quando se recusa a apalicação de herbicidas na freguesia de Pousaflores e depois se tenha uma posição que, factualmente, apoia o abate de carvalhos. Urge corrigir este tipo de comportamentos, a bem de Pousaflores, de Ansião e da própria região de Sicó.
Termino com um apelo à Junta de Freguesia e aos donos dos terrenos em redor deste local. Limpem o que há para limpar, dentro das regras e da racionalidade, claro, e plantem espécies como o carvalho! O Verão chegará rápido, com tudo o que isso pode representar em termos de risco de incêndio...




9.1.17

As belas e seculares capelas da região de Sicó


É o antes (2011) e o depois (2012) das obras da Capela de Senhora do Pranto, situada na freguesia de Pousaflores, no lugar da Venda do Negro, na base da Serra da Portela. Já por algumas vezes esta capela do século XVII foi sendo reconstruída ou reparada e felizmente que se tem mantido ao longo de séculos.
É uma das várias belas capelas datadas dos séculos XVII ou XVIII da região de Sicó, todas elas representando uma fatia representativa do belo do património religioso desta bela região. Só quem conhece bem a região de Sicó e o seu património consegue dar conta delas todas e, mesmo assim, nem todos, pois há sempre mais um tesouro que não se conhece, tal como me foi acontecendo ao longo de muitos anos. Esta é já uma velha conhecida, contudo houve outras que apenas descobri na última década, fruto do convívio com pessoal ligado ao património, que sabe e partilha q.b., tal como eu o faço, já que assim todos ficamos a ganhar e Sicó agradece.
Fica o convite à descoberta desta e de outras belas capelas da região de Sicó. Contudo, e se vierem com más intenções, lembrem-se que o pessoal tem a espingarda atrás da porta...


27.11.16

Onde pára o ordenamento florestal da Serra da Portela?


Muitos do que passam pela Serra da Portela, em Pousaflores, e vão ao miradouro situado ao lado do moinho de vento e do parque eólico da Serra da Portela, não se apercebem do problema que ali existe há vários anos, ou seja a falta de ordenamento florestal. Basta dar corda aos pés ou bicicleta para vermos que há ali algo de grave a ocorrer, ou seja a inobservância de algo fundamental como o é o ordenamento florestal. Em Agosto de 2006 houve um incêndio em parte do sector onde está implantado o pinhal, mas parece que o tempo apaga as memórias e o risco de incêndio é grande, tal como podem constatar nas fotografias.  


Em meados da década de 90, alguém teve a ideia parva de rechaçar  esta bela serra com uma máquina. Foi um verdadeiro atentado ambiental que hoje seria impensável (ou não...). Infelizmente não há volta a dar e temos de nos contentar com o que ali está actualmente. Mas infelizmente o actualmente não augura nada de bom, pois a "estratégia" é a pior de todas. Uma grande mancha de pinheiras, que devidamente geridas dariam uns bons tustos com o rendimento que advém da venda das pinhas (e uma enorme mais-valia para a feira do pinhão anual). Ao lado desta, na Serra do Casal Soeiro, da Serra do Mouro e da Serra da Ameixieira, o projecto falhado das 130 000 árvores, boa parte delas não deram em nada, típico de projectos de greenwash. Junte-se a isto o lóbi dos caçadores e temos todos os ingredientes para o desastre.


Convido-vos a todos a dar uma volta da Serra da Portela, de forma a verem pelos próprios olhos o barril de pólvora que ali está e que urge minimizar, através de uma correcta gestão da floresta. Podem deixar o carro no miradouro do Anjo da Guarda ou na Capela do Anjo da Guarda e dar uma volta pelo estradão que dá a volta à Serra da Portela pelo seu topo.


Esta situação deverá ser resolvida rapidamente por um conjunto de entidades, onde se inclui a Junta de Freguesia de Pousaflores, a Câmara Municipal de Ansião, pela Associação Florestal e pelo ICNF (Rede Natura 2000 - Sítio Sicó/Alvaiázere). Os incêndios existem por vários motivos, um deles é a falta de gestão florestal. E os incêndios previnem-se antes do Verão...


E claro, não podia faltar um aspecto típico, a lixeira do costume, infelizmente muito comum por Ansião e arredores... Das 250 lixeiras de detectei em 2010, no Limpar Portugal, a maior parte tinha também restos de construção...


14.4.16

Cartografia histórica da região de Sicó: em busca dos topónimos perdidos


Já tinha a carta de Ansião mais recente de todas (2004), contudo faltava-me mais uma, pensava eu. Afinal faltavam-me duas versões mais antigas da carta militar de Ansião, daí rapidamente as ter adquirido no formato que mais gosto, em papel, para poder investigar os topónimos. A cartografia é barata e recomendo-vos vivamente que adquiram pelo menos o exemplar da carta correspondente à área onde vocês vivem.
A cartografia já me fascina há largos anos, embora o gosto efectivo pela cartografia histórica seja mais recente.
Mas vamos a um pequeno esclarecimento. Vêem que a Serra da Portela sempre teve esse nome e não outro? Eu também fui surpreendido há coisa de duas décadas, pois havia algumas pessoas que diziam que aquela serra tinha um outro nome (e eu acreditava só porque elas me diziam...). Uma coisa é elas, a título individual, denominarem a mesma por um qualquer nome que não o oficial e legal, outra é elas afirmarem, erroneamente, que seria esse o seu nome oficial e legal. O nome/topónimo próprio já existe há muitas décadas, tal como a cartografia o comprova sem qualquer margem para dúvidas. Anjo da Guarda refere-se apenas à capela e ao miradouro existente na serra da Portela.
Informação à parte, fiquei agora esclarecido porque é que já tinha visto Pousa-Flores em vez de Pousaflores.

Fonte: Carta Militar de Ansião, 1947 (275) - excerto do meu exemplar (papel). 

Já surpresa foi o facto de ver que o marco geodésico do Monte da Ovelha já teve outro nome/topónimo, ou seja Moura. Não me admira que isto esteja ligado ao povoamento arqueológico situado a escassas centenas de metros a Norte daquele ponto. Já o nome Monte da Ovelha poderá estar relacionado com o período que antecedeu o plano dos centenários (escolas primárias), quando as próprias crianças levavam os rebanhos para a serra. 
Tive outras surpresas, pois mesmo no local onde vivo, fiquei a saber de um topónimo que nunca tinha ouvido falar...

 Fonte: Carta Militar de Ansião, 1984 (275) - excerto do meu exemplar (papel). 

O comum cidadão, que não lida com cartografia, está muito alheado do valor e interesse de tudo aquilo que as cartas militares retêm numa simples folha de papel. O intuito deste meu comentário tem a ver precisamente com o regresso às origens e com aquilo que é realmente importante, o nosso património e os nossos belos topónimos, que importa conhecer. Apenas nesta carta (275) tenho muito por onde explorar, mas para isso vou precisar da ajuda dos mais velhos, dos anciãos, complementando com antigas publicações.
E para os mais desatentos, Ansião já foi Ancião, sendo eu ainda do tempo em que na escola se escrevia Ancião (sim, estou a ficar velho).

Fonte: Carta Militar de Ansião, 2004 (275) - excerto do meu exemplar (papel).