Mostrar mensagens com a etiqueta Pousaflores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pousaflores. Mostrar todas as mensagens
24.5.26
24.1.21
Sai mais uma dose de arqueologia!
Fonte: https://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios&subsid=56505&fbclid=IwAR1hvD9VlA_zuEXy9bNUPIy2u2TymQAOdEIqEwqROBLttTH0QjDdcaBUvnE
Fonte: https://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios&subsid=56505&fbclid=IwAR1hvD9VlA_zuEXy9bNUPIy2u2TymQAOdEIqEwqROBLttTH0QjDdcaBUvnE
E continuo com o tema da arqueologia, aproveitando o balanço propiciado pelo último comentário. A propósito deste último comentário, o qual publicitava um seminário sobre arqueologia, foi uma honra ser convidado para falar neste evento sobre parte de Sicó e do seu património. Foi também fantástico partilhar informação e aprender mais umas "coisas" com outros investigadores de outras áreas, uns já meus conhecidos, outros nem por isso. Todos eles mostraram que é um prazer investigar em Sicó, haja verba para isso...
Mas indo ao que me traz a este comentário, hoje quero partilhar algo que muitos ansianenses, e não só, desconhecem, mesmo pessoal de Pousaflores. Tratam-se de dois povoamentos arqueológicos, um na Serra do Castelo, outro na vertente Norte da Serra da Portela. Se pesquisarem a carta militar poderão perceber o porquê dos topónimos "Castelo". Nada é por acaso...
Na primeira imagem consta um print da informação sobre o Castro (povoamento arqueológico) da Serra do Castelo, referenciado pelos arqueólogos como Castelo de Pousaflores, e outro sobre o Castro da Serra da Portela, referenciado pelos arqueólogos como Castelo da Serra do Mouro.
Aproveitem para consultar a informação respectiva sobre os mesmos, disponível através dos links que constam logo abaixo de cada uma das imagens.
Já agora um extra. Há 5 anos um amigo meu deu uma ajuda na hora de tentar visualizar lá do alto o Castro da Serra da Portela, cuja visualização é dificílima, graças aos carrascos que tapam quase tudo.
Como podem ver, há muito património por ali, este esquecido. Espero que os que desconheciam estes dois povoamentos arqueológicos tenham agora mais um motivo de orgulho!
27.3.19
Os moinhos estão quase a chegar!
Dia Nacional dos Moinhos e Moinhos Abertos 2019! Está quase a chegar um fim-de-semana épico, onde qualquer um de nós poderá visitar o belo moinho! Na região de Sicó sei apenas que vão haver actividades no Moinho da Serra da Portela, Pousaflores (Ansião) e no Moinho da Pelmá, em Alvaiázere. É de aproveitar para pegarem em vocês e na famelga, bem como amigos, e partirem à aventura, conhecendo estes ou outros moinhos.
Em Dezembro li um comentário do Farpas Pombalinas que me surpreendeu. Tratava-se de um comentário sobre os moinhos das Corujeiras, em Abiúl, Pombal, no qual foi afirmado que os moinhos não tinham recuperação possível, que não tinham interesse económico, turístico, cultural, etc. De facto aqueles moinhos, ou o que resta deles, é passível de ser devidamente reabilitado, criando potencial económico na base do património, o qual tem, de facto, interesse cultural e turístico.
Tenho a felicidade de já ter elaborado um artigo científico sobre os moinhos da região de Sicó, tendo sido aí que aprendi a maioria do que sei sobre moinhos de vento.
"Forte, J.; Medeiros, S.; Silva, L.; Neves, H.; Medeiros, G.; Alves, P.;
Ferreira, C.; Silva, M.; Neves, C.; Mendes, H. (2016) – “Dos moinhos de vento
às torres eólicas: contextualização do aproveitamento da energia eólica no
âmbito do património natural e cultural na região de Sicó”. Actas do I Congresso de História e Património da Alta Estremadura, 28 a 30 de
Outubro de 2011, Ourém"
Por isso mesmo é que sei que os moinhos das Corujeiras têm muito potencial, desde que a coisa seja bem planeada, bem potenciada e bem valorizada. Há já um bom trabalho de base, feito pelo Rui Rua, sobre estes moinhos, que pode fazer toda a diferença na hora de trabalhar num projecto de recuperação dos moinhos em causa. Não se pode renegar este património, portanto, e aliando o útil ao agradável, porque não recuperar estes moinhos e honrar a nossa memória e identidade? Recuperar aqueles moinhos é trazer vida a Sicó. Poucos são os que sabem do real potencial dos moinhos de vento nesta região. e se formos criativos, aí as coisas podem ter um impacto positivo brutal. Daqui a poucos dias irei falar pessoalmente com um entendido na matéria, de forma a ver se entretanto proponho um projecto para um orçamento participativo...
10.10.18
Um mamarracho na Serra da Portela, Pousaflores
Já não falava desta temática há bastante tempo, e não é por falta de "matéria-prima", mas sim por alguma falta de tempo para, calmamente, percorrer esta bela região. Falo, claro, dos denominados mamarrachos urbanísticos.
Há algumas semanas, quando fui a uma interessante actividade que decorreu na Serra da Portela, Pousaflores (Ansião), organizada pela Junta de Freguesia de Pousaflores, estacionei o carro mesmo à frente do mamarracho que consta nas duas fotografias que "embelezam" este comentário. É um "edifício" que está ali há alguns anos, contudo nunca calhou eu falar dele de forma mais directa. É uma ferida na paisagem, não compreendendo eu como é que ali está, seja pelo absurdo que é, seja por estar em área de Rede Natura 2000 (Sítio Sicó/Alvaiázere). A minha sugestão é simples, desmontar esta infraestrutura e renaturalizar o local de implantação. É um passivo que ensombra a beleza daquele local e que não dignifica a Serra da Portela, portanto é um problema por resolver. A dica está dada...
28.7.17
Topónimos invasores...
Penso que ainda não tinha detectado este pormenor, pois caso tivesse já teria concerteza abordado esta questão. Passando em Pousaflores, há uma rua que tem um topónimo que me parece absurdo. Trata-se da rua das mimosas.
Na primeira imagem vê-se a Serra da Portela ao fundo, e nesta rua, mais abaixo, situa-se o lugar de Pousaflores. É ali que se vê a placa com o nome/topónimo desta rua. Não compreendo minimamente o nome dado a esta rua. Passando do pressuposto que "mimosas" se refere aquela espécie invasora, é um absurdo ter-se optado por aquele nome/topónimo. Sendo Pousaflores um lugar com tanta história, torna-se realmente incompreensível a escolha deste nome para aquela rua.
Descendo a rua, até Pousaflores, e olhando para os dois lados, o que se vê mais são carvalhos. Fica a a sugestão para a correcção do nome da rua...
A preservação da identidade também passa pelo legado de topónimos com sentido e com história, lembremo-nos desse pequeno grande pormenor.
23.4.17
Quem semeia ventos, colhe património...
Faltam poucos dias para o final do prazo de apresentação de propostas ao orçamento participativo do município de Ansião, daí estar agora a "picar" os ansianenses para que participem activamente neste processo, apresentando propostas concretas. Claro que tenho também o intuito de "picar" todos os sicoenses para que façam o mesmo nos seus respectivos municípios, logo que se propicie isso mesmo.
Este ano decidi apresentar apenas uma proposta, ao contrário de 2016, onde apresentei 4 propostas. Porquê? Simples, este ano o valor da proposta é igual ao valor da verba disponível, daí não fazer sentido apresentar outras propostas, que concorressem entre si. Em 2016 apresentei 4 propostas diferenciadas, de valor reduzido, não representando uma espécie de concorrência entre si.
Sim, a proposta deste ano é sobre moinhos de vento, esse belo objecto patrimonial que teima em não ser devidamente potenciado e valorizado.
Há umas semanas, e pensando no dia nacional dos Moinhos e Moinhos abertos 2017, apresentei, numa associação da qual faço parte, a proposta de envolver um dos moinhos desta região para promover a actividade em causa, contudo, e após pedir informação a quem sabia da coisa, fiquei a saber que não seria possível, já que esse mesmo moinho, que não o da foto (Serra da Portela, Pousaflores), não estava funcional. Foi então que surgiu luz e ponderei a ideia. Apresentei uma proposta que tem como intuito arranjar aquilo que está estragado, recuperar o que está por recuperar e valorizar todos estes moinhos de vento. A esmagadora maioria é de madeira, tal como o da Serra da Portela, e um outro é de metal. Penso que é algo de exequível, mas a ver vamos se o mesmo vai ser aceite para ir a votos. Caso a proposta seja aceite, irei naturalmente pedir o vosso voto, de modo a valorizar a molinologia da região de Sicó.
Tenho visto que há mais pessoas a pensar da mesma forma na região de Sicó, e algumas delas a trabalhar para que isso aconteça, portanto há que pugnar para que esta bela paisagem comece a ver mais moinhos de vento a funcionar, já que é algo de fabuloso e que pode representar uma mais-valia bastante interessante...
27.11.16
Onde pára o ordenamento florestal da Serra da Portela?
Muitos do que passam pela Serra da Portela, em Pousaflores, e vão ao miradouro situado ao lado do moinho de vento e do parque eólico da Serra da Portela, não se apercebem do problema que ali existe há vários anos, ou seja a falta de ordenamento florestal. Basta dar corda aos pés ou bicicleta para vermos que há ali algo de grave a ocorrer, ou seja a inobservância de algo fundamental como o é o ordenamento florestal. Em Agosto de 2006 houve um incêndio em parte do sector onde está implantado o pinhal, mas parece que o tempo apaga as memórias e o risco de incêndio é grande, tal como podem constatar nas fotografias.
Em meados da década de 90, alguém teve a ideia parva de rechaçar esta bela serra com uma máquina. Foi um verdadeiro atentado ambiental que hoje seria impensável (ou não...). Infelizmente não há volta a dar e temos de nos contentar com o que ali está actualmente. Mas infelizmente o actualmente não augura nada de bom, pois a "estratégia" é a pior de todas. Uma grande mancha de pinheiras, que devidamente geridas dariam uns bons tustos com o rendimento que advém da venda das pinhas (e uma enorme mais-valia para a feira do pinhão anual). Ao lado desta, na Serra do Casal Soeiro, da Serra do Mouro e da Serra da Ameixieira, o projecto falhado das 130 000 árvores, boa parte delas não deram em nada, típico de projectos de greenwash. Junte-se a isto o lóbi dos caçadores e temos todos os ingredientes para o desastre.
Convido-vos a todos a dar uma volta da Serra da Portela, de forma a verem pelos próprios olhos o barril de pólvora que ali está e que urge minimizar, através de uma correcta gestão da floresta. Podem deixar o carro no miradouro do Anjo da Guarda ou na Capela do Anjo da Guarda e dar uma volta pelo estradão que dá a volta à Serra da Portela pelo seu topo.
Esta situação deverá ser resolvida rapidamente por um conjunto de entidades, onde se inclui a Junta de Freguesia de Pousaflores, a Câmara Municipal de Ansião, pela Associação Florestal e pelo ICNF (Rede Natura 2000 - Sítio Sicó/Alvaiázere). Os incêndios existem por vários motivos, um deles é a falta de gestão florestal. E os incêndios previnem-se antes do Verão...
E claro, não podia faltar um aspecto típico, a lixeira do costume, infelizmente muito comum por Ansião e arredores... Das 250 lixeiras de detectei em 2010, no Limpar Portugal, a maior parte tinha também restos de construção...
Etiquetas:
#Pousaflores,
Ansião,
gestão florestal,
Junta de Freguesia de Pousaflores,
Pousaflores,
Rede Natura 2000,
risco de incêndio,
Serra da Portela,
Sítio Sicó/Alvaiázere
9.6.16
Quem são os ladrões que andam a roubar a Serra da Portela?
Não é um problema novo, muito pelo contrário, no entanto parece-me que ganhou escala nos últimos anos. Falo, claro, do roubo de lajes calcárias, utilizadas nos bancos e mesas situados pelo topo da Serra da Portela, em Pousaflores (Ansião). É um local bastante conhecido, mas mesmo assim há quem não desista de roubar o que é de todos. Não será impossível detectar os ladrões, ainda mais porque alguns deles poderão ser dos arredores, roubando estas lajes para os seus jardins.
Uma boa opção seria marcar as lajes, de forma a que a tentação deixasse de existir. Uma maceta e um escopro servem...
Não me admira que haja quem saiba quem são alguns dos ladrões, contudo, e por amizade, não denunciam o "belo" amigo do alheio.
A serra da Portela é um local bastante aprazível, isto mesmo tendo em conta que esta foi maltratada nas últimas décadas (destruição dos habitats - bio e geo - em todo o topo da serra; abertura de estradões de forma absurda, sem estudos e sem cuidados; tentativa de manipulação de um topónimo secular; lóbi dos caçadores; projectos de greenwash; parque eólico em área protegida e destruição de algar..; etc).
Mesmo assim, vale mesmo a pena ali ir, seja sozinho, seja acompanhado. Podem simplesmente pegar no carro e ir até ao moinho de vento, ou então fazer uma caminhada ou passeio de bicicleta. E se tiverem a sorte de ver o moleiro por ali, aproveitem o privilégio que é falar com ele.
Atenção que caso vão sozinhos, convém avisar os amigos, de forma a precaver percalços.
Mesmo assim, vale mesmo a pena ali ir, seja sozinho, seja acompanhado. Podem simplesmente pegar no carro e ir até ao moinho de vento, ou então fazer uma caminhada ou passeio de bicicleta. E se tiverem a sorte de ver o moleiro por ali, aproveitem o privilégio que é falar com ele.
Atenção que caso vão sozinhos, convém avisar os amigos, de forma a precaver percalços.
De que é que estão á espera?!
14.4.16
Cartografia histórica da região de Sicó: em busca dos topónimos perdidos
Já tinha a carta de Ansião mais recente de todas (2004), contudo faltava-me mais uma, pensava eu. Afinal faltavam-me duas versões mais antigas da carta militar de Ansião, daí rapidamente as ter adquirido no formato que mais gosto, em papel, para poder investigar os topónimos. A cartografia é barata e recomendo-vos vivamente que adquiram pelo menos o exemplar da carta correspondente à área onde vocês vivem.
A cartografia já me fascina há largos anos, embora o gosto efectivo pela cartografia histórica seja mais recente.
Mas vamos a um pequeno esclarecimento. Vêem que a Serra da Portela sempre teve esse nome e não outro? Eu também fui surpreendido há coisa de duas décadas, pois havia algumas pessoas que diziam que aquela serra tinha um outro nome (e eu acreditava só porque elas me diziam...). Uma coisa é elas, a título individual, denominarem a mesma por um qualquer nome que não o oficial e legal, outra é elas afirmarem, erroneamente, que seria esse o seu nome oficial e legal. O nome/topónimo próprio já existe há muitas décadas, tal como a cartografia o comprova sem qualquer margem para dúvidas. Anjo da Guarda refere-se apenas à capela e ao miradouro existente na serra da Portela.
Informação à parte, fiquei agora esclarecido porque é que já tinha visto Pousa-Flores em vez de Pousaflores.
Fonte: Carta Militar de Ansião, 1947 (275) - excerto do meu exemplar (papel).
Já surpresa foi o facto de ver que o marco geodésico do Monte da Ovelha já teve outro nome/topónimo, ou seja Moura. Não me admira que isto esteja ligado ao povoamento arqueológico situado a escassas centenas de metros a Norte daquele ponto. Já o nome Monte da Ovelha poderá estar relacionado com o período que antecedeu o plano dos centenários (escolas primárias), quando as próprias crianças levavam os rebanhos para a serra.
Tive outras surpresas, pois mesmo no local onde vivo, fiquei a saber de um topónimo que nunca tinha ouvido falar...
Fonte: Carta Militar de Ansião, 1984 (275) - excerto do meu exemplar (papel).
O comum cidadão, que não lida com cartografia, está muito alheado do valor e interesse de tudo aquilo que as cartas militares retêm numa simples folha de papel. O intuito deste meu comentário tem a ver precisamente com o regresso às origens e com aquilo que é realmente importante, o nosso património e os nossos belos topónimos, que importa conhecer. Apenas nesta carta (275) tenho muito por onde explorar, mas para isso vou precisar da ajuda dos mais velhos, dos anciãos, complementando com antigas publicações.
E para os mais desatentos, Ansião já foi Ancião, sendo eu ainda do tempo em que na escola se escrevia Ancião (sim, estou a ficar velho).
E para os mais desatentos, Ansião já foi Ancião, sendo eu ainda do tempo em que na escola se escrevia Ancião (sim, estou a ficar velho).
Fonte: Carta Militar de Ansião, 2004 (275) - excerto do meu exemplar (papel).
5.4.16
Temos estratégia?
Foto: Feira dos Pinhões, 2016
Foi com agrado que soube da plantação de pinheiros mansos em Ansião, mais precisamente na Quinta das lagoas. O argumento é válido, peca apenas por tardio, pois sendo o pinhão um produto de grande valor económico e com o qual se pode conseguir valor acrescentado, Ansião já deveria ter, na prática, uma verdadeira estratégia para o pinhão. Estamos pelo menos 2 décadas atrasados neste domínio. E só daqui a umas décadas é que vamos ter pinhão a sair daquele local, mas afinal sem plantar eles nunca poderiam surgir. Há que semear para colher.
Espero que daqui a 20 anos não surja uma ideia mirabolante para aquele local (imobiliário...) que leve ao corte da plantação agora feita. Estarei atento aos futuros autarcas...
Mas indo ao que mais interessa, importa salientar que é com o pinheiro manso, com o pinheiro, com a azinheira, carvalho cerquinho, nogueiras e outro mais que poderemos almejar o tão desejado desenvolvimento territorial. E o eucalipto? Mandem o eucalipto para um certo sítio, pois esse não é de todo desejável, dadas as imensas externalidades negativas.
Fonte. facebook do Município de Ansião
Uma das áreas onde podem ver uma grande plantação de pinheiros mansos, é na Serra da Portela (Pousaflores), de onde já se explora a pinha e o pinhão há alguns anos. Seria importante termos uma maior área de pinheiros mansos, não em plena serra, mas em áreas indicadas para o efeito (foi um enorme erro ter-se feito aquela plantação da década de 90, arrasando parte da Serra da Portela com maquinaria pesada...).
A estratégia de exploração na Serra da Portela não tem sido a melhor e só mais recentemente se tem tido mais atenção ao facto.
Cabe-nos o papel de dinamizadores territoriais, sozinhos e/ou com ajuda das entidades públicas. Cabe-nos criar formas de escoar este tipo de produtos, de forma a dinamizar também este sector. Só criando a procura se consegue dar vazão á matéria-prima. No que me toca, este ano irei iniciar oficialmente as "hostilidades" neste âmbito, pois Ansião e toda a região de Sicó merecem. É uma região fantástica que merece a nossa dedicação e o nosso investimento.
Não se retraiam, invistam e inovem, pois mais tarde conseguirão receber a vossa recompensa. Há muitas formas de o fazer, mesmo com pouco investimento. E se precisarem de ideias, eu tenho para "dar" e vender...
Foto da Serra da Portela (Pousaflores), sector da Ucha (2007)
8.12.15
Serra da Portela: incompetência até às profundezas da Serra...
Eu tento evitar, mas afinal só me dão matéria para comentar... Esta é uma situação que se enquadra bem numa problemática que é comum, especialmente na região de Sicó. Porquê? Simples, pelo facto de estarmos numa região cársica, portanto com características muito especiais, que carecem de conhecimento diferenciado por parte dos autarcas, os quais muito raramente têm algum tipo de formação no domínio do ordenamento do território. Por estas e por outras é que em 2011, num congresso sobre património, sugeri a elaboração de um manual de boas práticas para regiões cársicas, ferramenta a ser utilizada por todos os autarcas com territórios deste tipo. Seria um documento particularmente útil, na medida em que facilmente poderia impedir erros básicos de gestão territorial, e logo a vários níveis.
Com um manual de boas práticas, seria bem mais difícil ver situações como a que as fotografias mostram. Trata-se de um sumidouro situado na berma de uma estrada já na abrangência da Serra da Portela, em Pousaflores (Serra onde está situado o parque eólico). Como é costume, informei-me antes de fazer juízos de valor e constatei dois factos, um positivo, outro negativo.
Comecemos pelo positivo. A Junta de Freguesia de Pousaflores não quer tapar este sumidouro. É precisamente isto que se deve fazer, não tapar, devendo a mesma colocar uma protecção superficial, a qual possibilite a entrada de água da valeta. Algo como uma grelha deverá ser mais que suficiente. Não se perturba a dinâmica natural da coisa e assegura-se segurança para todos, inclusivamente animais ditos irracionais.
Indo agora ao negativo. A Câmara Municipal de Ansião já tentou tapar a cavidade, com brita. Escusado será dizer que não resultou e que toda a brita foi naturalmente escoada pela cavidade para o seu interior. Não percebo para que é que se tem técnicos minimamente credenciados (ex. geógrafos) neste domínio ao serviço da Câmara e depois não se solicita um breve parecer ao mesmo. Impera ainda o "acho que" por parte de não sei quem. Este caso afigura a típica incompetência, a qual lesa os contribuinte e mostra que muito há a fazer no domínio do conhecimento do território e dos seus processos, base fundamental para uma correcta gestão territorial.
Degrada-se desnecessariamente a paisagem, com pedreiras sem fim, para depois andar a meter brita em sumidouros/algares, bravo!
21.7.14
Conversa da treta...
Fonte: Jornal de Leiria, Edição 1565 (10 de Julho)
Foi há 2 meses que dei conta de um caso que me pareceu passível de denunciar, dada a gravidade da situação. Tendo em conta o facto, solicitei informação ao ICNF, que, poucas semanas depois, confirmou as minhas suspeitas.
Há 2 semanas, saiu a notícia do caso no Jornal de Leiria, dando seguimento jornalístico à peculiar situação. Gostei bastante de ler o que o anterior presidente da junta de freguesia referiu, já que este, ao ser confrontado com os factos, teve uma notável postura de bom samaritano. É para os bombeiros e para os donos dos terrenos irem limpar os seus terrenos. Bravo!
O apelo à compaixão, perante uma ilegalidade grave, é notável. Na região de Sicó há muito este hábito, dizer que o ilegal foi afinal por uma boa causa...
O caminho, que já existia, não foi aberto para os bombeiros, é um facto! Para isso há mecanismos e planos próprios. Há também pedidos de autorização, estando tudo previsto. Então porque não se fez nada disto? As regras não são para cumprir? Em que ficamos?!
O acesso para os proprietários já existia, portanto esta é mais uma falsa questão. Por falar em limpeza, ela não existe para aqueles lados. Basta andar pela Serra da Portela para constatar isso...
Gostei também de ver a postura do actual presidente da câmara municipal de Ansião, que, quando confrontado com os factos, se limitou a dizer meras palavras de ocasião perante uma situação grave. Como é possível, num território Rede Natura 2000, um presidente da junta mandar fazer, sem quaisquer autorização, um alargamento de um caminho numa área tão sensível sem que, para isso, tenha de informar o presidente da câmara? Não compreendo...
Mais uma vez fica à vista a forma como os nossos autarcas, actuais e anteriores, vêm, na prática, o território e os valores que ele encerra. Lamento esta postura por parte destes autarcas, pois é essa mesma postura, bem enraizada, que se tem traduzido numa evidente e marcada degradação desta extraordinária região.
Esta região e este país têm vários problemas, um deles é a falta de responsabilização dos políticos que nos muito mal governam. Se for um funcionário camarário a fazer asneira, então está tramado, mas se for por exemplo um presidente da junta, então parece que não há problema algum...
12.5.14
Anti-património na Serra da Portela: crónica de uma sucessão de acções atentatórias do património natural e cultural
A região de Sicó é pródiga em muitos aspectos, no bom e no mau sentido. Infelizmente os maus aspectos sobrepõem-se aos bons, o que me leva a ser cada vez mais incisivo na defesa do património desta extraordinária região. As ideias parvas têm muito sucessos por estas bandas, é a nossa triste sina.
Desta vez a história passa-se na Serra da Portela (Pousaflores), no Concelho de Ansião. Infelizmente é uma história já com algumas décadas e com vários episódios. Os protagonistas são os mesmíssimos de sempre. Ainda na década de 80, alguém teve a ideia peregrina de mandar para o topo da Serra da Portela uma máquina de rastos, que basicamente andou a lavrar nos lapiás, um atentado hediondo ao património regional. Posteriormente plantaram-se árvores, não das autóctones, mas de outro tipo. O lóbi da caça foi aqui preponderante. Depois, abriu-se uma estrada que mais parece uma pista de aterragem de avionetas, com ligação directa ao edifício dos caçadores.
Mais alguns episódios e eis que há poucos meses surgiu mais uma novidade. Já tinha visto, ao longe, que algo se passava por ali, no entanto, e por falta de tempo, apenas agora tive a possibilidade de me deslocar ao local, de bicicleta e máquina fotográfica a postos.
Não pensei que o que se passava ali fosse tão mau, mas afinal é mesmo assim, sem tirar nem pôr. Onde há poucos meses existia um pequeno e belo caminho, que se inicia em Pousaflores e segue pela serra acima, existe agora um estradão, populado por 12 novas cruzes, as quais me parece que terão o destino das últimas, ou seja vandalizadas.
Apesar de não achar graça, não ficaria incomodado se tivessem (re)colocado apenas as cruzes, de forma a repor aquelas que foram colocadas há vários anos atrás. No entanto, tal não aconteceu. Afinal surgiu uma ideia mais catita, rasgou-se a vertente Sul da Serra da Portela, destruindo o belo caminho e criando um estradão, o qual foi enfeitado, pois claro, com carradas de brita. Degradou-se o património, afectou-se negativamente a paisagem e criaram-se vários problemas, os quais irão afectar ano após ano aquele local. Alguns já se iniciaram com a chuva, pois a bela da erosão já começou a espalhar a brita, através de belos regos escavados pela água da chuva. Ano após ano será necessário voltar a espalhar brita e mais brita, que nem circo das pedreiras.
Os taludes também já sofrem, pois as máquinas instabilizaram extensas áreas. Colocaram-se tubos que ficam imensamente bonitos, melhor ainda quando a chuva os destapar mais.
O antigo caminho, agora estradão, terá uma grande importância, pois as provas de jipes irão adorar começar a trepar pela serra acima, criando ainda mais erosão. As curvas cegas são o expoente da genialidade, de tal forma que já alguns jipes patinaram por ali.
É a lógica circense do costume, a qual irei indagar se efectivamente foi legal, pois é precisa uma autorização para este tipo de espectáculos, especialmente quando o carvalho cerquinho perdeu algumas dezenas de irmãos. E pensava eu que os lapiás e o carvalho cerquinho eram protegidos, que aquela área fazia parte da Rede Natura 2000. Mas devo ser eu que estou enganado...
A Serra da Portela já foi violada demasiadas vezes. Na vertente cultural, primeiro lembraram-se de chamar esta Serra por Monte da Ovelha, mas depois de ali erigirem uma pequena capela, acharam que seria mais bonito chamar a mesma por Anjo da Guarda. Imagine-se, contudo, que esta serra tem um único topónimo, ou seja Portela, Serra da Portela. Na vertente natural, é tal como já atrás referi. E agora, o que se segue?
28.11.13
Serra do Anjo da Guarda?
Confesso que fico algo incomodado quando oiço alguém dizer "Serra do Anjo da Guarda", não por si mesmo, mas pelo facto da Serra do Anjo da Guarda não existir oficialmente, tratando-se "apenas" de uma forma de dizer de algumas pessoas. Existe sim a Serra da Portela, que há vários anos e de forma errónea algumas pessoas denominam como Serra do Anjo da Guarda, afirmando que é esse o seu nome oficial.
Enquanto geógrafo não posso deixar passar esta questão, já que se impõe um esclarecimento cabal de que esta serra é oficialmente a Serra da Portela. Há sim algumas pessoas que a tratam por anjo da guarda, e outras por serra do monte da ovelha.
Mais incomodado fico quando oiço e vejo psssoas e entidades a difundir este equívoco geográfico, sinal de pouco esclarecimento sobre a situação. Espero que com este comentário de esclarecimento comecem a corrigir este erro comum nos documentos e plataformas digitais da sua responsabilidade.
Deve ser curioso uma pessoa de fora, munida de uma carta militar, num passeio qualquer, ir em busca da Serra da Portela e, ao perguntar por esta, apenas os mais velhos saberem onde é, pois alguns dos mais novos e outros ainda pouco informados, sabem apenas onde é a Serra do Anjo da Guarda, serra esta que não existe factualmente...
Deve ser curioso uma pessoa de fora, munida de uma carta militar, num passeio qualquer, ir em busca da Serra da Portela e, ao perguntar por esta, apenas os mais velhos saberem onde é, pois alguns dos mais novos e outros ainda pouco informados, sabem apenas onde é a Serra do Anjo da Guarda, serra esta que não existe factualmente...
Fica então o esclarecimento.
Para quem tem dúvidas, aqui fica um excerto, digitalizado, do meu exemplar da Carta Militar nº 275:
Fonte: IGEOE
Como podem observar, com base na cartografia oficial, de Anjo da Guarda existe apenas o miradouro e a capela, portanto agora não há desculpas para utilizarem outro topónimo que não "Serra da Portela". Uma das melhores formas para conhecer o nosso território é mesmo comprar as cartas militares respectivas (eu tenho as de Ansião e há anos atrás ofereci outras (4) aos Bombeiros Voluntários de Ansião). São baratas, elucidativas e não induzem em erro.
Agora façam-me um favor, especialmente os ansianenses, difundam este esclarecimento, por favor! Serra da Portela, conhecida por alguns como anjo da guarda ou por monte da ovelha.
21.3.13
As árvores fantasma...
Guardei este comentário precisamente para este dia, o dia da árvore. Em Novembro de 2010, elaborei um comentário alusivo à iniciativa "Impacto Zero", a qual promoveu a plantação de 130000 árvores, em Ansião. Nessa altura, critiquei a forma como o projecto foi pensado, já que claramente era um projecto para "encher chouriços", vulgo greenwash, pela General Motors.
A minha principal crítica tinha a ver com o absurdo que era plantar tanta árvore numa área como é a das Serras do Casal Soeiro e Portela. Era então um projecto desajustado perante o território em causa, mas como todos sabemos o que conta é o show-off, mesmo que inconsequente.
Uma das minhas grandes certezas era a mortalidade a que iria assistir naquelas serras, por parte de muitos dos exemplares ali plantados. Findados 3 anos, voltei ao local, para analisar os resultados:
Parei em vários locais, fazendo quase que um transecto por estas duas serras. Observei o conteúdo de dezenas e dezenas de cartuchos, os quais se vêm nas fotografias, e cheguei a uma triste conclusão, mesmo apesar de esperada. A mortalidade é muito elevada, tal como previ inicialmente tendo em conta vários parâmetros, entre os quais o solo.
Não fiz nenhuma estatística, portanto não posso adiantar dados considerados válidos estatisticamente. Mesmo assim, e dos vários locais que vi e dos vários (resmas...) cartuchos que vi, a mortalidade ronda os 40 a 50%. Espero agora que a Associação Florestal de Ansião possa, um dia, elaborar um estudo válido, para que se perceba a coisa no seu todo. Este projecto foi um erro, plantar árvores sim, mas de forma ajustada ao território, pois muitas das árvores estavam condenadas à partida, já que nunca se iriam dar bem em alguns sectores das serras em causa. Boa parte destas árvores poderiam ter sido plantadas em áreas ardidas neste ou noutros concelhos, mas isso já iria concerteza chatear as celuloses que precisam de espaço para continuar a sua senda de eucaliptização do país e da região...
Há que reflectir nos erros do passado para precaver o futuro, pois só assim a região pode andar para a frente. Este é apenas um de muitos, os quais faço questão em denunciar de forma honesta e construtiva.
12.9.11
Património oculto
Podia ser um qualquer livro, no entanto foi este. O motivo foi muito simples, como estou longe de Sicó, apenas os conteúdos online estão ao meu alcance, daí ter escolhido este livro a que faço referência neste mesmo comentário.
Devido ao facto de recentemente ter feito um pequeno trabalho de investigação, no âmbito de história ambiental, decidi obviamente escolher um sector da região com a qual mais me identifico, ou seja Sicó. Mais precisamente foi sobre a freguesia de Pousaflores, no concelho de Ansião.
Nunca tinha lido este livro, no entanto fiquei bastante surpreendido, pela positiva, depois de agora o ter lido. Na minha perspectiva, de geógrafo, é um bom livro, de onde se pode retirar muita informação relevante, a partir da qual se pode elaborar a história ambiental daquela freguesia e compreender também a questão num contexto regional. Através da leitura deste livro, fiquei factualmente a conhecer melhor não só Pousaflores, bem como Sicó.
O que pretendo salientar com este comentário, é que este e muitos outros livros sobre a região de Sicó, genericamente falando, têm nas suas páginas muito património oculto, o qual pode ser (re)descoberto por muitos de nós. Infelizmente o gesto de ler um livro é cada vez menos um hábito para muitos, tem-se prescindido disso em prol de actividades que não estimulam as mentalidades dos que vivem na região de Sicó (e não só). Lamento que especialmente os jovens, em vez de se lançarem à (re)descoberta da região de Sicó, prefiram ficar em casa, não a ler o belo livro de vez em quando, mas a perder tempo em coisas supérfluas. Isto já para não falar daqueles que fazem dos bares a sua casa, mas isso já são outras discussões, fora do âmbito do azinheiragate.
Costumo analisar as estatísticas, em termos de visualização dos comentários por mim publicados, por isso sei que este não será dos mais visualizados. No entanto, o que me move não são os números, é sim o partilhar do conhecimento, e aí sim, sei que alguns vão ler este comentário e compreender na plenitude a sua importância!
Deixo-vos com um link bem interessante, onde o património tem um papel preponderante:
Deixo-vos com um link bem interessante, onde o património tem um papel preponderante:
Subscrever:
Mensagens (Atom)














