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4.12.14

Conversa do carvalho


É incrível como a nossa mente perversa tende logo a assumir que o título desta crónica tem outra conotação. Agora que consegui a vossa atenção, vamos então a mais uma crónica da "conversa", desta vez conversa do carvalho. A última tinha sido a conversa do vime, conversa esta que não teve tanto sucesso porque a nossa mente tende a não perverter com títulos menos peculiares.
Logo a partir de Setembro, comecei a ver circular várias carrinhas carregadas com lenha de carvalho, algo que me surpreendeu mesmo dada a enorme quantidade de pessoas que gostam da lenha de carvalho para a lareira. Pena é haver tanta gente que gosta de cortar os carvalhos, mas que não tem o hábito de os plantar, pensando no seu futuro e no futuro dos seus mais queridos. Sei que pelo menos parte daquela lenha decorreu de abate ilegal de carvalhos, mas infelizmente não consigo estar em todo o lado e não consigo ainda chegar a tantas pessoas quanto gostaria, do ponto de vista pedagógico. A educação ambiental e cívica é uma luta minha já com vários anos.
No dia 25 de Outubro, participei numa acção de apanha de sementes de carvalho cerquinho, aqui na região de Sicó, para posterior reflorestação a nível nacional (Projecto Floresta Comum). Mesmo apesar da tardia divulgação, fez-se uma divulgação que alcançou muita gente, no entanto foram muito poucas as pessoas que fizeram questão em dar uma pequena parte do seu tempo para uma causa tão nobre. Além dos dois elementos da organização, foram apenas mais 4 pessoas que se juntaram a nós. Uma de Ansião, duas de Ferreira do Zêzere (uma delas era um geógrafo inglês!) e outra de Braga. Urge reflectir do porquê da falta de interesse das pessoas nesta actividade. Se há tanta gente a adorar a paisagem de Sicó, porque serão escassas as que, na prática, fazem algo de muito concreto por esta maravilhosa paisagem e pelo carvalhal de Sicó? Se temos a maior mancha de carvalho cerquinho da península ibérica, porque não fazemos por manter ou mesmo aumentar a mesma em vez de andar diminuir a mesma?
No final da acção de apanha de sementes, fiquei consciente de duas coisas, a primeira era que as minhas costas acusavam um enorme cansaço, já que tinham estado 4 horas dobradas em prol de uma causa esquecida por muitos. A segunda era que me sentia muito bem, quase como que um pai do carvalhal. Pelas nossas contas, devem ter sido entre 30000 a 40000 carvalhos que vamos fazer nascer em dois viveiros, e uma enorme mancha de carvalho cerquinho que se vai criar devido à nossa vontade de tornar este país um lugar ainda mais agradável para se viver e desfrutar, sozinho ou com os nossos mais próximos.
O carvalho não é apenas lenha, é sim vida! Se querem um melhor futuro, plantem carvalhos, não se fiquem apenas pelo corte dos mesmos!

21.7.14

Conversa da treta...

Fonte: Jornal de Leiria, Edição 1565 (10 de Julho)

Foi há 2 meses que dei conta de um caso que me pareceu passível de denunciar, dada a gravidade da situação. Tendo em conta o facto, solicitei informação ao ICNF, que, poucas semanas depois, confirmou as minhas suspeitas. 
Há 2 semanas, saiu a notícia do caso no Jornal de Leiria, dando seguimento jornalístico à peculiar situação. Gostei bastante de ler o que o anterior presidente da junta de freguesia referiu, já que este, ao ser confrontado com os factos, teve uma notável postura de bom samaritano. É para os bombeiros e para os donos dos terrenos irem limpar os seus terrenos. Bravo!
O apelo à compaixão, perante uma ilegalidade grave, é notável. Na região de Sicó há muito este hábito,  dizer que o ilegal foi afinal por uma boa causa... 
O caminho, que já existia, não foi aberto para os bombeiros, é um facto! Para isso há mecanismos e planos próprios. Há também pedidos de autorização, estando tudo previsto. Então porque não se fez nada disto? As regras não são para cumprir? Em que ficamos?!
O acesso para os proprietários já existia, portanto esta é mais uma falsa questão. Por falar em limpeza, ela não existe para aqueles lados. Basta andar pela Serra da Portela para constatar isso...
Gostei também de ver a postura do actual presidente da câmara municipal de Ansião, que, quando confrontado com os factos, se limitou a dizer meras palavras de ocasião perante uma situação grave. Como é possível, num território Rede Natura 2000, um presidente da junta mandar fazer, sem quaisquer autorização, um alargamento de um caminho numa área tão sensível sem que, para isso, tenha de informar o presidente da câmara? Não compreendo...
Mais uma vez fica à vista a forma como os nossos autarcas, actuais e anteriores, vêm, na prática, o território e os valores que ele encerra. Lamento esta postura por parte destes autarcas, pois é essa mesma postura, bem enraizada, que se tem traduzido numa evidente e marcada degradação desta extraordinária região.
Esta região e este país têm vários problemas, um deles é a falta de responsabilização dos políticos que nos muito mal governam. Se for um funcionário camarário a fazer asneira, então está tramado, mas se for por exemplo um presidente da junta, então parece que não há problema algum...