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4.2.21

Topónimos Moçárabes do concelho de Ansião

 


Descobri esta tese de doutoramento enquanto pesquisava algo sobre a toponímia de Ansião. Foi algo de excepcional de se ver. Acabei por dar uma vista de olhos, no que concerne a Ansião, e eis o que descobri. Resumindo, fascinante! De ler e chorar por mais.
Topónimos Moçárabes
 
Abrunheiras
Vale Abronheiro (Pampilhosa da Serra), Várzea de Abrunhais (Lamego), Abrunhal2 (Arouca, Viseu), Quinta do Abrunhal (Nelas), Barroco do Vale de Abrunhal (Arganil), Abrunheira9 (Arganil, Caldas da Rainha, Coimbra, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Montemor-o-Velho, Oliveira do Bairro, Oliveira do Hospital), Lomba da Abrunheira (Pedrógão Grande), Vale da AbrunheiraAbrunheiras (Ansião), Azenha do Abrunheiro (Figueiró dos Vinhos), Abrunheiros (Pampilhosa da Serra), Abrunhosa2 (Mangualde, Sátão), Abrunhosa-a-VelhaAbrunhosa do Mato (Mangualde).
 
Alagoa
Pedro A. Ferreira elenca vários nomes que “assimilaram o artigo árabe al”, entre os quais Alagoa(s) e Alagoinha, confrontando-os com Lagoa(s) e Lagoinha.1586
Podemos admitir que se trata de um derivado do latim LACŌNA (< latim clássico LACUNA), com aglutinação do artigo árabe al, como aliás parece ser a opinião de Carreiro da Costa,1587 J. Piel,1588 J. P. Machado1589 e J. Corominas.1590 Apenas Leite de Vasconcelos1591 considera alagoa o feminino de lagão 'charco, água empoçada' (aumentativo de lago, do latim LACU 'reservatório; lago; fonte; instalação para cereais; fossa (para leões)'.1592 Poderia objectar-se que lagão é muito menos frequente que lagoa e afins. Verifica-se que vocábulos desta família etimológica, além de se usarem como antropónimos e topónimos, empregam-se como apelativos (alagoeiro ‘cova cheia de água, poça, charco’) e também com valor verbal (alagoar ‘cobrir de água formando lagoa’) e adjectival (alagoado ‘que tem alagoas, em que se formam lagoas’; alagoso ‘fácil de se alagar, alagadiço , pantanoso’).1593
 
Albarrol
Albarrol3 (Ansião, Miranda do Corvo, Vila Nova de Ourém), Ribeiro de Albarrol (Ansião).
finais.
Nome já estudado (na p. 221), a propósito do tratamento moçárabe das vogais
Albarrol3 (Ansião, Miranda do Corvo, Vila Nova de Ourém), Ribeiro de Albarrol (Ansião).
David Lopes considera Albarrol nome arabizado e explica-o aproximando-o do diminutivo Barró (topónimo do concelho de Resende).497 Pedro A. Ferreira inclui este nome entre os muitos que “têm do árabe o prefixo al”, afirmando que Albarrol Alborrol estão por Albarral ‘o barral’ e comparando Albarrada com Barrada.498 José P. Machado cita também Albarrol, do baixo latim BARRIOLU, com prótese do artigo árabe.499 E Joaquim da Silveira enumera diversas ocorrências do sufixo diminutivo -ol (do latim vulgar -ŌLUS) que, a par de -ô, se verificam em nomes étnicos, no vocabulário comum (por exemplo, em lençolanzolcastanhol), e na nomenclatura geográfica, como é o caso de Albarrol e de Barrô continuadores do latim BARRIOLU.500 Tudo aponta, pois, para que este nome se relacione com barro ‘argila’, que Corominas considera de origem pré-romana, talvez celtibera.501
 
Aljazede
Aljazede2 (Ansião, Figueira da Foz).
Não mencionando o do concelho de Ansião, Joaquim da Silveira refere-se ao topónimo figueirense, de que se conhece a forma Algizidi (1175), e considera-o “vocábulo mozarábico formado sobre o baixo latim gypsetum com prótese de artigo arábico al”,504 não especificando, no entanto, o seu significado. O vocábulo não figura nos dicionários de latim clássico, mas só pode tratar-se de um derivado de gypsum ‘gesso’.
 
Alqueidão
Alqueidão14 (Alcobaça, Ansião, Caldas da Rainha, Figueira da Foz, Lamego, Leiria, Pombal, Porto de Mós, Vila Nova de Ourém), Alqueidão da Serra (Porto de Mós), Alqueidão das Cortes (Leiria), Alqueidão de Maçãs de D. MariaAlqueidão de Pussos (Alvaiázere), Matos de Alqueidão (Ansião), Moinho de Alqueidão (Porto de Mós).
Alguns autores1720 atribuem origem árabe a este topónimo, mas a falta de consenso sobre a sua etimologia — alq(u)eddn(e) ‘pedra calcária branca e branda’, alq(u)ētn(e) ‘tenda; acampamento’, ou ainda al-qatt‘[campo do] linho’ — fragiliza a hipótese de se tratar de arabismo.
E o facto de António Losa1721 enfileirar este nome de lugar ao lado de outros que considera de origem obscura ou mal explicada —, entre os quais menciona moçarabismos como, por exemplo, AlfanadosAlconchelAlvega, etc. —, e de os topónimos aqui em questão se localizarem em regiões de forte implantação moçárabe, leva-nos a inclui-los neste trabalho, com as devidas reservas.
Alvorge
AlvorgeCharneca do AlvorgeQuinta do Alvorge (Ansião), Serra do Alvorge (Ansião / Soure).
Ao contrário de J. P. Machado519 e de Francisco Marsá, que vêem nos topónimos AlbôjaAlborja (Évora), Borges (Beja, Coimbra, Guarda, Vila Real e Viseu) e Borja (Lisboa) — para só mencionar os portugueses — continuadores do árabe burdž ‘torre',520 Adolfo Coelho entende que Alvorge é um topónimo “formado do artigo árabe e do grego púrgos, pequena fortaleza”, usando-o para ilustrar particularidades atribuíveis à influência árabe, como a “prefixação do artigo al” e “a mudança do final em e”.521 Arnald Steiger também se lhe refere como Avorge, nome onde reconhece o grego πύργος (pyrgos), igualmente presente no árabe al-burž.522 Não sendo de excluir a possibilidade de o nome ter sido veiculado pelos árabes, pode-se também pensar numa origem ou numa via moçarábica, dada a sua localização numa região de forte implanta ção moçárabe.
 
Ameixeira
Ameixeira2 (Ansião, Condeixa-a-Nova), Ameixeirinha (Vila Nova de Poiares), Ameixieira8 (Alvaiázere, Arouca, Ansião, Castanheira de Pera, Condeixa-a-Nova, Mira, Pombal, Porto de Mós), Ameixieiraria ou Ameixeraria (Pombal), Ameixieiras (Vila Nova de Poiares), Ameixieirinha2 (Pombal, Porto de Mós), Ameixiosa (São Pedro do Sul), Serra da Ameixiosa (São Pedro do Sul), Ameixoeira3 (Cantanhede, Leiria, Pedrógão Grande), Ameixoeiras2 (Anadia, Cantanhede).
As formas ameixa amêijoa têm merecido as atenções dos etimólogos, cujas opiniões acerca da origem destes apelativos — foneticamente próximos — nem sempre são unânimes, como se verá.
Segundo José Pedro Machado, ameixa vem do latim *MYXĬLA ou *MYXŬLA, de MYXA ‘espécie de ameixieira’, do grego mýxa. Este Autor aduz muitas formas antigas, entre as quais mexianaresameisenalesamexenalesmeixieyraamexanedoamexaedoalmeixas, etc.. Como se verifica, ao lado de formas simples, encontram-se outras com aglutinação de a(l) como, aliás, também acontece na toponímia: Ameixedo Meixedo.1734
 
Ameixieira
 
Avessada de Baixo
Avessada5 (Condeixa-a-Nova, Lousã, Oliveira do Hospital, Santa Comba Dão, Vila Nova de Poiares), Avessada de BaixoAvessada de Cima (Ansião), Quinta da Avessada (Arouca), Vale de Avessada de BaixoVale de Avessada de Cima (Ansião), Abessada (Oliveira do Hospital), Abessadas (Santa Maria da Feira), Abeçada (Sever do Vouga), Lomba da Abeçada (Penela).
Vessada(s) documenta-se desde o início da nacionalidade, quer como topónimo quer como apelativo, para designar ‘terra fértil e regadia’, ‘terra encharcada, paludosa’, ‘terra que se lavra antes da semeadura’, ‘terra que uma junta de bois lavra num dia’, ‘jeira, vessadela’, filiando-se no latim VERSARE ‘revolver’.1842
José Leite de Vasconcelos refere-se a diversos topónimos relacionados com a natureza do campo e com as formas de lavoura, entre os quais figura Avessada. Também Pedro A. Ferreira compara os topónimos Vessada(s) e Avessada(s), vendo nestes a junção do artigo árabe al.1843 Note-se a grafia oscilante dos últimos topónimos em estudo, com <b> por <v> e com <ç> por <ss>.
 
Avessada de Cima
 
Casal Viegas
ViegasCarrasqueiral de Viegas (Lamego), Casal Viegas (Ansião), Castelo Viegas (Coimbra), Pai Viegas (Miranda do Corvo), Vale de Viegas (Vila Nova de Poiares).
Viegas é, ainda hoje, um apelido bastante vulgarizado, designadamente em famílias algarvias ou oriundas dessa região do país, e são muitos os estudiosos que se interessaram por ele. Além de David Lopes, J. J. Nunes e Menéndez Pidal, que abonam o apelido português BenegasBeneegas (991) e Venegas (1258),1868 Machado debruça-se demoradamente sobre este nome híbrido formado pelo elemento árabe iben ou ben (náçabe que designa filiação), ligado ao nome românico Egas. Recolheu em documentação antiga “os directos antepassados do moderno Viegas”, isto é, as formas arcaicas BenegasBeniegas Veniegas (991), Venegas Uenegas (994), Iben Egas (1004), Veniegas (de novo em 1014), Ibeniegas (1033 e 1050), Egas
Catarina
Catarina2 (Ansião, Oliveira de Frades), Póvoa da Catarina (Tondela), Vale da Catarina (Leiria), Catarinões (Cantanhede), Catrino (Pombal).
O antropónimo Catarino deriva de um adjectivo grego, que significa ‘puro, inocente’, sendo mais difundido o género feminino do nome por estar representado no calendário religioso. Além de Catarina, existem: Caterina, com dissimilação vocálica (de onde o popular Catrina), Catalina Catelina (abonadas nos séculos XV e XVI).1233 Como apelativo, catarina designa uma casta de uva branca de Ourém e catarino, uma variedade de feijão vermelho raiado.1234 Catrino será certamente nome próprio, variante de Catarino, e Catarinões, plural aumentativo. Apesar de parecer tratar-se de mais um caso em que a toponímia se cruza com a antroponímia, poderá ainda aventar-se a hipótese, mais remota, de alguns serem continuadores de CATINU 'fonte de lousa', por etimologia popular?1235
 
Charneca do Alvorge
AlvorgeCharneca do AlvorgeQuinta do Alvorge (Ansião), Serra do Alvorge (Ansião / Soure).
Ao contrário de J. P. Machado519 e de Francisco Marsá, que vêem nos topónimos AlbôjaAlborja (Évora), Borges (Beja, Coimbra, Guarda, Vila Real e Viseu) e Borja (Lisboa) — para só mencionar os portugueses — continuadores do árabe burdž ‘torre',520 Adolfo Coelho entende que Alvorge é um topónimo “formado do artigo árabe e do grego púrgos, pequena fortaleza”, usando-o para ilustrar particularidades atribuíveis à influência árabe, como a “prefixação do artigo al” e “a mudança do final em e”.521 Arnald Steiger também se lhe refere como Avorge, nome onde reconhece o grego πύργος (pyrgos), igualmente presente no árabe al-burž.522 Não sendo de excluir a possibilidade de o nome ter sido veiculado pelos árabes, pode-se também pensar numa origem ou numa via moçarábica, dada a sua localização numa região de forte implanta ção moçárabe.
 
Choupana
Choupana (Ansião), Choupanas (Coimbra).
Segundo José Pedro Machado,1236 choupana, de etimologia obscura, talvez se relacione com choupa, vocábulo castelhano de origem incerta. Serafim da Silva Neto relaciona, dubitativamente, este termo com o latim vulgar *POPPLU (de POPULU ‘choupo’) e a terminação -ana de CAPANNA1237 — o que, a ser assim, excluiria os topónimos deste trabalho. O Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa inclui ainda a forma choupa (do latim CLŬPĔA ‘sável’), que não parece poder relacionar-se com estes topónimos, uma vez que não se situam em zonas marítimas nem fluviais.1238
Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa apresenta, por sua vez, três entradas para choupa: a primeira, coincidente com a acabada de referir; a segunda, semanticamente próxima de choupo, — ‘árvore semelhante ao choupo, mas mais copada e de folhas mais largas’; a terceira, do latim CLUPEUS ‘escudo’, ‘protecção’, usada nas acepções de ‘peça pontiaguda de metal duro, colocada na extremidade de um pau, uma vara, uma lança...’; ‘ferro ou ponta de aço de dois gumes e cabo curto, usada nos matadouros’; e ‘ponta da lança ou do arpão usados pelos pescadores de baleias’.1239 Quanto à sílaba final, conserva-se aí, de facto, a consoante nasal intervocálica.
 
Constantina
Constantina (Ansião).
Constante era um adjectivo latino, igualmente usado como nome próprio, com a mesma significação que hoje se lhe conhece, ainda conservada no seu derivado Constância (usado também como apelativo). Deste último partiu o masculino Constâncio (que, por sua vez, originou Constanciano) e os diminutivos Constantino Constantina.1241 O facto de serem nomes de santos contribuiu certamente para a sua expansão e conservação toponímica, como aconteceu com Constance (Marco de Canaveses), com Constantim (Miranda do Douro e Vila Real) e com muitos outros topónimos espanhóis.1242 Como acontece em vários outros casos, este nome de lugar tem, muito provavelmente, origem antroponímica, conservando o nome de um proprietário, no início a determinar um apelativo que não se conservou.
Corvina
Corvina (Ansião).
Tal como acontece com Corvim (em Quinta do Corvim, topónimo estudado na p. 265), é mais provável ser este nome um diminutivo feminino de corvo ou relacionar-se com o adjectivo curvo, do latim CURVU (usado também como apelido ou alcunha), do que ligar-se a corvina, peixe de cor escura, também conhecido por viúva. Refira-se, a propósito, que, ao contrário de Machado e de Corominas, que vêem a forma portuguesa corvina como proveniente do castelhano corvina (do latim CORVU 'ave; peixe de cor escura'),1247 o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa considera-a continuadora do latim CORVĪNA, feminino de CORVĪNU, provavelmente por associação ao tom negro do corvo; e corvina (adj.) derivada de corvo.1248 Corominas acrescenta que o nome do peixe se fica a dever à cor parda, manchada de negro, e que o actual Dicionário da Academia Espan hola abona corvo como sinónimo de corvina, ao contrário da edição de 1843, que o considerava termo galego para designar uma espécie de peixe grande, o mugem, que se encurvava ao ser cozinhado.
 
Cova das Reconchinas
Recochina2 (Carregal do Sal, Santa Maria da Feira), Reconchina (Lamego), Cova das Reconchinas (Ansião).
Podem estar relacionados com o latim CONCHA 'concha; ostra; molusco de onde se extrai a púrpura'.1349 O elemento re- parece assumir aqui natureza prefixal, como talvez nos apelativos rechãorechã, e no topónimo Recheira (Santa Marta de Penaguião) derivado do latim PLANU.1350
 
Fornino
Fornino (Ansião).
ForneloFornilhoForninho e os moçárabes ForninoAlfornelAlfornelos Fornacho (em Vale do Fornacho, no concelho de Mortágua) foram já identificados como diminutivos de forno (< latim FURNU), na p. 371.
 
Forno do Serrano
Serrana (Albergaria-a-Velha), Casa Serrana (Resende), Quinta da Serrana (Vila Nova de Ourém), Serrano (Santa Comba Dão), Forno do Serrano (Ansião), Pinhal SerranoVale Serrano (Vila Nova de Ourém).
Têm na sua origem o latim SERRA, a que acabou de se fazer referência acima (a propósito de Serrabina). Serrão documenta-se não só como apelativo (‘nome genérico de alguns peixes’ e ‘papo de galinha’, regionalismo de Moimenta, concelho de Vinhais), mas também como apelido e como topónimo — Herdade do Serrão (Alzejur), Mato Serrão (Lagoa), Vale Serrão (Pampilhosa da Serra), Vale do Serrão (Ferreira do Zêzere), Sítio do Vale SerrãoPorto do Vale Serrão (Castelo de Vide), Ribeiro SerrãoSítio do Serrão (Ilha da Madeira).
 
Freixiana
Freixiana (Ansião). Da família etimológica de FRAXINU ‘freixo’ (já estudada na p. 278).
 
Martim Vaqueiro
Martim Vaqueiro (Ansião).
José Joaquim Nunes nota que o resultado do latim MARTINU- foi Marte, posteriormente Martinho, ocorrendo ambos na toponímia, bem como “o proclítico Martim, quer só, quer seguido de um apelido”.792 Pedro A. Ferreira confronta MartinhoMartino Martim (debruçando-se também sobre outros nomes com a mesma etimologia como, por exemplo, Martini) que, explica, “foram tirados do latim MarsMartis — Marte, deus da guerra”.793 Neste caso, teríamos o nome seguido de uma alcunha profissional que, como em tantos outros casos — Monteiro, Carpinteiro, Lavrador, etc. — pode ter originado um apelido. O segundo elemento entra, aliás, na composição de outros topónimos, como é o caso dos alótropos Mem VaqueiroMimvaqueiro Mendo Vaqueiro.794
Matos de Alqueidão
Alguns autores1720 atribuem origem árabe a este topónimo, mas a falta de consenso sobre a sua etimologia — alq(u)eddn(e) ‘pedra calcária branca e branda’, alq(u)ētn(e) ‘tenda; acampamento’, ou ainda al-qatt‘[campo do] linho’ — fragiliza a hipótese de se tratar de arabismo.
E o facto de António Losa1721 enfileirar este nome de lugar ao lado de outros que considera de origem obscura ou mal explicada —, entre os quais menciona moçarabismos como, por exemplo, AlfanadosAlconchelAlvega, etc. —, e de os topónimos aqui em questão se localizarem em regiões de forte implantação moçárabe, leva-nos a inclui-los neste trabalho, com as devidas reservas.
 
Poio do Meio
Tal como acontece com Alboi (tratado adiante, p. 481), o latim PŎDIU ‘balcão, degrau’ parece ser também a base comum a estas formas.
Simonet abona os moçarabismos pódiopúchepúio ‘colina, outeiro’, e pújár ‘poial; colina, monte’ de PODIALE, um adjectivo do baixo latim derivado de PŎDIU; estes nomes aparecem também representados na toponímia em nomes simples ou compostos como, por exemplo, Pódio RotundoAlpúcheEl PúchePúio Rúbeo Pujár.1175
Carolina Michaëlis de Vasconcelos dá-nos conta da existência do verbo poiar ‘subir, fazer subir’, derivado de poio.1176 José Leite de Vasconcelos afirma que, apesar de a vila de Poiares se situar numa bacia geográfica, tem à sua volta vários outeiros e o topónimo fica a dever-lhes o nome, que significa ‘série ou grupo de elevações’. Num outro artigo explicita: “Poiares (= Poi-ar-es, do lat. podium, como Puy, em França)”. Este linguista refere-se também a poial ‘banco de pedra, assento’ (do mesmo étimo latino, através de *PODIALE), que em algumas regiões meridionais, nomeadamente no Alentejo e no Algarve, pode assumir a forma pial e designar o ‘sítio da casa onde se colocam os cântaros da água’ ou o ‘banco de pedra unido à parede, à entrada das casas’.1177 Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, pode ler-se que as ruínas da vila Alva, em Poiares (freg uesia do concelho de Freixo-de-Espada-à-Cinta), se situavam num vale formado por duas cordas de montanha que se ligam em forma de ferradura e apresentam cumes “cujas antigas denominações aludiam à arqueologia — como Poiares, sobre a pov.[oação] (de podiales, do lat. podiu-)”.1178 Vincenzo Cocco também refere os apelativos poio poia e os topónimos Poio Poiares como herdeiros do latim PŎDIU, que tomou na Ibéria o sentido de ‘banco de pedra, assento de terra ou pedra para descansar ou pousar algo’.1179 Já Pedro A. Ferreira se debruçara longamente sobre Poiares (topónimo de Freixo-de-Espada-à-Cinta), relacionando o seu nome com poial e com poio ‘lugar onde se assenta ou coloca alguma coisa; banco fixo; assento de pedra’.1180
Os estudos mais completos sobre estes topónimos pertencem a Menéndez Pidal e a Joseph M. Piel: a sua origem mais remota encontra-se no vocábulo grego que significa ‘pé’, continuado em PŎDIU, com a já referida significação de ‘degrau, balcão’ e certamente também com a de ‘altura’. Assim se explica o sentido topográfico de poio ‘outeiro’ (presente já no Poema do Cid), dos diversos topónimos Poio(s) (que se estendem das Beiras ao Algarve) e dos seus derivados Poiares (representados na toponímia do Norte e Centro). Os autores estabelecem uma comparação entre poio e a sua forma alotrópica pojo ‘pequena elevação de terreno ou de pedra’ — também representada nos topónimos Pojos (espanhol) e Poja (espanhol e português) —, “cuja evolução fonética condiria com a de HODIE > hoje, INVIDIA > inveja, ao passo que a de poio teria uma r éplica em MODIU > moio e *CLODIU > Croio.”.1181 Com a mesma etimologia, no Nordeste peninsular existe o apelativo puig ‘montanha alta a aguda’, sendo muito frequentes os topónimos PuigPujalPujol Poyales. Pidal distingue etimologicamente Poiares (< PODIARE) de Poyales (Ávila) (< PODIALE) mas, num outro trabalho,1182 Piel nota que o sufixo -al (< latim -ale) adoptava frequentemente a forma dissimilada -ar (< latim -are), quando o radical possuía um L.
Refira-se que o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa comporta diversas outras acepções de poio e de poia, que partilham o sentido popular de ‘montículo de excrementos’ e o regional de ‘pão grande’. Além destes, temos o significado madeirense de poio ‘socalco escavado nas encostas’; e os regionais de poia ‘bolo grande feito com farinha de trigo’, ‘pão dado ao forneiro como retribuição da cozedura de uma fornada’, ‘porção de farinha dada ao moleiro como retribuição pela moagem do cereal’ e ‘porção de azeite dada ao lagareiro como retribuição pela moagem da azeitona’.1183 Se exceptuarmos o caso do espanhol puig ‘montanha alta e aguda’, o traço semântico comum é, pois, o de ‘objecto arredondado e elevado, mas com o topo aplanado e não pontiagudo’.
Poios
 
Poios de Baixo
 
Portelanos
Portelanos (Ansião), Quinta dos Portinos (Penedono).
Portelanos afigura-se um derivado de Portel, por sua vez proveniente de porto; e Portinos, um diminutivo de porto, também do latim PORTU 'abertura, passagem; entrada de um porto'.1347 Sobre este tipo etimológico, veja-se Portel (p. 319).
Quinta do Alvorge
(E a Torre da Ladeia (hoje Quinta do Alvorge, concelho de Ansião), dada por Afonso Henriques para defender aqueles povoados das invasões dos mouros, nem sequer dízimo pagava.)
 
Ribeiro de Albarrol
 
Serra do Alvorge
 
Serrabina
Serrabina (Ansião).
Se se tratar de palavra composta, como supomos, o seu primeiro elemento será serra, do latim SERRA, de início 'instrumento de corte', cujo sentido metafórico de 'linha de montanhas' deve remontar ao latim vulgar, por evocação semântica do aspecto dentado das cordilheiras;1360 o segundo elemento do vocábulo será bina 'dupla’ (e também ‘segunda lavra de um terreno'). De binus ‘duplo’ derivou o latim vulgar *BINARE, representado em todos os idiomas românicos da Península Ibérica e da Gália. Corominas sugere que o português binar possa ser de origem castelhana. No caso vertente, pode aventar-se a hipótese de uma origem moçárabe, o que não destoa de tantos outros moçarabismos da região.1361
 
Vale da Abrunheira
Vale Abronheiro (Pampilhosa da Serra), Várzea de Abrunhais (Lamego), Abrunhal2 (Arouca, Viseu), Quinta do Abrunhal (Nelas), Barroco do Vale de Abrunhal (Arganil), Abrunheira9 (Arganil, Caldas da Rainha, Coimbra, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Montemor-o-Velho, Oliveira do Bairro, Oliveira do Hospital), Lomba da Abrunheira (Pedrógão Grande), Vale da AbrunheiraAbrunheiras (Ansião), Azenha do Abrunheiro (Figueiró dos Vinhos), Abrunheiros (Pampilhosa da Serra), Abrunhosa2 (Mangualde, Sátão), Abrunhosa-a-VelhaAbrunhosa do Mato (Mangualde).
Segundo José Pedro Machado,1565 abrunho vem “de a- + lat. prnu- (malum), através de *prnu-” e documenta-se pela primeira vez em 1562.
José Joaquim Nunes acrescenta que, pelo menos no românico lusitano, esta forma adjectiva substituiu os substantivos prunus prunum, “tomando para si as duas significações de árvore e fruto, que o latim distinguia”; dela proveio pela “junção do o nosso abrunho que veio depois a perder aquele a-, resultando daí brunho, subsistindo hoje as duas formas; por essa razão a toponímia, ao lado de AbrunhalAbrunheiraAbrunheirosAbrunhetaAbrunhosa, dá-nos BrunhalBrunhaisBrunheda(o), BrunheiroBrunheira(s), BrunheirinhaBrunhetaBrunhosa, e Brunhosinho.”.1566 O Autor não tem em conta que se trata de uma aglutinação de a(l)-, nem a frequente substituição de [p] por [b], a que já se fez referência na p. 481.
Leite de Vasconcelos partilha a mesma opinião: “de PRUNU formou-se o adjectivo *PRUNEU-, que, com acrescentamento de a, deu abrunho, de onde derivou o nome da árvore, abrunheiro”.1567 Cunha Serra também explica Brunhido (Águeda) pelo latim *PRŪNĔU (= PRUNU ‘ameixeira; abrunheiro’) seguido do sufixo -ĒTUM, corrente na formação de nomes botânicos para designar o lugar onde existe ou onde se cultiva a planta; acrescenta a existência de numerosos nomes de lugar pertencentes a esta família etimológica, onde se verificou aglutinação de a-, dando como exemplo AbrunhedaAbrunheira Abrunhosa.1568
Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa considera as formas abrunho brunho semanticamente equivalentes, atribuindo-lhes também a etimologia latina *pruneus de prunus. Além disso, consigna os correspondentes nomes de árvores, abrunheiro brunheiro.1569
Dada a proximidade fonética e gráfica dos apelativos (a)brunho bunho, alguns destes nomes de lugar poderão eventualmente ter na sua origem o nome desta planta, como alerta Joaquim da Silveira,1570 informando que Brunheira (Oliveira do Bairro), também conhecida por Abrunheira (já no Censo da Estremadura de 1527), é, em rigor, Bunheira bunho (do latim *BUDINU, de BŬDA)1571 ‘planta palustre, espécie de junco’, abundante nos arredores da povoação. No entanto, tal facto em nada compromete a aglutinação do artigo a(l). Aliás, Ferraz de Carvalho1572 refere Brunheira como forma antiga (1527) de Abrunheira (Coimbra) e a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira,1573 além de Abrunheira — também conhecida por Brunheira (Oliveira do Bairro) —, regista uma Abrunheda, em Carrazeda de Ansiães, por vezes denominada Brunheda .
Trata-se de topónimos muito recorrentes um pouco por todo o país: para além
da já referida Abrunheda (Carrazeda de Ansiães), existem noutras regiões vários
lugares chamados Abrunheira, nomeadamente nos distritos de Lisboa, Castelo Branco
e Portalegre. Pedro A. Ferreira confronta Abrunheiro(a), Abrunhal Abrunhais,
“povoações nossas que tomaram o nome dos abrunhos”, com outras formas sem a-.1574
Em Espanha existem também Pruna Prunes, a que Galmés de Fuentes atribui origem moçárabe.1575
Vale da Avessada de Baixo
 
Vale da Avessada de Cima
 
Vale Perrim
 
 
Topónimos Árabes
 
Almofala de Baixo
 
Almofala de Cima
 
Bairro de Almofala
 
Quinta da Abougaria
 
Ribeira de Alge

14.4.16

Cartografia histórica da região de Sicó: em busca dos topónimos perdidos


Já tinha a carta de Ansião mais recente de todas (2004), contudo faltava-me mais uma, pensava eu. Afinal faltavam-me duas versões mais antigas da carta militar de Ansião, daí rapidamente as ter adquirido no formato que mais gosto, em papel, para poder investigar os topónimos. A cartografia é barata e recomendo-vos vivamente que adquiram pelo menos o exemplar da carta correspondente à área onde vocês vivem.
A cartografia já me fascina há largos anos, embora o gosto efectivo pela cartografia histórica seja mais recente.
Mas vamos a um pequeno esclarecimento. Vêem que a Serra da Portela sempre teve esse nome e não outro? Eu também fui surpreendido há coisa de duas décadas, pois havia algumas pessoas que diziam que aquela serra tinha um outro nome (e eu acreditava só porque elas me diziam...). Uma coisa é elas, a título individual, denominarem a mesma por um qualquer nome que não o oficial e legal, outra é elas afirmarem, erroneamente, que seria esse o seu nome oficial e legal. O nome/topónimo próprio já existe há muitas décadas, tal como a cartografia o comprova sem qualquer margem para dúvidas. Anjo da Guarda refere-se apenas à capela e ao miradouro existente na serra da Portela.
Informação à parte, fiquei agora esclarecido porque é que já tinha visto Pousa-Flores em vez de Pousaflores.

Fonte: Carta Militar de Ansião, 1947 (275) - excerto do meu exemplar (papel). 

Já surpresa foi o facto de ver que o marco geodésico do Monte da Ovelha já teve outro nome/topónimo, ou seja Moura. Não me admira que isto esteja ligado ao povoamento arqueológico situado a escassas centenas de metros a Norte daquele ponto. Já o nome Monte da Ovelha poderá estar relacionado com o período que antecedeu o plano dos centenários (escolas primárias), quando as próprias crianças levavam os rebanhos para a serra. 
Tive outras surpresas, pois mesmo no local onde vivo, fiquei a saber de um topónimo que nunca tinha ouvido falar...

 Fonte: Carta Militar de Ansião, 1984 (275) - excerto do meu exemplar (papel). 

O comum cidadão, que não lida com cartografia, está muito alheado do valor e interesse de tudo aquilo que as cartas militares retêm numa simples folha de papel. O intuito deste meu comentário tem a ver precisamente com o regresso às origens e com aquilo que é realmente importante, o nosso património e os nossos belos topónimos, que importa conhecer. Apenas nesta carta (275) tenho muito por onde explorar, mas para isso vou precisar da ajuda dos mais velhos, dos anciãos, complementando com antigas publicações.
E para os mais desatentos, Ansião já foi Ancião, sendo eu ainda do tempo em que na escola se escrevia Ancião (sim, estou a ficar velho).

Fonte: Carta Militar de Ansião, 2004 (275) - excerto do meu exemplar (papel). 

28.11.13

Serra do Anjo da Guarda?


Confesso que fico algo incomodado quando oiço alguém dizer "Serra do Anjo da Guarda", não por si mesmo, mas pelo facto da Serra do Anjo da Guarda não existir oficialmente, tratando-se "apenas" de uma forma de dizer de algumas pessoas. Existe sim a Serra da Portela, que há vários anos e de forma errónea algumas pessoas denominam como Serra do Anjo da Guarda, afirmando que é esse o seu nome oficial.
Enquanto geógrafo não posso deixar passar esta questão, já que se impõe um esclarecimento cabal de que esta serra é oficialmente a Serra da Portela. Há sim algumas pessoas que a tratam por anjo da guarda, e outras por serra do monte da ovelha.
Mais incomodado fico quando oiço e vejo psssoas e entidades a difundir este equívoco geográfico, sinal de pouco esclarecimento sobre a situação. Espero que com este comentário de esclarecimento comecem a corrigir este erro comum nos documentos e plataformas digitais da sua responsabilidade.
Deve ser curioso uma pessoa de fora, munida de uma carta militar, num passeio qualquer, ir em busca da Serra da Portela e, ao perguntar por esta, apenas os mais velhos saberem onde é, pois alguns dos mais novos e outros ainda pouco informados, sabem apenas onde é a Serra do Anjo da Guarda, serra esta que não existe factualmente...
Fica então o esclarecimento.
Para quem tem dúvidas, aqui fica um excerto, digitalizado, do meu exemplar da Carta Militar nº 275:

Fonte: IGEOE

Como podem observar, com base na cartografia oficial, de Anjo da Guarda existe apenas o miradouro e a capela, portanto agora não há desculpas para utilizarem outro topónimo que não "Serra da Portela". Uma das melhores formas para conhecer o nosso território é mesmo comprar as cartas militares respectivas (eu tenho as de Ansião e há anos atrás ofereci outras (4) aos Bombeiros Voluntários de Ansião). São baratas, elucidativas e não induzem em erro. 
Agora façam-me um favor, especialmente os ansianenses, difundam este esclarecimento, por favor! Serra da Portela, conhecida por alguns como anjo da guarda ou por monte da ovelha.

11.11.10

Toponímia: uma forma brilhante de conhecer a região de Sicó

Comprei este livro há 2 meses numa mini-feira do livro. Tendo em conta que é um dos muitos temas que me interessa, não houve a mínima hesitação na compra de mais um livro para a cada vez maior biblioteca pessoal.
Uma das coisas que considero mais importante para o conhecimento da região de Sicó, por parte de cada um de nós, é o ir para o campo, caminhar por locais não conhecidos ou mesmo por locais que pensamos que conhecemos. Confesso que me incomoda ouvir sempre a desculpa do costume, pois quando, por vezes, desafiava alguns colegas para a ida à descoberta, havia sempre a expressão "está frio", ou "está calor" ou então "cansa muito".
Estas breves expressões têm um significado mais profundo do que se pensa, pois reflecte plenamente o espírito de muitos nós. É pena que assim seja, pois há muito para conhecer na extraordinária região de Sicó.
Será que é melhor ficar o tempo todo no sofá a ver a televisão de qualidade duvidosa? Será que é melhor ir sempre para o café à espera que o tempo passe? Claro que não!
Peguem numa carta militar (podem comprar através de: http://www.igeoe.pt/) de olhos fechados apontem para um sítio, ou então uma ideia que agora vos proponho.
Vejam a diversidade de topónimos existente nas várias cartas militares que abrangem a região de Sicó e partam em busca do significado desse topónimo.
Dou apenas algumas sugestões:
Fonte da Pedra; Quatro Lagoas; Vales Verdes; Vale Florido; Bouça do Ferreiro; Carrascal das Sete Fontes; Estercadas; Governos; Aldeia do Rio; Cabeço Nacreal; Terras Largas; Bica; Castelo; Escarramoa; Marrocos.

São apenas alguns dos milhares de hipóteses (topónimos) para explorar. Vão ver que por detrás de cada topónimo há histórias fabulosas. Desfrutem também da paisagem (cada vez mais fragmentada..) da região, pois ainda vale bem a pena.
Posso contar uma que vivi há 2 anos. Num trabalho de investigação, estava a analisar em estereoscopia uma fotografia aérea e deparei-me com algo que se assemelhava à "bordadura" de uma dolina (forma cársica). Como precisava de confirmar no terreno se era ou não aquilo que eu pensava, fui então ao local, onde infelizmente não consegui chegar. O mato era tão denso que apenas terei chegado uns 20 a 30 metros do local.
Indo à carta militar vi que o topónimo do lugar era "Castelo" e não é que após questionar um colega meu, cheguei à conclusão que o que me parecia uma dolina na fotografia aérea era afinal um castro (antigo povoamento)? Infelizmente está ao abandono, facto normal na região de Sicó. A arqueologia é muito mal tratada por estes lados...
Este é apenas um mero exemplo de histórias por detrás de topónimos esquecidos. Vão ver que se em vez de estarem no sofá a perder demasiado tempo ou no café a perder tempo e dinheiro, ficam mais felizes da vida ao fazerem algo de saudável (caminhar e conviver de forma saudável com amigo/as) e mais conscientes do património que a região encerra. Tudo isto através de uma forma alternativa e valorosa de conhecer o nosso território.
Não esqueço também outro facto muito importante, dialogar com as pessoas de muitos lugares esquecidos da região de Sicó é das coisas mais enriquecedoras que podemos fazer, elas têm algo que tem faltado aos nossos governantes, a sabedoria, a humildade e a simplicidade! Vão ver que elas ficam muito agradecidas por terem alguém para partilhar a ancestral sabedoria...
Os vossos horizontes ficarão mais alargados, isso vos garanto. Além disso mais tarde vão dizer para vós próprios: "o que eu tenho perdido..."