Mostrar mensagens com a etiqueta Lapiás. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lapiás. Mostrar todas as mensagens

28.3.16

A estupidez não tem limites, mas vai ter multa...


Freguesia do Zambujal, concelho de Condeixa-a-Nova, é precisamente ali que a estupidez não teve limites. Um qualquer cidadão teve a genial ideia de estoirar uns milhares de euros para fazer este belo serviço, o qual representa o expoente máximo da iliteracia ambiental e um sinal claro que muito há a fazer por parte das entidades públicas. Fiquei profundamente chocado quando um amigo me enviou estas imagens. Falta claramente sensibilização ambiental que possa precaver este tipo de acções muito negativas a vários níveis.
Possivelmente quem fez isto nem se apercebeu da acção pouco inteligente que promoveu naquele campo de lapiás, dada a geoiliteracia, mas uma coisa posso garantir, é que brevemente vai-se aperceber e da pior forma, pois esta acção é ilegal e está sujeita a "prémio". Não tenho prazer em promover este "prémio", mas em casos graves não há volta a dar... Quase que aposto que será para plantar eucaliptos...
Quando eu falo em políticas públicas específicas para o carso de Sicó, faço-o precisamente por isto mesmo, já que noutros países, como por exemplo a Eslovénia (berço do carso), estas já existem há muito tempo e isso faz toda a diferença em termos de desenvolvimento socio-económico. Vivemos na Idade Média em termos de legislação específica para a região de Sicó. Temos muito para andar em termos civilizacionais, isso é certo.
A região de Sicó podia estar à frente no seu tempo, pois tem um imenso património e mais-valias. Infelizmente vive-se uma república das bananas e o futuro não se afigura muito diferente, pois para que isso fosse possível as coisas teriam de estar a um outro nível. Temos o know-how, mas falta a vontade para mudar o paradigma actual...



12.5.14

Anti-património na Serra da Portela: crónica de uma sucessão de acções atentatórias do património natural e cultural



A região de Sicó é pródiga em muitos aspectos, no bom e no mau sentido. Infelizmente os maus aspectos sobrepõem-se aos bons, o que me leva a ser cada vez mais incisivo na defesa do património desta extraordinária região. As ideias parvas têm muito sucessos por estas bandas, é a nossa triste sina.
Desta vez a história passa-se na Serra da Portela (Pousaflores), no Concelho de Ansião. Infelizmente é uma história já com algumas décadas e com vários episódios. Os protagonistas são os mesmíssimos de sempre. Ainda na década de 80, alguém teve a ideia peregrina de mandar para o topo da Serra da Portela uma máquina de rastos, que basicamente andou a lavrar nos lapiás, um atentado hediondo ao património regional. Posteriormente plantaram-se árvores, não das autóctones, mas de outro tipo. O lóbi da caça foi aqui preponderante. Depois, abriu-se uma estrada que mais parece uma pista de aterragem de avionetas, com ligação directa ao edifício dos caçadores.
Mais alguns episódios e eis que há poucos meses surgiu mais uma novidade. Já tinha visto, ao longe, que algo se passava por ali, no entanto, e por falta de tempo, apenas agora tive a possibilidade de me deslocar ao local, de bicicleta e máquina fotográfica a postos.
Não pensei que o que se passava ali fosse tão mau, mas afinal é mesmo assim, sem tirar nem pôr. Onde há poucos meses existia um pequeno e belo caminho, que se inicia em Pousaflores e segue pela serra acima, existe agora um estradão, populado por 12 novas cruzes, as quais me parece que terão o destino das últimas, ou seja vandalizadas.
Apesar de não achar graça, não ficaria incomodado se tivessem (re)colocado apenas as cruzes, de forma a repor aquelas que foram colocadas há vários anos atrás. No entanto, tal não aconteceu. Afinal surgiu uma ideia mais catita, rasgou-se a vertente Sul da Serra da Portela, destruindo o belo caminho e criando um estradão, o qual foi enfeitado, pois claro, com carradas de brita. Degradou-se o património, afectou-se negativamente a paisagem e criaram-se vários problemas, os quais irão afectar ano após ano aquele local. Alguns já se iniciaram com a chuva, pois a bela da erosão já começou a espalhar a brita, através de belos regos escavados pela água da chuva. Ano após ano será necessário voltar a espalhar brita e mais brita, que nem circo das pedreiras.
Os taludes também já sofrem, pois as máquinas instabilizaram extensas áreas. Colocaram-se tubos que ficam imensamente bonitos, melhor ainda quando a chuva os destapar mais.
O antigo caminho, agora estradão, terá uma grande importância, pois as provas de jipes irão adorar começar a trepar pela serra acima, criando ainda mais erosão. As curvas cegas são o expoente da genialidade, de tal forma que já alguns jipes patinaram por ali.
É a lógica circense do costume, a qual irei indagar se efectivamente foi legal, pois é precisa uma autorização para este tipo de espectáculos, especialmente quando o carvalho cerquinho perdeu algumas dezenas de irmãos. E pensava eu que os lapiás e o carvalho cerquinho eram protegidos, que aquela área fazia parte da Rede Natura 2000. Mas devo ser eu que estou enganado...
A Serra da Portela já foi violada demasiadas vezes. Na vertente cultural, primeiro lembraram-se de chamar esta Serra por Monte da Ovelha, mas depois de ali erigirem uma pequena capela, acharam que seria mais bonito chamar a mesma por Anjo da Guarda. Imagine-se, contudo, que esta serra tem um único topónimo, ou seja Portela, Serra da Portela. Na vertente natural, é tal como já atrás referi. E agora, o que se segue?




28.10.12

Nasceram os "Geobiscoitos de Sicó"!


Aproveitando o último festival de gastronomia de Ansião, que aconteceu entre os dias 19 a 21 de Outubro, foi lançada uma inovadora linha de biscoitos, os "Geobiscoitos de Sicó". Posso dizer que é um acontecimento que não esquecerei, já que é algo de novo pelos lados de Sicó e, penso, que mesmo a nível nacional, no que concerne ao carso português.
Pelas mãos da Pastelaria Nabão (Ansião), surge então algo que merece todo o destaque e toda a nossa atenção. Não é todos os dias que surge, no domínio da gastronomia, algo que junta o melhor de dois mundos. Gastronomia, geodiversidade e biodiversidade estão representados nos "Geobiscoitos de Sicó", não esquecendo uma forte e declarada componente educacional, a qual pretende mostrar a todos aquilo que poucos efectivamente sabem o que é. O primeiro geobiscoito de Sicó é então um lapiás, um dos embaixadores do carso.
Este projecto é decorrente de algo que muitas vezes digo, da necessidade de construir pontes entre gerações e pontes entre a ciência e as comunidades, algo que faz muita falta também pelos lados de Sicó. Os "Geobiscoitos de Sicó" são o feliz (e saboroso!) resultado desta "construção de pontes". 
Com tudo isto tem-se um belo "objecto" que também pode ajudar ao tão necessário marketing territorial, ainda por potenciar na região de Sicó. Mais "objectos" se seguirão!
Podia estar aqui a dizer muito mais, mas não, prefiro "apenas" agradecer à D. Lurdes, que acolheu de braços dados uma ideia simples, mas revolucionária na gastronomia regional. Por boas que sejam as ideias, elas de nada valem se não houver quem lhes possa/queira dar seguimento...
Quem quiser comer um lapiás, já sabe que agora o pode fazer, literalmente!