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4.10.23

Uma mina a céu aberto, em Rede Natura 2000? Sim, o autarca de Alvaiázere, alegado defensor da biodiversidade, apoia!



Quando surge algo negro no horizonte de Sicó e não vemos numa fase inicial, há sempre alguém que nos avisa, tal como foi este o caso. Apesar de eu seguir o portal PARTICIPA, não tinha reparado no que agora vos falo e passo a divulgar amplamente. 
Eis que está em discussão pública uma possível mina a céu aberto no concelho de Alvaiázere, freguesia de Almoster, para extracção de areias siliciosas e argilas especiais. Nesta primeira fase trata-se da discussão pública de direitos de prospecção e pesquisa destes minerais, seguindo-se depois uma segunda fase, esta já relativa à extracção dos mesmos. Um buraco com 1,5 km quadrados, para justificar o Sorte em Viver Ali, e premiar quem apoiou cegamente o autarca local, que deu luz verde às intenções de prospecção e pesquisa, abrindo assim a porta a tamanho buraco. E melhor, parte do buraco em plena Rede Natura 2000. Num país decente, nem sequer se colocaria a questão dentro de áreas protegidas, mas em Portugal pode-se tudo, seja pedreiras, parques eólicos, parques solares, minas, etc, é só acenar com umas notas e umas rendas e tudo se faz.
O incêndio de 2022, que varreu toda aquela zona, irá possivelmente ser uma boa ajuda para o trabalho de campo, já que há muito menos vegetação. E não, não estou a insinuar nada, estou apenas a ser factual. 
O autarca de Alvaiázere e o seu executivo deram parecer positivo condicionado, portanto vai ser curioso ver a reacção dos seus eleitores que tanto o apoiaram quando souberem desta amarga novidade, que ameaça Almoster tal como o conhecemos. 
O meu parecer vai ser negativo, pois é uma questão de princípio, áreas protegidas são para proteger, bem como a sua envolvência. Quem estiver sintonizado comigo e quiser participar nesta consulta pública, sabe onde me encontrar e como me contactar para pedir ajuda ou esclarecimentos. Temos até 9 de Novembro para nos pronunciarmos, portanto não se queixem depois que não tiveram tempo para analisar os documentos sobre o processo.
Há uns anos havia intenções de um antigo executivo em trazer uma... incineradora para Alvaiázere, agora isto... É esta a inovação e o desenvolvimento que queremos para a região?! Sobre o discurso do autarca alegadamente defensor da biodiversidade, o mesmo não é consequente, tal como agora fica cabalmente provado.


 

8.11.22

Mais parece discurso de promotor imobiliário...


Confesso que não é nada que não estivesse à espera, contudo acho lamentável em vez de ouvir um verdadeiro discurso de autarca, ouvir um discurso que mais parece o discurso de um promotor imobiliário. Há 2 décadas que o poder político em Alvaiázere cultiva esta lenga lenga de que a Rede Natura 2000 é factor que limita o desenvolvimento de Alvaiázere. Diria numa primeira análise, que o único factor que tem limitado o desenvolvimento de Alvaiázere é apenas e só uma visão redutora e ultrapassada do que é afinal desenvolvimento territorial. A visão deste autarca não concebe mais nada que não a visão que ele tem do território. Não concebe todo um mundo que está além da sua curta e limitada visão das potencialidades e valores deste território muito especial, as quais eu já tenho vindo a apontar há uns 17 anos. Construir zonas industriais dentro de um território com tamanhos valores naturais não é desenvolvimento, é sim uma crónica mentalidade estereotipada e uma notável inabilidade para governar/potenciar um território extraordinário. 
A Rede Natura 2000 não é nenhum entrave para o desenvolvimento deste território, é sim uma mais-valia que este autarca não tem habilidade para gerir e potenciar. Projectos que não vão de acordo com a sua visão muito redutora das riquezas patrimoniais daquele território são pura e simplesmente ignorados, mesmo que sejam projectos reconhecidos e de reconhecido potencial para Alvaiázere. 
Confesso que me fartei de rir com o populismo deste autarca quando ele refere que "temos mais 50% do nosso concelho em Rede Natura e ninguém gosta mais dela do que nós". Dito por quem tem sido das pessoas que mais tem desprezado quem, de facto, gosta e pugna por carolice pela RN2000, também no território de Alvaiázere. Alguém que ainda há 15 anos, aquando do atentado das azinheiras, na Serra de Ariques, esteve ao lado de quem mandou abrir um estradão ilegal em pleno habitat da RN2000, abatendo milhares de azinheiras em plena RN2000 e alegadamente difamou quem denunciou as ilegalidades. O tempo mostra quem é quem. O tempo não esquece...
Nesta entrevista ao Jornal Terras de Sicó este autarca tenta gerir bem as palavras, contudo não esconde ao que vem, que é poder construir dentro da RN2000, destruindo mais valores naturais e riquezas patrimoniais. Aliás a sua família política tem uma forte tradição nesse domínio, tal a quantidade de ilegalidades ocorridas nas últimas décadas, seja abertura ilegal de várioestradões, abate de azinheiras, carvalhos e afins. E tentativas de expropriar de forma alegadamente abusiva terrenos privados para construção de uma zona industrial (abatendo com isso dezenas de sobreiros e carvalhos centenários, além de azinheiras). É público, não estou a inventar nada, são factos!
Em vez de planear o território, tenta a política da vitimização para se desculpar pela fraca dinamização do território e falta de inovação territorial. O que interessa para este autarca parece ser desarmar a RN2000 para... poder construir zonas industriais. Estranho é este autarca falar dos 50 % de RN2000 e não falar dos outros 50% que não são RN2000. Será que fora da RN2000 não há área para zonas industriais ou isso não lhe interessa? Fica a pertinente questão. Não tem mostrado algo de essencial, ouvir todos e definir uma estratégia para potenciar o território e as suas riquezas naturais e patrimoniais. Será que não concebe deixar os seus "ódios de estimação" e ouvir quem sabe da coisa, independentemente de gostar ou não da pessoa? Omite que dentro das áreas urbanas, seja de nível I, II ou III, dá para fazer muita coisa que potencie a dinâmica territorial, já que o que é realmente importante para Alvaiázere é mesmo potenciar as suas riquezas e não construir pavilhões gigantes no meio de casas só para dizer que tem fábricas. No Rego da Murta está um dos piores exemplos de como as coisas não devem ser feitas, contra as populações e prejudicando as mesmas. Elas vão embora por algum motivo...
Não é também por acaso que o processo de classificação da paisagem de Sicó ficou em águas de bacalhau. Era mais um entrave para este e outros autarcas, que não concebem o mundo além da sua visão redutora do território. E o problema não é não saberem, mas sim não quererem saber.
Afirmar que a RN 2000 limita o desenvolvimento de Alvaiázere é, além de uma cabal prova de falta de competência para gerir um território tão valioso em termos ambientais, um sinal de uma visão demasiado redutora deste território, o qual era suposto este autarca conhecer a fundo, sem tabus e ideologias a toldar o discernimento. E nem se pode queixar de que não há pessoal jovem no concelho ou perto dele. Perde Alvaiázere, perdem os alvaiazerenses, que continuarão a ser menos com esta política completamente desajustada à realidade e ao valor territorial, e perde o imenso, repito, imenso património que deveria ser a base do desenvolvimento territorial. Quando a falta de competência para gerir o território e o preconceito e estereótipo ideológico imperam, pouco mais há a dizer. É mesmo um problema cultural estrutural que tem de ser ultrapassado também em Alvaiázere.
Eu aqui estarei para divulgar o património de Alvaiázere, natural ou não, e denunciar quem o degrada ou destrói. Já o faço activamente há 17 anos pro bono. E até já um curso de empreendorismo fiz em Alvaiázere. Eu não ligo a preconceitos e estereótipos, trabalhando seja com quem for que queira trabalhar em prol do excepcional património deste belo território que engloba também Alvaiázere.

 

20.7.22

E agora, ICNF e CCDRC?


Trata-se de um mapa que o Grupo Protecção Sicó produziu e é um mapa deveras interessante. Nas próximas semanas irei ser incisivo sobre a questão dos incêndios na região. E para ser incisivo nem é preciso gastar muitas palavras, mas sim ser objectivo.

Neste mapa têm uma sobreposição entre a área de Rede Natura 2000 (Sítio Sicó/Alvaiázere) e as áreas ardidas dos incêndios de Ourém (Freixianda), Alvaiázere e Ansião. No total cerca de 12000 hectares de área ardida, sendo quase 2000 hectares área da RN2000.

Ora, impõe-se uma questão fundamental. O que fizeram o ICNF e a CCDRN para evitar este desastre ambiental? Sabendo das competências e responsabilidades destas entidades no âmbito da RN2000, o que têm as mesmas a dizer sobre este desastre ambiental?

Estou deveras curioso para saber o que ambas as entidades têm a dizer sobre o sucedido, bem como o que se segue em termos de mitigação do problema e da gestão futura  do Sítio da RN2000 Sicó/Alvaiázere.

Para já é isto que tenho a dizer, mas brevemente voltarei ao assunto, falando de outras entidades com competências e responsabilidades. 

9.6.20

Atulhar um habitat da Rede Natura 2000? Mau Maria...


O alerta surgiu de uma pessoa que tem consciência ambiental e me contactou. Era uma situação que eu desconhecia, mas que entretanto fui começando a conhecer melhor, já que indaguei. Falei com algumas pessoas e fui recolhendo dados sobre a situação. Para já ainda não tomei medidas legais, já que ainda estou a recolher informações, mas caso a situação não seja reposta farei questão de fazer aquilo que sei melhor e pelo qual sou conhecido. E acreditem, sou capaz de ser bem chato e incisivo na defesa do património.
Esta é uma situação que me entristece duplamente, seja pela ocorrência em si, seja pelo facto desta ocorrência resultar de uma evidente falta de literacia ambiental por parte de quem deu a ordem para atulhar parcialmente esta charca, a qual, imagine-se, é um habitat protegido da Rede Natura 2000. Só não tenho a certeza do habitat, mas será o 3140 ou o 3150 (informação corrigida após consulta a especialista). E o que ali foi feito? O costume, curiosamente, ou não, está identificado como ameaça a este habitat na ficha respectiva como "deposição de resíduos". Esta situação ocorreu na freguesia de Chão de Couce, no lugar do Alqueidão, Ansião. 
Pelo que me foi dito, este entulhamento terá ocorrido porque a estrada que ladeia a charca estaria alegadamente instável. Esse facto, a ser verdade, não é motivo para cometer uma ilegalidade. Havendo um problema desse tipo há apenas uma coisa a fazer, falar com quem sabe, de forma a fazer as coisas dentro da legalidade e salvaguardando o património natural, mantendo a charca e a estrada. Ora isso não aconteceu. O que aconteceu foi o costume neste tipo de situações, o entulhar parcialmente, que mais tarde inevitavelmente o resto surge atulhado, com umas carradas de terra que lá vão sendo colocadas. Ora isso não vai acontecer, gostem ou não meus senhores. Já chega de destruírem total ou parcialmente as nossas riquezas naturais!
Resumindo, caso nas próximas semanas a situação não seja reposta, já depois da situação apresentada a quem sabe destas matérias, tomarei medidas para que os responsáveis sejam devidamente identificados e responsabilizados tal como previsto pela lei. Já sei quem alegadamente terá sido, só para que conste. Nas próximas semanas irei ao local, já que quero esclarecer algumas dúvidas, de entre as quais se se trata de uma dolina ou não. 
Pondo isto de uma forma mais objectiva, a situação terá de ter em conta uma recuperação ambiental do local, seja pela retirada dos resíduos, seja pela reconstrução do muro caído e manutenção do muro que, como se vê, não é intervencionado há anos, daí estar no estado em que está. É a vossa obrigação, não uma opção. E no final, a estrada continuará e ficará transitável depois de uma intervenção planeada e legal. E aquele muro de blocos nem devia ali estar...


7.2.18

Abater carvalhos para que o pessoal do TT possa chafurdar na lama?


não é a primeira vez que abordo este tipo de situação. Tristemente tenho de voltar ao tema após ter sido alertado para o facto. Trata-se de uma situação em Pousaflores, Ansião, onde, para criarem um espaço para o pessoal do TT chafurdar na lama, abateram um número indeterminado de carvalhos, parte deles alegadamente retirados do local (porque será...). Trata-se de uma prova de TT, apoiada pela Junta de Freguesia de Pousaflores, que entretanto foi cancelada (informação presente no facebook da Junta de Freguesia). Infelizmente o mal está feito, contudo as responsabilidades vão ter de ser apuradas...
Com tanto terreno ideal para fazer isto e sem necessidade de abater carvalhos, havia alguma necessidade de fazer esta triste figura? Numa freguesia onde o carvalho cerquinho é um dos seus principais embaixadores é esta a imagem que querem mesmo passar?
Estou neste momento a analisar o caso, de forma a ver se há matéria para queixa. A dúvida prende-se apenas com os limites do perímetro urbano, que pode condicionar de alguma forma a queixa. Sei também que parte deste trabalho foi efectuado em terrenos alheios, sem qualquer autorização dos donos (tal como consta nas redes sociais...), portanto irei esperar por mais desenvolvimentos.
É uma pena situações como esta continuarem a existir, sinal que temos muito que evoluir enquanto cidadãos e enquanto sociedade!
Pena que se tenha uma posição louvável, quando se recusa a apalicação de herbicidas na freguesia de Pousaflores e depois se tenha uma posição que, factualmente, apoia o abate de carvalhos. Urge corrigir este tipo de comportamentos, a bem de Pousaflores, de Ansião e da própria região de Sicó.
Termino com um apelo à Junta de Freguesia e aos donos dos terrenos em redor deste local. Limpem o que há para limpar, dentro das regras e da racionalidade, claro, e plantem espécies como o carvalho! O Verão chegará rápido, com tudo o que isso pode representar em termos de risco de incêndio...