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9.6.20

Atulhar um habitat da Rede Natura 2000? Mau Maria...


O alerta surgiu de uma pessoa que tem consciência ambiental e me contactou. Era uma situação que eu desconhecia, mas que entretanto fui começando a conhecer melhor, já que indaguei. Falei com algumas pessoas e fui recolhendo dados sobre a situação. Para já ainda não tomei medidas legais, já que ainda estou a recolher informações, mas caso a situação não seja reposta farei questão de fazer aquilo que sei melhor e pelo qual sou conhecido. E acreditem, sou capaz de ser bem chato e incisivo na defesa do património.
Esta é uma situação que me entristece duplamente, seja pela ocorrência em si, seja pelo facto desta ocorrência resultar de uma evidente falta de literacia ambiental por parte de quem deu a ordem para atulhar parcialmente esta charca, a qual, imagine-se, é um habitat protegido da Rede Natura 2000. Só não tenho a certeza do habitat, mas será o 3140 ou o 3150 (informação corrigida após consulta a especialista). E o que ali foi feito? O costume, curiosamente, ou não, está identificado como ameaça a este habitat na ficha respectiva como "deposição de resíduos". Esta situação ocorreu na freguesia de Chão de Couce, no lugar do Alqueidão, Ansião. 
Pelo que me foi dito, este entulhamento terá ocorrido porque a estrada que ladeia a charca estaria alegadamente instável. Esse facto, a ser verdade, não é motivo para cometer uma ilegalidade. Havendo um problema desse tipo há apenas uma coisa a fazer, falar com quem sabe, de forma a fazer as coisas dentro da legalidade e salvaguardando o património natural, mantendo a charca e a estrada. Ora isso não aconteceu. O que aconteceu foi o costume neste tipo de situações, o entulhar parcialmente, que mais tarde inevitavelmente o resto surge atulhado, com umas carradas de terra que lá vão sendo colocadas. Ora isso não vai acontecer, gostem ou não meus senhores. Já chega de destruírem total ou parcialmente as nossas riquezas naturais!
Resumindo, caso nas próximas semanas a situação não seja reposta, já depois da situação apresentada a quem sabe destas matérias, tomarei medidas para que os responsáveis sejam devidamente identificados e responsabilizados tal como previsto pela lei. Já sei quem alegadamente terá sido, só para que conste. Nas próximas semanas irei ao local, já que quero esclarecer algumas dúvidas, de entre as quais se se trata de uma dolina ou não. 
Pondo isto de uma forma mais objectiva, a situação terá de ter em conta uma recuperação ambiental do local, seja pela retirada dos resíduos, seja pela reconstrução do muro caído e manutenção do muro que, como se vê, não é intervencionado há anos, daí estar no estado em que está. É a vossa obrigação, não uma opção. E no final, a estrada continuará e ficará transitável depois de uma intervenção planeada e legal. E aquele muro de blocos nem devia ali estar...


5.7.17

Devolver o espaço às pessoas ou aos carros? Fiquei confuso...



Foi há 6 meses que abordei aqui uma questão que teve um impacto colossal em termos de visualizações no azinheiragate (14 000 em 4 dias...) e que mexeu com a identidade de Chão de Couce. No último fim-de-semana voltei ao local, de modo a efectuar novo registo fotográfico.
Foi há 6 meses que a Câmara Municipal de Ansião referiu que (1) aquele local estava a ser alvo de intervenções que pretendiam devolver o espaço às pessoas e à sua mobilidade, que (2) acrescentava modernidade e urbanidade, e que (3) o freixo ali situado não possuía qualquer classificação patrimonial ou protecção particular, bem como constituía um perigo para a circulação naquela zona.
Rapidamente concluí, com a ajuda de um botânico, que a árvore em causa não estava doente ao ponto de ser cortada, sendo um falso argumento. Não constituía portanto um perigo para a circulação naquela zona. Era, infelizmente, um falso argumento para legitimar o corte da árvore, que claramente estorvava a quem fez e a quem aprovou este projecto.
Quanto à classificação ou protecção da árvore, há que referir que não há propriamente uma cultura de protecção ou classificação das mesmas, mas sim uma cultura do corta corta, típica em Portugal.
Fiquei perplexo com as justificações em causa, ainda mais porque a obra deveria ter sido alvo de discussão pública, tal como acontece em países desenvolvidos. Os argumentos não me convenceram, seja pelo facto de se argumentar, sem fundamentar devidamente, que se devolvia o espaço às pessoas e à sua mobilidade, seja pelo facto, de tal como a obra estava pensada, não acrescentar modernidade e urbanidade desejável, retirando sim identidade ao local. Tudo isto teve os impactos conhecidos na hora de as pessoas manifestarem a sua revolta pelo abate do freixo. Não esperei que tantas pessoas mostrassem o seu descontentamento, nem mesmo de forma tão expressiva. Isso aconteceu porque parte da sua identidade foi obliterada sem apelo nem agrado com esta obra. 
Mas voltando ao início, agora, e após a obra terminada, eis que no lugar do freixo supostamente doente, surge um... estacionamento. Típico...
E antes que surja a reacção do costume, não, não sou contra esta obra, mas sim contra o facto de não ter havido discussão pública, facto que levou a este desfecho. Caso tivesse havido discussão pública o freixo não teria vindo abaixo... Continua a insistir-se na tecla da não discussão pública, da não integração de elementos pré-existentes e da obra tipo chapa 5. E depois falam em identidade e na Marca Ansião como factor de diferenciação...

21.2.17

Modernismo, diziam eles. Estacionamento, mostro eu...


Urge fazer uma actualização do último comentário que fiz, sobre as obras do largo da igreja, em Chão de Couce, Ansião. As desculpas para o abate daquela árvore monumental eram, entre outras, o modernismo, que era necessário imprimir aquele local, contudo o decorrer das obras mostra algo de curioso...
Chamar modernismo à criação de estacionamentos é um bocado... abusivo, para não dizer outra coisa. Abateu-se de forma injustificada uma árvore com uns dois séculos, que fazia parte da identidade local e que até dava sombra ao parque onde as crianças brincavam. Abateu-se uma árvore monumental para, imagine-se, agora nascer um parque de estacionamento no local preciso onde estava o freixo. Posto isto, e divulgados os factos, pouco mais há a dizer senão que uma imagem vale mais do que mil palavras. E não há que enganar, pois é claro como a água. É assim que se contribui decisivamente para obliterar a identidade local, sem tirar nem pôr. 
Agora estou curioso para saber o que está pensado para o Largo do Alvorge, onde está planeada intervenção semelhante...


13.1.17

"Chão de Couce está de luto": crónica de um atentado à identidade local


Fonte: António Simões

Já sabia há uns meses que iriam começar as obras de requalificação daquele largo, já que há que mostrar obra feita para as eleições, contudo, e para não variar, o escrutínio público ficou por fazer. É essa a (i)lógica da política da treta em Ansião e não só, faz-se para "ingês ver" e deixa-se o mais importante, e que não se vê, para segundo plano. O que não esperava é que fizessem o que todos podem ver na fotografia acima e no vídeo. Talvez por isso este projecto tenha estado longe dos holofotes da opinião e debate público, tal como Ansião nos tem habituado ao longo dos mandatos de Fernando Marques e Rui Rocha.
Uma enorme árvore centenária (freixo) e elemento identitário de Chão de Couce, Ansião, foi destruída e, como um local disse, "Chão de Couce está de luto". A desculpa foi a do costume, está em risco, temos de pensar nas pessoas e o blá blá blá do costume. O curioso é o suposto perigo só começou a existir quando se começou a obra... Querem mesmo que eu acredite que havia perigo?! Acredito nisso  e já agora também no pai natal..
Esta árvore não estava doente, é um facto. Se não tinha problemas? Sim, tinha alguns, mas nada que obrigasse ao seu abate. Quando se trata mal uma árvore, ela fica com mazelas. Nunca houve uma cultura de espaços verdes em Ansião (excluo daqui relvados...), daí esta falta de atenção para com o arvoredo. Falei com um amigo botânico e a resposta foi a mesma, a árvore não tinha problemas de monta, portanto não se justificava tal abate.
O fundamentalismo político, que vê estas árvores como um estorvo não é novo, pois infelizmente é o pão nosso de cada dia. Ansião não é mais evoluído do que outros, é igual ou pior, tal como fica à vista. Trata-se de um monumental atestado de incompetência de várias entidades públicas.
Enquanto cidadão e ansianense fico repugnado com mais esta acção fundamentalista, que atenta contra o património e contra a identidade local, tal como os emotivos relatos feitos nas redes sociais têm demonstrado.

Já agora, especialmente para aquelas pessoas que diziam que o freixo estava seco e doente:



Mas vamos agora às justificações da Câmara Municipal de Ansião, referidas num comunicado:

"ESCLARECIMENTO
Tendo em consideração a sensibilidade suscitada pela intervenção no adro da igreja de Chão de Couce, prevista para o presente mandato autárquico, prestamos os seguintes esclarecimentos:

• A árvore (freixo) em causa, que não possuía qualquer classificação patrimonial ou protecção particular, constituía já perigo para a circulação naquela zona e, sobretudo, as suas raízes estavam a interferir com a rede de saneamento naquela área, o que levaria a curto prazo ao mesmo desfecho;

• Do projecto de requalificação do adro da igreja de Chão de Couce foi, em devido tempo, dado conhecimento à Junta de Freguesia de Chão de Couce, tendo merecido a sua aprovação;

• Para a intervenção neste espaço, que embora seja de uso público é propriedade da Diocese de Coimbra, foi obtida autorização e aprovação, através da sua Comissão Diocesana de Arte Sacra, constituída por técnicos credenciados;

• Está prevista a replantação, nos casos em que tal seja possível, das árvores existentes no adro da igreja de Chão de Couce, bem como a plantação de novas árvores de porte considerável, minorando o impacto visual da intervenção;

• Esta intervenção pretende devolver espaço às pessoas e à sua mobilidade, limitando o acesso a automóveis ao interior do adro e reforçando a centralidade da Sede de Freguesia, acrescentando-lhe modernidade e urbanidade, salvaguardando todas as vertentes da riqueza patrimonial e paisagística do espaço em causa.

Tendo plena consciência da referência que o actual figurino do adro representa, acreditamos que a intervenção agora iniciada marcará o futuro do centro de Chão de Couce."

Começando pelo primeiro ponto:

- Desde quando é que o facto de não ter classificação patrimonial ou protecção particular é desculpa para justificar o abate de uma árvore? Gostaria de saber quantas foram as árvores centenárias que a Câmara Municipal de Ansião classificou ou protegeu nas últimas duas décadas, nos mandatos de Fernando Marques e de Rui Rocha. Já agora, porque não é referido neste comunicado que a árvore em causa (freixo) era um marco identitário de Chão de Couce? Não convém ou é incómodo?
- Perigo para a circulação? Porquê? É falso que fosse um perigo para a circulação, trata-se apenas de uma desculpa fácil e esfarrapada, a qual se espera que o pessoal pouco esclarecido acredite cegamente.
- Expliquem-me lá como é que uma árvore centenária pode ter uma taxa de crescimento que dite que "a curto prazo" leve a que seja o que for? Será que, mesmo que fosse essa a situação, uma árvore que era um marco identitário não justificaria uma acção que prevenisse isto mesmo? Mais parece uma desculpa tipo do zé da esquina.
- Se o projecto foi do conhecimento da Junta de Freguesia, porque não foi do pleno conhecimento público, dado o interesse público do projecto? A opinião dos locais não interessa? Democracia participativa, já alguém ouviu falar? Ou será que o povo não é competente para participar na elaboração destes projectos?
- Então se o espaço é de uso público, mas propriedade da Diocese de Coimbra, porque é que a obra é feita com fundos públicos? Importa colocar dinheiro público, mas não interessa o interesse público e a opinião das pessoas? A igreja fica igualmente mal na fotografia.
- Técnicos credenciados da igreja? E os técnicos credenciados fora da esfera da igreja e da política? Já agora, técnicos com credenciação em quê? Assassinar uma árvore destas é pecado caros religiosos!
- Replantação? E a identidade local, que foi posta em causa com o abate injustificado da árvore? Quando se abate uma árvore centenária, é um bocado absurdo e populista falar em replantar, já que nenhum de nós cá estará para ver essas próximas árvores centenárias. Desculpas esfarrapadas...
- Plantação de árvores de porte considerável? O que é "porte considerável"?
- Devolver espaço às pessoas através do abate de uma árvore centenária e objecto identitário? E é necessário sequer fazer obras para limitar o acesso dos carros? Cancelas, conhecem?! Muita demagogia e populismo à mistura. Essa "necessidade" de fazer obras para justificar votos é patética e bem ilustrativa da (i)lógica que move esta classe política sem classe alguma. 
- Modernidade e urbanidade? Modernidade não implica romper com o passado e destruir objectos que fazem parte da identidade local! Urbanidade? Já existia, com identidade, pois não era uma "identidade" fabricada à vontade de duas ou três pessoas! Já agora, sabem realmente o que representa a urbanidade?
Salvaguardando todas as vertentes da riqueza patrimonial e paisagística? Bom sentido de humor, mas infelizmente estamos a falar de coisas sérias e não em discursos de conveniência. É ridículo e absurdo surgir neste contexto, e como argumento, a salvaguarda de todas as vertentes da riqueza patrimonial.
- Modernidade e urbanidade ou estorvo ao arquitecto que elaborou o projecto? Modernidade e urbanidade não é um projecto tipo chapa 5, tal como aconteceu na Vila de Ansião, semelhante a um qualquer por esse país fora.
A plena consciência só existe quando se avalia todas as variáveis em jogo. Claramente aqui não há consciência do que está em jogo, algo que lamento profundamente. 

Tenho lido bastantes comentários de profundo desagrado sobre este estúpido abate de uma árvore de enorme importância e valor patrimonial, material e imaterial, que atravessou várias gerações durante dois ou três séculos, e confesso que há alguns que me impressionam, dada a sua evidente comoção pela perda de identidade e de memórias insubstituíveis.
O que vale é que este ano é ano de eleições autárquicas, portanto lembremo-nos deste atentado à identidade local na hora de votar... E já agora, lembrem-se também que a igreja deu o seu aval a este atentado à identidade local, portanto, e a na hora da esmola, lembrem-se disto mesmo!