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19.3.24
27.5.22
Destruir um habitat a proteger? Os Netos não tinham necessidade disto...
Fui apanhado completamente de surpresa, algo que não é assim tão difícil tendo em conta que já não vou à terra há umas valentes semanas e se trata de um local com pouco movimento. Fiquei chocado quando me deparei com esta primeira imagem, retirada do Facebook da Junta de Freguesia de Ansião, a qual retrata a inauguração de um espaço de fruição, com uma obra de arte. Até aqui estaria tudo (muito) bem não fosse um pequeno pormenor. Qual é o pormenor?
Neste local existia um charco, habitat protegido de de grande importância em termos de biodiversidade e não só. Se estava bem preservado? Não, não estava, daí eu há uns anos (4?) ter tido a intenção de fazer queixa às autoridades pelo facto de alguém, provavelmente dos Netos, estar paulatinamente a atulhar o charco. A segunda e terceira imagem são da minha autoria, datadas de Março de 2012, e mostram como já naquela altura estava o charco, moribundo mas ainda vivo e passível de ser recuperado. A quarta, quinta e sexta imagem são do Google Maps. Posteriormente, talvez há uns 4 anos, ainda estive prestes a denunciar o caso às autoridades, contudo uma pessoa disse-me que não seria preciso, pois trataria da situação. Fiquei descansado, pois tendo em conta as palavras de uma pessoa de confiança, pensei que tratar da situação seria recuperar o charco. Eis que há poucos dias me deparei então com a primeira (e outras) imagens do local, com o charco devidamente sepultado. Claramente que há mais um jovem autarca que necessita de umas noções básicas de ordenamento do território e afins. O mesmo autarca que há meses dizia que fazer um estudo de impacte ambiental para o alargamento da zona industrial do Camporês era uma perda de tempo... (isto numa área particularmente frágil do ponto de vista ambiental...).
E nos comentários da publicação surge uma afirmação que brevemente a Lagoa do Pito (Dolina do Pito) será reabilitada. Estou curioso para ver o projecto... E uma coisa é certa, nessa requalificação não vou dar margem para decisões profundamente lamentáveis, que atentam contra habitats a proteger ou protegidos e a memória do local. E nessa margem incluo eventuais violações dos instrumentos de gestão territorial, as quais, a ocorrer, podem dar perda de mandato. Vou estar particularmente atento a partir de agora. Escusado será dizer o quanto incisivo sou quando cometem atentados ambientais/patrimoniais.
Esta situação nos Netos afecta-me ainda mais do que o costume, já que tinha ligação emocional aquele charco, que fez parte da minha infância. Ainda há 2 dias tinha voltado a relembrar um comentário que aqui fiz sobre girinos. Ali já não existem mais...
Estou chocado com esta mediocridade que paulatinamente vai destruindo os valores naturais da nossa região! É a segunda vez que destaco situações como esta, relacionadas com charcos.
14.7.21
Nem é carne nem é peixe...
Tento pensar em algo para dizer, contudo faltam-me as palavras. Foi há 1 ano que soube de uma situação ocorrida no Alqueidão, em Ansião, onde num charco (Habitat da Rede Natura 2000...) se promoveu a destruição em vez da preservação de um charco. Primeiro atulhou-se parcialmente este charco/habitat com resíduos de uma obra próxima e depois do caso ter ganho visibilidade retirou-se o entulho para finalmente fazer o que podem observar no link que já referi atrás. E depois disto, tentou-se resolver a situação de forma pouco ponderada, tal como as 3 fotografias acima o demonstram.
Tudo ficaria resolvido se no início o caso fosse devidamente ponderado e todas as partes veriam os seus objectivos cumpridos. Bastaria recuperar as partes do muro caídas, reforçar o lado com algumas fragilidades devido à estrada que podem ver do lado direito do charco e pouco mais. Havia a disponibilidade de, pelo menos dois especialistas nestas lides, que teriam dado aconselhamento gratuito para a resolução da situação. Contudo esta ajuda, gratuita, não foi solicitada...
No final ficou isto. O habitat irá demorar uns anos a recuperar, a questão da relativa instabilidade da parte agora meia murada continuará quase igual ao que estava antes disto tudo, os muros continuarão a cair aos poucos e fez-se despesas evitáveis e desnecessárias, bem à moda portuguesa.
Quando começaremos nós a ser exigentes na resolução de situações como esta, e não só?!
9.6.20
Atulhar um habitat da Rede Natura 2000? Mau Maria...
O alerta surgiu de uma pessoa que tem consciência ambiental e me contactou. Era uma situação que eu desconhecia, mas que entretanto fui começando a conhecer melhor, já que indaguei. Falei com algumas pessoas e fui recolhendo dados sobre a situação. Para já ainda não tomei medidas legais, já que ainda estou a recolher informações, mas caso a situação não seja reposta farei questão de fazer aquilo que sei melhor e pelo qual sou conhecido. E acreditem, sou capaz de ser bem chato e incisivo na defesa do património.
Esta é uma situação que me entristece duplamente, seja pela ocorrência em si, seja pelo facto desta ocorrência resultar de uma evidente falta de literacia ambiental por parte de quem deu a ordem para atulhar parcialmente esta charca, a qual, imagine-se, é um habitat protegido da Rede Natura 2000. Só não tenho a certeza do habitat, mas será o 3140 ou o 3150 (informação corrigida após consulta a especialista). E o que ali foi feito? O costume, curiosamente, ou não, está identificado como ameaça a este habitat na ficha respectiva como "deposição de resíduos". Esta situação ocorreu na freguesia de Chão de Couce, no lugar do Alqueidão, Ansião.
Pelo que me foi dito, este entulhamento terá ocorrido porque a estrada que ladeia a charca estaria alegadamente instável. Esse facto, a ser verdade, não é motivo para cometer uma ilegalidade. Havendo um problema desse tipo há apenas uma coisa a fazer, falar com quem sabe, de forma a fazer as coisas dentro da legalidade e salvaguardando o património natural, mantendo a charca e a estrada. Ora isso não aconteceu. O que aconteceu foi o costume neste tipo de situações, o entulhar parcialmente, que mais tarde inevitavelmente o resto surge atulhado, com umas carradas de terra que lá vão sendo colocadas. Ora isso não vai acontecer, gostem ou não meus senhores. Já chega de destruírem total ou parcialmente as nossas riquezas naturais!
Resumindo, caso nas próximas semanas a situação não seja reposta, já depois da situação apresentada a quem sabe destas matérias, tomarei medidas para que os responsáveis sejam devidamente identificados e responsabilizados tal como previsto pela lei. Já sei quem alegadamente terá sido, só para que conste. Nas próximas semanas irei ao local, já que quero esclarecer algumas dúvidas, de entre as quais se se trata de uma dolina ou não.
Pondo isto de uma forma mais objectiva, a situação terá de ter em conta uma recuperação ambiental do local, seja pela retirada dos resíduos, seja pela reconstrução do muro caído e manutenção do muro que, como se vê, não é intervencionado há anos, daí estar no estado em que está. É a vossa obrigação, não uma opção. E no final, a estrada continuará e ficará transitável depois de uma intervenção planeada e legal. E aquele muro de blocos nem devia ali estar...
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