Mostrar mensagens com a etiqueta Pombal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pombal. Mostrar todas as mensagens

15.1.25

Mesmo assim há quem insista em abandoná-los...


Alguns se calhar vão dizer que é um tema banal, contudo, e infelizmente, não é, já que apesar de actualmente haver todas as facilidades e comodidades para encaminharmos os "monstros" que temos em casa, ainda há quem os abandone por aí, seja em meio urbano seja em meio rural (bermas dos caminhos rurais e afins...). Nesse caso o monstro é quem abandona os ditos objectos.
Fiz este registo há uns meses, quando me deparei com o mesmo, numa ilha ecológica, vulgo ecopontos, a escassos metros da estação de comboios de Pombal, após chegar de uma viagem de comboio. Hoje foi o dia de usar este mesmo registo fotográfico, a bem da educação ambiental e da promoção do civismo e cidadania.

5.7.22

Um tema para Pombal reflectir...


Durante uns meses fiz um trajecto que me levava pela auto-estrada de Norte para Sul e vice-versa. Numa das viagens lembrei-me de registar o que parece óbvio e que supostamente está à vista de todos, embora afinal não seja assim tão óbvio para os actores de desenvolvimento local.
Do que falo? Simples, observem primeiro o vídeo por favor. Já viram? Muito bem, o que viram? Eu vi eucaliptos às resmas e uma enorme cratera na Serra de Sicó. O que interessa isto, perguntam vocês...
Bem, há uma coisa que dá pelo nome de atractividade do território, mais concretamente o denominado marketing territorial, o qual é determinante para trazer visitantes a Pombal e à região de Sicó. Pensem agora qual será o turista que, sem referências a Pombal, venha de carro e decida fazer o pisca quando  chega à saída de Pombal, na auto-estrada...
E que tal mudar o paradigma e o cenário actual que aqui apontei? Como se faz? Bem, saber até sei, contudo já há muitos anos percebi que há quem roube ideias e ganhe dinheiro com elas, portanto...

18.5.20

A iliteracia no domínio dos espaços verdes: crónica do Jardim da Várzea


Fonte: CM-Pombal

Eis então que venho dissertar sobre uma uma questão que tanto tem agitado a opinião pública em Pombal. Falo, claro, do projecto de requalificação/reabilitação do Jardim da Várzea. Conheço apenas o aspecto proposto para aquele jardim, tal como se observa na segunda imagem que ilustra este comentário. Já a primeira imagem é apenas uma montagem que pretende juntar um bocado de humor a esta temática. Quem não se lembra daqueles livros para iniciantes às mais variadas temáticas? Faltava um para espaços verdes. O humor faz bem à saúde.
Começando, preferi deixar passar uns dias desde que esta questão "incendiou" as redes sociais em termos de reacções (boas Vs menos boas) e de debate (produtivo Vs pouco produtivo). Isto porque, assim, tive a oportunidade de ler e perceber o que os pombalenses comentavam, algo que é sempre importante. Gosto de ter tempo para, de forma ponderada, analisar os factos e as reacções, especialmente de quem é coerente e consequente. Quando há tamanha reacção por parte da comunidade, a regra é que esta reacção ocorreu depois desta mesma comunidade ser posta de lado num qualquer tipo de processo. Este foi um destes casos. Dita a regra que, havendo a ideia de promover uma intervenção que vise a reabilitação ou recuperação do espaço urbano, de entre o qual se inserem os espaços verdes, a população tem de ser ouvida, já que acções/intervenções como esta mexem com aspectos tão importantes como a identidade dos locais e a identidade dos próprios residentes. Como está à vista de todos, isso não aconteceu com o projecto que visa reabilitar o Jardim da Várzea.
O que aconteceu sim foi, a Câmara Municipal de Pombal ter tido a ideia de intervencionar este espaço (positivo) e de ter pedido um projecto a um especialista (positivo). O que falhou? Falhou o fundamental, ou seja antes mesmo de pedir a um técnico que elaborasse um projecto, não envolveu a população, de forma a que o técnico tivesse em conta quem usufrui daquele espaço (além de outros aspectos básicos que manifestamente não teve em conta, contrariando assim as boas práticas instituídas no domínio da gestão dos espaços verdes). Depois aconteceu o que se conhece, ou seja a população indignou-se, e com razão, já que o que eu vejo na imagem associada ao projecto é uma praça e não um jardim. De uma forma resumida não se trata da reabilitação de um espaço verde, mas sim de uma transformação para uma praça, algo que seria lamentável de ocorrer caso fosse em frente
Este assunto fez-me voltar atrás no tempo, e de duas formas. Num passado algo recente, fez-me lembrar as obras de reabilitação do centro da Vila de Ansião, já que ali a população foi chamada a dar a sua opinião, mas apenas quando as obras estavam a começar, ou seja discussões públicas só na teoria e só para dizer que houve discussão pública, quando isso, factualmente, não aconteceu. Infelizmente é uma regra em Portugal, o faz de conta. Pombal está apenas a seguir a regra e não é o facto de, depois de a população ter manifestado o seu descontentamento sobre a forma como o processo decorrer, a Câmara Municipal de Pombal ter vindo à praça pública pedir a opinião dos pombalenses que muda muita coisa. Tenho as minhas dúvidas de fundo se o processo irá ser corrigido, ou seja voltar à estaca zero e começar como deve ser, sustentado, de forma a terminar da melhor forma. Isto mesmo tendo em conta as posteriores afirmações do Presidente da Câmara e do Presidente da Junta de Freguesia. É o meu desafio à Câmara Municipal de Pombal e à Junta de Freguesia de Pombal.
Continuando, e já num passado mais distante (17 anos), lembrei-me das aulas de Espaços Verdes, uma disciplina opcional que tive durante a licenciatura, onde aprendi bastante sobre espaços verdes, nomeadamente jardins (em Lisboa fiquei a conhecer todos, alguns autênticas maravilhas botânicas e estéticas). Nessa altura fiquei a conhecer uma temática bastante interessante, onde aprendemos muitos dos aspectos que devem balizar a acção de quem lida com os espaços verdes. É por isso que também me interesso por esta temática. Depois juntei mais uns conhecimentos em climatologia local, onde fiquei a perceber a importância dos jardins nos centros urbanos, nomeadamente a sua importância na mitigação da ilha de calor urbano. Isto além de outros aspectos, como biodiversidade, bem-estar, entre outros aspectos relevantes a ter em conta no planeamento dos espaços verdes.
Especialmente por estes motivos, sou bastante sensível a esta questão da reabilitação do jardim da Várzea. É um espaço verde que tem sido neglicenciado e subvalorizado, que não merece ser descaracterizado. É um jardim com uma traça e memória que deve ser respeitada. É um espaço verde que merece investimento e muito mais atenção por parte quer da Junta de Freguesia de Pombal, quer da Câmara Municipal de Pombal. É um jardim que merece atenção por parte da população e que merece ser desfrutado pelos cidadãos, que em tantos dias podem ir desfrutar este espaço com os seus, em vez de ficarem em casa. É um jardim onde, em pleno Verão, as temperaturas podem ser 2 ou 3 graus mais baixas do que na envolvência, com sombra e vida animal, nomeadamente aves. É um jardim, por isso impermeabilizar o mesmo, além de tudo o mais, é um disparate autêntico (num sector da cidade bastante susceptível em termos de inundações urbanas...). E é um espaço que aprecio bastante, já que no meio da confusão é um oásis verde urbano. No último dia perdi algumas horas à procura de uma foto que tirei nesse jardim da última vez que estive em Pombal. Infelizmente não a encontrei no meio de milhares de fotografias, talvez porque foi tirada com o telemóvel e julgo que se terá perdido num dos discos externos. Fico com a impressão que a terei aqui utilizado num comentário nos últimos 2 ou 3 anos (fotografia tirada à noite, no sector central do jardim).
Termino com uma questão que nos deve fazer reflectir, e que ainda não falei, ou seja o valor que damos por exemplo ao trabalho de um jardineiro. Noutros países são bem remunerados e fazem um trabalho extraordinário em prol dos espaços verdes. Em Portugal oferecemos aos jardineiros o ordenado mínimo ao mesmo tempo que lhes exigimos espaços verdes bem tratados. Dá que pensar...

Nota: nos muitos comentários que já li sobre ideias/propostas para o projecto de recuperação do Jardim da Várzea, vi muitas ideias que apesar de bem intencionadas não se enquadram minimamente no perfil do jardim. A intenção é recuperar e valorizar o jardim sem que o seu perfil seja desvirtuado.

6.5.19

Dicotomias pombalenses: reabilitação urbana, realidade ou ficção?


É um título algo provocador, que pretende fundamentalmente suscitar o debate e o espírito crítico sobre o património construído, sobre a arquitectura e sobre identidade local.
Para ilustrar devidamente este comentário, utilizo duas imagens que registei nas minhas duas últimas idas a Pombal, que ilustram de certa forma uma dicotomia. Em primeiro lugar o edificado esquecido, não valorizado e em mau estado. Em segundo lugar o edificado reabilitado, valorizado e em bom estado. O primeiro é algo que me repugna ver, dado o péssimo estado do belo edifício do qual esta "secção" faz parte, enquanto que o segundo é algo que me alegra, já que se trata de um edifício reabilitado e que mantém algo de fundamental, a identidade do lugar ou da rua em causa.
Tenho pena que a reabilitação urbana ainda não tenha chegado a Pombal a uma escala que faça a diferença, tal como se observa em Lisboa ou Porto, onde a força do turismo, para melhor ou para pior, tem levado a um investimento massivo na reabilitação urbana. Há toda uma série de ruas em Pombal, com edifícios bem catitas, que tem vindo a perder a sua identidade, graças ao desinvestimento de particulares e não só na recuperação ou reabilitação do edificado. Há várias causas, sendo que algumas delas irei centrar a minha atenção muito brevemente, em comentários mais incisivos. Para já fica o convite para que nos próximos dias olhem com olhos de ver para o edificado daquelas ruas mais povoadas de edifícios catitas em Pombal, onde ainda constam nas fachadas e interiores, histórias e estórias de muitas décadas. Tentem adoptar uma postura focada na análise da arquitectura vernacular que ainda se consegue ver por várias ruas...


18.1.19

Se o Marquês de Pombal visse o estado de degradação da sua praça...


A Praça Marquês de Pombal é um local muito bom para visitar e desfrutar, já que se trata de uma praça histórica, com vários pontos de interesse, caso do Celeiro, da Igreja e do Museu ali situados. Contudo há um grande senão, ou seja o evidente abandono daquela praça, tal como qualquer visitante ou turista pode constatar ao chegar ali. É impressionante ver a área de lajes todas estilhaçadas. Não se trata apenas de uma pequena área, mas sim da maior parte! É uma decepção ver um local como este tratado desta forma. Como é possível que se permita o trânsito naquela praça? Para quando a coragem e a visão que possibilite a interdição ao trânsito de várias ruas do centro histórico? 
Só tive pena de não ter conseguido antecipar a saída de um jipe dali, que estava estacionado uns metros abaixo do Celeiro do Marquês de Pombal, pois o som de "tlim, tlim, tlim" das lajes partidas era arrepiante para quem, como eu aprecia centros históricos.


Não sei exactamente há quanto tempo esta praça está nestas condições, contudo é óbvio que acontece já há algum tempo. Tenho a ideia que quando tirei o curso de Monitor do Projecto Rios (2009), ali mesmo ao lado, já havia muita laje estilhaçada. Porque não se interdita o trânsito nesta praça e ruas adjacentes? Porque não se priveligia o trânsito de peões e bicicletas (inclusivamente bicicletas de carga, não vão os comerciantes dizer que não há alternativas ao transporte de mercadorias no centro histórico). E não, interditar o trânsito automóvel não é prejudicar o comércio local, mas sim potenciar o mesmo, obviamente com uma estratégia bem pensada.
O que pensará um turista ao se deparar com este cenário? O que pensará um turista ao percorrer as ruas adjacentes e ter de se desviar dos carros numa zona privilegiada para os peões?
Estive sentado naquela praça largos minutos e só vi pessoas dentro de carros. Apenas duas pessoas andavam naquela praça a pé, algo que dá que pensar... Fiquei com vergonha de ter mostrado esta praça a um turista, que obviamente ficou com uma imagem negativa de Pombal. Fica a dica...


10.1.19

O típico chico-espertismo no Largo do Cardal...


Se há coisa que detesto é ver o chico-espertismo tuga, seja ele onde for. Há uns dias, enquanto andava a desfrutar do belo passeio em Pombal, em modo penantes, deparei-me com algo que resulta da acção de algum chico-esperto ali no Largo do Cardal, em Pombal. Resumindo, um qualquer cromo achou que chegar um vaso para o lado, de forma a permitir a entrada e estacionamento dos popós no passeio, era uma boa ideia. Aqueles vasos têm duas funções, uma a de embelezar o largo, outra de balizar o trânsito, impedindo que o pessoal abuse. Infelizmente há quem não goste de regras e ache que o seu comodismo se pode sobrepor ao usufruto do passeio pelos peões. Espero que aquele vaso seja rapidamente (re)posto no sítio, de forma a impedir que a falta de civismo de alguns cromos se sobreponha à qualidade de vida de todos nós. E se puderem tornar os vasos mais pesados melhor...
Espero com este comentário que a Câmara Municipal de Pombal ponha ordem no Largo do Cardal, um dos principais cartões de visita de Pombal. Aquele largo não pode ser um estacionamento como actualmente é, mas sim uma área exclusivamente pedonal! E onde ainda passam carros, que tal tornar vias exclusivas para bicicletas? Chega de abusos, de falta de civismo e comodismo dos senhores condutores!


9.11.18

Quero mais, muito mais!


Por estes dias a memória dos dias de calor e de andar de bicicleta ficou para trás, pelo menos para a maioria. A maioria pensa que o Outono e o Inverno não são bons para andar de bicicleta, quando afinal também o são. Nos países nórdicos, há uma cultura da bicicleta que em Portugal teima em se impor. Nesses países é natural andar de bicicleta, seja com sol ou com chuva, sendo apenas uma questão de mentalidade. O último país que visitei, a Polónia, surpreendeu-me bastante nesse domínio.
Em Portugal faltam ainda as condições óptimas para que as coisas possam melhorar, sendo um caminho que ainda se está a fazer e que ainda demorará mais uns anos a ter melhores resultados. Mesmo algumas das actuais ciclovias foram mal pensadas e mal executadas.
Volto então a abordar esta temática, voltando a Pombal, desta vez a uma ciclovia que ainda não tinha focado nos meus comentários. Em 2015 falei sobre uma outra ciclovia, situada na margem esquerda do Rio Arunca.
De forma a fazer a coisa como deve ser, pesquisei no sítio da internet da Câmara Municipal de Pombal e deparei-me com o Plano de Acção de Mobilidade Urbana Sustentável, analisando-o de seguida. Possivelmente muitos pombalenses nunca ouviram falar dele e muito menos serão os que o terão lido, sugerindo eu que o façam agora. É muito discurso de ocasião, mas faz parte. Para mim não é de grande interesse deixar-me encantar com este tipo de textos, já que enquanto técnico estou um bocado saturado deste tipo de textos. O que é, para mim, de interesse, é analisar se o que se escreve é consequente e, claro, ver se faz sentido. E vejo a coisa também na perspectiva do utilizador de bicicleta, já que sou daqueles que há muitos anos faz da bicicleta um modo prioritário de transporte em pequenas e médias distâncias (até +- 10 km). Há quem faça parte das equipas que fazem estes estudos sem ser sequer utilizador de bicicleta, algo que traz consigo problemas graves, que, por vezes, promovem o insucesso de medidas propostas....
Voltando atrás, desta vez venho abordar a ciclovia situada à entrada de Pombal, vindos do lado de Ansião. Tem dois sectores, um deles muito recente, que vai da rotunda até ao posto de combustíveis. Vejo com muito interesse esta ciclovia, já que ela permite a deslocação de bicicletas onde ela era difícil e perigosa. Quando complementada, cumprirá um objectivo fundamental, facilitar a tarefa de quem escolhe a bicicleta para se deslocar, de quem promove uma atmosfera mais amiga dos pulmões e de quem, deixando o carro em casa, contribui para a melhoria da qualidade de vida de todos. Seria interessante o comércio local começar a fazer uns descontos a quem anda de bicicleta (fica a dica sr´s empresários). E também a empresas que queiram dar um prémio monetário a quem vai de bicicleta para o trabalho, chegando mais bem disposto (algo que já se começou a fazer em alguns países...).
Talvez o principal desafio agora será interligar vias cicláveis, já que as bicicletas podem e devem andar nas ciclovias ou fora delas. Em Pombal isto é notório, já que o centro da cidade está refém dos automóveis. Não é preciso criar ciclovias de raíz no sector central da cidade, bastando pintar trajectos prioritários para bicicletas. Ou seja, uns litros de tinta resolve de forma eficaz. 
Pombal é, para todos os efeitos, uma cidade plana, portanto é um bom território para se pensar os modos suaves como deve ser. Não me vou alongar mais, o que pretendo com isto é que os pombalenses (e não só), reflictam sobre esta temática, já que são eles em primeiro lugar que vão beneficiar com uma cidade mais amiga das bicicletas, do ar puro e da qualidade de vida. Menos carros, mais transportes públicos e muito mais modos suaves!



23.7.18

As boas vindas à Comissão de Populares para a Defesa da Floresta e do Mundo Rural!


Foi com surpresa que vi surgir algo de novo e inovador na região de Sicó, ou seja a Comissão de Populares para a Defesa da Floresta e do Mundo Rural dos Concelhos de Pombal e Pinhal Interior Norte do Distrito de Leiria, apresentada há poucos dias em Pombal. Foi, para mim, uma das melhores surpresas dos últimos anos. Porquê? Porque esta iniciativa da sociedade civil tem um enorme potencial disruptor sobre uma realidade trágica a todos os níveis e que importa reverter, pegando no que de bom temos e mandando fora aquilo que nos tem tramado. 
Os meus parabéns aos mentores desta Comissão! Não estranho o facto de a mesma ter surgido a partir de Pombal, já que ali é um epicentro de cidadania activa, onde cada vez mais pessoas se têm mobilizado em prol de causas importantes. Parece-me que esta Comissão será a matriz que falta no que toca a reunir cidadãos com potencial transformador para toda esta região. Nos outros concelhos de intervenção desta Comissão também há muito pessoal que pugna pela cidadania activa, mas infelizmente ainda não tem o peso necessário em termos de influência na sociedade civil enquanto um todo.
A classe política, enquanto um todo, já mostrou que não é competente para fazer o que é preciso ser feito. Políticos de caixa de cereais, ponham-se a pau... Políticos a sério, julgo que terão nesta Comissão uma boa conselheira, portanto fica a dica!
Do brainstorming que surgirá desta Comissão e da interacção da mesma com o mundo real sairá concerteza algo de transformador para esta região. Importa portanto divulgar este movimento de cidadania activa em prol do território e de nós, que vivemos nele mas não temos sabido gerir da melhor forma a nossa convivência com ele. E algo de fundamental, é preciso participar, debater, dar ideias e não pensar que é não fazendo nada que os problemas se resolvem!
Em traços gerais, esta Comissão pretende pugnar por uma série de medidas fundamentais para a defesa da floresta e do mundo rural, passando por medidas afectas à floresta, cadastro rústico, meios humanos (onde se incluem por exemplo os cruciais Guardas Florestais), produção agrícola e produtos locais, baldios, biodiversidade (irei pugnar pela entrada da geodiversidade nesta equação), entre muitos outros. Basicamente temas abordados também no azinheiragate, algo que me agrada de sobremaneira. Espero também dar o meu contributo, já que é partilhando ideias e conhecimento que um futuro mais risonho irá ser construído para esta região. 
Fica então este humilde contributo do azinheiragate para a divulgação da Comissão de Populares para a Defesa da Floresta e do Mundo Rural. Agora mãos à obra!

22.5.18

Eu herbicido, tu herbicidas ele herbicida...

Todos os anos é o mesmo cenário numa qualquer rua perto de nós. Todos os anos vemos que, apesar de aplicarem herbicidas, nem sempre colocam o obrigatório aviso. Todos os anos as pessoas reclamam, contudo só de goela, pois não são consequentes com o que dizem. Todos os anos fico a pensar qual o potencial nocivo dos herbicidas que aplicam nos passeios, bermas e afins. Todos os anos me rio com os termos que vão inventando para tentar aligeirar a carga negativa associada aos herbicidas...
Sou do tempo em que apanhava caracóis (belo pitéu!) nas bermas das estradas, sem receio de venenos. Já há muitos anos que não o faço e não é por acaso...
O princípio da precaução deveria nortear estas acções, contudo há quem teime em não evoluir e ver que há impactos que, mais tarde ou mais cedo, surgem..
Há alternativas aos herbicidas, contudo quem nos governa teima em não se actualizar (boa parte...). Há 1 ano, e através da Plataforma Contra os Herbicidas - Sicó, promoveu-se uma acção que além de pretender sensibilizar os nossos autarcas, pretendia apelar ao fim da utilização de herbicidas por parte das entidades públicas. Foram enviadas mensagens a praticamente todas as Juntas de Freguesia da região de Sicó e a todas as Autarquias de Sicó e nem uma resposta... A única luz ao fundo do túnel é ter sabido que há uma autarquia que está a trabalhar numa alternativa. Curiosamente, ou não, é Ansião, que dá sinais de estar a trabalhar esta questão. Curiosamente, ou não, há também uma freguesia (Pousaflores) que alegadamente não utiliza herbicidas por opção, facto a aplaudir!
Queremos mesmo continuar passivos, à espera que os problemas comecem a surgir ou queremos mitigar os actuais problemas e evitar futuros problemas? Eis a questão!
As imagens seguintes foram captadas em Pombal por um cidadão atento a esta questão.






18.1.18

Uma ponte simplesmente parva!




Fiquei a saber do facto através do Grupo Protecção Sicó, mas apenas agora tive tempo para me debruçar sobre a questão e fazer o trabalho de casa de forma a perceber, de facto, o que se passa e o que está em causa. Fui ao site da Câmara Municipal de Pombal e comecei a ver os ficheiros relativos às Grandes Opções do Plano 2018-2021. No ponto 2.3., na página 19, constava algo que me deixou indignado e perplexo. Há, de facto, ideia de construir uma ponte sobre o Vale dos Poios nos próximos 4 anos, já com 420 000 euros consignados nos orçamentos municipais de 2018, 2019 e 2020.
Mas antes de ir ao cerne da questão, porque constam, no GOP uns reles 3000 euros para a rede de aldeias do calcário (deveriam ser do carso, mas nem vou por aí)? Brevemente irei voltar a dissertar sobre as aldeias do carso...
Mas vamos então à questão da ideia da ponte suspensa para o Vale dos Poios, de quem terá sido esta ideia, peregrina, que eu considero absurda e parola? Sim, absurda porque não faz sentido algum. Parola porque irá degradar aquela área e não valorizar a mesma. Ideias de génese circense costumam ser assim parolas por natureza. O Vale dos Poios não é um circo meus caros!
Já não chegava o desastre que tem sido a gestão do dossier do CIMU, e agora aparece esta ideia peregrina. Santa paciência... Sobre o CIMU, parece que agora foi baptizado de Explora Sicó, mas brevemente irei voltar a falar do tema, agora que as obras estão a recomeçar.
Nos últimos anos viajei bastante para um destino onde a pedra calcária reina ainda mais do que em Sicó, a Eslovénia, de forma a conhecer e a aprender mais e melhor sobre formas de gestão do carso, sobre o ordenamento do território em meio cársico e muito mais. Não vi por lá parolices como a projectada ponte suspensa para o Vale dos Poios e não é por acaso...
Nunca vi o projecto da ponte suspensa, nunca vi o Estudo de Impacto Ambiental, Estudo de Incidências Ambientais ou mesmo discussão pública sobre o projecto. Alguém teve esta ideia parola, na base do acho que, e siga a festa, é a ideia que fica no ar. Ainda nem sequer vi um esboço de um plano de gestão do Vale dos Poios, de forma a acautelar a sua integridade e impedir a sua degradação por uma utilização sem regras. E a obrigatória classificação como local de interesse geológico?
Muito gostam estes executivos municipais de começar a casa pelo telhado, juntando ainda por cima características daquelas que os emigrantes juntaram às suas casas nas últimas décadas, um folclore abismal.
Já por uma vez disse e volto agora a repetir aqui, no azinheiragate, autarcas como Diogo Mateus têm de descer à terra, falar com quem sabe e visitar países como a Eslovénia, falando com quem é de lá e sabe, de forma a, de uma vez por todas, deixarem de pensar nestas ideias parolas e aprenderem as boas práticas associadas à gestão territorial em meio cársico. E se precisarem de contactos por lá digam, pois não tenho problemas em estabelecer pontes, daquelas que fazem sentido e fazem, de facto, falta!
A (i)lógica de muitos dos autarcas da região de Sicó no que concerne à dinamização territorial tem sido a de transformar este belo território num circo. Não queremos Sicó transformada num circo! Queremos sim um território devidamente valorizado, sem ideias parvas à mistura.
Já só falta meter uns bungalows nas paredes verticais do Canhão Fluviocársico para ser o circo total (não é uma ideia, só para que não fiquem confusos, é mesmo uma sátira).

9.1.18

É um grave problema que nos afecta todos, mas que só interessa a alguns, porquê?!



Fotografias: Facebook do Grupo Protecção Sicó

Não sei se é o destino, mas o certo é que, infelizmente, volto a ter de falar sobre uma questão importantíssima. E isto mesmo que esta mesma questão passe, no essencial, ao lado da maioria da população desta região (Maciço de Sicó) e do pessoal de Pombal, Redinha e não só.
Nas últimas semanas tenho acompanhado o caso da poluição das nascentes do Ourão e dos Anços, na Redinha, Pombal. O Grupo Protecção Sicó tem conseguido trazer esta questão à praça pública, seja através das redes sociais seja através da imprensa regional e nacional (televisão).
Nos últimos dias, e no que me toca, fui convidado para mandar umas farpas sobre esta questão. 
Durante todo este tempo estive com alguma atenção à postura dos autarcas, nomeadamente Diogo Mateus. Não é que esperasse nada de novo, mas mesmo assim é preocupante constatar que as coisas estão iguais quando toca à defesa intransigente de um dos recursos naturais mais importantes de todos, ou seja a água. Seria de esperar que sendo nós constituídos na sua maioria por água, déssemos a respectiva importância à defesa de nós próprios. Em vez de uma mão de ferro, vejo pouco mais que uma mão de cartão, que, na prática, pouco tem feito neste domínio.
Não é aceitável que continuem a existir  focos de poluição nos cursos de água da região de Sicó (nem noutros, obviamente), mais ainda sabendo da fragilidade ambiental dos ecossistemas desta região cársica. E não, situações como esta não são a excepção, mas sim a regra. A diferença é que apenas parte destes casos chega a público, seja porque não são denunciados, seja porque quem os denuncia não tem grande mediatismo. São raros os casos onde quem denuncia tem mediatismo, como é o caso do GPS ou de mim próprio.
E quando acontece, menoriza-se a coisa e diz-se algo do tipo "tende a regularizar-se sem grandes consequências". Isto não é de todo aceitável! A ironia disto é que quem mais pugna pela defesa deste recurso é quem o faz por carolice. Quem é pago para isso faz pouco e mal!
O que se poderia fazer para mudar o paradigma? Várias coisas e a vários níveis, desde a sensibilização ambiental e cívica, a redes eficazes de monitorização e a um projecto estruturante de investigação. Este último poderia ser elaborado por quem sabe, numa parceria entre entidades públicas e privadas. Poderiam por exemplo entrar neste projecto todas as autarquias da região de Sicó, a Universidade de Coimbra (ou outra) e aqueles que melhor conhecem a metade esquecida do carso, o endocarso (a parte subterrânea), ou seja os espeleólogos, como por exemplo o Grupo Protecção Sicó. Estamos numa altura onde se pode fazer isso mesmo, bastando haver vontade e competência. Com isto poder-se-ia investigar uma questão ainda mal conhecida e ter as bases para uma correcta gestão. Uma coisa sei, não há ninguém que possa afirmar que sabe com rigor o real estado dos aquíferos da região de Sicó. Outra que sei é que com um projecto corajoso e realista se poderia vir a saber o que não se sabe. Fica a dica caros autarcas e cara sociedade civil!
E fica também uma informação, a de que há dados bombásticos sobre a poluição, que ainda não foram revelados. E mais não digo... por agora...


18.8.17

As saudades que eu já tinha da minha alegre casinha...



É uma reflexão comum por parte de muitos de nós, contudo apenas de forma superficial. É daquelas coisas que pensamos, mas rapidamente deixamos de lado, quiçá por pensarmos que são supérfluas. E isto mesmo que seja algo de realmente importante... Urge uma reflexão profunda sobre o que afinal queremos e precisamos, de facto, para as nossas vilas da região de Sicó e também para a cidade de Pombal.
Da última vez que estive em Pombal, em Julho, fui até ao castelo desfrutar um bocado do património. Depois chegou a hora de ir até à estação de comboio. Fui a pé, naturalmente, fazendo quase como que um transecto pela cidade, por ruas esquecidas e pouco percorridas, fazendo o respectivo registo fotográfico.
O que vi é sintomático, um centro degradado, esquecido e por potenciar. A política do betão que Narciso Mota desenvolveu durante demasiados anos teve o resultado esperado, ou seja a degradação do centro urbano e o crescimento desenfreado da periferia, numa (i)lógica nada saudável.
O que se vê por aqui não é bonito e as perspectivas não são as melhores, já que o paradigma teima em subsistir. A culpa? Não, não é dos autarcas, é sim, e em primeiro lugar de quem os elege, ou seja nós. Continuamos a insistir em delegar o nosso futuro nas mãos de uma classe claramente não preparada e não competente. Achamos normal ter de tirar um curso para exercer uma profissão (ex. médico), mas anormal ter uma formação mínima no domínio da governação. E depois ficamos indignados com a falta de competência no âmbito autárquico...
É uma pena que tantos centros urbanos estejam no estado deste. Muito potencial, arquitectura vernacular e muito mais por recuperar. Há que promover políticas que possibilitem o revitalizar dos centros urbanos. É fundamental voltar a fazer "correr sangue" nestas artérias, favorecendo o regresso das pessoas que dão vida às vilas e cidades. E isto sem favorecer o uso do automóvel. A parte mais antiga de Pombal é plana, portanto tremendamente favorável para os modos suaves e para os peões. Todos ficamos a ganhar!
E lembrem-se que este ano é ano de autárquicas, portanto é fundamental questionarem todo/as o/as candidato/as aos órgãos autárquicos, de modo a se inteirarem sobre as suas posições. Chama-se a isso cidadania activa! Há que ser interventivo, sem receio dos rótulos da praxe (ser considerado do contra...), pois um cidadão com medo é um cidadão domado pelos interesses...



5.8.17

Uma noite do outro mundo!



"A 11ª Noite dos Morcegos de Pombal (21ª Noite Internacional dos Morcegos) realiza-se no dia 26 de Agosto no Vale do Poio Novo (Poios, Redinha).
Aproveita a oportunidade para conhecer um pouco os morcegos de Sicó e um dos locais mais emblemáticos do concelho de Pombal.
Vai ser necessário percorrer um trajecto a pé (30 a 40 minutos de duração para cada lado), cujo percurso não é adequado a pessoas com dificuldades de locomoção. Os participantes devem levar calçado de campo, merenda e água.
No passeio pedestre estarão presentes especialistas na identificação acústica de morcegos, munidos de equipamentos que permitem a sua audição e identificação enquanto voam.
Informações e inscrições através do email gps.sico@gmail.com
Data:
26 de Agosto 2017
Horários:
– 18h00: concentração e palestra na Quinta de São João (Poios – Redinha)
Inscrições:
– pelo email gps.sico@gmail.com até às 18h do dia 23 de Agosto;
– seguro e logística: 5 espeleos
– só serão admitidas crianças se acompanhadas por adulto.
Será disponibilizada iluminação aos participantes.
Organização:
Grupo Protecção Sicó

14.5.17

Chegado ao CIMU da serra, esbardalhou-se...


Há quase dois anos que abordei a questão do CIMU, ou seja falei sobre o Centro de Interpretação e Museu da Serra da Sicó e sobre o que esperava para o que se seguiria após a conclusão das obras. Confesso que acreditei que a coisa por esta altura já estaria concluída, contudo Sicó tem uma sina que, diga-se, é reflexo apenas da falta de competência de quem (des)governa esta região. Um potencial incrível, património diversificado, algumas pessoas competentes, contudo a sina parece que é mais forte. A incompetência acaba por prevalecer sobre a competência, tal como fica à vista.
Por estes dias voltei aos Poios, de modo a ver como estava a coisa a correr. Já sabia que não estava a correr propriamente bem, mas não queria comentar sem lá voltar, daí, e apenas agora, voltar à carga. Resumindo, a obra está parada há mais de 1 ano e o orçamento parece que não será suficiente para a finalizar, algo de típico neste belo país plantado à beira-mar.
Culpados procuram-se, contudo cheira-me que a culpa vai morrer solteira. Será que a obra vai ser finalizada? E os tantos apoios institucionais que surgiram por parte de entidades várias, o que têm estas a dizer agora?


Os centros de interpretação ambiental da região de Sicó parece que padecem de um problema muito grave, já que todos eles têm tido histórias curiosas. Os autarcas parece que confirmam o que se diz há muito tempo, ou seja deixam muito a desejar na hora de levar a bom porto projectos de grande importância, nomeadamente no domínio ambiental e patrimonial. E isso, para eles, parece que não é problema, já que nós, sicoenses, não somos exigentes para com os nossos autarcas. A cidadania activa não é para a maioria de nós algo que cultivamos e pelo qual pugnamos, preferindo ficar no nosso cantinho, pelo menos até que nos cheire a queimado...
Que tem Diogo Mateus a dizer sobre o assunto? E não, não quero ouvir aquela história do costume, onde se sacode a água do capote. Será que vamos assistir a um milagre, onde um autarca pede desculpa por este desastroso processo? E a Terras de Sicó, o que tem a dizer sobre o assunto?


Para terminar, um apontamento sobre um pequeno pormenor. Do outro lado da estrada, procedeu-se ao aterro de uma parte do terreno, algo que lamento, e para piorar, não se trata apenas de terra, mas sim de uma mixórdia que inclui lixo. Com práticas destas, é normal que as coisas não corram bem para quem as faz...



5.4.17

Um patrocínio que deu em polémica! E não é para menos...


Fonte: Trail running Pombal

Há uns dias deparei-me nas redes sociais com um debate algo acesso sobre uma questão bastante pertinente. Tratava-se de um debate que lidava com uma questão muito importante, que me leva agora a dar mais visibilidade.
Faço-o por vários motivos, seja em primeiro lugar porque se trata de uma questão que mexe com o património de Sicó e que eu acompanho activamente há muitos anos, com um tema tabú, com um patrocínio que importa debater sem complexos e finalmente com a questão da posição da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal (e não com os bombeiros propriamente ditos).
Mas comecemos pelo início. Pelo terceiro ano vai-se realizar uma prova solidária de trail, em voga nos últimos anos, na Serra de Sicó. As verbas vão reverter inteiramente para os bombeiros voluntários de Pombal, facto a aplaudir. Até aqui tudo bem, contudo eis que surge o patrocínio da empresa que explora talvez a pedreira mais polémica da região de Sicó. E é aqui que a polémica começa, pois surge uma questão ética, à qual a direcção da AHBVP não pode fugir. Ao aceitar este patrocínio aquela direcção está, na prática, a pactuar com o brutal impacto da exploração e questões associadas de uma pedreira muito polémica.
E não, não se trata de maldizer sobre os bombeiros ou mesmo sobre a direcção da AHBVP, como dois ou  três insinuam de forma demagógica e populista, mas sim sobre uma questão ética. Isto facilmente seria resolvido caso a AHBVP agradecesse o patrocínio da Iberobrita, mas declinasse o mesmo, argumentando que isso poderia afectar a imagem dos bombeiros. É algo que me parece simples de entender, contudo há sempre pessoas prodigiosas, que surgem com o populismo e demagogia do costume. Em vez de ouvirem argumentos como os que atrás referi, insurgem-se contra os mesmos, numa espécie de democracia ajustada ao gosto de suas excelências. Os Bombeiros Voluntários de Pombal são, imagine-se, meros espectadores nesta questão, sendo que o problema está ao nível de uma decisão tomada e assumida pela direcção da AHBVP.
Mas antes de prosseguir, faço questão de utilizar uma analogia para que aqueles que não compreendem o que está em causa. Se vocês tivessem interesse em participar num evento, seja ele qual for, patrocinado por uma empresa que destruisse as florestas tropicais, participariam à mesma no evento? Muitos claramente que não, já que está em causa uma questão ética, a de não pactuar com a destruição de algo muito importante, caso das florestas tropicais. E isto tem acontecido por todo o mundo, havendo cada vez mais uma recusa na compra de produtos associados à destruição da floresta ou afins. Ou então um caso bem conhecido, lembram-se do filme "diamantes de sangue"? A lógica não é comparável, obviamente, mas para fazer uma analogia dá bem.
Continuando, nunca participei nesta prova por uma questão de ética e de princípios. Quem, como eu, trabalha em prol do património da região de Sicó não pode pactuar com uma prova que tem um patrocínio tão polémico. E não, não estou contra os bombeiros, estou apenas contra a exploração daquela pedreira e todas as ilegalidades que têm sido tornadas públicas. Já pensaram que podem ir directamente à secretaria dos BVP e deixar o vosso donativo? Há pessoas que parece que não sabem que isto é possível...
Há que separar as coisas e pena é que haja quem não tenha o melhor discernimento e siga na linha da demagogia barata e populismo populista, passe o pleonasmo. Curiosamente, ou não, até sou bombeiro voluntário, portanto é escusado alguém referir que é uma posição que é contra os bombeiros. Não falo enquanto bombeiro, até porque além de não o poder fazer não tenho qualquer interesse em o fazer. Posso apenas referir que sou bombeiro e isso diz muito no que se refere ao debate da questão. Falo sim enquanto cidadão e activista do património da região de Sicó.
Indo então ao debate que vi numa das redes sociais mais pujantes, e pegando no que disse atrás, vi muita coisa absurda. Uma delas foi o comentário absurdo de um indivíduo, sobre uma pessoa que argumentava da mesma forma como eu, já que este indivíduo afirmava que a pessoa referida se tinha "empenhado em mal dizer de pessoas e organizações que são um exemplo no cumprimento das suas obrigações". É algo que mostra bem a falta de discernimento e muita demagogia à mistura.
Depois continuou o pessoal do "Trail Running Pombal", ao referir que se estava a "misturar as coisas e a pôr a AHBVP ao barulho em questões que não são da nossa competência nem responsabilidade". Nada mais absurdo e demagogo meus caros, pois ninguém está a misturar as coisas e a pôr a AHBVP ao barulho. Está-se sim a debater uma questão sem complexos nem tabús e a pôr em causa uma decisão de uma direcção de uma associação. Sobre a questão da competência e responsabilidade, basta apenas referir que vivemos em democracia e todos estão sujeitos ao escrutínio. Há questões que não são para ser debatidas publicamente, como é óbvio, mas há outras questões, como é este o caso, que são para debater publicamente, já que diz respeito a todos nós. Ética e princípios são valores basilares, contudo, e para dois ou três, mais parece que em certos casos se pode fazer uma pausa ou abrir uma excepção.
As direcções das Associações Humanitárias não são imunes ao escrutínio nem à crítica, sempre que se justifique. Trata-se de uma questão ética e parece que é isso que o pessoal do Trail Running Pombal e o presidente da AHBVP não alcançam. Ao debatermos esta questão, estamos a enriquecer um debate necessário, o qual não coloca em causa a AHBVP.
Já o que afecta de algum modo a imagem da AHBVP é, na minha opinião, a aceitação deste patrocínio, na medida que colide com a imagem da Associação (defesa de pessoas, bens e do património...), e, por outro lado a postura arrogante e, diga-se, pouco educada do seu presidente. Mas nada como mostrar quem disse o quê, de forma a que cada um faça um juízo de valores... 


E se pensam que isto é algo sem importância, pensem melhor, pois é isso que falta, reflexão e discernimento. E nada de tabús e estereótipos... Se houvesse quem ali estivesse a maldizer dos bombeiros, rapidamente levaria uma resposta incisiva da minha parte, contudo não foi isso que aconteceu.
Quanto ao Sr. Sérgio Gomes, não confunda o mérito de ser presidente da AHBVP com a competência para o ser. É o que digo aos meus camaradas bombeiros, uma coisa é o mérito de ser bombeiro outra coisa é a competência na acção. Só funciona bem se ambos andarem lado a lado...
Para terminar, e respondendo ao Sr. Sérgio Gomes, que por um lado disse que não queria saber quem eu sou, mas por outro me perguntou quem era eu para lhe falar de ética, respondo apenas que sou o João Forte.

14.3.17

É melhor estudar-se um fóssil do que ser-se um fóssil

Eventos como este têm pouca visibilidade, contudo isso não significa que não sejam importantes, muito pelo contrário. A região de Sicó é pródiga a vários níveis, sendo que a paleontologia é apenas uma das muitas riquezas que por aqui temos. Há que divulgar e valorizar a paleontologia, já que isso poderá ser muito importante, não só para a ciência, bem como para a economia da região. Sim, os dinossauros também por aqui andaram, seja em Pombal, Alvaiázere ou outros mais...
E não se enganem, já que a paleontologia é bem divertida e o que é preciso é um bom intérprete.




Agora, e para terminar, finalizo o trocadilho que iniciei com o título do comentário. Qual preferes, ser um fóssil ou estudar um fóssil? Bem me parecia...

13.2.17

"Tenho medo de regressar a casa um dia e não reconhecer o lugar que me viu partir"

É uma frase que embora possa parecer um cliché, é uma verdade cada vez mais actual. "Roubei" esta frase do mural do "Tia Almerinda", tal como as fotos que utilizo neste comentário. 



As coisas andam quentes em Abiúl e o assunto é um dos do costume, o abate de árvores e a suposta necessidade do modernismo na regeneração urbana de um lugar bem conhecido da região de Sicó.
Logo que me deparei com esta questão, comecei a acompanhá-la e logo por vários motivos. É uma situação que se assemelha por exemplo à que ocorreu na Vila de Ansião e à que está a ocorrer em Chão de Couce. Ocorre também num lugar onde amigos meus têm raízes e, imagine-se, eu soube primeiro do que eles. E representa algo que eu abomino, ou seja por um lado o ignorar da opinião dos locais e por outro projectos do tipo chapa 5, com elementos completamente estranhos ao local (ex. granito). Neste caso, e de acordo com o que indaguei, as pessoas até foram chamadas a dizer de sua justiça, contudo, e tal como aconteceu em Ansião, foi apenas verbo de encher, para dizer que as pessoas tinham participado da discussão pública, pois, e de facto, esta discussão pública não foi consequente, o que é grave. 
Porque decidi destacar esta situação? Além do já explanado, por dois motivos, ou seja o facto de mais esta triste situação poder funcionar como elemento mobilizador para mitigar situações similares no futuro, bem como mostrar que as pessoas são cada vez mais activas e interessadas na defesa do seu património e identidade, tal como está a acontecer em Abiúl. A elas a minha homenagem enquanto activista do património. Logo que saibam da existência de um qualquer projecto, vão aos serviços das vossas autarquias informar-se, pois têm o seu direito. E se vos começarem a dar negas, façam valer os vossos direitos e, já agora, informem-se através da CADA. Há uns dias um amigo disse-me que fez isto mesmo e quando lá chegou perguntaram-lhe o que estava ali a fazer...
Quanto aos autarcas, mais uma vez constato que estes consideram os seus votantes como não competentes para decidir sobre o seu futuro, sobre o seu território e sobre os locais onde vivem dia após dia. Estes autarcas além de não conseguirem fazer as coisas como deve ser, ou seja integrando o que já existe com as melhorias desejadas, insistem em obliterar o património e as memórias dos locais, levando a um desenraizar identitário muito grave. E depois admiram-se o pessoal mais jovem ir embora...