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15.12.25

Atenção que ali há vida!


É uma doutrina que os Paulos Fernandes, os Henriques Pereira dos Santos e as AGIF´s nos tentam impingir a todo o custo, queimar para depois não arder. Normal, já que de alguma forma há que manter a ideologia que os move profissionalmente e que, como, ironicamente, se costuma dizer no meio, justifica a sua "existência" profissional.
Mas a realidade que nos querem importar dos EUA, do Canadá e da Austrália, é diferente da portuguesa e do paradigma actual. E, claro, a realidade factual mostra-nos que naquele tronco bem como noutros há vida que importa preservar e que é fundamental para o solo e para a biodiversidade. 
Nas últimas semanas, e fruto de várias palestras que dei e de intervenções em eventos ambientais, tive alunos que diziam que era preciso limpar a floresta (basicamente rapar tudo...), respondendo eu com uma pergunta, a de que o que consideravam eles de "limpeza". Destaquei que havia vida naquilo que eles achavam que era importante limpar. Depois, num evento ambiental, tive de ouvir a lenga lenga do queimar para prevenir de uma representante da protecção civil e de um representante da AGIF. Não é muito difícil perceber que ambos levaram nas orelhas dos melhores do ramo ambiental. O motivo? Aquele mesmo que falei atrás, haver vida nestes troncos... Fácil de perceber, mas só para quem não vive de doutrinas.

 

19.7.25

Não nos resignemos, resinemos!


Aos poucos a resinagem vai recuperando, mesmo que ainda seja incipiente. Palmilhar o território permite-nos constatar o estado das coisas e fazer uma análise muito completa.

Lembro-me bem dos tempos de infância, na década de 80, onde o pinhal tinha uma boa expressão na região de Sicó e a resinagem ainda tinha algum peso. Era comum ver este cenário e ir às serrações onde os pinheiros eram cortados para tábuas. O cheiro era inesquecível. Depois veio a praga do eucalipto e foi o que é conhecido, destruição da floresta e prol de uma monocultura destruidora de tudo, solos, biodiversidade e que potenciou a piromania e a preguiça de cuidar dos terrenos. 

Temos de reduzir a área de eucaliptal. Plantar pinhal é uma ajuda. Resina, madeira, pinhas, etc. Porque a floresta faz-se de diversidade, não da monocultura do eucalipto!



 

12.12.24

Um dia inesquecível!



Podia ter colocado aqui uma foto com o belo do chouriço a assar da forma que nós gostamos tanto, mas a minha intenção é mostrar que além disso também comemos outros pitéus, caso da bela sopa à lavrador, no almoço comunitário. Onde?
Bem, isto passou-se na comemoração do Dia da Floresta Autóctone, no dia 24 de Novembro, na Constantina, Ansião. Visitámos a bela capela da Constantina, desfrutámos do belo almoço com dezenas de pessoas interessadas, vimos uma demonstração culinária de profissionais da gastronomia, com dotes de contadores de histórias (tão importante esta parte!), ouvimos música da boa e fomos experimentando estes belos pitéus que podem ver nestas duas imagens (fora outras que não coloquei aqui) e que também incluem a bela da bolota. 
Depois seguiu-se um pequeno passeio pedestre onde falámos sobre a floresta e os seus recursos que ainda desprezamos em boa medida. Não estava à espera que a esmagadora maioria dos que participaram fossem dos mais sábios, ou seja de maior idade, facto talvez potenciado por um evento desportivo nessa mesma manhã, mas que acabou por ser de maior aprendizagem para mim. Pensei que ia partilhar mais do que aprender e sai a aprender mais do que partilhar. Que dia maravilhoso foi este! Trabalho de equipa entre o associativismo, o Município de Ansião e a minha carolice em torno da causa maior, o território, as sus gentes e a floresta. 
A ver as surpresas que o próximo ano poderá trazer, pois Ansião e Sicó precisam de mais disto!

 

8.2.24

As inscrições estão abertas, inscrevam-se a ajudem a mudar o paradigma!

 



Foi no início desta semana que se iniciaram as inscrições para a V Conferência Ibérica Sobre a Bolota, a qual irá ocorrer em Ansião. Será um momento marcante para toda a região de Sicó, onde teremos especialistas nacionais e internacionais para falar sobre uma temática fundamental também para a região de Sicó e os seus carvalhais e azinhais. Trata-se de debater um recurso económico extraordinário, o qual pode e deve ser aproveitado, de forma sustentável, com evidentes mais-valias para toda a região. É algo que pode ajudar a mudar o paradigma do desenvolvimento regional e de trazer jovens para a região, de forma a se dedicarem à inovação na fileira da bolota. Como poderão ver, caso se inscrevam, é algo que vale mesmo a pena compreender e debater com quem sabe, desmistificado assim preconceitos e estereótipos associados a este recurso natural. Teremos muita gente a falar, vinda de Portugal, de Norte a Sul, e de Espanha, e alguns actores de desenvolvimento regionais. Teremos gastronomia focada na bolota e, no final, um belo passeio pelo carvalhal da Gramatinha/Ariques, ou seja entre Ansião e Alvaiázere.
Divulguem, apareçam para falarmos e abrirmos horizontes!


23.7.18

As boas vindas à Comissão de Populares para a Defesa da Floresta e do Mundo Rural!


Foi com surpresa que vi surgir algo de novo e inovador na região de Sicó, ou seja a Comissão de Populares para a Defesa da Floresta e do Mundo Rural dos Concelhos de Pombal e Pinhal Interior Norte do Distrito de Leiria, apresentada há poucos dias em Pombal. Foi, para mim, uma das melhores surpresas dos últimos anos. Porquê? Porque esta iniciativa da sociedade civil tem um enorme potencial disruptor sobre uma realidade trágica a todos os níveis e que importa reverter, pegando no que de bom temos e mandando fora aquilo que nos tem tramado. 
Os meus parabéns aos mentores desta Comissão! Não estranho o facto de a mesma ter surgido a partir de Pombal, já que ali é um epicentro de cidadania activa, onde cada vez mais pessoas se têm mobilizado em prol de causas importantes. Parece-me que esta Comissão será a matriz que falta no que toca a reunir cidadãos com potencial transformador para toda esta região. Nos outros concelhos de intervenção desta Comissão também há muito pessoal que pugna pela cidadania activa, mas infelizmente ainda não tem o peso necessário em termos de influência na sociedade civil enquanto um todo.
A classe política, enquanto um todo, já mostrou que não é competente para fazer o que é preciso ser feito. Políticos de caixa de cereais, ponham-se a pau... Políticos a sério, julgo que terão nesta Comissão uma boa conselheira, portanto fica a dica!
Do brainstorming que surgirá desta Comissão e da interacção da mesma com o mundo real sairá concerteza algo de transformador para esta região. Importa portanto divulgar este movimento de cidadania activa em prol do território e de nós, que vivemos nele mas não temos sabido gerir da melhor forma a nossa convivência com ele. E algo de fundamental, é preciso participar, debater, dar ideias e não pensar que é não fazendo nada que os problemas se resolvem!
Em traços gerais, esta Comissão pretende pugnar por uma série de medidas fundamentais para a defesa da floresta e do mundo rural, passando por medidas afectas à floresta, cadastro rústico, meios humanos (onde se incluem por exemplo os cruciais Guardas Florestais), produção agrícola e produtos locais, baldios, biodiversidade (irei pugnar pela entrada da geodiversidade nesta equação), entre muitos outros. Basicamente temas abordados também no azinheiragate, algo que me agrada de sobremaneira. Espero também dar o meu contributo, já que é partilhando ideias e conhecimento que um futuro mais risonho irá ser construído para esta região. 
Fica então este humilde contributo do azinheiragate para a divulgação da Comissão de Populares para a Defesa da Floresta e do Mundo Rural. Agora mãos à obra!