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9.10.25
5.10.25
Vamos esquecer mais uma vez?!
Por esta altura já começa o esquecimento do que se passou, mais uma vez, este Verão em Portugal, sendo a triste sina que ano após ano a que estamos condenados. Por opção, diga-se, já que somos passivos e preferimos assobiar para o lado. Não somos consequentes, daí este cenário. E com isso perdemos todos.
Vamos continuar na mesma ou vamos ter coragem para nos mexermos e alterarmos o paradigma? Eu vou-me mexer, portanto quem se quiser mexer que se acuse.
26.2.24
15.7.22
27.10.19
O que fez a diferença este ano? O S. Pedro!
A regra é não utilizar imagens que envolvam chamas, mas apenas a destruição causada pelas mesmas, contudo abro a desejável excepção, já em pleno Outono, e prestes a acabar o dispositivo especial de combate a incêndios rurais (DECIR 2019). Antes que façam a pergunta, eu dou a resposta, ou seja que a fotografia em causa não é de pose, mas sim uma fotografia tirada por terceiros em modo furtivo num incêndio nocturno, daqueles que alguns ignorantes na matéria dizem que não acontecem (interesses em que arda...).
Indo directamente à questão, este ano foi dos menos maus em termos de incêndios florestais, nomeadamente no que concerne a prejuízos e área ardida. Sensivelmente a cada década há um ano menos mau e isto acontece simplesmente porque o S. Pedro ajuda bastante. Não são medidas de cosmética entretanto tomadas que contribuem para um ano como este. Em termos práticos nada mudou e isso é habitual (e parece que a maioria dos portugueses se conformam na prática, com isso...). A cada ano que passa a conversa é sempre a mesma e nunca se é consequente. Quais são as causas? Muitas, já que a equação é complexa. Muitos maus políticos, poucos bons políticos, muitos interesses em jogo, nomeadamente as celuloses, que gostam de publicitar as boas práticas (que existem, mas apenas nos minoritários terrenos em que são proprietárias) e omitir as más práticas e externalidades negativas nos terrenos maioritariamente privados, mas que alimentam as celuloses (paga o contribuinte e não bufa...). Muita irresponsabilidade de muito cidadão que, de forma activa ou passiva, contribui para o cenário actual. Muito pouco ordenamento do território (o cerne da questão!), pouco ordenamento florestal, etc, etc, etc...
E depois algo que me preocupa cada vez mais, ou seja uma agenda que indicia querer desmantelar uma estrutura voluntária, secular, que tem sido o garante da salvaguarda dos bens alheios, nomeadamente floresta. Graças a esta agenda oculta, guiada por certos interesses económicos e alguns interesses académicos, estes têm tentado impor uma estrutura paralela, também profissional e imensamente cara (bom para eles ganharem uns valentes trocos, através de estudos, assessorias e afins...), algo de curioso, já que se se investisse a sério numa estrutura profissional já existente nos corpos de bombeiros voluntários (e sapadores florestais), o problema ficava mitigado com a mesma ou melhor eficácia e a um custo muito inferior. Conheço algumas destas pessoas sem escrúpulos, guiadas pelo preconceito ideológico, que insistem em mitos urbanos e realidades ocorridas há 30 anos. E sim, nos corpos de bombeiros voluntários já há uma estrutura profissional, a qual peca apenas por pequena, com poucos direitos e muito mal paga. Em cada corpo de bombeiros, uma determinada percentagem (10 a 20%?) dos elementos é profissional, sabiam?
Claro que como em todas as organizações há problemas, e os bombeiros voluntários, enquanto organização, não são excepção, mas esses problemas nesta entidade resolvem-se, basta haver quem se queira chegar à frente. E há cada vez mais elementos a querer corrigir estes problemas a partir de dentro e a ajudar a evoluir e capacitar mais e melhor esta estrutura (tendo chatices por isso, já que há gente sentada em sofás muito confortáveis...). Não fosse a ignorância e os interesses pessoais, de entre os quais a vaidade, de alguns elementos de comando, as coisas já estariam melhor. Depois não ajuda nada ter alguém que se diz representante dos bombeiros voluntários quando afinal nem sequer é eleito por eles, mas sim por aqueles que estão sentados nos confortáveis sofás...
A melhor altura para falar disto é agora e não no Verão. Lembrem-se que nos próximo Verão há mais "festa" e se não quiserem ser cúmplices, têm não só de mudar (os que ainda insistem em ter comportamentos pirómanos) bem como exigir que as coisas mudem, nomeadamente mais e melhor ordenamento do território (que inclui a floresta e as monoculturas do eucalipto e pinheiro). É assim que conseguiremos mudar o paradigma! Portanto já sabem, no que concerne à silvicultura, têm agora uns meses para salvaguardar os vossos terrenos florestais, fazendo uma gestão racional e responsável dos mesmos.
Confesso que fui ingénuo ao pensar que, depois da tragédia humana de há 2 anos, as coisas mudariam alguma coisa. Nada mudou desde então! Nem mesmo a ignorância e maldade atroz de gente reles, que nunca pegou numa mangueira ou numa enchada para apagar um fogo e viu a tragédia da TV, sentado no sofá e depois de contrariado por quem tem opiniões fundamentadas do ponto de vista teórico e prático surge com frases como "gostava de vos ver defender a vossas teorias em frente aos familiares dos que morreram em Pedrógão". Caso para dizer, burros há muitos!
19.7.18
Será que a limpeza vai resultar?
Claro que não vai resultar, porquê? Simples, porque a lei que levou a que tanta limpeza fosse feita, foi elaborada em cima do joelho e pensando fundamentalmente na imagem política, fortemente afectada pelo elevadíssimo número de vítimas mortais nos incêndios de 2017. Em termos práticos terá um efeito quase nulo. É certo que houve quem limpasse da forma correcta, mas houve também muito arboricídio, parte derivada da iliteracia ambiental crónica e parte por aproveitamento de quem viu ali uma oportunidade para cortar árvores protegidas a coberto de uma lei vinda no pacote dos cereais. E, claro, muito hectar ardido à conta de borralheiras feitas com o intuito de limpar o que se cortou. Ou seja está tudo na mesma! E quanto ir ao cerne da questão, está quieto... Por exemplo, diminuir a área de eucaliptal não pode ser, já que mexe com interesses poderosos...
Já agora, as duas imagens acima são de um mesmo terreno, parte limpo, parte por limpar, em Ansião.
O Verão está a ser pacífico até agora e, aparentemente, será relativamente calmo. Depois, no final, e apenas com umas dezenas de milhar de hectares ardidos, aposto que o poder político virá com o discurso que as medidas que tomou foram um sucesso, quando afinal o sucesso se deveu apenas ao S. Pedro... O zé povinho, esse ficará impávido e sereno, como é costume.
As medidas que poderiam reverter este cenário tardam em chegar. Confesso que fui um bocado ingénuo ao pensar que depois de 2017 e da dupla tragédia, algumas coisas poderiam mudar. Infelizmente não foi o caso. Sabemos as causas, mas teimamos em não aprender a lição mais importante de todas...
1.7.18
1.5.18
1.11.17
10.5.17
Arde porque deixamos que arda...
Por esta altura, e mesmo tendo em conta os inúmeros incêndios que já ocorreram um pouco por todo este país, ainda não se fala de incêndios florestais. A "festa", propriamente dita, ainda não começou, portanto, e para já, fala-se apenas de futebóis e outros factos que nada acrescentam a uma vivência sã e equilibrada. Quando os futebóis e afins terminarem, as televisões vão-se virar para a festa pirómana que todos os anos nos assola. E este ano em particular preocupa-me...
As causas são conhecidas, bem como os interesses que orbitam em redor da "festa", contudo, e estranhamente, tudo fica na mesma ano após ano. Não aprendemos com os erros e parece que fazemos questão que tudo ou quase tudo fique na mesma. Os discursos de ocasião ainda não surgiram, pois há que falar a quente, com as coisas acicatadas, lá para Julho ou Agosto.
Mas deixando estes pequenos pormenores de lado, vamos então aos factos. O que vêm na fotografia é uma plantação de eucaliptos, situada à entrada do lugar do Rabaçal, Penela, para quem vem de Ansião. Em 2016 foi efectuado um corte dos eucaliptos, pois já estavam em acção. Nessa altura fiquei surpreendido, já que os sobrantes ficaram todos no terreno. Inicialmente pensei que mais tarde iriam ser recolhidos, contudo os meses passaram e ali continuam. Em termos de risco de incêndio será "escusado" dizer o barril de pólvora ali está. Ninguém quer saber do caso.
Mas caso ocorra ali um incêndio, o que acontecerá? Eu digo, chama-se os desgraçados dos bombeiros e eles que se amanhem. São eles que correm risco de vida e são eles que se devem sacrificar, pensam alguns...
E o que será que o dono do terreno tem a dizer sobre isto? Não se dá ao trabalho de limpar, tal como era suposto, mas caso os bombeiros não aparecessem será, porventura, capaz de dizer que eles eram uns incompetentes ou que demoraram muito a chegar. O dono do terreno pensará inevitavelmente numa coisa, ou seja no lucro rápido. Tudo o resto, e como está à vista, não importa. E a nossa passividade será reconfortante para ele, digo eu.
É por isto e por muito mais que Portugal arde impunemente. E andamos nisto há 4 décadas...
No que me toca, e por mais estranho que possa parecer, não fico chocado ao ver arder eucaliptos. Fico chocado sim quando ardem carvalhos, azinheiras, sobreiros, oliveiras, castanheiros, nogueiras, freixos, choupos e afins. Perde-se demasiado tempo e gastam-se meios que deveriam privilegiar a protecção da nossa floresta, em vez da monocultura do eucalipto. Situações como esta deveriam ser severamente punidas!
Agora uma pergunta que vos faço, porque é que têm de ser os bombeiros voluntários a arriscar a vida e a gastar o seu tempo e meios a proteger algo que serve apenas para o lucro de algumas pessoas? Não seria normal quem tem eucaliptais pagar a protecção do seu investimento? Fica a dica para reflexão...
4.12.16
Atenção que o desastre continua no Inverno...
Infelizmente não pude ajudar ao combate a este incêndio, o qual afectou, entre outros, as Degracias. Infelizmente é uma imagem recorrente na região, onde ano após ano determinadas áreas ficam como podem ver nas fotografias. Também recorrente é o que se vê na segunda fotografia, ou seja placas de caça ardidas rapidamente substituídas. Pena é que os caçadores se preocupem mais com a substituição das placas do que com a recuperação ambiental das áreas ardidas...
Este foi um grande incêndio, o qual calcorreou centenas de hectares do carso de Sicó. Este foi um incêndio que castigou fortemente uma área frágil e, diga-se, já fragilizada a vários níveis, condenando um modo de vida ancestral. Famílias que tinham o olival como sustento, viram tudo transformado em cinzas. As televisões, sedentas de chamas para encher os jornais das 13 ou das 20, faziam fila para filmar o desastre inicial. Contudo, agora que o desastre continua sem chamas, mas com erosão dos solos e dificuldades para toda uma população idosa, a coisa já não é interessante para explorar nos mesmos jornais. E de quem é a culpa? Nossa, pela inacção enquanto povo. Pouco ou nada se trabalha a montante, de forma a evitar grande parte deste cenário, e continua a seguir-se uma linha de despejar dinheiro na prevenção, a qual, diga-se, se resume a muito pouco. A prevenção activa que se fazia há coisa de uma década, é coisa do passado. As carrinhas então utilizadas na prevenção, fazem tudo menos prevenção. As motas, essas desapareceram do mapa.
Os últimos anos têm sido relativamente calmos para alguns dos municípios da região de Sicó, facto que trouxe consigo um relaxamento pouco desejável e, diga-se, contraproducente. No fim da linha estão os bombeiros, os quais são muitas vezes o bode expiatório para muita gente. A maior parte das vezes as críticas são injustas, facto que importa destacar. E poucos são os que têm conhecimento e moral para falar sobre esta temática.
Já agora, aproveitem para se fazer sócios da corporação de bombeiros do vosso concelho, pois é uma boa prenda que podem dar a vós próprios. Isso mesmo, vós próprios.
Já agora, aproveitem para se fazer sócios da corporação de bombeiros do vosso concelho, pois é uma boa prenda que podem dar a vós próprios. Isso mesmo, vós próprios.
Nestes dias de frio, aproveitem para ir até estes locais fantasma, pois é a forma mais eficaz para reflectirem sobre este desastre e sobre as respectivas consequências. Lembrem-se que a vossa passividade e inacção contribuem para este cenário. E não, não é uma fatalidade, trata-se sim de um problema tremendamente complexo, com muitas variáveis, mas com solução, tendo a sua génese nas más políticas de ordenamento do território promovidas nas últimas décadas. As próximas décadas não serão melhores, contudo podemos e devemos reverter esta agonia crónica que nos condena e nos tortura a cada Verão que passa. Findado o Verão, tudo se esquece, pelo menos até ao próximo...
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