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20.2.19

Ícone turístico em risco?


Esta primeira imagem é das mais conhecidas quando se trata de divulgar Ansião, numa espécie de ícone turístico. É um local bonito, disso não há a mínima dúvida.
Olhando com atenção, há pormenores que importam destacar. O primeiro, e o mais negativo, é que parte da ponte é em betão, algo que devia envergonhar quem se lembrou de tal coisa há muitos anos. Daí a sugestão para retirarem aquele corpo estranho e colocarem uma laje calcária, de preferência antiga, em vez de uma limpinha.
Depois há outro pormenor que me preocupa, ou seja o mau estado da ponte, que necessita de manutenção. A base dos pilares está cada vez mais frágil e se nada for feito, daqui a uns anos pode mesmo ruir.
Locais como este são de preservar, não numa (i)lógica circense, mas sim utilitária. Todo aquele eixo que vai de Ansião ao Marquinho tem potencial e quando digo potencial não é fazer o mesmo que se fez em Ansião. Em Ansião foi importante fazer aquela obra, mas para jusante não é recomendável fazer o mesmo, mas sim preservar o que existe e pensar a coisa de outra forma.




11.2.18

Com o turismo me enganas...


Há uns dias apeteceu-me fazer algo que aprecio bastante, ou seja dar uma volta nocturna. Depois de jantar é bastante agradável dar corda aos sapatos e dar uma voltinha. A digestão faz-se melhor, respira-se ar mais puro (de dia é mais complicado...) e conseguimos andar mais descontraídos e abstraídos com os nossos pensamentos. É aí, por vezes, que detectamos pormenores interessantes, como o que encontrei em Pombal.
Na pacatez da noite pude dar-me conta de algo que me surpreendeu de sobremaneira. Na primeira imagem consta aquilo que falo. Trata-se apenas e só de uma dos piores exemplos que já vi de um mapa turístico. Visualmente não é sequer apelativo, quanto à informação presente no mesmo, gostava de saber se a intenção aquando da feitura do mapa era informar os turistas, já que este mapa turístico é uma grande confusão. Exige-se muito mais quando se trata de elaborar um mapa turístico! Infelizmente este tipo de situação é normal na região de Sicó, onde os conteúdos turísticos deixam muito a desejar. Em vez de se elaborarem conteúdos em condições, vai-se sempre aos rascunhos do passado. 
Será que este mapa turístico ajuda, de facto, o turista?!
E vi um pormenor que me fez rir um bocado, ou seja a referência à Serra de Sicó. Este grafismo da Serra é um bocado irrealista, não? Lá está o escalador (referência aos Poios) e a torre eólica, contudo onde estão as crateras (pedreiras)? Ironia à parte, este mapa turístico deixa tudo a desejar. Sugiro que falem com quem sabe e façam um mapa turístico digno de Pombal e do seu património, já que este tem nota negativa! Pombal e a região de Sicó merecem o melhor do marketing territorial!


27.1.18

Onde pára a história da Ponte da Cal?


O projecto da Villa Sicó é bastante interessante, contudo tem tido falhas que eu considero inaceitáveis. Ontem andava a matar saudades da minha terra, que nem turista, quando me deparei com esta placa sobre a Ponte da Cal, na Vila de Ansião. A minha primeira reacção foi positiva, contudo só até ter lido os conteúdos. Ou seja, temos ali uma placa aparentemente alusiva à Ponte da Cal, mas que, no concreto, falha os seus objectivos, já que fala de muita coisa menos da história da Ponte da Cal. É, claramente, uma placa que não só confunde, como não contribui para esclarecer e informar quem por ali passa, algo de inaceitável numa estratégia de divulgação turística e histórica.
Há duas histórias sobre esta ponte, a que desde miúdo me contaram e a história descrita por quem de direito, os historiadores, contudo nenhuma delas consta naquela placa informativa.
Fica a sugestão para uma necessária reflexão sobre uma questão que não pode ser menorizada. Falo, claro de uma reflexão por parte da Terras de Sicó, entidade com responsabilidades nesta matéria. 
Fica também o convite para que cada um de vós, ansianense ou turista, passe por este local e veja por si próprio. Podem também observar a outra ponte, a qual perturba gravemente a visualização da Ponte da Cal. Foi mais um de vários erros crassos do anterior executivo da Câmara Municipal de Ansião, que falhou redondamente na projecção de uma ponte que se compreende, mas cujo posicionamento é simplesmente absurdo, dada a proximidade à Ponte de Cal. Uns metros para o lado e a coisa seria bem diferente...


18.1.18

Uma ponte simplesmente parva!




Fiquei a saber do facto através do Grupo Protecção Sicó, mas apenas agora tive tempo para me debruçar sobre a questão e fazer o trabalho de casa de forma a perceber, de facto, o que se passa e o que está em causa. Fui ao site da Câmara Municipal de Pombal e comecei a ver os ficheiros relativos às Grandes Opções do Plano 2018-2021. No ponto 2.3., na página 19, constava algo que me deixou indignado e perplexo. Há, de facto, ideia de construir uma ponte sobre o Vale dos Poios nos próximos 4 anos, já com 420 000 euros consignados nos orçamentos municipais de 2018, 2019 e 2020.
Mas antes de ir ao cerne da questão, porque constam, no GOP uns reles 3000 euros para a rede de aldeias do calcário (deveriam ser do carso, mas nem vou por aí)? Brevemente irei voltar a dissertar sobre as aldeias do carso...
Mas vamos então à questão da ideia da ponte suspensa para o Vale dos Poios, de quem terá sido esta ideia, peregrina, que eu considero absurda e parola? Sim, absurda porque não faz sentido algum. Parola porque irá degradar aquela área e não valorizar a mesma. Ideias de génese circense costumam ser assim parolas por natureza. O Vale dos Poios não é um circo meus caros!
Já não chegava o desastre que tem sido a gestão do dossier do CIMU, e agora aparece esta ideia peregrina. Santa paciência... Sobre o CIMU, parece que agora foi baptizado de Explora Sicó, mas brevemente irei voltar a falar do tema, agora que as obras estão a recomeçar.
Nos últimos anos viajei bastante para um destino onde a pedra calcária reina ainda mais do que em Sicó, a Eslovénia, de forma a conhecer e a aprender mais e melhor sobre formas de gestão do carso, sobre o ordenamento do território em meio cársico e muito mais. Não vi por lá parolices como a projectada ponte suspensa para o Vale dos Poios e não é por acaso...
Nunca vi o projecto da ponte suspensa, nunca vi o Estudo de Impacto Ambiental, Estudo de Incidências Ambientais ou mesmo discussão pública sobre o projecto. Alguém teve esta ideia parola, na base do acho que, e siga a festa, é a ideia que fica no ar. Ainda nem sequer vi um esboço de um plano de gestão do Vale dos Poios, de forma a acautelar a sua integridade e impedir a sua degradação por uma utilização sem regras. E a obrigatória classificação como local de interesse geológico?
Muito gostam estes executivos municipais de começar a casa pelo telhado, juntando ainda por cima características daquelas que os emigrantes juntaram às suas casas nas últimas décadas, um folclore abismal.
Já por uma vez disse e volto agora a repetir aqui, no azinheiragate, autarcas como Diogo Mateus têm de descer à terra, falar com quem sabe e visitar países como a Eslovénia, falando com quem é de lá e sabe, de forma a, de uma vez por todas, deixarem de pensar nestas ideias parolas e aprenderem as boas práticas associadas à gestão territorial em meio cársico. E se precisarem de contactos por lá digam, pois não tenho problemas em estabelecer pontes, daquelas que fazem sentido e fazem, de facto, falta!
A (i)lógica de muitos dos autarcas da região de Sicó no que concerne à dinamização territorial tem sido a de transformar este belo território num circo. Não queremos Sicó transformada num circo! Queremos sim um território devidamente valorizado, sem ideias parvas à mistura.
Já só falta meter uns bungalows nas paredes verticais do Canhão Fluviocársico para ser o circo total (não é uma ideia, só para que não fiquem confusos, é mesmo uma sátira).

22.10.16

Tuk tuk, está aí alguém?


Fonte: Jornal Terras de Sicó

Fiquei surpreso ao saber desta notícia, através do Jornal Terras de Sicó, pois não estava nada à espera de algo do género na região de Sicó. Durante uns dias ponderei sobre o significado desta notícia e confesso que não gostei. O motivo é muito simples, sou contra projectos do tipo "chapa 5", os quais não têm em conta a especificidade dos locais, desvirtuando-os. Isto além de não serem nada inovadores, pois os tuk tuk de português nada têm e além disso qualquer vila ou cidade consegue ter um par deles. Acho graça aos tuk tuks nos seus "habitats" e o seu "habitat" é a... Ásia, não Condeixa ou região de Sicó. Em Lisboa os tuk tuk já são um problema e, diga-se, não acrescentam nada de bom ao turismo, pois acima de tudo descaracterizam os locais para onde são importados.
Será que não conseguimos inovar e criar algo inspirado no local e às suas especificidades? Será que não conseguimos pegar no que já temos e adaptar aos novos tempos, conjugando o antigo com as necessidades actuais? Existem vária possibilidades, sendo que se deveriam priveligiar as mais sustentáveis e adequadas aquela realidade. Fosse algo ligado às carroças ou charretes, ao universo das bicicletas ou algo ligado a um transporte eléctrico ou a energia solar, muito há por onde pegar, bastando inovar. Porque não ponderar um concurso de ideias? Mesmo assim nem me parece que seja necessário um concurso de ideias, pois basta aplicar o que já existe e o que é local/regional. Parece-me que em Condeixa se perdeu uma boa oportunidade para inovar, em vez de ter algo que qualquer vila ou cidade tem, vulgarizando a coisa e, mesmo tendo em conta que no início a novidade puxa, mais tarde a tendência é a coisa banalizar e perder interesse.

17.11.14

Erros básicos de marketing territorial

Marketing territorial, nem mais! Há poucas semanas atrás, aquando do comentário sobre a Feira Quinhentista ocorrida em Santiago da Guarda, referi que posteriormente iria debater precisamente esta questão, ou seja as falhas que, por vezes, podemos observar em eventos deste género. Quando se organiza um evento onde o objectivo principal é o marketing territorial, um dos principais cuidados a ter é o de garantir coerência no regulamento e na aplicação do mesmo. Se o evento tem como intuito representar outras épocas, nunca se pode permitir que surjam adereços que não correspondem a estas mesmas outras épocas.
O regulamento da Feira Quinhentista até estava bem elaborado, daí eu estranhar o que as duas primeiras fotografias pretendem mostrar. A organização falhou redondamente neste aspecto, pois permitiu algo que nunca deveria ser permitido. Sugiro também às empresas que colocaram estes painéis que em próximos eventos criem painéis inspirados na época, pois é fácil e baratíssimo. Com criatividade tudo se faz.
Este meu comentário pretende fundamentalmente alertar para esta e outras falhas, pois estas colocam em causa a imagem do evento que, diga-se, à parte destas duas falhas, foi um excelente evento cultural. 



Outro aspecto que não posso deixar passar em branco, e que sugiro que ponderem, é o facto de no meu entender não ser lógico estar uma roulote de kebabs mesmo em frente ao castelo, nos dias do evento em causa. Será que faz sentido isto num evento deste género? Será que faz sentido os kebabs estarem a competir directamente com os restaurantes devidamente enquadrados no espírito da Feira Quinhentista?
No meu entender o feirante fez o seu papel, no entanto e no meu entender o regulamento da feira deveria garantir uma "zona livre", onde a única "competição" entre feirantes seria entre aqueles que vendessem produtos "medievais" apresentados quase como à época.
A organização da Feira Quinhentista deverá ponderar muito bem esta questão, pois é algo que prejudica a imagem do evento. Espero que, com este comentário, a Feira Quinhentista do próximo ano chegue a um patamar de excelência, pois Ansião e a região de Sicó merecem.


18.7.13

Pelo património, contra os lóbis participar, participar!


Este meu comentário reveste-se de uma dupla importância. Em primeiro lugar, pretende apelar à participação pública, numa situação particular, de todos aqueles que realmente amam este país, em especial o belo território muitas vezes resumido apenas por "Sicó". O motivo é simples, o seu património está mais uma vez em risco de destruição e degradação.
Em segundo lugar, este comentário pretende apontar aquilo que poucos têm coragem de apontar, ou seja aquilo que está mal, aquilo que está incorrecto e aquilo que claramente não é do interesse público.
Assim sendo, começo pelo início:


Foi já há umas semanas atrás que esteve a decorrer um primeiro processo de participação pública, o qual está associado a um muito estranho projecto, previsto para uma área protegida, mais precisamente na Serra de Alvaiázere.
Nesse primeiro processo houve uma falha importante, a qual fica agora colmatada, embora não esquecida, com a repetição do processo de participação pública. Da mesma forma que critiquei quando aconteceu essa falha, aplaudo agora o facto do processo estar a ser devidamente repetido, dando assim tempo a que as pessoas interessadas consultem o processo nos serviços da Câmara Municipal de Alvaiázere. Folgo em ver que o pleno exercício da cidadania tem resultados práticos.
Nos próximos dias irei consultar o processo, algo que, devido à tal falha, não consegui fazer da primeira vez. Mesmo assim, nessa altura, a minha participação saldou-se num documento com cerca de 12 páginas. Suspeito que agora o mesmo terá uma revisão aumentada, já que vou ter acesso a documentação que tem sido secreta e estado muito distante das populações.
Não me vou alongar aqui com pormenores, vou sim centrar-me sobre algo que mostra um facto deveras preocupante...
Importa contudo sublinhar outra questão fundamental, a montante desta. Sendo o actual PDM datado de 1997, este, em termos práticos, não está a ser revisto, estão sim a ser promovidas alterações de alguns artigos, curiosamente que favorecem apenas e só uma política do betão. Porque será? Promove-se primeiro o desordenamento e depois revê-se o PDM, "só para inglês ver"?
Indo então directo ao ponto que pretendo sublinhar, a Câmara Municipal de Alvaiázere justifica a necessidade de alterar os limites do perímetro do núcleo de desenvolvimento turístico da "Estalagem na Serra de Alvaiázere" com a seguinte justificação:

"6. FUNDAMENTAÇÃO DA PROPOSTA
A fundamentação da proposta de alteração do artigo 20.o do Regulamento do Plano Diretor Municipal, decorre da necessidade de se proceder ao ajustamento dos limites do perímetro do núcleo de desenvolvimento turístico da “Estalagem na Serra de Alvaiázere”, tal como se encontra definido no Plano Diretor Municipal, na planta de ordenamento e na planta de condicionantes.
Pretende-se também com esta alteração, articular e harmonizar o empreendimento pretendido com o Regulamento do Plano Diretor Municipal e com a correta delimitação da mancha definida, atendendo que a mesma se encontra incorretamente definida relativamente à rede viária existente."


Para quem não está por dentro destas lides, a justificação até pode parecer justificável, passe o pleonasmo, no entanto há ali gato (XXL). O projecto em causa não tem cabimento no PDM, daí a Câmara Municipal de Alvaiázere estar a tentar forçar a alteração de limites legalmente instituídos, para que o projecto caiba naquela serra. Para isso surge com uma argumentação que além de incorrecta é falaciosa, ou seja:

- Na figura 3 (segunda figura), que é um extracto da Planta de Ordenamento, todos podem ver que a mancha, a amarelo, afinal está devidamente definida relativamente à rede viária existente. Sublinho que esta é a cartografia legal e a única que pode, de forma vinculativa, ser utilizada para legitimar quaisquer intenções da Câmara Municipal de Alvaiázere. Um processo sério e imparcial só pode utilizar aquela cartografia.
- Já na primeira figura, a Câmara Municipal de Alvaiázere, fez algo que em termos cartográficos é grave e que representa uma situação de incompetência inaceitável. Isto acontece por um motivo, o desconhecimento de regras cartográficas que, embora básicas, não são compreendidas por quem tem a obrigação de as compreender. Ou seja, para tentar legitimar a vontade expressa do seu autarca, Tito Morgado, pegou-se em cartografia não oficial e meramente indicativa para justificar algo que não é sequer uma incorrecta delimitação na Planta do PDM. Há que responsabilizar o técnico que teve este erro grosseiro em termos do lidar com informação geográfica.
Basicamente pegou-se numa shapefile (com coordenada "H"), decorrente da vectorização das cartas do actual PDM, e colocou-se uma Carta Militar "por debaixo" (com coordenada "G"), induzindo assim em erro todos aqueles que analisam o Relatório de Fundamentação da Proposta de Alteração do Artigo 20º do Regulamento do PDM de Alvaiázere. Em termos práticos trata-se de manipulação cartográfica indevida, pois o simples desconhecimento de regras cartográficas básicas, leva a que uma péssima utilização de cartografia meramente indicativa, passe como cartografia vinculativa e, por isso leve em erro todos os que vêm aquele documento. Isto leva a que as pessoas façam juízos de valor com base em algo que não corresponde à verdade. Quem observar esta primeira figura, sem saber dos factos, pensa que há razões para corrigir, mas afinal não há erro algum a corrigir. Há sim um erro induzido, o qual tem de ser devidamente explicado por esta entidade pública.
Como é que eu consegui discernir este erro? Simples, fui eu que, em 2005 vectorizei as cartas do actual PDM, sabendo que as shapefiles que resultam desta vectorização são apenas indicativas e não vinculativas. Qualquer pessoa que vá aos serviços da Câmara Municipal de Alvaiázere, pedir uma planta de localização, na qual sejam utilizadas estas shapefiles, é informada que ela não é vinculativa mas apenas indicativa, ou seja não tem quaisquer validade processual. Só se a pessoa levar uma planta de localização baseada na cartografia original (e válida...), aquela na segunda imagem, é que esta planta é válida em termos de processo.
Resumindo, temos uma shapefile (polígono amarelo) com coordenada "H", uma carta militar com coordenada "G" e uma Planta de Ordenamento com coordenada "J", fazendo a Câmara Municipal de Alvaiázere pressupor, erroneamente, que as 3 têm as mesmas coordenadas. 
Agora importa questionar esta e outras mais questões, pois o património não pode ser posto em causa com base em péssima utilização de cartografia, mais ainda não vinculativa em termos processuais. 
Há alternativas para um hotel, basta para isso recuperar uma quinta histórica de Alvaiázere...
Fico ao dispor de eventuais esclarecimentos por parte de quem tenha dúvidas sobre este processo de participação pública, a qual se prolongará até dia 6 de Agosto de 2013.




Para terminar, um comentário que apesar de ter 2 anos, continua bem actual:


21.6.12

As ligações escaldantes entre política e o turismo na região de Sicó

É uma daquelas questões que vai dar que falar, dada a sua especificidade, por isso mesmo vou tentar ser o mais conciso possível.
Já por mais que uma vez dei destaque à problemática que pode representar o facto das Câmaras Municipais de Sicó não disponibilizarem publicamente, a curto prazo, as actas das reuniões de Câmara ou de Assembleia Municipal, isto por um motivo muito simples, o de que esta é uma das formas que o cidadão tem de estar actualizado sobre aquilo que lhe diz respeito. Acontece muitas vezes uma acta só ficar online meses depois, o que, eventualmente, pode levar a um entorpedecimento da dita democracia.
Desta vez não falo sobre a disponibilização, ou não, das mesmas, destaco sim o conteúdo peculiar de uma delas. Isto por um motivo muito simples, o de que considero que há ali uma incompatibilidade que deveria estar à vista de todos, a qual está relacionada com uma questão do âmbito do azinheiragate, o turismo na região de Sicó.
Obviamente que isto é a minha opinião, mas cada um poderá tirar as suas próprias conclusões depois do que vou destacar agora:

"Acta nº3 de 2012 - Acta da reunião ordinária da Câmara Municipal realizada em 7 de Fevereiro de 2012 - Alvaiázere

EXTRA  ORDEM  DO  DIA:     O   Senhor   Presidente   pôs   à   consideração   da   Câmara   Municipal   a   apreciação   extra   ordem   de   trabalhos   de   um   requerimento   apresentado   por   Dominique   Fernanda  Martins  Marques  Morgado,  a  que  os  restantes  membros  do  Executivo   deram   o   seu   acordo.   Por   incompatibilidade,   o   Senhor   Presidente   retirou-­se   da   reunião,  enquanto  se  discutiu  este  assunto. 

PEDIDO  DE  LICENÇA  DE  PUBLICIDADE;;  
Foi   presente   um   requerimento   apresentado   por   Dominique   Fernanda   Martins   Marques   Morgado (...) na   qualidade   de   representante   da   Firma   Doticonta,   Investimentos,   Serviços  e  Turismo,  Limitada,  solicitando  licença  para  colocação  de  um  anúncio   luminoso,   com   a   dimensão   de   7500   x   600   mm,   e   com   os   dizeres   www.doticonta.pt  -­  Doticonta,  Investimentos,  Serviços  e  Turismo,  Lda  -­  tel.  236   650  110,  na  frente  do  edifício  sede  da  mesma  Empresa.-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­-­   A   Câmara   Municipal,   deferiu,   por   unanimidade   dos   presentes,   a   emissão   da   referida  licença."


Agora, veja-se o seguinte:

"A DOTICONTA – Investimentos, Serviços e Turismo, Lda., com sede social em Alvaiázere, foi criada em 28 de Novembro de 1995, com o objecto social de “Realização de contabilidade, projectos de investimento, auditoria financeira, auditoria fiscal e formação”, por Paulo Tito Delgado Morgado e Dominique Fernanda Martins Marques Morgado, que constituem até à data de hoje os órgãos sociais da empresa. Com uma visão virada para a inovação e aproveitando a reputação e consolidação que adquiriu, em 23 de Dezembro de 2009, apostou na área de comércio a retalho de equipamentos informáticos, e do turismo rural."


Tendo eu reparado nos nomes respectivos dos empresários, parece-me que há ali uma real incompatibilidade, no que se refere estritamente à questão do turismo a nível concelhio e mesmo regional, já que além de autarca, Paulo Tito Morgado, por inerência do cargo tem também responsabilidades a nível da Associação de Desenvolvimento "Terras de Sicó". Esta é a minha opinião, agora cada um que tire as suas próprias conclusões tendo por base os factos que aqui referi. 
O português tem o mau hábito de ver apenas no curto prazo e é precisamente isso que pretendo salientar com este comentário. Estou curioso para ver em que medida é que a empresa referida poderá ficar (inevitavelmente) favorecida de alguma forma, nos próximos anos, com a "estratégia turística" de alguém que ao mesmo tempo é dois em um no mesmo concelho, autarca e empresário. 
Não deveria ser possível, tal como neste caso particular, ser-se um dois em um, já que poderá sempre ficar a ideia de um alavancado favorecimento, tal como já falado noutro caso:


http://noticiasdocentro.wordpress.com/2010/11/29/tito-morgado-garante-“total-isencao”-na-adjudicacao-de-trabalhos-a-empresa-da-vice-presidente/


Exercer a cidadania é um direito que me assiste, por isso não tenho receio algum de falar numa questão tão sensível, com vista ao debate da mesma, a bem de Sicó. O que me interessa aqui são apenas e só os factos em análise, nada mais. Contra factos não há argumentos. 

22.9.11

O BTT e a sua relação com o património natural e cultural da região de Sicó

É um dos muitos temas sobre o qual tenho particular gosto em falar, a relação de uma actividade desportiva e/ou de lazer, com o património da região de Sicó, seja património natural, cultural ou outro mais.
Juntar o andar de bicicleta com a fruição deste valioso património é algo de fabuloso, isso é um facto. Diria mais, o andar de bicicleta, seja de estrada ou não, é a forma mais interessante de conhecer todo o património da região de Sicó, dado que muito facilmente se consegue ir a locais que de outra forma não se consegue ir. Obviamente que a pé conseguiria ir a todos os locais de interesse, mas de bicicleta consegue-se ir a muitos mais, e de forma mais rápida.
Tenho visto com algum interesse o papel de alguns grupos de BTT nesta questão, os quais têm realizado muitas provas, as quais têm trazido muitos visitantes à região de Sicó. Não vou aqui falar de alguns erros que tenho observado neste âmbito, isso fica para outras oportunidades, embora já tenha, por uma vez feito uma chamada de atenção para aspectos menos positivos. Interessa-me, por agora, dar uma palavra de apreço aos clubes de BTT da região de Sicó, caso dos ansibikers, deixando eu o desafio para que no próximo ano seja realizado uma prova de BTT denominada por exemplo como “Trilhos da geodiversidade de Sicó”. Quem estiver interessado em desenvolver esta ideia, pode facilmente entrar em contacto comigo, que eu darei o devido apoio técnico, com vista à organização de uma prova com evidente interesse turístico, e logo de forma inovadora.
Como sou uma pessoa que faz questão de utilizar a bicicleta no seu dia-a-dia, coisa rara na região de Sicó (bem vinda e-ginga!), tenho uma especial apetência por esta questão, ainda mais podendo aliar este meu gosto à questão profissional. Em 2008 elaborei dois percursos de BTT, pensando exactamente na questão do património natural e cultural, percursos estes que englobaram um sector que engloba Ansião e Alvaiázere. Lamento que nenhuma das autarquias tenha aproveitado o trabalho, mesmo que eu tenha oferecido cópias, em digital e em papel, aos respectivos municípios...
Fica então a nota sobre um tema que interessa cada vez a mais pessoas, sejam ou não da região de Sicó. Brevemente voltarei a esta questão, mas de uma forma diferenciada, para já deixo aqui a ponta do novelo, a qual espero que alguns de vós comecem a puxar, pois vale mesmo a pena!
Só mesmo para finalizar, e para quem pretende adquirir uma bicicleta, seja de estrada ou de BTT, o meu apelo vai no sentido da preferência sobre as marcas nacionais, pois mesmo apesar de poucas, temos marcas de qualidade, que exportam. O que é nacional é bom! E caso me venham com a conversa que são caras, eu direi apenas que é falso, pois, a título de exemplo, tenho visto várias pessoas a comprar bicicletas desdobráveis, de marcas estrangeiras, por 300 euros (ou bem mais...), e eu, ainda em 2010, comprei uma, de marca tuga, por uns meros 150 euros, estando plenamente satisfeito com a aquisição. A crise também o é devido ao nosso infundado descrédito sobre o produto nacional! 


28.8.11

Esperava mais, muito mais...


Confesso que tinha alguma expectativa, depois de saber sobre este novo portal, isto porque tenho notado uma postura bem mais interessante e activa no domínio territorial, do que em anos passados, onde factualmente se vê mais trabalho desenvolvido em prol do concelho de Ansião, no que concerne por exemplo a nível de marketing territorial. Por este mesmo motivo estava bem na expectativa sobre o que iria encontrar no portal "Descubra Ansião".
O vídeo com o qual nos deparamos ao abrir este site, até é interessante e apelativo, embora, quanto a mim, tenha ficado um bocadinho aquém do que se poderia ter feito, já que Ansião é muito mais do que aquilo que foi mostrado. Muitas das particularidades que tornam Ansião um território interessante não foram mostradas,  considero que se focou em demasia o alcatrão e o betão e em menor escala as potencialidades locais, as quais nos diferenciam de outros e que podem representar a bela "desculpa" para visitar Ansião.
Quanto aos conteúdos em si, presentes no portal, deixam a desejar, já que a informação que ali podemos encontrar é diminuta e claramente insuficiente tendo em conta os recursos disponíveis e a imensidão de património existente no concelho de Ansião. Com o mesmo dinheiro e com a ajuda de muitas pessoas, este portal poderia e deveria ter sido enriquecido com conteúdos vários, daí o défice de informação presente neste portal. Onde está por exemplo o destaque à Rede Natura 2000? 
Em termos de potencial de informação, passível de ser colocada, penso que o site estará apenas a 10% das suas reais potencialidades. A nível visual e mesmo de organização está interessante e apelativo, mas o problema é mesmo a parca informação, já que a que existe é muito superior aquela que consta no portal "Descobrir Ansião". Seja em termos de património natural, construído, ou outros, há uma clara omissão de informação que representaria uma mais valia em termos de imagem, pois quem visita o portal pode ficar com a sensação de que sabe a pouco, o que não motivará posteriores visitas ao mesmo. Esta motivação é claramente a chave da atracção, o marketing territorial aqui não está a ser aproveitado devidamente e este é uma ferramenta poderosíssima, quando bem utilizada. 
É nestas ocasiões que saliento que o conhecimento dos locais deve ser mesmo aproveitado, já que não faltam pessoas credenciadas para ajudar neste e noutros projectos, e que até o poderiam fazer gratuitamente (só para que não haja dúvidas não estou a falar de mim, estou sim a falar dos outros), tudo em nome da terra, no entanto isso dificilmente acontece. Quando digo pessoas credenciadas, não falo apenas de pessoas formadas nas mais diversas áreas, falo sim de todas aquelas pessoas que de alguma forma poderiam dar o seu contributo, desde o pastor até ao universitário, pois todos eles contam. Sei até que no domínio das pessoas não formadas há mais potencial do que no domínio das pessoas formadas, já que o conhecimento sobre o património aprende-se na escola da vida, e esse pode apenas ser melhorado nas universidades (estas são um meio para e não um fim para, lembrem-se disso!). Digo isto porque durante muitos anos a mentalidade que imperava ( e ainda continua de alguma forma...) era a de que pastores e afins eram tratados como que uns coitadinhos e "burros", daí esta minha indirecta a alguns pseudointelectuais de esquina de café.
Espero então que o portal "Descobrir Ansião" seja reforçado brevemente com todo um manancial de informação (que existe!), de forma a que este fique devidamente enriquecido, pois só assim poderá ser uma mais valia e não apenas algo simplista. O Município de Ansião pode, e até sabe fazer bem melhor, daí este meu desafio saudável e concreto, o de melhorar este portal a curto prazo. Felicito a Câmara Municipal de Ansião pela criação do portal, no entanto há que potenciar devidamente o que está feito, já que, como disse, o que está em causa é o claro défice de informação relevante, nada mais.
Fica também o desafio a todo/as aquele/as que gostariam de alguma forma de ajudar, para demonstrarem isso mesmo, pois a cidadania só funciona quando se é activo em prol dos outros e do território. Chega de meter sempre a culpa nos outros!

25.6.11

Birdwatching na região de Sicó



Lembram-se daquele episódio dos Gralhos, há semanas atrás, onde era feita uma referência ao birdwatching? Caso não se lembrem, é fácil, basta procurar que facilmente chegam lá. Caso se lembrem, a referência ao birdwatching não foi por mero acaso, foi sim um estímulo pedagógico para pensarem um bocado sobre o assunto, levando-vos a pesquisar sobre o mesmo.
Apesar de já ter alguns livros sobre aves, na minha biblioteca, ainda não tive a possibilidade de participar numa actividade formal de birdwatching, ou observação de aves. Apesar deste facto, o meu interesse tem crescido nos últimos anos, levando a que já tenha falado com um amigo meu, o qual faz de guia nesta interessante actividade que é a observação de aves. Falei com ele porque pensei em organizar uma actividade aqui na região de Sicó, infelizmente até agora não o foi possível, mas mesmo assim não desisto em, talvez no próximo ano, tentar organizar uma iniciativa que vise a observação de aves.
Sei que há algum potencial turístico, na região de Sicó, associado à observação de aves, isto através de algumas conversas com quem mais sabe, pois eu sou apenas um curioso como muitos dos que estão a ler este mesmo comentário.
Por falar em curiosidades:

http://www.avesdeportugal.info/sitsico.html

http://birdwatching.spea.pt/

http://www.birdlife.org/

A observação de aves é um segmento turístico que representa um valioso recurso, o qual significa muitas divisas para as regiões onde existe o birdwatching. Em 2010 estive num destes locais de birdwatching, onde havia infraestruturas próprias, perto de Almería, em Espanha (na foto acima). Já em 2007 tinha estado num outro país (Ilha de Lesbos, Grécia), onde a observação de aves representa centenas de milhares de euros para a economia regional, foi talvez aí que comecei a interessar-me mais pela observação de aves.
No caso da região de Sicó, esta actividade pode ser mais um complemento às actividades turísticas (muito incipientes...) que já ocorrem nesta mesma região, não sendo portanto algo a menosprezar. Hoje em dia já consigo ver mais aves como é o caso das águias, animais extremamente belos, é uma sensação fantástica ir de bicicleta pela floresta e de repente depararmo-nos com uma destas aves ali bem ao nosso lado, a descansar numa qualquer árvore.
Felizmente que muitos dos caçadores retrógados que assassinavam estas e outras aves, na região de Sicó, já tiveram mesmo de se reformar, no entanto sei que ainda há alguns no activo, que no intuito de combater a frustração pessoal, vingam-se nas aves, demonstrando uma cobardia patética, fruto de uma mentalidade retrógada e machista que vem de tempos imemoriais...
Voltarei a falar sobre a questão da observação de aves, para já fica então esta breve nota.

23.7.10

Aldeias do carso precisam-se na região de Sicó!

É uma ideia que apesar de já a andar a falar há anos não deixo de insistir, pois é importantíssima para a região de Sicó. Ao que me lembro, foi quando estive à frente da organização do colóquio
Desenvolvimento socio-económico promovido pelo património geológico e geomorfológico nas Terras de Sicó”, em 2007, que mais insisti nesta ideia, já que nesse colóquio estavam algumas pessoas supostamente chave no desenvolvimento regional.
A ideia é simples, porque é que ainda não temos aldeias dos calcários, ou de forma mais correcta aldeias do carso na região de Sicó? Será que não vale a pena potenciar algo que pode ser um poderoso cartão de visita da região de Sicó, à semelhança do que fazem as aldeias do xisto noutras regiões?
Claro que vale a pena, mas misteriosamente nada se tem feito em termos concretos para ultrapassar esta questão, mesmo que seja estruturante para a região. Temos dezenas de aldeias com potencial, muitas delas quase que completamente abandonadas!
Temos empresas de construção civil que se poderiam reconverter para este tipo de reconstrução, revitalizando também o sector da construção civil. Temos pessoas que até gostavam de investir, mas que vendo-se sozinhas não conseguem fazer nada...
Há até casos curiosos em que pelo menos um autarca da região de Sicó, que igualmente ignora esta ideia das aldeias do carso, comprou "inocentemente" casas de xisto a título pessoal e miraculosamente mais tarde estas mesmas casas de xisto são em aldeias que há poucos meses foram escolhidas para integrarem a rede das aldeias de xisto (após recuperação). É a triste sina da região de Sicó, há recursos, há potencial, mas apenas quem se move por certos meandros é que consegue fazer muitos tipos de projectos e para benefício pessoal...
Voltando às aldeias do carso, este podia ser um autêntico postal turístico da região de Sicó, é algo que sei que vale a pena lutar, mesmo que esteja a falar para as portas há anos. O dia há de chegar e aí muitos vão dizer que pena é que não tenha sido uma ou duas décadas antes.
Conheço muitos locais lindíssimos para recuperar, infelizmente apenas alguns ingleses, holandeses etc é que têm recuperado algumas casas de calcário. Há também alguns portugueses que recuperaram e alugam a bom preço, algo que tenho pena não poder fazer por falta de capital, mas mesmo assim já houve quem me pedisse aconselhamento neste tipo de projectos, algo que acedo de boa vontade, pois o conhecimento é para partilhar a bem da região de Sicó.
Não me vou alongar muito nisto, pois basta pensarem bem no assunto para verem o enorme potencial deste projecto. Muitos de vós, seja na região de Sicó ou não conseguem imaginar o valor desta ideia, portanto tentem de alguma forma mexer-se para que um destes dias tenhamos a primeira aldeia do carso na região de Sicó.